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Close-Up Soap Awards 2016 - 5ª Edição | Vencedores

por Catarina d´Oliveira, em 03.03.16

Lembram-se de vos ter dito que a cerimónia dos Close-Up Soap Awards 2016 ia ter lugar no dia 25 de fevereiro? Epá devo ter dormido muito bem nesse dia, porque essa previsão era deveras positiva... mas aqui estou eu, uma semana mais tarde, a trazer-vos resultados requentados - mas que fiz questão de dar um calorzinho no microondas!

 

Apertem os cintos porque esta é a 5ª Edição dos Soap Awards!!!

 

[ovação de pé durante 17 minutos]

 

Agora que já sossegamos, vamos aos highlights da cerimónia que, tal como os primos pobres da Academia norte-americana (os Óscares), esteve muito marcada por vitórias em diversas categorias de Mad Max: Fury Road.

 

miller.jpg

 

George Miller papou uma série de SOAPs importantes (na verdade foram quatro, não era assim tão difícil de contar...), incluíndo o muito cobiçado Melhor Blockbuster. Evidentemente, também o já célebre Doof Warrior levou um merecido galardão pela sua participação rica em elementos WTF no filme de Miller, e dizem os rumores que já foi avistado a guitarrar no seu carro de guerra com um prémio na mão!

 

closeup-doof.jpg

 

Outro dos protagonistas da cerimónia deste lusco-fusco (porque se fosse fazer à noite esta trampa acabava muito tarde!) foi Ex-Machina, cuja inteligência artificial na forma de Alicia-Está-Nos-Filmes-Todos-Vikander deu a volta a muitos e bons cinéfilos. Mas não foi só a esbelta sueca que fez o serão dos votantes, já que também os moves sensualões de Oscar Isaac lhe valerão o láureo de Rei da Pista de Dança 2016.

close-up-machina.jpg

 

E já que falamos em reis, porque não dar também o devido destaque a uma das grandes estrelas mediáticas do final do ano de 2015? Não, não estamos a falar do Donald Trampa, mas sim, claro está, do urso de The Revenant. Ao que conseguimos apurar, o mamífero que chegou a roupa ao pelo de DiCaprio no filme de Alejandro Iñárritu tem nome e chama-se Leopoldo Machado. Leopoldo subiu ao palco com pompa e circustância para a primeira ovação da noite, prestada em reconhecimento pelo seu excelso papel secundário no épico de lama e partes baixas geladas do realizador mexicano.

urso.jpg

 

 

 Por fim, não podemos deixar de guardar um parágrafo de destaque para 50 Shades of Grey, que, basicamente, ganhou quase todos aqueles prémios que ninguém queria ganhar. Quando subiu ao palco para agradecer uma das estatuetas, Jamie Dornan (o Christian Grey) apresentou-se apenas de ceroulas temáticas e agradeceu a distinção de forma categórica: "i was fifety shades of fucked up, now i'm fifety shades of... soap".

CLOSEUP-cueca.jpg

 

 

Enfim, é o que temos e foi uma cerimónia muito gira e muito animada e coiso e tal portanto rezem para, no próximo ano, serem convidados para o evento cinematográfico mais in de 2017.

 

Até lá, deixo-vos com a lista completa de vencedores dos Close-Up Soap Awards 2016.

 

*** *** ***

 

Melhor Filme que não foi Nomeado para o Oscar de Melhor Filme

Ex-Machina

 

 

Melhor Filme que Provavelmente Muita Gente Não Viu

As Mil e Uma Noites (3 Volumes) 

 

 

Pior Filme que poderá vir a ser chamado de “Oscar-Winning”

50 Shades of Grey (Melhor Canção Original)

 

 

Melhor Blockbuster

Mad Max: Fury Road

 

 

(Pior) Blockbuster da Loja do Chinês

EX AEQUO: Fantastic Four & Jupiter Ascending

 

 

Filme que não nos atrevemos a tocar nem com um pau de três metros

Mortdecai

 

 

Pior filme para veres com os teus pais e avós

50 Shades of Grey

 

 

Melhor Twist: ou Oh diabo, pensei que este filme fosse sobre outra coisa…

EX AEQUO: Tangerine (sobre fruta) & What We Do in the Shadows (sobre masturbação em locais públicos... à noite)

 

 

Melhor Dinossauro

Arlo, de The Good Dinosaur

 

 

Inteligência Artificial? Oh que %€?”#$%#”, se soubesse tinha ficado quieto

Ex-Machina

 

 

Rei/Rainha da Pista de Dança

Oscar Isaac, em Ex-Machina

 

 

Melhor desfibrilhação para franchises adormecidos

Mad Max: Fury Road

 

 

A Moda do Ano

Recuperar Franchises

 

 

Melhor Cameo

Daniel Craig, em Star Wars: The Force Awakens

 

 

Melhor Utilização de Banda Sonora Não Original

Straight Outta Compton

 

 

Melhor título de um filme que também serviria na indústria pornográfica

Get Hard

 

 

Melhor Indie que tresanda a Indie (em bom)

Me, And Earl, And the Dying Girl

 

 

Maior Momento WTF?

O guitarrista, de Mad Max: Fury Road

 

 

A Linha de Diálogo mais Ridícula de 50 Shades of Grey

“Because I’m fifty shades of fucked up, Anastasia.” (Christian Grey)

 

 

Linha de Diálogo que anima o espírito

“What a lovely day!” – Mad Max: Fury Road

 

 

Prémio Especial - Pôr água na fervura (Eles queriam nomeações a Óscar mas só levaram rebuçados)

Beasts of No Nation

 

 

Prémio Especial - Antidepressivos para que vos quero

Room

 

 

Prémio Especial – Não estou nada a chorar! Foram as cebolas!

“Leva-a à lua por mim, ok?” (Bing Bong), em Inside Out

 

 

Prémio Especial – “Nossa, que biolência!”

