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Deep Focus - Casais do séc. XXI vistos pelo Cinema

por Catarina d´Oliveira, em 21.11.11

 

Não é novidade nenhuma vermos casais no cinema. Bom, não estou a falar daqueles que passam o filme inteiro a engolir-se um ao outro na sala, mas daqueles que aparecem, de facto, no ecrã. Há dezenas de anos que os vemos em comédias, dramas, melodramas, you name it. Em todos os filmes, há decerto um casal para observar, não fosse o "acasalamento" esta uma característica simultaneamente tão natural aos seres vivos mas também tão única (pela sua complexidade emocional) no Homem.

 

Contudo se quisermos dar uma de Sherlock Holmes, podemos ver que a representação do casal tem vindo a alterar-se de acordo com os tempos, com o desenvolvimento das sociedades e do próprio cinema. Hoje o casal não é um dado adquirido; é quase que uma identidade dinâmica que pode assumir várias formas, e o Cinema tira especial gozo da sua representação.

 

Depois de alguma reflexão, concluí que existem tendências nestes retratos que espelham muita da realidade deste ainda jovem século XXI. Casais nromais? Não, obrigada. Quanto mais alternativo, melhor! Nas próximas linhas vamos reflectir um pouco sobre estas ditas “modas” dos pombinhos.

 

 

 

Esta categoria não é propriamente uma novidade, mas tem merecido uma atenção especialmente forte nos últimos anos. Não sei se será a crise que põe toda a gente deprimida, ou outra coisa qualquer, mas as histórias de casalinhos que acabam mal, seja porque a chama se extingue ou porque há uma desgraceira ou mesmo porque um deles morre, parecem não ter fim. Há desgraças para todos os gostos, e ao mesmo tempo que adoramos ver uma bela história de amor, também gostamos de, de vez em quando, ver uma bela de uma tragédia grega conjugal.

 

Exemplos recentes:
Blue Valentine (2010) - Casal: Ryan Gosling e Michelle Williams
Like Crazy (2011) - Casal: Anton Yelchin e Felicity Jones
Atonement (2008) - Casal: James McAvoy e Keira Knightley
Brokeback Mountain (2005) - Casal: Heath Ledger e Jake Gyllenhaal
Moulin Rouge (2001) - Casal: Nicole Kidman e Ewan McGregor
Remember Me (2010) - Casal: Robert Pattinson e Emilie De Ravin
(500) Days of Summer (2009) - Casal: Joseph Gordon-Levitt e Zooey Deschanel
Eternal Sunshine of the Spotless Mind (2004) - Casal: Kate Winslet e Jim Carrey

 

 

 

Por mais que tentemos fugir a este facto, a verdade é que, para trabalhar em cinema, as mulheres têm de fazer pela vida. Não só conta o talento, mas também, e infelizmente muitas vezes mais, conta a beleza. Os homens começam a ser cada vez mais cuidados, mas a verdade é que, desde que tenham uma característica distintiva – muitas vezes, o humor – até se safam bem mesmo não sendo os mais lindos do mundo. Isto leva a que surjam muitas vezes os chamados “casais incompatíveis” ou, se quisermos ser mais mauzinhos, “casais impossíveis”. Toda a gente tem direito a ser feliz, mas às vezes há coisas mesmo inacreditáveis.

 

O grande pai deste tipo de casais, apesar de eles cá andarem há longas décadas (lembram-se do par Fred Astaire/Audrey Hepburn em Funny Face?), é invariavelmente Woody Allen, cujos filmes, talvez por serem escritos, realizados e muitas vezes protagonizados por si mesmo juntam um sujeito geek e desajeitado com uma mulher de beleza quase surreal. Muitos actores têm “seguido” as suas pisadas como Adam Sandler e Ben Stiller.

 

Exemplos recentes:
The Curse of the Jade Scorpion (2002) – Casal: Woody Allen e Charlize Theron.
Forgetting Sarah Marshall (2007) – Casal: Jason Seagel e Mila Kunis
The Dilemma (2010) – Casal: Kevin James e Wynona Ryder
The Holiday (2006) – Casal: Jack Black e Kate Winslet
Whatever Works (2009) – Larry David e Evan Rachel Wood
Midnight in Paris (2011) – Owen Wilson e qualquer das mulheres que aparecem.

 

 

 

Aqueles “amigos gays” que aparecem tantas vezes nas comédias são ao mesmo tempo um reconhecimento e um dispositivo fácil. Reconhece-se que existem, mas não lhes dão espaço suficiente para gerar demasiada polémica, ou sequer para adereçar os problemas que, na verdade, a comunidade homossexual ainda tem de enfrentar no dia a dia, ou ainda simplesmente mostrá-los como pessoas normais que são, com relacionamentos igualmente normais.

 

Felizmente há gente que não gosta de pôr os assuntos incómodos para baixo do tapete, e a homossexualidade tem visto a sua aceitação crescer no cinema, a par das sociedades cada vez mais tolerantes (ainda que lentamente, mas temos de dar o desconto). Philadelphia (1993) foi um dos primeiros grandes filmes de Hollywood a abordar o tema e a discriminação decorrente, mas o século XXI trouxe um mosaico interessante de diferentes abordagens a algo natural que começa paulatinamente a ser mais aceite como normal.

 

Exemplos recentes:
The Kids are All Right (2011) - Casal: Julianne Moore e Anette Benning
A Single Man (2009) – Casal: Colin Firth e Matthew Goode
Brokeback Mountain (2005) – Casal: Heath Ledger e Jake Gyllenhaal
I Love you Phillip Norris (2009) - Casal: Jim Carrey e Ewan McGregor
Milk (2008) - Casal: Sean Penn e James Franco
Valentine’s Day (2010) - Casal: Eric Dane e Bradley Cooper
My Summer of Love (2004) - Casal: Emily Blunt e Natalie Press

 

 

 

A verdadeira moda do século XXI terá de ser os amigos coloridos ou com benefícios. Surgindo com variações, a premissa do casal que não quer complicações mas tem necessidades a satisfazer começa a ser um lugar-comum no Cinema mainstream americano. Prevê-se ainda mais crescimento no futuro.

 

Exemplos recentes:
No Strings Attached (2011) - Casal: Natalie Portman e Ashton Kutcher Love & Other Drugs (2010)
Friends with Benefits (2011) - Casal: Justin Timberlake e Mila Kunis

(500) Days of Summer (2009)  - Casal: Joseph Gordon-Levitt e Zooey Deschanel

Spread (2009) - Casal: Ashton Kutcher e Anne Heche

 

 

 

Tecnicamente, estes filmes não são protagonizados por casais, mas para efeitos deste artigo, e pela sua ocorrência no Cinema vamos assim considerá-lo.  Um buddy film gira à volta da amizade forte que existe entre os personagens principais que são geralmente do mesmo sexo. Este é um dispositivo utilizado essencialmente pela cultura americana, sendo mais raro na Europa. Laurel/Hardy e Abbot/Costello foram dois dos primeiros pares do tipo a aparecer no cinema, na década de 1930, e desde aí o cinema não mais largou esta ideia. Contudo, o século XXI trouxe uma multiplicação de temas, situações e abordagens a este elemento que fizeram deste “tipo de casal” um must na lista.

