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Point-Of-View Shot - Atonement (2007)

por Catarina d´Oliveira, em 31.12.08

- Pela última vez este ano, gostava de partilhar convosco o meu ponto-de-vista cinematográfico. Não escolhi um filme qualquer. É um filme estreado este ano em Portugal, apesar de ter estreado em 2007 nos EUA, e que é tão somente na minha opinião, o melhor do ano. Atonement entrou directamente para o meu mural e já a seguir vos explicarei porquê.


*** *** *** *** ***

 


"I'd like to think this isn't weakness or... evasion... but a final act of kindness. I gave them their happiness."
 
1935, a família Tallis vive uma vida de conforto e luxo numa enorme mansão. No dia mais quente do ano, Briony, uma precoce aspirante a escritora de apenas 13 anos, vê algo que não entende, e a sua viva imaginação fabrica algo que não aconteceu realmente.
 
Robbie Turner, o filho de um antigo empregado da família Tallis, é apaixonado por Cecilia, a irmã mais velha de Briony que, como ele deseja, também gosta dele. Pouca falta para o Amor explodir, depois de alguns episódios desconcertantes. Quando isso acontece, ambos fazem juras de amor e entregam-se um ao outro, com enorme desejo. Briony, que nutria um carinho particular por Robbie, assiste a tudo; algo que não compreende na sua verdadeira extensão. Sentindo-se obrigada a interferir, acusa Robbie de um crime horrendo que este não cometeu, acabando por ser preso (mais tarde indo servir na 2ªGuerra Mundial) com base nos falsos testemunhos da criança. Pelo azul fundo dos olhos de Briony, vemos a história de três vidas mudadas para sempre, e para sempre Briony tenta reencontrar o perdão.
 
Num acto de imaginação complexo - duro mas em certa medida corajoso - encontra o único caminho que conhece para a reparação e redenção; e para a compreensão do que o Amor de uma vida realmente é.

 

 

Já vi Atonement mais que uma vez. Talvez umas três vezes… e de cada vez que o vi, senti algo diferente. E de cada vez que o vi, senti algo mais forte. Cada vez mais, gostei do que vi.
 
O brilhante e intrigante romance de Ian McEwan era, à primeira vista, inadaptável. Mas isso não parou o argumentista Christopher Hampton ou o realizador Joe Wright. Juntos criaram uma das mais belas e fiéis adaptações cinematográficas de que tenho memória. Atonement é um autêntico épico cinematográfico, uma poesia escrita em finos e cuidados detalhes que constroem algo que extrapola em anos luz a dimensão física do ecrã.
 
A luz e cor delicadas e vivas dos campos britânicos vêm a sua pintura borrada por uma transição violenta para a tempestuosa e cinzenta França da Segunda Guerra Mundial; o terror espalha-se pelas ruas como uma peste, e nos olhos dos corajosos soldados agachados nos esconderijos, um brilho já muito baço relembra a esperança de um dia regressar a casa.
 
Os cenários e o guarda-roupa não são meros adereços técnicos; são eles mesmos personagens vivas, movendo-se por uma realidade que nos recusamos a aceitar e uma ficção a que nos agarramos desesperadamente. A banda sonora - muito justamente Oscarizada - é minuciosamente composta, alternando o som electrizante e ritmado da máquina de escrever da inventiva Briony e do piano, com a voz melancólica e infeliz das cordas friccionadas que choram a realidade dura de Cecilia e Robbie.

 


 

O trio protagonista, que é na verdade um quinteto, parece talhado para a história, numa combinação de excelência de interpretações a que é raro assistir nos dias correntes.

 
Briony é vivida por três actrizes em três fases diferentes. Saoirse Ronan, a grande revelação, dá à menina de 13 anos uma profundidade e verdade tão cruas como inacreditáveis para tão jovem actriz. A nomeação ao Óscar foi sem dúvida uma merecida distinção. Espectacular! A continuidade envolvente é promovida pela excelente Romola Garai e, depois, na velhice, pela arrepiante Vanessa Redgrave, que apesar de ter poucos minutos de cena transporta uma vida de contínuo e interminável remorso para uma série excepcional de olhares infelizes e gestos culpados.

 

O condenado casal toma forma pelas presenças físicas de Keira Knightley e James MacAvoy, que têm uma ascenção gradual ao longo da fita atingindo picos interpretativos tão honestos e dolorosos que se tornam custosos de assistir. Duas estrelas britânicas em grande crescimento desde há alguns anos que serão, sem dúvida, titãs do futuro.

 

Atonement é, em tudo o que o compõe, um filme completíssimo. Desde o argumento magnificamente construído a uma combinação rara de excepcionais interpretações, da banda sonora envolvente à fotografia incontornável, Atonement é muito mais que um mero filme. É uma revelação pura do poder do Cinema.

 


 

É cada vez mais raro encontrar um filme verdadeiramente bom. É cada vez maior a certeza de que o cinema do séc. XXI se perde muitas vezes por entre o fenómeno desumanizante do Blockbuster e do “filme pipoca”. Muita gente pensa que o cinema perdeu o seu encanto…
Para eles e para todos vocês fica o conselho: vejam Atonement. Far-vos-á acreditar de novo.

 

10/10

*** *** *** *** ***

 

Excedi-me um pouco nesta crítica, pelo que me desculpo... mas há tanto a dizer e as palavras são tão poucas e por vezes tão superficiais que se torna difícil falar de um filme como estes.

No entanto, e terminando de forma diferente, gostava de fazer referência e homenagear uma cena pela qual me apaixonei desde o primeiro momento, e que, acredito, será recordada por largos anos. Falo da brilhante sequência sem cortes de 5 minutos na praia de Dunkirk, durante a evacuação dos soldados britânicos.

 

Os violinos acompanham um cenário de destruição negra, onde soldados doentes e feridos e animais irreparáveis cobrem uma enorme extensão de areal cinzento e morto. A certo momento, as vozes dos soldados elevam-se louvando, pelas palavras do arrepiante hino Dear Lord and Father of Mankind, a paz e o amor e pedindo a força necessária para afastar o medo de um regresso negado pela guerra e destruição.

 

Palavras não são suficientes para descrever ser o significado ou o poder, por isso, deixo-vos com os versos cantados pelos corajosos Homens que lutavam pela sua pátria e, como não podia deixar de ser, o próprio vídeo. Deixem-se levar pela genialidade.
 

Drop Thy still dews of quietness,
Till all our strivings cease;
Take from our souls the strain and stress,
And let our ordered lives confess
The beauty of Thy peace.
The beauty of Thy peace.
 
Breathe through the heats of our desire
Thy coolness and Thy balm;
Let sense be dumb, let flesh retire;
Speak through the earthquake, wind, and fire,
O still, small voice of calm!
O still, small voice of calm! 

 

 

 

 

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