O ataque do urso, em The Revenant

 

 

Prémio Especial – Omnipresença

Alicia Vikander (The Danish Girl, Burnt, The Man from UNCLE, Testament of Youth, Ex-Machina, The Seventh Son, Son of a Gun)

 

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Se não vivem debaixo de uma pedra - opção que não coloco totalmente de lado à partida - já deverão conhecer todos os 24 vencedores da 88ª edição dos Oscars da Academia e já devem estar emocionalmente recuperados do facto de o Leonardo DiCaprio ter, finalmente, conseguido a sua estatueta depois de anos e anos a fazer tudo e mais alguma coisa no grande ecrã - incluíndo encharcar-se em drogas, interpretar uma pessoa com deficiência e um amor impossível perdido no oceano gelado.

 

Posto isto, estamos então todos prontíssimos para avançar na nossa análise habitual da cerimónia - mas não é aquela análise detalhada e atenta a todos os pormenores da cerimónia mais mediática da sétima arte... é mesmo aquela análise rasca que se auxilia de GIFs, Memes e Vídeos para arrancar à força views dos 13 leitores habituais deste blog. Na verdade, talvez sejam só 7, mas vamos a isto!

 

*** *** ***

 

Estavamos perto das 23:00 quando começou a emissão da passadeira vermelha e nestes momentos iniciais, nunca sabemos muito bem o que esperar da noitada que se avizinha...

 

 

 

No entanto, decidimos colocar alguma fé no potencial da cerimónia e assumimo-nos entusiasmados pelas possibilidades da noite...

 

 

 

Um dos destaques da cerimónia foi Jacob Tremblay - o adorável protagonista de Room que estou, neste exato momento a tentar adotar

 

 

 

Vejam como o garoto rejubila com o glamour hollywodesco... imagine-se o que não seria se viesse morar comigo para a Trafaria!

 

 

 

No entanto, o único local mais animado além da red carpet dos Oscars naquele momento era a boa da internet, que conforme as estrelas iam chegando, ia fazendo das suas...

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Alicia Vikander e o seu jovial vestido amarelo não passaram despercebidos e a atriz sueca não fugiu a duas recorrentes comparações com duas famosas personagens da Disney/Pixar...

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Jared Leto que se destaca sempre pela diferenciação num mar de homens virtualmente todos iguais também tratou de levar no lombo...

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Mas ninguém levou mais ódio que Heidi Klum - em sua defesa digo: não é fácil uma pessoa vestir-se às escuras...

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Mas um dos momentos mais ridículos da red carpet estava guardado para Whoopi Goldberg, quando foi confundida com a Oprah pela Total Beauty 

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A empresa bem tentou apagar o tweet que fez mas, amigos...na internet é para sempre, temos pena, portanto os print screens perdurarão para sempre e o vosso ridículo também, graças ao senhor.

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Evidentemente, seguiram-se vários comentários relacionados com a bronca

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Mas o meu favorito...

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Mas felizmente o Jacob Tremblay está sempre disponível para ser o ser mais amoroso à face da Terra e salvar a alma do convento...

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Mas parou tudo. Leonardo DiCaprio e Kate Winslet chegaram e pousaram juntos para as fotografias e o mundo teve um orgasmo coletivo.

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Por falar em DiCaprio, decerto que estavam todos como nós nesta altura, em ansiosa expectativa por aquele que viria a ser um dos momentos da noite...

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Mas até lá ainda faltavam longas horas, razão mais do que suficiente para que alguns famosos levassem consigo uma boa merenda que os ajudasse a chegar ao fim da noite. Bryan Cranston levou uma bolacha épica que teve um fim pouco feliz...

 

 

 

 

Mas Charlize Theron foi a pessoa mais honesta relativamente à fomeca que se passa em cada uma destas cerimónias...

 

 

 

 

Estavamos a breves momentos de iniciar a nossa maratona noturna, pelo que era o momento perfeito para os últimos preparativos e as últimas selfies de manta, à lareira, com comida de merda...

 

 

 

 

Tudo a postos para o arranque? Vamos à chamada? Equipa Mad Max? Presente! Equipa The Revenant? Presente. Equipa The Danish Girl...

 

 

 

 

 

Tudo alapado e pronto para o arranque. Abrimos caminho com o monólogo de Chris Rock, que sem grandes surpresas, não ataca a temática das condições ideais para a plantação da ervilha em estufa mas sim... 

 

 

 

 

O tema do racismo dominou toda a cerimónia e deu azo a várias piadas acídicas...

 

 

 

Mas a minha favorita foi a trancada épica na Jada Pinkett Smith

 

 

 

 

 O discurso fechou com a promessa de diversidade ao longo da noite e oh senhores se isso não foi verdade...

 

 

 

 

 Começamos com uma muito inspirada montagem de alguns filmes do ano com "intrusos" que promoviam a diversidade de género (mas que na verdade foram só afro-americanos)

 

 

 

 

Um destaque extra para Tracy Morgan que fez uma imitação perfeita de metade da performance de Eddie Redmayne...

 

 

 

 

 

Depois de ter sido uma das involuntárias protagonistas da red carpet, Whoopi Goldberg voltou à carga, criticando desta feita Joy

 

 

 

 

E estabelecendo uma verdade absoluta sobre uma história adaptada à realidade afro americana que pudesse ser considerada à realidade do Oscar...

 

 

 

 

Destas críticas nem o Leonardo & Cia. se escaparam...

 

 

 

 

Mas às tantas as piadas já eram tantas que o discurso sobre a diversidade se foi ridicularizando ao longo da noite, assumindo o ponto alto da idiotice na absurda aparição de Stacey Dash...

 

 

 

 

 

E eu que nem simpatizo com o The Weeknd, senti a sua dor...

 

 

 

 

Mas regressemos às coisas positivas: Alicia Vikander levou um muito merecido Oscar para casa e é, sem dúvida, a sueca mais bronzeada que eu vi na vida.

 

 

 

 

Por esta altura, a cerimónia decorria leve, com humor e sem grandes precalços. Até o Stallone estava a curti-las...