 

Exemplos recentes:
Sherlock Holmes (2009) - Casal: Robert Downey Jr. e Jude Law
Bride Wars - Casal: Kate Hudson e Anne Hathaway
Bridesmaids - Casal: Kristen Wiig, Maya Rudolph, Rose Byrne, Melissa McCarthy, Wendi McLendon-Covey e Ellie Kemper
I Love You Man – Casal: Paul Rudd e Jason Segel
Superbad – Casal: Michael Cera e Jonah Hill
Wedding Crashers – Casal: Owen Wilson e Vince Vaughn
Sex and the City – Casal: Sarah Jessica Parker, Kim Cattrall, Cynthia Nixon e Kristin Davis
The Hangover – Casal: Bradley Cooper, Zack Galifianakis e Ed Helms

 

*** *** ***

 

Então e vocês? Detectam mais alguma moda nos casais cinematográficos de hoje em dia?

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Deep Focus - Sequelas & Remakes

por Catarina d´Oliveira, em 12.09.11

 

Por vezes, os remakes actualizam a narrativa, por vezes mostram a uma audiência mais jovem um universo mais antigo. Mas as razões não importam quando há regras básicas a seguir, e que fazem de um remake algo que vale a pena. Quando estas não são seguidas, temos problemas, e um remake vergonhoso também pode manchar o original.

 

Contudo, quando falamos de remakes, acho que há algumas regras de ouro que hoje partilho aqui convosco:

 

1. O original tem de ter uma boa história
Parece uma suposição demasiado básica e até parvinha, mas acreditem, não é. Se o original tem um argumento de porcaria… qual é o objectivo de um remake? A menos que alterem aquilo tudo, mas ainda assim querem estar associados ao miserável original? Didn’t think so.


2. Nada de cópias.
Por vezes, o realizador encarregue do remake tem a triste ideia de o fazer… literalmente, cena a cena. Esta pode parecer uma regra inútil, mas a verdade é que, às vezes isto acontece, e o rótulo destas amostras de filme é “preguiça”. Preguiça de pensar em ideias novas. Portanto vai de botar o filme num contexto moderno e já está bom. A questão que importa entender aqui é: se quiséssemos ver o original, víamos. Simples. Insiram coisas novas: novos elementos, novos personagens, novas linhas de narrativa.
Maus Exemplos: Psycho (1998) e The Omen (2006).
Bom exemplo: Halloween (2007)

 

 

3. O elenco não salva tudo
Esta é uma regra geral do cinema, mas que se aplica especialmente bem aos remakes. Por mais talentosos que os actores sejam, se lhes apenas dermos comida enlatada nunca vão conseguir fazer um banquete.
Maus Exemplos: A Nightmare on Elm Street' (2010), The Haunting (1999).

 

4. Escolham um filme que beneficie de facto de um Remake
Se um filme é antigo, sub-valorizado ou nunca atingiu o seu verdadeiro potencial, aí sim, é a altura de pensar fazer um remake. Se não é esse o caso… provavelmente mais vale estarem quietinhos.
Maus Exemplos: When a Stranger Calls (2006), The Invasion (2007)

 

5. Tornem o remake algo relevante
Justifiquem a existência do remake ao demonstrarem a sua pertinência para a nova geração. Por exemplo, máquinas, vampiros e zombies são elementos muito presentes nos filmes actualmente; mas se o que se pretende é que estes personagens se destaquem da multidão, é preciso que se preocupem em “filosofar” um pouco sobre a forma como vivemos no Hoje e sobre o mundo que temos.
Bons exemplos: Dawn of the Dead (2004), Fright Night (2011).

 

 

6. Honrem o original
Seja por reciclar linhas de diálogo icónicas, seja incluindo aparições de elementos do elenco antigo, vocês é que sabem, mas estes apontamentos ficam sempre bem (desde que não sejam exagerados).
Bons exemplos: Let Me In (2010), Funny Games (2007), The Italian Job (2003)
Maus Exemplos: House of Wax (2005)

 

7. O original tem de ser maior de idade
Pessoalmente, defendo esta regra com unhas e dentes, numa era em que saem para o Mercado remakes de filmes com menos de um ano. Um filme deveria ter uma certa idade antes de poder sequer ser considerado para remake… 20 aninhos já chegava.

 

8. Os filmes estrangeiros ÀS VEZES dão bons remakes…
Mas nem sempre… Infelizmente agora estamos numa moda que é americanizar tudo o que mexe, e enquanto isso funciona em alguns casos célebres (ex: Let me In, The Ring ou mesmo Star Wars), a maior parte é uma bela bost… porcaria.

Hollywood tem sérias dificuldades em produzir algo novo, por isso, e normalmente, são os outros países que descobrem sempre a pólvora primeiro, seja em novas formas de vídeo, filmagem, tipos de narrativa ou outro elemento fílmico. Ora então os outros países experimentam coisas novas, e se Hollywood topa que aquilo pode dar mais uns trocos, está tudo feito para mais um episódio de “Americanize your Movie”. Como em tudo, há histórias de sucesso e de insucesso, mas a chave nesta questão é entender porque é que certos filmes têm sucesso noutros países e se esse sucesso se poderá traduzir da mesma forma nos Estados Unidos.
Maus exemplos: Quarantine (2008), Godzilla (1998)

 

 

 

Os remakes vão fazer sempre parte do Cinema. Porque a originalidade não é assim tão fácil de obter, os estúdios vão continuar a actualizar e refazer narrativas. E enquanto é dolorosamente óbvio quando um remake é preguiçoso e pobre, esperemos que continuem a surgir excepções excitantes e frescas, e que Hollywood possa, de vez em quando, seguir as regras aqui enunciadas.

 

 

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Deep Focus - Sequelas & Remakes

por Catarina d´Oliveira, em 11.09.11

 

Ocorreu-me há pouco que nunca vos cheguei a apresentar a segunda parte deste artigo, que é tão importante quanto a primeira: os REMAKES!

 

Começo por dizer que não sou uma daquelas pessoas que tremam cada vez que ouve a palavra remake, porque na verdade já tivemos provas que podem surgir trabalhos muito bons, ou muito maus, como em tudo na vida.

Os remakes já cá andam há muito tempo, ao contrário do que se possa pensar – M de 1951 é um remake de um filme de 1931 com o mesmo nome, e The Man Who Knew Too Much também tem duas versões: 1934 e 1956 (ambas realizadas por Alfred Hitchcock. Hollywood tem então a tradição (por vezes bem chatinha) de refazer filmes antigos (ou nem por isso) ou estrangeiros. Estes remakes são feitos por variadíssimas razões, sendo a mais comum o dinheirinho que se pode arrecadar mais facilmente.


Antes de avançarmos, vale a pena fazer três distinções em termos de definições para não haver confusões sobre o que vamos estar a falar:

  • Um remake corresponde a um filme que utiliza uma narrativa antiga como base e acrescenta algumas mudanças (ex: Halloween de 2007 ou Psycho de 1998);
  • Um reboot é um filme que recomeça um franchise (ex: Batman Begins ou The Amazing Spiderman);
  • Uma re-imaginação é um filme inspirado nas raízes de outro, mas com muitas alterações ao nível da narrativa (ex: Planet of the Apes de Tim Burton ou Death Race de Paul W.S. Anderson);

 
Posto isto, vamos lá ver em que situações é que é aceitável considerar fazer um remake:

 

1. Histórias de domínio publico que já foram recriadas muitas vezes
Já surgiram tantas histórias baseadas nos Três Mosqueteiros, no Drácula e afins que já é quase genética e logicamente impossível para nós rejeitá-las. Por vezes, surpreendentemente, até surge uma ou outra boa.

