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Point-of-View Shot - August: Osage County (2013)

por Catarina d´Oliveira, em 03.03.14

 

"'Life is very long...' - TS Eliot. Not the first person to say it, certainly not the first person to think it. But he’s given credit for it because he bothered to write it down. So if you say it, you have to say his name after it. 'Life is very long' - TS Eliot. Absolutely goddamn right."

 

 

O “feel bad movie” do ano que o vai fazer reconsiderar quando pensar que tem uma família problemática.

 

No enredo,  Violet, uma dura mas carismática matriarca de uma família disfuncional, reúne-se novamente com as suas filhas adultas - Barbara, Karen e Ivy – e outros familiares numa altura de enorme provação e preocupação para todos os envolvidos.

 

Em “August: Osage County”, os demónios andam à solta e cospem fogo para todos os cantos da casa, enquanto segredos familiares, ressentimentos recalcados e relacionamentos em rutura são a faísca reluzente que falta à dinamite da família Weston para explodir numa chacina de conflito. O vistoso centro de mesa é um excruciante jantar de família onde as carnes mal passadas ainda libertam sangue ao ritmo de um tiroteio de recriminações, rancor e piadas maldosas

 

 

Surgindo como uma espécie de híbrido entre “Who's Afraid of Virginia Woolf?” (1966) e o “Carnage” (2011), o filme de John Wells guarda várias semelhanças com o último, colocando da mesma forma um grupo de indivíduos num espaço confinado (neste caso, de forma não tão literal como na peça de Yasmina Reza e no filme de Roman Polanski) e confrontando-os com uma série de conflitos e crises, medindo os seus impactos em cada um dos participantes.

 

Esta é a terceira peça de Tracy Letts a chegar ao grande ecrã em apenas sete anos. “Bug” (2006) e “Killer Joe” (2011) parecem ter pouco a ver com um retrato de uma família aparentemente normal de Oklahoma mas não tarda até percebamos o fascínio de Letts por universos violentos e habitados por personagens extremas.

 

 

Distinguida com diversos láureos desde a sua estreia absoluta em 2007 – incluindo um muito cobiçado prémio Pullitzer e vários Tonys – a peça é aqui substancialmente comprimida e adaptada ao grande ecrã pelo próprio autor, estando os serviços de realização atribuídos a John Wells.

 

Mas por mais picante e suculento que seja, "August: Osage County" sofre também, à imagem dos seus protagonistas, com algumas feridas abertas onde ocasionalmente uma mão de sal exibe dores incapazes de esconder.

 

 

A realização de Wells é organizada, tendo em conta o malabarismo de acontecimentos, twists, segredos e revelações que tem em mãos, mas altamente impessoal, criando mesmo a ideia de que se limitou a ligar uma câmara deixando os seus atores correr livres nesta maratona de impropérios e contendas.

 

Como acontece com a maioria dos casos de peças teatrais adaptadas para Cinema, estas requerem um trabalho profundo de ajustamento ao novo meio, o que parece não ter acontecido n filme de Wells, que mantém um diálogo estaladiço e delicioso, amargo e brutal, mas que nem sempre encontra enquadramento verosímil que lhe confira uma existência capaz de nos propiciar algum tipo de recompensa emocional. Há uma experiência poderosíssima, algures em “August: Osage County”, espreitando, à espera de ser extraída, mas, às tantas, algo ou demasiadas coisas parecem ocas.

 

 

No elenco, Meryl Streep está numa forma rara – a sua performance tem gerado divisão entre a crítica por ser considerada “demasiado”. O facto é que, além de pensada no contexto teatral (já de si evidentemente diferente do meio cinematográfico), Violet foi criada para personificar a demasia, o extremismo, o cume da sanidade à beira do precipício da loucura. Há muito tempo que não são estas performances que ganham Óscares – os tempos, as subtilezas e a própria arte mutam, todos os anos, aquilo que entendemos como uma performance de excelência – mas o prazer que se retira da realeza de Streep a afincar violentamente os dentes num papel tão carnudo como o de Violet é uma visão de rara beleza e recompensa. Ao longo de diferentes personas com presenças físicas distintas, Streep oferece uma masterclass absoluta de (de)formação de uma personagem cujos extremos explicam as pragas que afetam cada um dos outros participantes.

 

Por outro lado, Julia Roberts tem a oportunidade de se soltar num (bom) personagem como há muito não acontecia. Todavia, e num festival de egos, vozes elevadas e insultos cruéis, são as performances mais subtis e incrivelmente moduladas de Julianne Nicholson, Margo Martindale e Chris Cooper que acabam por também saltar à vista, apesar de normalmente injustamente esquecidas perante o chorrilho dramático das duas protagonistas.

 

 

No buffet do Cinema, “August: Osage County” assemelha-se àquele prato que faz virar cabeças no restaurante apinhado. Não propriamente por reunir a peculiaridade e distinção gourmet de uma cozinha experimental ou sequer por se constituir como uma valente onda de aconchego numa tigela monumental de “comfort food”.

 

Este prato é o pior pesadelo do colesterol, transbordando de asas de frango gordurosas, batatas fritas, tiras de bacon e costeletões desproporcionados, sem subtilezas de tempero ou acabrunhamentos salutíferos.

 

É uma estranha besta – hilariante, histérica, compulsiva, rude, extenuante, barulhenta, difícil de ver… mas, de alguma forma, é difícil tirar os olhos dela.

 

 

7.5/10

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