 

 

 

 Bom, pelo menos até ao momento da verdade...

 

 

 

 

Ainda no início da noite, Mark Rylance surpreendeu tudo e todos a levar o Oscar de Melhor Ator Secundário no lugar de Sly...

 

 

 

 

O pessoal ficou possesso na internet, mas Frank Stallone fez um ótimo trabalho ao envergonhar o irmão com uma saga de tweets profundamente ressabiada e, portanto, hilariante

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Mas não foi ele o único a dar bandeira perante a sua tremenda infelicidade. Por esta altura Alejandro Iñárritu ainda não tinha perdido cerca de 674 Oscars para Mad Max, portanto estava bem disposto...

 

 

 

Mas quando a responsável pelo guarda-roupa de Mad Max subiu ao palco para receber o seu galardão, o realizador mexicano amarrou bem o burrinho.

 

 

 

Mas tudo ficou bem no mundo porque a senhora cagou no assunto e vestiu este fantástico blusão com diamantes... porque sim.

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E George Miller aprovou.

 

 

 

Quem também deu o aval à escolha foi Ali G - ou a nova tentativa de Sasha Baron Cohen de ser definitivamente banido da cerimónia...

 

 

 

Por esta altura, a cerimónia precisava de um empurrãozinho, e de forma ligeiramente desinspirada, Chris Rock tentou recuperar o momento da pizza de Ellen Degeneres com o momento da venda das bolachas das filhas...

 

 

 

A audiência até gostou da ideia, porque entrar para aqueles vestidos esterlicadinhos significa muita larica na barriga...

 

 

 

E toda a gente fez fila para comprar uma caixa...

 

 

 

Tanto que não chegou para todos e Matt Damon teve de partilhar o seu tesouro com Christian Bale que depois d' O Maquinista jurou para nunca mais passar fome daquela.

 

 

 

Já o Leonardo... parece que não partilhou.

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E a internet não perdoou, mais uma vez...

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 Se soubesse não me tinha posto a merendar antes da atuação do Sam Smith da canção nomeada do 007 - Spectre que, perdoem-me o palavreado, foi uma valente merda pingada. Ele próprio admitiu...

 

 

 

Mais entusiasmante e emocionante foi o momento musical de Lady Gaga...

 

 

Em "Til it happens to you", subiram ao palco dezenas de vítimas de assédio sexual numa apresentação que deixou muitos membros da audiência de lágrima no canto do olho...

 

 

 

À saída do palco, Brie Larson deu-nos mais uma razão para sermos seus fãs, ao cumprimentar e abraçar CADA UM dos participantes na performance...

 

 

 

Estava tudo alinhado para que uma cantiga bonita ganhasse a noite mas....

 

 

 

oh que merda esta....

 

 

 

A pior canção de Bond de sempre com um Oscar.

 

 

 

Ficamos assim, então, Academia.

 

 

 

Deixemos que a alegria musical nos chegue através da colossal vitória de Ennio Morricone na categoria de Melhor Banda Sonora Original (The Hateful Eight)...

 

 

 

 

E vendo o querido Ennio com uma lágrima a aceitar este prémio há tanto merecido, fiquei com desejos de o adotar também!

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Por falar em adorável: eis um rápido tutorial de como arruinar a participação de crianças asiáticas adoráveis na cerimónia:

 

 

 

 

Oh Ryan, lá tivemos de recorrer a ti para mais um daqueles momentos WTF...

 

 

 

Mas ei, os Minions chegaram para animar a malta!

 

 

 

Ou...quase toda a malta.

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 Mas esta noite também serviu para recordar grandes momentos de infância... como aqueles que passamos com Woody e Buzz <3

 

 

 

 

E também com R2-D2 e 3CPO e.... ai!!! O Jacob a ser adorável outra vez!!

 

 

 

Já me acalmei. Entretanto, entre os aborrecidos apresentadores que normalmente preenchem as noites dos Oscars, aparecem sempre aqueles que secretamente desejamos que um dia apresentem a cerimónia... como a dupla Steve Carell e Tina Fey.

 

 

 

Será que este momento teve algo a ver com isto...?

 

 

 

De todo o modo, nenhum apresentador hipotético gerou tanta mobilização online como o brilhante Louis C.K.

 

 

A sério... ponham-no a apresentar tudo.

 

 

 

Mas também pode ser o Jacob...

 

 

 

 

 A sério... eu vou eventualmente acalmar-me, mas o puto é glorioso.

 

 

 

 

E quando Brie Larson venceu o Oscar de Melhor Atriz, a cumplicidade entre os dois derreteu toda a gente...

 

 

 

Entretanto o Iñárritu lá ficou com melhor cara...

 

 

 

Mas a esta hora já só tinhamos uma coisa na cabeça - DiCaprio - pelo que nem ouvimos nada do discurso dele...

 

 

 

 

Chegou o momento. Depois de dias a ver e rever todas as ocasiões em que DiCaprio NÃO VENCEU, eis o dia, ei-lo!!!

 

 

 

Ele não disse, mas estava assim por dentro.

 

 

 

O reconhecimento foi geral e merecido...

 

 

 

 

Inclusive do seu excelso coprotagonista...

 

 

 

Mas Kate Winslet aplaudiu com o fervor que todos nós sentíamos...

 

 

 

 

 E o nosso rapaz não desiludiu com um discurso fantástico e consciente.

 

 

 

E a Kate Winslet continuava a ser todos nós.

 

 

 

Foi uma boa viagem, kid.

 

 

 

 

Bem vindo ao fim dos memes! Ou será que...?

 

 

 

 

A noite já ia longa e só nos faltava um prémio. Para surpresa de uns, e confirmação de outros, Spotlight foi o vencedor da categoria mais cobiçada. E Michael Keaton manteve o nível com um elaborado "fuck yeah!!!" enquanto mascava a sua já famosa chicla de menta.

 

 

 

A sério, é mesmo famosa.