 

2. O original já está muito passado, seja no ritmo ou no estilo
Se o original de um filme que se pretende refazer tiver um ritmo que quase nos põe de coma, luz verde para avançar! Bons exemplos deste fenómeno foram Ocean’s 11 e The Thomas Crown Affair.

 

3. O original não é muito conhecido/adorado
Aqui vale a pena justificar com um contra-argumento. Pelo amor de deus, não me vão refazer clássicos que sobreviveram ao tempo, tipo Casablanca, Citizen Kane e coisas do género. A verdade é que HÁ filmes intocáveis, e aqui é crucial que se lembrem disso.

 

 

4. O original é fraquinho e ninguém se importa que o remake seja feito
Não sendo filmes intocáveis, podem tornar-se bem melhores quando refeitos pela mente certa.

 

5. A maioria da audiência actual não viu o original
Bom, esta parece-me uma boa razão para um remake. Um dos argumentos mais fortes para produzir uma re-criação de uma história antiga, é dá-la a conhecer a espectadores mais jovens que, de outra forma, não tomariam contacto com ela. Bom, é verdade que podem sempre ir alugar o filme, ou mesmo pirateá-lo, mas vale sempre a pena tentar.

 

 

fontes: Screenrant 

 

 

(Continua... No próximo post serão discutidas algumas das regras básicas dos remakes)

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Deep Focus - Um Retrato das Profissões no Cinema

por Catarina d´Oliveira, em 01.08.11

 

 

Começo este fresco mês de Agosto com duas questões: quantos de vocês é que já viram um filme onde o vosso trabalho é representado? É uma representação realista?

 

O mais provável é que a vossa resposta à última questão seja um “Não” redondo. Retratos irreais, por vezes à beira da fantasia, é aquilo que vemos normalmente no ecrã.

 

De uma forma geral, são seguidos alguns princípios:

  • A filha do chefe é sempre gira e provavelmente veste-se um bocadinho à badalhoca. Vai muitas vezes ao escritório, não para trabalhar, mas para ver o papá, e para se tornar no objecto de desejo daquele novo empregado que começou a trabalhar lá há dois dias;
  • O chefe é rico;
  • Terminar AQUELE projecto importante traz uma promoção imediata;
  • Quando alguém se despede, toca a dizer mal do chefe… na cara dele;
  • Pode-se chegar e ir embora do trabalho a qualquer hora, nem é preciso arranjar desculpas do género “tenho uma consulta”, ou “tenho de ir salvar um gatinho que está preso numa árvore”;
  • Toda a gente trabalha na cama à noite... já enfiados na cama e com o computador ao colo, dá-se logo conta de uma ou duas semanas de trabalho.

Enfim... entre outra panóplia de coisas que estou certa que acontecem mas que agora não me ocorrem.

 

Depois, também temos a questão de algumas profissões aparecerem muito mais do que outras neste meio. Algumas áreas, como o Jornalismo ou a Advocacia por exemplo, são representadas exaustivamente, enquanto outras, andam praticamente desaparecidas.

 

Os argumentistas têm o hábito de usar a profissão como uma forma rápida de definir rapidamente os seus personagens, e, havendo excepções claro, a maior parte usa o trabalho como um atalho para designar tipos de personalidades. Estes são alguns dos maiores estereótipos no Cinema nesta área:

 

 

Contabilista: Nerd tenso. Este personagem será, quase de certeza, alvo de abusos e gozos por parte dos outros e/ou partirá numa aventura que mostrará o seu lado mais selvagem.

 

 

Artista: Sofrido, imaturo, auto-destrutivo e egocêntrico. A vossa história, especialmente se forem músicos, poderá meter um percurso nas drogas e na desgraceira e uma posterior redenção.


Polícia: Já prendeu mais criminosos que o FBI todo junto. Não gosta de ter parceiros, prefere actuar sozinho. Provavelmente teve uma tragédia familiar recente (morreu a mulher ou o filho, ou algo do género), daí uma certa sede de vingança. Não são seguidos nenhuns procedimentos oficiais policiais – afinal as regras não se aplicam a ele. É mestre no manuseamento da pistola, e consegue matar uma mosca a dois km de distância enquanto rebola para trás de um caixote do lixo. Gosta mais de seguir o instinto do que investigar a sério.

 

Professor: Segundo as leis do cinema, é inteligente, reformador, idealista e luta por salvar a sociedade. Ah, e ainda é extremamente atraente e solteiro. Contra todas as probabilidades, torna estudantes delinquentes em grandes promessas. Uma das suas especialidades é discursos motivacionais; no fim do filme, a administração da escola vai estar toda contra ele, mas os alunos vão apoiar-vos, ou qualquer coisa do género.

 

 

Astronauta: Profissional treinado, mas isso não lhe vai valer de muito. A nave onde viaja eventualmente terá problemas e tornar-se-á numa armadilha fatal, não importa o quão avançada possa ser. Em breve vai andar a fugir de aliens maus (por falar nisso, não há outro tipo de aliens), ou de colegas de missão que o traem ou apanham uma doença marada qualquer.

 

Presidente (normalmente, dos Estados Unidos): Incrivelmente carismático e charmoso, e com uma presença que faz com que a audiência queira votar nele, apesar de não existir… Anda em grandes carrões pretos e usa o seu poder para fazer o que quer. Um discurso inspirador faz tudo ficar bem no mundo.

 

Arquitecto: Inteligente, sensível, bonito, apaixonado e no geral, um bom partido. Assume-se que é estável financeiramente. Pelos vistos, os arquitectos são porreiros.

 

 

Director de uma empresa: É estúpido que nem uma porta, mas rodeia-se de homens inteligentes. Provavelmente está envolvido num negócio muito lucrativo mas que vai tramar a vida de muitos outros.

 

Cientista: Bem, aqui temos de considerar duas raças: o inventor louco, brilhante mas que não reúne respeito entre os seus pares; têm laboratório em casa e têm sempre um plano daqueles improváveis que “pode vir a funcionar”… e funciona sempre. Por outro lado temos o cientista maléfico que quer dominar ou destruir o mundo; existe sempre um sidekick esquisito que funciona como escravo/fã número 1; segundo as leis do cinema, morrerá a partir de um dispositivo que ele mesmo criou. Calha assim.

 

Executiva: Workaholic solitária. É fria e cáustica até se tornar mais receptiva quando encontra o “tal”. Estamos presos à noção de que a mulher de negócios é fria e só precisa de um homem para ser feliz (= sexismo).

 

 

Advogado ou Jornalista: Luta incansavelmente pelo bem (ou mal).

 

Ex-comando: O melhor soldado no Vietname, Golfo Pérsico, Afeganistão ou outro conflito qualquer. É especialista em qualquer tipo de armas e mata qualquer um à primeira. Quando esfaqueado ou ferido por tiro, fica aborrecidos como alguém que é pisado na rua, mas volta a recompor-se e o ferimento é esquecido. Já que funciona no modo “Deus”, um destes vale por um exército de 1000 homens. 

 

*** *** *** 

 

Os filmes mainstream têm maior tendência a reafirmar as crenças sobre as diferentes carreiras do que a desafia-las. A familiaridade gera dinheiro, por isso enquanto as pessoas gostarem de contabilistas nerds e arquitectos bonitos, eles vão continuar a aparecer. Por outro lado, também temos de ser realistas: os filmes têm um período de tempo muito limitado para dar informação sobre os personagens, e têm de o fazer em poucas cenas. As séries televisivas, por outro lado, são mais passíveis de mostrar ambientes de trabalho verosímeis uma vez que há tempo para desenvolvimento de personagens e ambientes.

