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Point-of-View Shot - Låt Den Rätte Komma In (2008)

por Catarina d´Oliveira, em 27.05.09

 

Oskar: Tens mesmo doze anos?
Eli: Sim. Apenas tenho doze anos há muito tempo.

(tradução do original sueco)
 
Ser vampiro já esteve muito “in” e parece que a moda está a voltar. Desde séries televisivas a aventuras cinematográficas, os vampiros parecem vir das profundezas da escuridão para invadir o nosso iluminado imaginário mais uma vez.
 
Como já aqui confessei diversas vezes, nunca achei especial piada a vampiros; contam-se pelos dedos das mãos os filmes de vampiros que gostei realmente. Bom, talvez pelos dedos de UMA mão; e talvez não use os dedos todos… mas adiante!

 

Esta semana decidi dedicar algumas linhas a um filme com vampiros que finalmente conseguiu interessar-me e deixar-me pasmada depois do término. Falo, é claro, do fenómeno Låt Den Rätte Komma In (ou Let the Right One In no título americano também adoptado), uma fita vinda directamente da Suécia e que, de uma forma fresca e elegante, me raptou numa viagem negra e intelectualmente alucinante. 

 

 

Baseado num romance sueco com o mesmo nome de John Ajvide Lindqvist (que foi também o autor do argumento do filme), Låt den rätte komma in conta a história de Oskar, um rapaz de 12 anos quase tão branco como a neve que cobre todo o bairro dos subúrbios de Estocolmo que habita. Na escola, o bullying e os abusos e em casa, a ausência física do pai e emocional da mãe tornam Oskar um rapaz profundamente sozinho cujo passatempo favorito é coleccionar recortes de jornal sobre mortes locais.

 

Os dias de solidão de Oskar terminam com a chegada uma rapariga estranha chamada Eli e um homem que se supõe ser seu pai. Com o passar do tempo, a relação entre os dois jovens começa a desenvolver-se e acabam por aceitar manter um “compromisso”. Eli acaba por ser provar uma detonadora da força interior de Oskar, mostrando-lhe que não tem de viver uma vida de constante sofrimento e abuso.
Ah… é verdade. Um pormenor que me escapou. Eli é uma vampira.

 

Antes que me esqueça, alguns apontamentos técnicos que não queria deixar passar ao lado. A fotografia de Hoyte van Hoytema é belíssima no contraste entre a neve branca, o azul gelado e as cores escuras. O argumento é inteligente e subtil tendo uma aura muito própria, algo que prevejo perdido na adaptação americana que já está na agenda. A banda sonora é absolutamente estupenda. Perfeita na combinação entre melodias harmoniosas, românticas e melancólicas que jogam de forma única com o tom da fita. A terminar, a maquilhagem soberba de Eli que sofre mutações contínuas conforme a sua sede de “sangue” aumenta ou diminui.
 

 

Uma das particularidades que me fez gostar realmente desta bela peça cinematográfica foi a apresentação de uma história que não é de vampiros. É antes um conto com toques de fantasia sobre a relação entre dois indivíduos desajustados da sociedade.
O elemento “vampiro” ajuda na construção dessa relação mas nunca ofusca o verdadeiro sentimento latente. Outra questão especialmente positiva foi a abordagem suficientemente afastada daquilo que é, efectivamente, ser um vampiro.

 

Por um lado sabemos que, como todos os vampiros, Eli precisa desesperadamente de sangue, não pode expor-se à luz do Sol e tem algumas capacidades físicas de cariz animalesco. Por outro lado, e este agradou-me particularmente, não vemos nem um laivo de presas afiadas, ou transformações em morcego ou “vai de retro” com alho e crucifixo. O próprio "terror" associado à fita é apenas um elemento, uma das muitas variáveis a contribuir para a construção. Nunca é um produto. Todas as características de Eli e todos os momentos "gore" têm um propósito narrativo e sequencial específico e é isso que torna o vampiro um ser completamente novo e fascinante em Låt den rätte komma in.

 

Mas não o fascínio não parte só da vampira. A evolução de personalidade de Oskar e a convergência com a nova amizade é uma enregeladora e complexa viagem pela mente perturbada juvenil. Oskar cai perigosamente numa espiral de afastamento e delírio; nas noites frias da Suécia, vêmo-lo de canivete em punho a ensaiar uma retaliação que nunca seria possível... sem Eli.

 

E Eli é uma personagem deslumbrante que provoca um sentido de constante desconfiança e desconforto. Afinal, o que é que ela procura e o que é que pretende de Oskar? Uma primeira amizade em muitos anos de existência? Ou um novo servo dedicado? Apesar de algumas acções penderem para o lado da afecção, estas são perguntas para as quais nunca obtemos resposta; Eli é um mistério, e a mente humana fascina-se e obsessa por mistérios.

 

 

Como algumas outras abordagens, Låt den rätte komma in acaba por reproduzir uma figura trágica do vampiro algo cliché. Algumas irregularidades são notadas no ritmo, o que acaba por comprometer um pouco a fluidez da narração.

 

Ainda que tendo algumas sequências potencialmente chocantes para espectadores mais sensíveis, não considero Låt den rätte komma in um filme de terror puro. É mais um drama, uma ópera dramática. Um retrato credível e terno de uma amizade improvável.

Uma história em que o maior horror não é a presença de uma criatura sobrenatural, mas uma simples condição humana que ameaça desumanizar-nos: a solidão.


Oskar: És uma vampira?
Eli: Vivo de sangue… sim.
(tradução do original sueco)

 

8/10

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