 

 

 

 

Reparem como a mastiga com vigor... podíamos ficar nisto durante horas...

 

 

 

Mas aproveitamos este momento para relembrar o momento em que Morgan Freeman retira selvaticamente as bolachas da mão de Chris Rock. A fome é negra... e isto não é uma piada racista.

 

 

 

 

Resumindo e concluindo, Julianne Moore deixou a sua apreciação sobre uma cerimónia tépida, mesmo envolvida em muita polémica...

 

 

 

Jacob, estamos combinados para o ano? Apresentas? Sim? Boa!

 

 

 

 

 ... se por acaso o Jacob e o Louis C.K. não puderem, deixo uma terceira alternativa de host em aberto....

 

 

 

Até para o ano malta...

 

 

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Deep Focus - A Mulher enquanto heroína de ação (III)

por Catarina d´Oliveira, em 04.06.15

[artigo originalmente publicado na Magazine.HD]

 

E antes de colocar um ponto final na sequência de artigos sobre a Mulher enquanto heroína de ação, abordando o tema do Legado e da importância específica da personagem de Furiosa em "Mad Max: Fury Road", aproveito para revisitar algumas das outras grandes heroínas do Cinema de ação do séc. XXI, sem ordem específica e claro... ficarão certamente muitas outras por destacar.

 

Às mulheres guerreiras!

 

 

THE BRIDE [in “Kill Bill”, 2003/2004]

bride

 

Possivelmente, é o facto de ser uma mulher que torna a Noiva numa heroína tão interessante em “Kill Bill”. Alvejada, espancada e violada, Beatrix Kiddo acorda de um coma de quatro anos em puro estado de cólera. A sua icónica jornada de sangue, punição e vingança tornou-se objeto de culto praticamente a partir do momento de estreia.

 

 

 

HIT GIRL [in “Kick-Ass”, 2010/2013]

 

hitgirl

 

Foi criada pelo pai para ser uma vigilante da justiça ainda que mantenha as feições encantadoras da girl-next-door. Não se deixem enganar, porque a heroína de Chloe Grace Moretz que mantém uma íntima afinidade com lâminas avia mais maus da fita do que qualquer outro coprotagonista de Kick-Ass.

 

 

 

YU SHU LIEN [inCrouching Tiger, Hidden Dragon”, 2000]

 

crouching

 

A escolha de Yu Shu Lien incorre numa pequena infração na lista – em rigor, “O Tigre e o Dragão” é um filme realizado ainda no séc. XX apesar de ter sido estreado em muitos países no início do séc. XXI (ano de 2001), mas a imponência da personagem de Michelle Yeoh (a própria atriz é um ícone da ação feminina tendo feito sombra a Jet Li, Jackie Chan e ao fictício James Bond e  é demasiada para ignorar. Shu Lien é a epítome da mulher guerreira e exemplifica na perfeição o pináculo da força física e mental.

 

 

 

LARA CROFT [in “Tomb Raider”, 2001-2003]

 

croft

 

É contestável dizer que Lara Croft terá sido o mais bem conseguido veículo de cinema de ação na eclética galeria de personagens trazidas à vida por Angelina Jolie (onde se contam a mortífera Fox de “Wanted” ou a engenhosa Evelyn Salt de “Salt”), mas é indiscutível a importância que a adaptação do videojogo “Tomb Raider” teve para a reanimação da noção da mulher como estrela de ação. Numa espécie de versão feminina mais cool, atlética e sensual de Indiana Jones, Lara Croft foi um icónico farol de inspiração para toda uma geração de heroínas que surgiram posteriormente.

 

 

 

KATNISS EVERDEEN [in “Hunger Games”, 2012-2016]

 

heroínas

 

Katniss Everdeen pode não ser a heroína mais bem construída da história do cinema mas é, definitivamente, a grande estrela de ação feminina desta Era. Com apelo e engenho que desafiam as convenções, a personagem interpretada por Jennifer Lawrence começa por ser uma mulher em busca da sobrevivência para se vir a tornar um símbolo da Revolução (mesmo que contra a sua vontade). Mas são as habilidades com o arco e flecha, a inquebrável coragem e o incorruptível amor pelos seus que lhe dão entrada direta para o nosso top.

 

 

 

 

EVELYN SALT [in “Salt”, 2010]

 

salt

 

O protagonista de “Salt” foi originalmente escrito para Tom Cruise mas posteriormente alterado para garantir que seria Angelina Jolie a dar vida à então espiã em fuga. O enredo previsível torna-o um thriller relativamente banal, mas Jolie é uma força da natureza enquanto elimina eficazmente soldados dos serviços secretos aos magotes, salva os EUA da destruição e ainda tenta descobrir a verdade sobre si mesma.

 

 

 

MOON [in “Hero”, 2002]

 

hero

 

A notabilidade de Ziyi Zhang montou-se a partir de “Crouching Tiger, Hidden Dragon” onde viveu a rebelde filha de um governador rico que se treinou em artes marciais. No entanto, e porque também já falamos de Michelle Yeoh, resolvemos eleva-la por “Hero” onde interpreta a corajosa Moon, uma lutadora apaixonada, determinada e preparada a lutar até à última instância.

 

 

 

ALICE [in “Resident Evil”, 2002-2016]

 

residentevil

 

As adaptações de videojogos para o cinema não têm tido uma carreira particularmente feliz – isto se quisermos mesmo entrar na simpatia de lhe chamar “carreira”. No entanto, uma das entradas de maior sucesso do género foi inequivocamente a de “Resident Evil”, que coloca Milla Jovovich naquele que parece ser um caminho interminável de zombies para abater.

 

 

 

HERMIONE GRANGER [in “Harry Potter”, 2001-2011]

 

hermione

 

A figura central da saga “Harry Potter” bem pode ter sido permanentemente habitada pelo rapaz que sobreviveu, mas é pouco provável que o jovem feiticeiro tivesse ido além do primeiro episódio sem a preciosa ajuda de uma das suas melhores amigas: a menina-prodígio, Hermione Granger. É inteligente, capaz, audaz e, em boa verdade, mais bem equipada que o protagonista. A justiça que fazem à escrita de uma grande personagem feminina tanto nos livros como nos filmes é notável.