 

Ainda assim, Hollywood poderia tentar representar outras profissões de uma forma realística mas que continuasse a manter-se na base do entretenimento. Afinal, o trabalho é uma grande fatia da nossa vida, e talvez sintamos falta de ver algo onde nos sentimos reflectidos no ecrã...

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Deep Focus - Código de Conduta no Cinema II

por Catarina d´Oliveira, em 25.07.11

 

CRIANÇAS
Regra de ouro: Se o filme não tem desenhos animados, animais que falam ou a Hannah Montana, provavelmente não é apropriado para se levar miúdos pequenos.
- A partir da sessão das 21, não é boa ideia levar crianças, muito menos às sessões das 11/meia noite.
- Levar crianças a filmes “maiores de 16” ou “maiores de 18” só para as calar tem tanto de irresponsável como de errado. Os ratings existem por alguma razão, e estes filmes podem não só ter conteúdos que os podem impressionar e prejudicar psicologicamente, como muitos temas que elas simplesmente não entendem.

 

 

PROBLEMAS VÁRIOS
Regra de Ouro
-  Se conhecem uma música que toca num filme, por favor não a cantem. 
-  Não sou contra o modo vibratório, porque acho que, por alguma razão importante, podemos necessitar de estar contactáveis. Mas tirem o som do telemóvel, sempre. É chato quando toca, e por vezes arranca-nos completamente do mood.
- No cinema não se aplaude. O objectivo de um aplauso é mostrar o agrado do público aos intervenientes… e não está lá nenhum deles para ouvir. E é simplesmente parvo.
- Se tiverem vontade de ir à casa-de-banho, seja para o que for, não façam disso um festival. Acreditem que é do tipo de coisas que as outras pessoas não precisam (nem querem) saber. Sentem-se, novamente, sem festivais. Só quando se larga as fraldas é que leva palmadinhas nas costas por não fazer xixi nas calças.
- Não atirem coisas… Têm quê? Cinco anos?
- Vão para a sala pelo menos 5 minutos antes de o filme começar. Assim têm luz para ver os vossos lugares e não pisam nem ficam à frente de ninguém.

 

 

De qualquer forma, existem maneiras de aproveitar bem os filmes sem termos de arrancar cabelos a ninguém (a nós próprios ou a outros…). Ficam alguns conselhos:


Se não têm crianças e não têm cabeça para as ouvir vibrar durante os filmes animados, vão vê-los quando elas estão a dormir. Os miúdos não se conseguem concentrar ou estar calados por mais de dois minutos, é quase uma questão genética. Por isso se podem irritar-se com eles, escolham antes uma sessão nocturna do filme que pretendem ver. Há menos probabilidades de os encontrarem aí.
Procurem cinemas mais pequenos. Os multiplexes não só são os locais onde rebentam as maiores bombas de bilheteira, mas também aqueles que têm maior afluência de audiência por serem maiores e mais acessíveis.
- Normalmente os cinemas estão divididos em duas metades: a de cima, e a de baixo. Se querem estar mais sossegados, sentem-se na metade de baixo. Não é científico, mas normalmente o pessoal barulhento fica nos lugares mais atrás.
- Tentem assistir às antestreias, que normalmente têm gente mais calma, atenta e culta cinematograficamente (mais habituada a cinema e a ver filmes). Há vários sites que lançam semanalmente passatempos para ganhar bilhetes para antestreias. E não pensem “oh, nem vale a pena tentar, eu nunca ganho nada”. Eu já ganhei, e não foram poucas as vezes.

 


Mas a regra mais importante de todas, vem no final: não sejam implicantes.

Quer queiramos, quer não, ir ao cinema faz parte de uma experiência em GRUPO. Podemos entrar na sala sozinhos, mas sentimos todas as emoções como grupo – rimos, choramos, assustamo-nos enquanto AUDIÊNCIA. Uma comédia parva vai ter sempre gente a rir alto, e um filme de terror vai ter sempre gente com medo e a gemer ou a rir nervosamente. Tentem aceitar isso.


Não há nada como partilhar com outros as mesmas emoções que sentimos, seja numa comédia, num drama ou num filme de terror. Essa é uma das principais características que, desde que se respeite os limites do aceitável,  torna uma simples ida ao cinema em algo incrivelmente especial.

 

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Deep Focus - Código de Conduta no Cinema I

por Catarina d´Oliveira, em 23.07.11

 

Algumas pessoas pensam que ir ao cinema é como ir ao café ou ver um filme em casa, e é só chegar lá, comprar o bilhete, comer pipocas e sentar-se no escuro a ver qualquer coisa. Há ma série de regras não escritas que deviam, pelo menos, tentar ser seguidas. O problema é que nem toda a gente se esforça, e uma experiência que já de si é cada vez mais cara, torna-se cada vez mais cansativa.


Não sou a favor de decapitações por algumas pessoas chegarem, ou que toda a gente tenha de estar calada que nem um rato, ou que ninguém pode comer, nem beber, nem piscar os olhos com demasiada força. Contudo, as salas de cinema devem ser lugares calmos, suficientemente silenciosos onde uma audiência possa ver, sem interrupções e distracções, uma obra de arte e entretenimento.

 

Segundo a BBC, depois de um inquérito a quase 2000 pessoas sobre as três coisas que mais as irritam no cinema, chegaram-se a algumas conclusões:


- 54% disse conversas, que apareceu em primeiro lugar;
- 52% não gostam que os outros usem os telemóveis;
- 48% disseram que crianças barulhentas são das coisas que mais os irritam.

 

Entre outras coisas irritantes na lista surgiram pessoas que põem os pés nos bancos da frente, pessoas que fazem barulho a comer e/ou beber, pessoas que chegam tarde e pessoas… que descalçam os sapatos.

 

Hoje venho falar-vos, com algum humor e informalidade, de algumas regras a serem seguidas para uma optimização da experiência cinematográfica para todos. Apresento-vos o Código de Conduta no Cinema do Close-Up.

 

 

COMIDA
Regra de Ouro: Se tem cheiro ou é algo maior do que um perú… por favor, não o levem para o cinema, porque na verdade, não é sítio para se fazer um pic-nic
- Se têm latas ou garrafas de refrigerante, abram-nas antes de o filme começar. O som de gases e coisas a abrir pode ser um bocadinho irritante quando o filme começa.
- Se a comida vem embrulhada em sacos ou pacotes de plastico que façam barulho a abrir, não esperem pelo início do filme para começar a mexer nessas coisas. E mexer nas coisas devagar… não. Faz. Diferença. Faz barulho na mesma, amigos…
- Se tiverem de comer pipocas ou beber refrigerantes, façam-no como gente: mastiguem com a boca fechada e entendam que, quando a bebida está a chegar ao fim, é para parar de a sugar. Não vai aparecer magicamente mais, e vai fazer barulho. Just saying.
- Se tiverem MESMO de levar comezainas elaboradas, levem guardanapos. As pessoas que vêm a seguir merecem um lugar limpinho.

