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Um desabafo - Uma carta ao Matthew McConaughey

por Catarina d´Oliveira, em 15.01.14

Querido Matthew,

 

Desculpa começar esta carta de uma forma tão rude e crua, mas não posso negar... odiava-te. Não desgostei de um dos teus primeiros filmes - o excelente e excêntrico clássico juvenil "Dazed and Confused" - mas confesso que depois disso, especialmente na entrada nos anos 2000, só de ouvir o teu nome dava-me urticária nos sítios mais reconditos e menos recomendáveis do meu ser. Chegava ao ponto de perder a vontade de ver algum filme só porque ouvia dizer que ias lá andar a desfilar em tronco nu, arrogante e com aquele sotaque texano meio irritante.

 

É verdade que não creio que tenha perdido grande coisa ali na primeira década do novo milénio, mas agora que penso nisso, era quase uma questão de ódio, o que nunca é saudável... e pelo que algumas pessoas me têm dito, até perdi, no meio do meu preconceito cego, alguns filmes bem porreirinhos teus, como o "A Time to Kill" e o "Killer Joe"... mas enfim, não gostava de ti e não havia - achava eu - nada a fazer para mudar isso.

 

Lembro-me que, há coisa de um ano e meio, coloquei aqui uma notícia sobre um anúncio de um qualquer filme em que ias participar. Sinceramente já nem sei qual era, e na altura decerto não me interessava. Como boa hater que era, desanquei-te logo, sem dó nem piedade, apenas porque não gostava de ti. Não gostava nada e de nada em ti.

 

Lembro-me também que desse post decorreu um comentário de um leitor que nunca mais me esqueci e que dizia algo do género: "oh Catarina não devias dizer essas coisas... olha que o homem não é assim tão mau. Devias espreitar o "Lincoln Lawyer". O tipo não está nada mal aí".

 

Confesso que ainda não vi o "Lincoln Lawyer" - o que farei mal tenha oportunidade - mas aquele comentário não me saiu da cabeça. Detesto preconceitos, sejam eles sobre o que for, e ali estava eu, a fazer exatamente a mesma coisa contigo. Estavamos algures em 2011, e o "Magic Mike" estava mesmo ao virar da esquina.
"Bom, estão a dar-lhe mesmo o que o tipo quer. Mais papéis onde mostrar o cabedal e afetar aquele sotaque carregado e ridículo" pensei eu quanto passavam os créditos do Steven Soderbergh - a outra razão, além daquele inesquecível comentário de um leitor, que me obrigou a arrastar-me para te ver num filme sobre strippers - o que era talvez a descrição conjunta que me dava mais vontade de medir uma autoestrada com fósforos do que me sentar na sala de Cinema.

Aguentei... e não desgostei - nem do filme, nem de ti, Matthew. Mas continuei apreensiva - afinal aquilo era uma continuação do que andavas a fazer nas comédias há anos, apenas um bocadinho mais bem feita.

Depois veio a surpreendente comédia indie "Bernie", e sobretudo "Mud" de Jeff Nichols, que é uma das minhas grandes promessas do Cinema Americano, e assim, sem reparar bem como comecei a render-me. Aquela combinação dura de um bandido e um sábio tolo deixou-me a pulga atrás da orelha, e estava finalmente a começar a perceber.

Que diabo pá, para mim não era suposto seres bom...!
2013 adivinhava-se um ano especial para o ti, ainda que, mesmo que já começasse a simpatizar contigo e a preparar-me para te suportar, nunca estaria pronta para o que me tinhas reservado. Um filme com o Martin Scorsese e um outro onde tinhas de interpretar um cowboy homofóbico que se viu encurralado pelo vírus da SIDA?

"É agora que te vamos testar, filho" pensei eu dando gargalhandas maléficas dentro da minha cabeça.

E para minha contínua surpresa, passaste com distinção.

A tua participação em "The Wolf of Wall Street" está confinada a uns 5 ou 7 minutos, mas de alguma forma, tornaste-a inesquecível e incrivelmente carismática. O ritual de bater no peito e cantarolar que introduziste no filme é um clássico instantâneo.
Todavia, a tua coroação suprema chegou no "Dallas Buyers Club". Fiquei completamente rendida. Muita gente fala da tua entrega quase unicamente a partir do pressuposto que perdeste 20 kg para interpretar o papel, mas isso foi apenas uma finíssima camada do todo que construíste para um homem tão complexo, tão dicotómico como o Ron Woodroof.

 

No Domingo passado, a Hollywood Foreign Press teve a decência de te atribuir o Globo de Ouro de Melhor Ator de Drama do ano. E sem ofensa para os restantes nomeados, que sem exceção fizeram um trabalho magnífico este ano, foi inteiramente merecido, não só pela tua criação específica para o "Dallas", mas pela tua completa ressurreição.

 

Para coroar tudo isto, ainda fizeste um excelente discurso ao aceitar o teu prémio, que teve a sua dose de divertido, agradecido e sem dúvida um grande splash da tua personalidade (e provavelmente do álcool servido na cerimónia) - que até já aprendi a gostar, veja-se!

 

 

O futuro brilha para ti, e já vejo com ansiedade a tua próxima colaboração muito promissora, no novo filme do Christopher Nolan.
Além disso, materialmente, não sei o que te está reservado. As nomeações aos Oscars saem amanhã. É quase certo que estarás entre os nomeados, apesar de não ser assim tão certa a tua vitória - a competição e os lobbies são sempre ferozes. Mas isso não importa. O que é um Oscar ao pé do significado de uma obra? De uma carreira?

 

A maior lição já tu nos deste, com ou sem Globo de Ouro, Oscar ou qualquer outro indivíduo de lata que não atesta coisa nenhuma. Hoje, Matthew, decidiste que já chegava de ser uma Estrela, e resolveste tornar-te um Ator (que sempre foste na verdade, mas andavas atolado em filmes menores que tu). Claro que não foi do dia para a noite - o teu renascimento foi fruto do encontro entre o dom que sempre lá esteve, e um amadurecimento e crescimento na tua abordagem à carreira e à própria arte. Não esperava isso de ti, nunca na vida. Acho que se me dissessem isso há uns anos, acreditava tanto como se me dissessem que a autora da saga Twilight ia ganhar um Pullitzer.

 

Não sou uma pessoa inflexível, mas confesso que o teu caso estava preto... E estou impressionada Matthew, estou muito impressionada. Mas, sobretudo, agradecida.

Obrigada por me dares a volta, seu sacana.


P.S. Mau! Não te estiques!

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