 

 

 

 

CHERRY DARLING [in “Planet Terror”, 2007]

 

planetterror

 

A fabulosa homenagem em forma de paródia aos filmes de terror da década de 1970 que é o double feature “Grindhouse” é uma vitrine de mulheres cheias de si, de feminilidade e sobretudo, de vontade de chegar a roupa ao pelo a quem se meter com elas. E enquanto a perseguição a Stuntman Mike é um clímax delicioso para as mulheres de “Death Proof”, era impossível manter a icónica Cherry Darling fora da nossa lista. Afinal, ninguém tem uma metralhadora como perna. Enough said.

 

 

 

SELENE [in “Underworld”, 2003-2012]

 

underworld

 

Com a família assassinada por um grupo de malvados lobisomens, é compreensível que a bela Selene – transformada em vampira pelo “padrasto” – tenha umas quantas vinganças para resolver. E numa era em que a mitologia vampiresca é tão maltratada, é revigorante ver uma saga (mesmo que bastante imperfeita) liderada por uma mulher forte com um arsenal de artilharia moderna para tentar refrescar o género.

 

 

 

ELIZABETH SHAW [in “Prometheus”, 2012]

 

prometheus

 

O legado que pretende preencher não é justo: ninguém seria capaz de “substituir” a Ellen Ripley de Sigourney Weaver em qualquer situação que fosse, no franchise “Alien”, mas sendo “Prometheus” uma besta que existe por si mesma (ainda que claramente conectada à tetralogia original), a Elizabeth Shaw de Noomi Rapace não se deixa passar vergonha – ela que já nos tinha provado de que fibra era feita como a inolvidável Lisbeth Salander na adaptação cinematográfica sueca da trilogia “Millenium”. Além de fazer parte de uma equipa de elite de exploração de um planeta longínquo, é a protagonista de uma cenas de primeiros socorros mais violentas da história do Cinema.

 

 

[artigo originalmente publicado na Magazine.HD]

 

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Deep Focus - A Mulher enquanto heroína de ação (II)

por Catarina d´Oliveira, em 27.05.15

furiosa.png

 

 

2. FURIOSA

 

Ouvem-se cânticos de guerra pela Cidadela adentro. Os War Boys uivam de prazer em face da possibilidade da morte certa em honra da adoração cega de um líder misógino e terrorista. O deserto impenetrável que circunda este oásis de vida aparente parece uma poderosa analogia para o sexo ausente numa civilização dizimada.

 

Sob um comando autoritário e profundamente machista, as mulheres e crianças são meros elementos de exploração necessária para alimentar uma sociedade patriarcal em decadência.

 

“Quem matou o mundo?” – escreveram as últimas mulheres saudáveis. A resposta, no entanto, não é tão interessante de perseguir como a solução do problema apresentada por George Miller: voltar a colocar a Mulher, responsável por gerar vida, no centro dos comandos, em pé de igualdade com o Homem. E a líder da revolução não poderia ser uma melhor bandeira para a reivindicação de mais e melhores Mulheres no Cinema.

 

 

Exalando confiança e calma, é com passos seguros e firmes que a vemos surgir de cabeça rapada e com um braço mecânico a subir para uma máquina de combate artilhada. Senta-se aos comandos e com gordura e sujidade do motor, escurece a linha do olhar com pinturas de guerra.

 

Furiosa não é propriamente a heroína a que estamos habituados. Não é uma cara bonita com roupa de lycra a exaltar as curvas. Não é uma mulher que procura vingança por um crime hediondo. Não é resultado da incubação de uma assassina treinada.

 

Na verdade, Furiosa nasceu numa comunidade de mulheres e foi criada exclusivamente por elas. Ela existe para as mulheres e está aqui por causa delas. E tudo o que aprendeu – desde o mais inato sentido de raiva, à adquirida ferocidade – aprendeu de mulheres e/ou por ser uma mulher.

 

 

Saudável e capaz, é, no entanto, estéril, razão pela qual não foi tornada escrava sexual ou uma mera “ordenhadora” quando foi roubada e transferida para a Cidadela liderada pelo temível Immortan Joe, ainda na infância. O estatuto que adquiriu edificou-se exclusivamente a partir das suas capacidades.

 

A própria Charlize Theron admitiu que a possibilidade de vir a interpretar um daqueles suspiros vazios no universo macho de ação deixou-a assustada.

 

Lembro-me de ouvir dizer que o George Miller ia reimaginar este mundo e que ia criar uma personagem feminina que ia erguer-se ao mesmo nível que o Max. A princípio pensas sempre ‘isso é porreiro!’, mas depois vem o ceticismo. ‘Já ouvi esta história e já sei que vou ser a miúda que acaba lá atrás com o soutien push-up e o cabelo ao vento’. Já faço isto há algum tempo e tenho feito um grande esforço para me afastar desses projetos. Mas depois conheci o George, e houve algo nele em que acreditei mesmo. Acreditei que ele queria fazer algo que fosse mesmo verdadeiro. Acho que existe uma igualdade neste papel, em oposição a ser apenas uma mulher neste tipo e filmes. E acho que as mulheres estão só ansiosas por essa igualdade. Não quero ser posta num pedestal, e não quero ser nada mais do que sou. Quero ser apenas uma mulher, mas uma mulher autêntica, neste género ou em qualquer outro”.

[Charlize Theron]

 

 

Tal como Ellen Ripley e Sarah Connor antes de si, Furiosa tem algo que a diferencia das demais heroínas, e que é parte da sua receita de sucesso – basicamente, o seu heroísmo e coragem embebem-se no seu estatuto e condição de mulher, e ambos estão ligados e alimentam-se mutuamente. Simultaneamente, Furiosa é uma guerreira e uma alma em conflito, à procura de vingança. Ela não se limita a existir e é a parte mais ativa na construção de um futuro onde muito mais do que sobreviver, existe a possibilidade de viver.