 

 

CONVERSAS
Regra de ouro: Vamos ser honestos; todos nós em alguma altura sussurramos algo para o companheiro do lado a meio de um filme; mas é isso mesmo: sussurrar… e de vez em quando, não de 5 em 5 minutos.
- Os trailers que dão antes do filme, não são  filme… mas são tão importantes como ele. Têm o objectivo de nos informar sobre estreias futuras e potenciais filmes que poderemos gostar (uma vez que, normalmente, são do mesmo género ou aproximado do que estamos prestes a assistir). Por isso, lá porque são “anúncios” não é para falarmos como se estivéssemos em casa a ver a bola.
- Se já viram o filme, é provável que a maior parte da sala ainda não o tenha visto por isso, abstenham-se de opiniões ou considerações como “epa esta parte agora é mesmo fixe!”
- Não discutam finais/twists de outros filmes em altos berros na sala. Isto acontece mais vezes do que possam imaginar. E é chato. Mesmo.
- Só é permitido falar naqueles filmes que são tão maus que é impossível a uma pessoa sã suportar sem mandar bocas.

 

 

 DOENÇAS
- Se estiverem com tosse, problemas de garganta ou qualquer coisa dessa variedade, tomem uma mebocaína ou um xarope…
- Pensando bem, se estão doentes, não vão ao cinema. Eu posso estar sentada mesmo ao vosso lado.

 

(continua...)

 

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Deep Focus - Como escrever uma Comédia Romântica

por Catarina d´Oliveira, em 24.03.11

Diz-se por aí que já não há histórias novas para contar. Até alguma extensão, até posso concordar com isso sendo que temos de considerar dois contra-argumentos: 1) histórias originais (raça em grave extinção); 2) uma história é sempre contada de maneira diferente por diferentes indivíduos. E neste segundo ponto amigos… bom podemos sempre enganar a audiência e fazê-la pensar que este nosso produto é de facto novo.

 

É por esta razão que a Cinderella tem centenas de versões, e até os filmes mais populares podem ser reproduzidos em novas “cash cows”, como podemos ver nas imagens seguintes.

 

(clicar para aumentar)

  

 

Um caso célebre onde a adaptação de histórias é (quase) são as comédias românticas.


Uma comédia romântica envolve um enredo que se desenvolve sobre um romance, e que é contado de uma forma leve e com elementos de humor à mistura. Como os argumentistas deverão saber, é fácil de dizer mas difícil de fazer – pessoalmente considero a comédia um dos géneros mais difíceis de realizar bem em cinema.

 

Um bom primeiro passo para compreender este género cinematográfico é tentar entender porque é que estes filmes captam a atenção da audiência. Ora então, elas fazem-no ao atarem nós de elementos dramáticos que envolvem romance:


• O amor verdadeiro existe;
• Há sempre alguém para nós por aí, e se encontrarmos essa pessoa, encontramos o amor verdadeiro;
• O amor ultrapassa todos os obstáculos.

 


Posta esta pequena definição para enquadrar a questão, passemos ao que interessa. Os argumentistas escrevem não só por amor, mas por dinheiro, e as comédias românticas são um tesouro inesgotável. A menos que tenham vivido debaixo de uma pedra, todos vocês sabem que as comédias românticas são um bom negócio, um grande negócio.

 

Filmes como The Proposal, The Ugly Truth, Love and Other Drugs, os filmes do Matthew McConaughey e da Jennifer Aniston e mesmo No Strings Attached e Dilemma, que estão agora em exibição nos cinemas portugueses, fazem milhões e milhões de euros por todo o mundo.

 

Se ainda há alguém que acredite que isto acontece porque estes filmes são bons… oh meus inocentes filhos! A verdade é que fazem muito dinheiro porque muitos deles (ainda que não todos, como devemos sublinhar), de uma forma mais geral ou particular, assentam numa fórmula comum com a qual as pessoas se identificam e na qual se confortam. Não tenho nada contra comédias românticas, e até gosto bastante de um punhado delas, mas a maioria de facto é simplesmente mais do mesmo. Deixo-vos com dez simples passos para escreverem a vossa própria comédia romântica. 

 

1) CASTING
Duas pessoas vão apaixonar-se.
Duas pessoas vão estar no poster.
Duas pessoas – o primeiro passo na construção da comédia romântica.

 

   

   

 

Antes de mais, o ideal é que a mulher não seja demasiado bonita para não distrair a audiência – neste caso, os senhores – e para não dar problemas com as namoradas. Isto não quer dizer que não possam ser bonitas (na verdade, devem ser), mas de preferência, só não modelos da Victoria Secret ou algo do género. O que se procura mais é uma rapariga querida, e com estilo suficiente para que as mulheres a possam admirar: Amy Adams, Sandra Bullock, Kate Hudson, Sarah Jessica Parker, Katherine Heigl, Jennifer Aniston… por aí. Se ela tiver MESMO de ser muito atraente, façam-na problemática.


Quanto aos homens, é matemática simples: bom corpo = you’re on board. Justin Timberlake, Ashton Kutcher, Matthew McConaughey, Ryan Reynolds… todos são boas escolhas.

 

 

2) TÍTULO

A última coisa que pode existir numa comédia romântica é confusão ou surpresas, por isso no título deve estar algo que desvende grande parte do enredo: The Proposal, What Happens in Vegas, How to Lose a Guy in 10 Days, Runaway Bride, Ghost of Girlfriends Past, The Break Up, No Strings Attached, por aí fora. Se não der para isto, a segunda opção é trocadilhos parvos, do género de Made of Honor, Maid in Manhattan ou All about Steve.

 


3) AMIGOS IDIOTAS

A fórmula básica das comédias românticas requer que se diminuam todos os homens e mulheres em arquétipos – a mulher preocupada com a carreira e que não está preparada para o amor, o playboy que não se quer comprometer, etc. Bom, como a audiência pode achar isto um pouco… insultuoso, vá, temos de meter à mistura uns quantos personagens secundários – os amigos parvos cujos exemplos extremos e estereotipados parecem dar alguma profundidade aos personagens principais.

 

 

Infelizmente, muitas vezes este papel é dado a um actor bom, mas que é mal utilizado: Philip Seymour Hoffman em Along Came Polly, Judy Greer em 27 Dresses (e Elizabethtown e 13 Going on 30…), Rob Corddry em Heartbreak Kid (e What Happens in Vegas e Failure to Launch…), Jason Sudeikis emThe Bounty Hunter, e Jon Favreau em The Breakup.

 


4) MÚSICAS POPULARES

Sem qualquer tipo de ofensa, este ponto é como dar os biscoitos favoritos ao nosso cachorrinho. E o que é que isto quer dizer em termos práticos? Vamos lá dar canções conhecidas à nossa audiência, se possível, em formas literais. Quando o casal dizer amor pela primeira vez podem tocar  “Feels Like the First Time” de Foreigner (Valentine’s Day), quando a protagonista aprender a erguer-se por si mesma toquem “Respect” da Aretha Franklin (Bridget Jones Diary), quando o protagonista embarca numa viagem de auto-conhecimento sozinho toquem o “Here I Go Again” de Whitesnake. Alguns de vocês podem estar a perguntar-se neste último caso, “porque não uma música dos Journey?”. Porque não. Estão a ser criativos, parem com isso!

 


5) NÃO GOSTAM UM DO OUTRO LOGO À PRIMEIRA…

A personagem principal deve partir em busca de dois desejos centrais: o primeiro, é, claro, o romance e a personagem fará tudo para conquistar este primeiro ponto; o segundo objecto de desejo será algo que entrará sempre em conflito com o primeiro desejo e que resultará nas situações humorísticas. Eis o que acontece na grande maioria das comédias românticas: duas pessoas conhecem-se, depois fazem sexo. Infelizmente, temos de encher mais 90 minutos, por isso convém que os protagonistas comecem o filme a odiar-se (ou se não for possível, pelo menos um a ignorar o outro). Talvez ela possa ser uma mulher de carreira e ele possa ser o Matthew McConaughey, ou ela uma feminista e ele um chauvinista.