 

É esta combinação de elementos que a torna um farol tão importante para a representação da imagem da Mulher no Cinema de ação do futuro e no cinema em geral – porque há uma grande relutância generalizada em explorar a ideia de uma mulher tão complexa.

 

A preponderância de Furiosa atingiu níveis estratosféricos quando se tornou uma das principais bandeiras dos Ativistas dos Direitos do Homem, que se sentiram tão ameaçados pela mensagem pró-feminina de “Fury Road” que tentaram… promover um boicote ao filme.

 

O que não deixa de constituir uma ironia quase repulsiva – um dos melhores filmes de ação dos últimos anos é demasiado “moderno” para os delegados da misoginia barata.

 

 

É interessante fazer estas entrevistas e ter pessoas que dizem ‘Oh, que mulheres fortes’. Mas não… somos apenas e só mulheres. Tivemos um realizador que percebeu que a verdade é que as mulheres são poderosas o suficiente, que não precisamos de ter poderes sobrenaturais ou de sermos capazes de fazer coisas que não conseguimos normalmente

[Charlize Theron]

 

No final de contas, não é assim tão difícil criar uma personagem feminina multidimensional e povoada por belas nuances e contradições. O que acontece é que a história e particularmente o género de Ação não têm sido bons para a Mulher, reduzindo-a muitas vezes a uma vítima incapaz ou a uma extravagante caricatura vestida com látex. Theron complementa a noção: “O problema da representação das mulheres no cinema remonta ao complexo da Madonna/p*ta”.

 

É verdade que o séc. XXI viu surgir um pequeno leque de outras ecléticas heroínas – desde a noiva de Uma Thurman em “Kill Bill”, à vencedora dos “Hunger Games” Katniss Everdeen, a Lisbeth Salander de Noomi Rapace e Rooney Mara, passando até pela secundária mas complexa Viúva Negra de Scarlett Johannsson em “The Avengers”, entre outras.

 

 

Mas é também o leque de limitações de cada uma delas, e especialmente a brava heroína de Johansson que ajuda a exaltar a importância de Furiosa para o panorama cinematográfico atual. Com a disparidade de tratamento, tanto nos filmes como restantes meios (merchandising, por exemplo), o horizonte de um filme de estúdio dedicado a uma (super-)heroína feminino parece estupidamente distante. E com esta perspetiva negra do futuro da guerreira feminina, a criação contra-corrente de Charlize Theron e George Miller (que se apaixonou tanto pela personagem que lhe escreveu uma história de origem personalizada) eleva-se ainda mais alto.

 

O tempo tratará de provar que é ela a Joana d’Arc da figura de ação feminina – uma fonte inesgotável de inspiração e poderio.

 

Furiosa é a heroína que queremos, que precisamos.

A heroína que merecemos.

 

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Deep Focus - A Mulher enquanto heroína de ação (I)

por Catarina d´Oliveira, em 26.05.15

 

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[artigo originalmente escrito para a Vogue.pt] 

 

 

1. O LEGADO

 

Quando “Mad Max: Fury Road” chegou às salas de cinema de todo o mundo, duas coisas ficaram claras: primeiro, George Miller tinha não só feito um glorioso update da saga que criou há mais de 30 anos, como concebeu um dos maiores (e melhores) filmes de ação dos nossos tempos; segundo, e possivelmente ainda mais surpreendentemente… não tinha tornado Max o seu protagonista.

 

É que, não obstante ser ele a dar o título ao filme, o corpo aos posters e a voz aos trailers, é Furiosa, a imponente Imperator de Charlize Theron, a inequívoca heroína de um filme que carrega uma poderosa mensagem, não feminista, mas pró-feminina - e sobre a influência particular da fabulosa personagem de Theron na perspetiva futura da Heroína feminina no Cinema, falarei ainda esta semana, noutro artigo.

 

 

Todavia, não é segredo para ninguém que a indústria cinematográfica continua a ser profundamente sexista, intoxicada por disparidades escandalosas que vão desde o tratamento das personagens à própria dinâmica económica e financeira da indústria.

 

Mergulhemos nos factos: dos dez atores mais bem pagos em 2014 apenas duas são mulheres – Sandra Bullock (51 milhões de dólares) e Jennifer Lawrence (34 milhões de dólares). E se Bullock foi um caso pontual e fora de série por culpa do fenómeno global que foi “Gravidade”, apenas Lawrence pode ser considerada uma presença feminina consolidada, ocupando o décimo lugar numa lista encabeçada pelo ícone de Robert Downey Jr. Que lhe rendeu uns pornográficos 75 milhões de dólares – mais do dobro de Lawrence.

 

O facto mais curioso quando resolvemos cruzar alguns dados é que, na verdade, a estrela mais rentável de 2014 foi… uma mulher – entre o terceiro capítulo da saga “Hunger Games” e o mais recente filme de “X-Men”, Lawrence foi quem mais rendeu na bilheteira em 2014, seguida de Chris Pratt e, que surpresa, outra mulher, Scarlett Johansson.

 

 

É, no entanto, virtualmente impossível fazer boas omeletes sem ovos, e as oportunidades para blockbusters ou grandes produções protagonizadas por mulheres são profundamente escassas. Mantendo-nos ainda no ano de 2014, podemos constatar que dos 10 filmes mais rentáveis do ano, apenas dois são protagonizados por mulheres – “Maleficent” com Angelina Jolie e “The Hunger Games: Mockingjay – Part 1” com Jennifer Lawrence. E esta não é, de todo, uma má proporção – basta recordar que poucos mais foram sequer produzidos nesse ano - “Divergent” e “Lucy” devem, praticamente, fechar a lista se nos cingirmos apenas a cinema sci-fi/ação.

 

Esta não é, portanto, uma indicação de que a heroína de ação é, para Hollywood ou o Cinema em geral, uma maçã podre destinada a resultados e rendimentos medíocres. Se constitui alguma conclusão é a de que a indústria que nos quer passar a imagem de cada vais mais cool e liberal continua retrógrada e obsoleta – porque chamá-la de convencional é um insulto. Quando a "convenção" é promover a disparidade e a morte das oportunidades, não pode nem deve ser invocada como tradição. Da mesma forma, exibir a mulher como uma entidade capaz de pensar, sentir e lutar não é feminismo, é igualdade.

 

 

Mas vamos às origens da Mulher como figura central de ação: as primeiras heroínas mainstream começaram a surgir ainda durante a Segunda Grande Guerra, era histórica que coincidiu com as mudanças sociais que introduziram a Mulher ao mercado de trabalho, ao voto e à possibilidade de, cada vez mais, procurar a igualdade perante o Homem.

 

Os anos 40 viram as primeiras super-heroínas surgir nas bandas-desenhadas, e a Wonder Woman foi, possivelmente, o primeiro exemplo universalmente mais notável. Apesar de ter sido um arranque necessário e esclarecido, foi aqui que começou também a ser seguida uma tendência generalizada que pareceu alimentar o ideal erróneo de que era preciso sexualizar estas guerreiras para as tornar interessantes e, quiçá até, menos ameaçadoras – é esta queda para a necessidade de decotes, roupa apertada ou ausência dela, que tem também contribuído para o atraso da emancipação da mulher como heroína pelas suas qualidades inerentes.

 

 

Nos Cinema o cenário foi ainda mais negro, e durante muitos anos o género de ação foi um autêntico buraco negro alimentado a testosterona. Os seus gloriosos anos 70 e 80 edificaram fortemente o estatuto “macho” daquele que é possivelmente o género mais sexista, dominado pelos Stallones, Van Dammes, Schwarzeneggers e Willis desta vida. E enquanto o seu legado adquiriu o justo estatuto de culto – continuando a bombear-se nas veias das reencarnações de estrelas de ação de Hoje – a heroína de ação feminina debatia-se por uma golfada de ar.

 

A resposta de uma contemporaneidade que tem vindo a tentar, em parte, combater esta disparidade pode encontrar-se na tradição dinâmica do cinema de terror – ao longo das décadas o género foi-se fortalecendo com cada vez mais protagonistas femininas, encorajando assim o público a identificar-se com “a última sobrevivente” ou a “derradeira guerreira” em face da ameaça.

 

 

O cinema de ação, em particular, tem-se tentado embutir desta realidade, ainda que de uma forma mais gradual e menos marcada – primeiro e em muitas instâncias com personagens secundárias femininas complexas e multidimensionais que fugiram ao estatuto de “donzelas em perigo”, e posteriormente, e em doses mais controladas, em protagonistas completamente estruturadas, com uma história própria e capacidades físicas, emocionais, e psicossociais até aí só atribuídas a personagens masculinos.

 

E enquanto ícones como “Barbarella” (1968) são cotados como fortes influências icónicas e primeiras manifestações do heroísmo feminino em larga escala, talvez nenhuma outra retenha o estatuto de “heroína original” numa grande produção de indústria como a inolvidável Ellen Ripley, interpretada por Sigourney Weaver na saga “Alien”.

 

 

Ripley abriu caminho a mulheres de ação intrincadas, multifacetadas, vulneráveis mas duras, humanas mas implacáveis. E parte da vitória da personagem e do próprio franchise passou por não tornar Ripley apenas uma versão feminina de um “homem rijo”, mas reconhecer-lhe e exaltar-lhe as características que são tão inerentes à condição de mulher.

 

Foi esta criação e diferenciação que, em parte, despoletou o sentido de maternidade de Sarah Connor (“Terminator 2”), o sentimento de proteção de Katniss Everdeen (“The Hunger Games”), o desejo de vingança de Bellatrix Kiddo (“Kill Bill”), a procura de redenção de Furiosa (“Mad Max”), e as jornadas de muitas outras mulheres que ainda temos por conhecer no grande ecrã.

 

 

Com um avanço lento mas que parece cada vez mais consistente, e mesmo com as ainda atuais disparidades mais várias, a figura da mulher como estrela de ação começa a surgir de uma forma sólida e cada vez mais orgânica.

 

Todavia, e em jeito de conclusão, a verdade mais absoluta sobre Hollywood ou a indústria cinematográfica em geral é que, não obstante agendas políticas, sexistas ou outras, ela responde primariamente a um instinto: replicar o que faz dinheiro. Se o público responder positivamente à estrela de ação feminina, a sua presença vai ser cada vez mais constante e robusta.

 

 

 

Pelo que esta é também, e talvez sobretudo, uma luta e um dever nossos. De mulheres e de homens que querem mais diversidade, que anseiam por mais histórias complexas, mais protagonistas heróis e anti-heróis que valem a pena.

 

Mas sobretudo de homens e mulheres que procuram um mundo onde artigos como este simplesmente não precisam de existir.

 

 

[artigo originalmente escrito para a Vogue.pt]

 

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Point-of-View Shot - Mad Max: Fury Road (2015)

por Catarina d´Oliveira, em 21.05.15

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"As the world fell it was hard to know who was more crazy. Me... or everyone else"

 

Ao fim de duas horas cronometradas no que parece uma vénia à pontualidade britânica, a sala esvazia-se em câmara-lenta, com rasgos de pequenos tragos acelerados, num silêncio aparentemente letárgico que se torna quase desconfortável. É esta perceção que invariavelmente nos fica quando a ferocidade de “Mad Max: Fury Road” desliga os motores.

 

Saímos doridos da viagem que nos encheu a boca de poeira e o corpo de nódoas negras. O regresso à normalidade, e onde o futuro pertence a outros loucos, faz-se com os sentidos dormentes, mas a alma cheia de um cinema que julgávamos perdido nos tentáculos do tempo e da inovação tecnológica - porque aquilo que poderia soar a uma tentativa desesperada de fazer render uma vaca leiteira fora de prazo revela-se um choque retumbante e revigorante de originalidade demente.