 


A questão é: os opostos atraem-se e o amor está onde menos esperamos – os clichés são as guias principais aqui. O objectivo é explicar porque é que estes dois caucasianos não andam enrolados apenas 10 minutos depois de se conhecerem.

 


6) … MAS DEPOIS ACONTECE ALGO

Temos duas pessoas atraentes e que não gostam muito uma da outra. Porreiro. Agora precisamos de factores exteriores que as façam juntar-se, quer queiram quer não, para que possam apaixonar-se à vontade. Portanto agora precisamos de uma razão para os protagonistas fazerem uma viagem juntos, ou terem de casar para um deles não ser deportado, ou trabalhar em equipa para encontrar um tesouro perdido.

 

 

7) “KISS IN THE RAIN”

Não é preciso muito para explicar esta, pois não? Bem, andar a cavalo na praia também poderá servir.

 

 

 

8) SEPARAÇÃO

Temos de encher chouriços durante 90 minutos, lembram-se? E assim que o casal se apaixona e se beija à chuva, não podemos simplesmente acabar aqui. A audiência precisa de chorar., e por isso, yep, o nosso casal tem de voltar a separar-se. Uma das personagens utilizará algum mecanismo de aldrabice para perseguir os seus objectivos. Esta aldrabice é sempre ultrajante e será revelada eventualmente a 2/3 da duração do filme. É uma coisa temporária, por isso tem de ser por uma razão mesmo estúpida. A forma mais fácil de atingir o objectivo é completar a frase “Estás comigo porque me amas ou apenas porque ______”. O espaço em branco pode ir de fazer uma aposta com o chefe, até prometer dizer sim a tudo, precisar de ajuda para encontrar um tesouro, etc. “Mas amor, isso foi antes de me apaixonar por ti!”. Sim, também toda a gente sabe isto, mas ela tem de ficar super fula e fugir; caso contrário não poderia haver a grande reconciliação no final, não é?

 


9) ELE FAZ ALGO MALUCO PARA PROVAR O SEU AMOR

Uma das provas mais famosas do passo número nove é a cena de John Cusack em Say Anything, onde este se encontra na rua, à porta do apartamento da sua “the one” e lhes faz uma serenata da música “In Your Eyes”. Se não se conseguir algo assim TÃO criativo, ponham-no a correr atrás dela no aeroporto antes de se mudar para uma cidade a 39594802 km de distância, ou aparecer na igreja quando ela está prestes a casar com o macho errado. It works everytime.

 


10) FINAL FELIZ

Um happy ending é essencial! O casal deve acabar junto e feliz ou, no máximo dos máximos, a audiência deve ficar a acreditar que eles poderão eventualmente juntar os trapinhos.

 

 

*** *** ***

 

E pronto, é tudo. Já estão habilitados a escrever uma comédia romântica!
Vemo-nos nos Oscars! Ou não… porque com comédias românticas são capazes de não chegar lá.

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Deep Focus - A língua estrangeira vista por Hollywood

por Catarina d´Oliveira, em 03.03.11

  

De vez em quando, Hollywood gosta de entrar numa onda eclética e decide colocar línguas estrangeiras nos seus filmes. Todos nós já sabemos do seu patriotismo e da mania de americanizar tudo (não só no cinema, mas em todos os aspectos que se possam imaginar), mas a verdade é que de vez em quando, tem mesmo de se enfiar uma outra língua (que não a inglesa) para dentro de um filme, e não podem simplesmente por os seus personagens mudos (como acontece nos trailers americanos dos filmes estrangeiros; é um mimo). O problema é que muitas vezes, a coisa não sai bem feita…

 

Vamos então ver sucintamente as possibilidades para representar uma língua estrangeira (ou seja, não inglesa) no cinema:

 


 

Se há coisa que os amigos americanos não gostam é de um bom filme com legendas. Estão mal habituados, é o que é. De qualquer forma, para evitar este desconforto de ler legendas, os estrangeiros são representados por actores a falar inglês com o sotaque da nacionalidade que supostamente representam; por exemplo, um alemão seria representado por alguém a falar inglês com sotaque alemão, e a lógica será sempre esta. O inglês permite-lhes sempre entender os diálogos, e o sotaque situa-os geograficamente. Muito prático, e bastante utilizado.
Grandes filmes utilizaram a técnica, como por exemplo, The Schindler’s List. Outro exemplo foi Alexander the Great, onde vários personagens utilizaram sotaques, incluindo Angelina Jolie, com o seu infame e incompreensível sotaque normalmente considerado como um dos piores da história do cinema.

 

 

 

Já repararam que existem filmes onde, por mais estranha que a língua possa parecer, os falantes da língua inglesa conseguem perceber tudo o que os estrangeiros falam? Às vezes até percebem o que os cães querem dizer… são um autêntico prodígio.

É óbvio que nenhum dos falantes da língua de Shakespeare vai responder na mesma língua, não vamos baixar o nível da coisa não é? Mas conseguem perceber tudo bastante bem.

 

Um caso prático: chineses. Tenho para mim que devem ser dos povos com mais dificuldade em aprender outras línguas, o que se comprova nos filmes onde, normalmente, falam chinês e ninguém percebe. Todavia, se recordarem os filmes de Ocean’s Eleven, o personagem Amazing Yen continua sem dizer uma única palavra em inglês, mas percebe o que os outros dizem perfeitamente. É só porque falar em chinês é giro. Quanto ao gang de Danny Ocean, bom… eles também percebem perfeitamente o que o nosso amigo chinês diz. São ladrões inteligentes, todos fluentes em mandarim (apesar de nenhum falar). Uau, cada vez mais verosímil Ocean!

 

O Star Wars é outro que faz basicamente o mesmo, com personagens como Chewbacca, R2D2 e outros. Eles rosnam, apitam ou fazem qualquer outro som irreconhecível ao ouvido do comum dos mortais, mas Han Solo parece entender todas as línguas aliens que existem por aí. Só não esperem que ele responda na mesma língua. Americano que é americano ou fala inglês ou não há nada para ninguém.

 

 

 

Como por tradutores, legendas ou fazer sotaques fieis dá muito trabalho, alguns argumentistas determinam simplesmente que toda a gente fala inglês. Seja qual for a nacionalidade. Só para facilitar. São inúmeros os exemplos desta “ofensa”, mas podemos considerar um grande número de filmes históricos como Troy, e alguns filmes com aliens também entram aqui, visto que muitos deles chegam à Terra e sabem falar um inglês perfeito.

 

 

 

Esta também é bastante comum: um actor de uma determinada nacionalidade “fingir” que está a falar noutra língua.

 

Os americanos normalmente não notam e aceitam que aquela mente brilhante saiba falar fluentemente e sem erros para os nativos de uma determinada língua mesmo que, em metade das vezes, a coisa seja tão mal falada que precisa de legendas na versão internacional desse país.

 

Neste caso, vou utilizar um exemplo que, não sendo do cinema, é português e daria para vos fazer entender. Estou certa que todos já ouviram o José Mourinho falar inglês ou mesmo outra língua. Apesar de não duvidar dos seus dotes para as línguas, a pronúncia é cerrada como um bom zézé. Agora imaginem o que é pôr o José Mourinho a interpretar um americano chamado Joseph – o sotaque era verosímil? Pois… não. Outro exemplo: já devem ter notado que existem alguns sons em português que não existem noutras línguas como o inglês, o que normalmente os leva a ter sotaques muito cerrados quando falam português. Então agora, ponham um inglês a protagonizar um filmes português no papel de Manel das Couves. Resulta? Hmmm não!

 

Foi mais ou menos isso que se passou em Crouching Tiger, Hidden Dragon, quando a audiência chinesa se contorceu no cinema enquanto os personagens de Chow Yun-Fat e Michelle Yeoh, cuja língua nativa é o cantonês, tropeçavam nas suas falas em mandarim. Para nós que não percebemos nada de uma ou outra forma, parece tudo muito bem, mas para a audiência chinesa era o mesmo que ter o mourinho com molas nos olhos e a tentar falar chinês fazendo-se passar por nativo.


 

 

Ora aqui está a técnica menos utilizada de todos, porém a mais correcta do lote: utilizar de facto nativos de um local para falarem na língua desse mesmo local. Não é complicado, e já há quem o tenha feito com sucesso. O caso mais notável e presente que temos é o de Inglourious Basterds de Quentin Tarantino que apresenta um elenco all-star de origens várias, tendo valido um Oscar ao brilhante poliglota Christoph Waltz.


*** *** ***

 

Nota final: Bom, é óbvio que este artigo foi escrito mais pela "graça" do que pelo objectivo da sua aplicação real. Hollywood é (para nós) a maior indústria cinematográfica do mundo e era um pouco limitador excluir as suas interpretações de outras línguas só porque não gostamos da forma como o fazem. Temos de admitir… com pouco mais de 200 anos de história (EUA), não há assim tantas histórias interessantes para contar.

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Deep Focus - 3D sucks

por Catarina d´Oliveira, em 12.02.11

 

Muitos de vocês que visitam aqui o blog conhecem o meu desencantamento pelo fenómeno do 3D. Sinceramente, irrita-me, e depois de uma experiência que não vou esquecer tão cedo, resolvi escrever-vos sobre o assunto.

 

Estou firmemente convencida que o 3D deveria dedicar-se somente aos concertos da Hannah Montana e Justin Bieber, documentários que passam nos museus de ciência e experiências cinematográficas inteiramente dedicadas ao aspecto visual como Avatar e Tron: Legacy, ainda que neste último caso, a utilização efectiva de 3D tenha sido um pouco deficiente e definitivamente sub-aproveitada. Esta é uma tecnologia criada claramente para nos extorquir mais dinheiro e para tornar a vida mais difícil à pirataria.

 

E eu posso ser muito crítica neste campo, mas gosto e espero que existam filmes que me façam pensar o contrário e que me surpreendam, mas se Avatar nos provou alguma coisa, é que os gráficos e o visual apenas não fazem um grande filme.

Bom sem mais histórias, enuncio-vos as minhas razões para me considerar uma activista do anti-3D por agora.

 

 

 

PREÇO

 

É claro que os cinemas têm de pagar pelos projectores 3D, mas um bilhete que chega quase aos 10 euros é excessivo. No meu caso, na maior parte das vezes, vou ao cinema ao Almada Forum, que é o que me fica mais perto. Os bilhetes normais estão agora a 6,10€. Felizmente sou estudante e o preço cai para 4,90€. Se por acaso quiser ver um filme em 3D, a taxa e os óculos acrescentam 2,50 € às contas totais. E eu que na minha inocência pensei que se levasse os oculos que já tinha em casa pagava muito menos... não. Os óculos custam apenas 50 cêntimos, e a taxa de 2€ continua a aplicar-se. É um balúrdio.

 

Em 2009, menos quatro milhões de pessoas foram ao cinema do que em 2001. Em 2010, o número de espectadores aumentou, e a diferença desceu para três milhões. Todavia, com a crise económica e a subida contínua do preço dos bilhetes, não me admira nada que o valor volte a cair em 2011.

 

 

MENOS LUZ

 

É verdade. Mal colocamos os malditos óculos 3D, a sala fica mais escura, bem como a imagem do filme, perdendo-se propriedades importantes de fotografia e exigindo mais esforço dos olhos.

 

 

DORES DE CABEÇA


Por causa de todos os movimentos em 3D, os nossos olhos são obrigados a fazer um esforço extra durante todo o filme. Na verdade, o 3D tenta “enganar” o cérebro ao mostrar uma imagem ao olho direito e outra ao olho esquerdo, e a menos que tenham andado a fazer exercícios de olhos, muitos de vocês vão ficar com dores de cabeça mais ou menos fortes e/ou nauseas. (Quem é que tem tempo de fazer exercícios de olhos?) E nem vamos falar dos problemas que este 3D aldrabado poderá causar a longo prazo.

 

 

MENOS VISIBILIDADE


Já repararam que os óculos 3D obstruem o campo de visão? Pois… mas é verdade.

 

 

 ALTERNATIVA AO 3D

 

Os melhores filmes em 3D chamam-se peças de teatro. E como o preço dos bilhetes de cinema anda, o argumento do “é mais caro” começa a ser cada vez menos válido.

 

 

DESCONFORTÁVEL


Usar óculos de sol no cinema não é de todo prático. Eu cá preferia ir para a praia.

 

 

IRREAL

 

Suponho que o grande propósito do 3D seja fazer com que nos sintamos mais imersos no mundo do filme e parecer que estamos dentro daquele mundo. Até pode ser que um dia, com o avanço das tecnologias seja assim, mas neste momento, para mim a ironia é que tudo aquilo me parece desleixado e deselegante.

 

 

VER FILMES MAUS CUSTA MAIS DINHEIRO

 

Ok, já falei do dinheiro anteriormente, mas este ponto é diferente. Eu adoro ir ao cinema. Infelizmente, não posso ir tanto como gostaria, mas não há nada como sentar-me numa sala escura e desfrutar de um ecrã gigante com um som porreiro durante duas horas. Ver um filme é isso mesmo. E enquanto um bom filme pode proporcionar grande enriquecimento para toda a audiência, os maus filmes também não devem ser esquecidos, uma vez que têm as suas particularidades que nos entretêm, mais que não seja por serem muito maus. As más notícias é que o 3D quer aspirar este último divertimento e com o preço excessivo dos bilhetes 3D nos dias de hoje, temos de pagar um dinheirão quando só nos apetece ver um filme mau e dar umas gargalhadas. Vê-se que a tecnologia foi longe de mais quando começa a sugar a alegria de simplesmente ir ao cinema.

 

*** *** ***

 

O que é grave nisto tudo é que os poderosos de Hollywood só cheiram o dinheiro e não se preocupam em tentar entender o 3D. Apesar de não ser propriamente uma novidade, depois da passagem da definição normal para alta definição, é perfeitamente natural que o 3D seja o próximo passo. Todavia, o próximo passo não é, claramente, ter de usar óculos escuros no cinema.

 


Como o 3D está a ser pressionado para todos os campos possíveis, é natural que algumas aplicações tenham sucesso. Por exemplo, acredito que o 3D tenha sucesso no universo dos jogos de computador se se tornar uma vantagem táctica para os jogadores. Quanto a filmes, televisão e coisas do género, se o tipo de evolução for a mesma, prevejo (e espero) que o 3D vá cair no desuso.

 

É certo que a tecnologia 3D chegará a mainstream um dia. Deverá, aliás, chegar. Mas não agora, e não desta forma, e especialmente, não de óculos escuros. E nesse dia, talvez eu e o 3D possamos ser amigos.