 

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Perseguido pelo seu turbulento passado, Mad Rockatansky acredita que a melhor forma de sobreviver é não depender de mais ninguém para além de si próprio. Ainda assim, acaba por se juntar a um grupo de rebeldes que atravessa a Wasteland, numa máquina de guerra conduzida por uma Imperatriz de elite, Furiosa. Este bando está em fuga de uma Cidadela tiranizada por Immortan Joe, a quem algo insubstituível foi roubado. Exasperado com a sua perda, o Senhor da Guerra reúne o seu letal gang e inicia uma impiedosa perseguição aos rebeldes e a mais implacável Guerra na Estrada de sempre. E quando o sprint para o inferno começa, já não para. É há tanta, tanta loucura. Loucura pura e cristalina; alimentada por fogo, sangue e fúria.

 

As imagens sucedem-se à velocidade de uma chuva de meteoritos. Terroristas a catapultarem-se para o veículo inimigo. Crânios como figuras de adoração. Tempestades de areia que engolem tudo. Explosões espetaculares. A figura icónica de um homem sem face preso a uma parede de colunas gigantescas onde faz uma serenada à morte enquanto rasga acordes numa guitarra elétrica que cospe fogo. Os posters não estavam a mentir – o deserto, o calor, a sede, o instinto… devem ter tornado toda a gente louca.

 

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Precisamente 30 anos depois de “Mad Max 3: Thunderdome”, “Fury Road” retoma os acontecimentos num mundo rapinado pela política, poder e selvajaria do instinto. Todavia, George Miller regressou ao universo que instituiu o seu nome como referência e Mel Gibson como uma estrela com uma entidade que opera por si mesma, sem necessidade de (re)conhecimento da proeza tripartida original – e que foi, tão somente, a explosão que catapultou a New Wave do cinema australiano para o olho global.

 

Fury Road” é tão pouco tradicional como blockbuster quanto pode ser, e sobrevive num deserto de olvidáveis experiências cinematográficas à custa da sua “originalidade old school” e audácia.

 

Um dos seus menos vistosos mas mais determinantes atributos é o sentido económico refinado do argumento. A história é tremendamente simples apesar de explodir em discussões filosóficas e transbordar sentimento, encontrando beleza no grotesco e estranheza desconcertante na graça. No entanto, não cede a qualquer tentação da complicação para o esconder. O diálogo e exposição mantém-se em volumes mínimos, servindo-se do poder geralmente subestimado do storytelling visual para contar a maior parte da história e estabelecer o mood. A prova do engenho está na claridade do enredo e das motivações de cada personagem a partir da ação, mesmo inseridos numa natureza diabólica e intempestiva.

 

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Mas não é este o único aspeto que torna “Fury Road” um poderoso marchante em contracorrente – porque ao contrário dos parentes blockbusters de estúdio atuais, o filme de Miller construiu-se na base de efeitos práticos, auxiliados de forma apenas pontual pela magia dos efeitos visuais. O espetáculo, que apesar do luxuoso orçamento se sente profunda e positivamente artesanal, torna-se, desta feita, uma faceta de pasmar, com acrobacias tais que podíamos jurar estar a assistir a uma exibição do Cirque du Soleil numa competição de Monster Trucks engolida por um concerto de heavy metal.

 

Do ponto de vista temático, é nuclearmente um ensaio sobre a objetificação humana como reflexo de uma era desesperada. E enquanto é um absurdo absoluto etiqueta-lo como propaganda ultra-feminista, o filme de Miller encontra na mulhor a heroína que tão pouco conhecemos na sétima arte. Com a autora de “Os Monólogos da Vagina” como consultora, o realizador sugere que a mulher-criadora é a chave para a esperança no futuro num twist que combate “complexo macho” que afeta a esmagadora maioria do cinema de ação, em geral.

 

Miller adorna a sua sinfonia de desordem em alta potência com pinceladas de violência tresloucada; mas cada choque, cada explosão, é cerebral na medida em que constitui um elemento essencial para o puzzle completo que se constrói num filme sobre revolução e salvação, sobre a necessidade do combate ao cultivo do ódio e do terrorismo, mas também profundamente terno nos vestígios de esperança que encontra pelo caminho.

 

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O Max de Hardy é inequivocamente mais Mad que o de carismático anti-herói Gibson, poupando nas palavras mas caprichando numa performance física que facilmente poderia ter sido dolorosamente unidimensional, mas que se revela numa complexa mistura de estranheza, comportamento errático e apetência para a loucura que não esconde totalmente o íntimo vingador e justo de um homem calejado pela dor da perda e a loucura da impotência.

 

Todavia, uma das escolhas mais corajosas de Miller foi colocar Max no lugar do pendura e abrir o palco à redenção de Furiosa. Charlize Theron constrói uma das heroínas de ação mais interessantes e complexas do Cinema contemporâneo, e é ela a alma e coração magoados do filme. É através do seu percurso e dos seus triunfos e derrotas que nos investimos, e talvez não estejamos a rumar muito além da verdade se ousarmos admitir que se poderá tornar como a maior referência de ação feminina desde que Sigourney Weaver ensinou uma lição à rainha-mãe em “Aliens”.

 

Na fila secundária, vale a pena prezar a dedicação de Nicholas Hoult a uma das personagens mais complicadas e peculiares do filme, bem como do gangue de super-noivas liderado por Rosie Huntington-Whiteley.

 

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Fury Road” é um poema de Álvaro de Campos embriagado num cocktail molotov de esteroides e areia do deserto. Uma terapia de choque frenética, uma ópera furiosa de acordes surreais, um delírio febril que faz com que qualquer outro filme de ação pareça uma insossa sucessão de fotografias.

 

É o cinema de ação em estado de graça. Como já foi. Como já não é. Como deveria ser.

 

 

9.0/10

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