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Deep Focus - Como fazer um Trailer

por Catarina d´Oliveira, em 27.01.11

 

Um dos pontos fulcrais na envolvência de um filme que quer ter sucesso é a sua campanha de marketing. Posters, releases, outdoors, tudo isto contribui para, como Cobb de Inception descreveu tão bem, criar uma ideia, um parasita resistente na mente das pessoas: “eu quero ver aquele filme”.


Ter um bom trailer, é meio caminho andado para encher uma sala de cinema. De facto, não aconteceu tantas vezes vermos um trailer que nos arrepiou a espinha e depois chegarmos ao filme e adormecemos a meio? Ou o contrário… pôr de lado um filme que até era bom, mas quando vimos o trailer não gostámos.


Enfim… eu cá gosto de pensar que fazer um trailer é como trabalhar numa obra de arte. É verdade que trabalhamos a partir de material que já existe, mas acredito que aquela mistura certa entre a imagem e o som só surge muito raramente.

Um trailer deverá ter entre 30 segundos e três minutos, sendo que o ideal está entre o minuto e meio e os dois minutos e meio. Por pior que o filme seja, tem de ter pelo menos 30 segundos de imagens porreiras numa carrada de horas de filmagem…

 

 

Quando se faz um trailer tem de se pensar grande: “toda a gente tem de querer ver o meu filme!”. Temos de fazer com que o filme pareça maior que a vida e que a alma. E mesmo que o filme não valha um centavo e os espectadores saiam desiludidos, bem… pelo menos foram ver o filme não é?


Para já é preciso saber fazer três coisas:

  • Estudar outros trailers – ver os trailers dos bons filmes, ver os trailers dos maus filmes, ver todo o tipo de trailers. O que é que faz os espectadores irem ver um filme? E o que é que não é apelativo para eles?
  • O que é bom é para se ver – ponham-se aqueles shots mais porreiros, e as linhas de diálogo mais cool. Todavia, é melhor não elaborar muito para explicar o enredo. “Sell the sizzle, not the steak”, como diriam os britânicos.
  • Construir à volta da criatividade – vamos supor que o nosso filme é sobre um mago que lança um feitiço maluco a um caranguejo arraçado de escaravelho que fica gigante e começa a atacar vilas e depois grandes cidades. O trailer deveria mostrar: 1º) o mago a fazer as suas macumbas (isto de uma forma estilosa se possível); 2º) pessoas a serem atacadas por uma “coisa não identificada”. E pronto, é isso. É tudo o que a audiência precisa de saber. Quanto menos se mostrar, mais curiosidade desperta. É óbvio que não podemos mostrar o escagarelho, nem sequer mencionar que o monstro é um escagarelho. As perguntas terão resposta quando os potenciais espectadores decidirem ir até ao cinema ver o nosso filme.

Não há nada mais importante do que levar o máximo de pessoas possível a ver o filme. Devemos convencer a audiência de que o nosso produto é merecedor do seu tempo e, especialmente, do seu dinheiro. E para isto, não há nada que encaminhe melhor do que um bom trailer.


E depois desta lição rápida sobre como nos prepararmos para fazer um trailer de um filme… vamos lá embora fazer um. Com isso em mente, deixo-vos uma pequena lista com alguns dos “musts” de um Trailer com “T” grande – alguns bons, outros nem por isso.

 

*** *** ***
 

1. Arranjar um senhor com voz grave, melódica e carismática para o Voice Over.

Se não conseguirem, gravem a vossa própria voz e alterem no computador até parecerem padecer de algum mal de garganta funda.
Visto em: (500) Days of Summer.

 

2. Mostrar as melhores partes.

Correu tudo mal durante a produção e acabamos com um aborto em forma de filme. Ainda assim, é preciso pagar os ordenados e as contas, logo, é preciso trazer as pessoas ao cinema. Pegue-se nas melhores partes do filme (explosões, lutas, gritos, choros, por aí fora) e juntem-se todos no trailer. Depois é só fazer figas.
Visto em: Clash of the Titans

 

 

3. Não se preocupem com os Spoilers.

Nesta era em que a circulação de informação ultrapassa tudo e todos, é preciso fazer um filme dentro de um poço para manter segredo sobre o seu enredo, personagens, etc por mais do que dois minutos. Dois e meio, vá. Já que é para estragar o factor surpresa, escarrapache-se tudo no trailer. Se morre alguém, vai de se mostrar sangue, explosões e tudo o que haja para oferecer. O mau da fita? Mostre-se também! Se possível, a fazer coisas más para não se ter mesmo dúvidas.
Visto em: Carriers, Red Dragon.


4. Usar a “Lux Aeterna” de Clint Mansell ou “Hello Zepp” de Charlie Clouser.

 As músicas escritas respectivamente para Requiem For A Dream e Saw, são utilizadas repetidamente em trailers de outros filmes. Deve ser um pré-requisito.
“Lux Aeterna” vista em: I Am Legend, Sunshine, The Da Vinci Code, Avatar
“Hello Zepp” vista em: The Box, Valkyrie, Deja Vu.

 

5. Se não é falado em inglês, não avisem ninguém.

Dizer que é estrangeiro afugenta as pessoas. Nos países de língua inglesa eles não querem ler legendas, e nós por cá não queremos ouvir outra cantiga que não a da língua de Shakespeare. Corte-se o diálogo todo e se for preciso, meta-se aquele senhor da voz grossa a fazer voice-over.
Visto em: The Girl With The Dragon Tattoo.


6. Mostrar partes de críticas.

Afinal, um filme pode sempre apoiar-se em algumas críticas sensacionais que o acham o “melhor do ano”. Só não inventem críticos, isso não dá bom resultado.
Visto em: A Single Man


7. Mostrar os efeitos visuais.

Os trailers devem capitalizar sempre os efeitos visuais de maior categoria. Além disso, todos os filmes devem ter efeitos especiais, como bem manda a Bíblia de Hollywood.
Visto em: The Matrix, Tron: Legacy

 

8. Espingardice de nomes, trabalhos passados e reconhecimentos.

 Para os actores, isto funciona à base de prémios. Quanto à realização, a não ser que tenhamos um familiar bombástico no negócio (género Spielberd ou Scorsese), esta coisa dos nomes não tem muito por onde arder. Ninguém quer saber se o filme da afilhada do filho do marido da amante do peixe de aquário do James Cameron… Se forem um realizador famoso, toca de escarrapachar os trabalhos passados todos, mesmo que o filme presente não preste. Ao menos é bom lembrar que fizemos algo bom.

Visto em: Avatar, Black Swan

 

9. Colocar taglines portentosas.

Os trailers não são nada sem aquelas frases magistrais (às vezes bem ranhosas) que acompanham o desenrolar dos acontecimentos. Na altura em que escrevo isto, lembro-me novamente de Clash of the Titans, cujo mote era “Titans will clash”… mas depois devem ter reparado que era demasiado óbvio e mudaram para “Damn the Gods”, que é apenas.

Visto em: Ah, todos os filmes basicamente.

 

10. Mostrar cenas que não aparecem no filme.

 Um bom passatempo para quem é apaixonado pelo cinema e não tem muito que fazer é ver um filme e rever o seu trailer à procura daquelas cenas que o nosso inconsciente não esqueceu enquanto víamos o filme. A parte má? Às vezes são as nossas partes favoritas do trailer.

Visto em: Predators

 

--- " --- " ---

 

E pronto, a lição está dada por hoje. Dúvidas? Reclamações? Mais algumas sugestões?

Não deixem de partilhar amigos.

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