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Deep Focus - Da Página para o Ecrã (2/3)

por Catarina d´Oliveira, em 27.11.08

 

Da Página para o Ecrã - Análise de quatro adaptações (2/3)

 

O debate continua fervoroso.  

Se for um lado é absolutamente ridículo e despropositado dizer “o livro é melhor que o filme”, por outro lado é absolutamente legítimo dizer “neste caso, gostei mais do livro”.

Atente-se em duas partes importantes da frase simples atrás escrita: a utilização do complemento “neste caso”, o que implica uma não-regra-geral, e a utilização do verbo “gostar” em oposição ao verbo “ser” (A é melhor que B), atribuindo-se assim uma conotação pessoal.

 

Assim sendo, e já que este blog é primeiramente algo que criei para expressar a minha opinião, farei uma análise sucinta de quatro adaptações relativamente recentes, tendo em conta pontos fortes e fracos de livro e filme, e o meu “veredicto” pessoal acerca do meu favorito. Debruçar-me-ei então sobre Ensaio Sobre a Cegueira/Blindness, The Hours e, “clichézismos" à parte, Lord of the Rings e Harry Potter.

 

Ensaio Sobre a Cegueira / Blindness
 
O mais recente exemplo que registo de “ler livro&ver filme” é o de Ensaio sobre a Cegueira / Blindness.
 
Esta primeira situação foi algo particular uma vez que, aquando do visionamento do filme, me faltavam ainda algumas páginas para terminar o livro (penso que à volta de umas 50).
No entanto, e ao contrário do que acontece muitas vezes, quando saímos da sala de cinema e nos damos conta de que o filme não é tão bom quanto esperávamos, desde que apareceram as primeiras imagens no ecrã senti-me desiludida.
 
Blindness não é um mau filme. O que acontece é que tem por trás de si uma quase epopeia moderna, uma obra de (quase) impossível tradução para o ecrã.
Ensaio Sobre a Cegueira, o livro, é tão cruamente real que chega a ser doloroso lê-lo. É visceral, directo, tão directo que chegamos a ter medo das coisas em que nos podemos tornar. É, ao mesmo tempo, desesperante e claustrofóbico. Não é como alguns, a meu ver ignorantes, referiram “uma história sobre cegos”. É uma parábola, uma metáfora sobre a cegueira do Homem com perfeita visão; a deterioração humana e tudo aquilo que nunca pensámos ser capazes de fazer, mas somos.
 
 
Blindness parece sofrer de uma severa falta de realismo enquanto filme, e enquanto expressão do real (para não falar de alguns “buracos” entre a narrativa).
Fernando Meirelles fez o mundo parar com Cidade de Deus, um filme violentíssimo e também totalmente cru e verdadeiro. O mesmo esperávamos de Blindness, e apesar de parecer que foi isso que nos ofereceu, com sequências violentas e chocantes, a verdade de Blindness é nem um quarto da de Ensaio.
 
Compreendo porque Saramago estava tão pé-atrás numa adaptação. Penso sinceramente que nunca o deveria ter consentido, pois não obstante Blindness ser um filme aceitável, Ensaio Sobre a Cegueira é uma obra sem precedentes. Uma análise profunda e perturbante do ser humano nas mais precárias e horríveis situações. O Homem como bicho e o bicho como Homem.
 
O melhor concelho que posso dar? Leiam o livro. Vale mesmo a pena.
 --- --- --- --- ---
 
 The Hours 
 
Este foi outros dos tais que li e vi o filme. Aliás, vi o filme e li, falando cronologicamente. Neste caso, que é sem dúvida raro, apesar de ter gostado muito do livro, achei o filme superior.
 
Apesar de não apresentar todo o conteúdo do livro, o filme tem exactamente tudo o que é essencial. Nada falta, e nada está em demasia. A acrescentar, tudo o resto forma uma mistura homogénea tão poderosa que me foi difícil tirar o filme da cabeça dias e dias depois de o ter visto pela primeira vez. A música era soberba, as interpretações espectaculares, os diálogos poderosíssimos… tudo no sítio.
 
 
O livro é bom, muito bom. A prová-lo está o prémio Pullitzer na prateleira de Michael Cunningham, junto de muitos outros. A minha maior queixa prende-se com passagens demoradas que por vezes (a mim,)  fazem perder, não o fio à meada, mas o fio ao dramatismo e à própria dinâmica. Reconheço uma técnica de escrita bem elaborada quando a vejo, o que não quer dizer que a aprecie, que é o caso.
 
Um livro é sempre e naturalmente mais extenso e complexo, e Michael Cunningham tem todo o mérito de ter criado uma história tão particular, relacionando de forma tão singular três grandes mulheres em diferentes períodos do tempo. Mas o filme…aquele todo é para mim inultrapassável.
 
Influenciada por se tratar de um dos meus filmes favoritos de sempre? É possível.
 --- --- --- --- ---
 
Lord of the Rings
 
Lord of the Rings deve ser primeiramente analisado como um fenómeno literário, e só depois cinematográfico. Tolkien foi um dos mais brilhantes escritores do século e a imaginação sem fronteiras aliada a uma mestria da palavra criaram uma das mais fascinantes e poderosas séries literárias de que há memória. Tolkien fez uso de vários estilos, técnicas e ferramentas e criou um complexo mundo completamente à parte do que ousávamos imaginar.
 
Muita gente disse que Lord of the Rings de JRR Tolkien era “inadaptável”, o que não foi negado por algumas adaptações sem sucesso da magnífica obra.
 
Em 1997, contra tudo e todos, Peter Jackson, apoiado pela New Line, chegou-se à frente e conquistou os direitos de adaptação de um projecto “impossível”, tornando-o ainda mais arriscado ao filmar os três filmes ao mesmo tempo.
 
(cilcar para ampliar)
 
10 de Dezembro de 2001 marca a chegada de Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring aos cinemas, resultando num dos maiores marcos da história do cinema. Seguiram-se as sequelas, que talvez por o serem se esperam sempre mais fracas que o primeiro filme. Aqui, mais uma vez Lord of the Rings foi fenómeno com a qualidade a aumentar de filme para filme, culminando naquele que é considerado por muitos como um dos melhores filmes de todos os tempos: LOTR: The Return of the King. E por três Natais tivemos o prazer (e a honra) de assistir a poderosas misturas de batalhas formidáveis, efeitos especiais brilhantes e um elenco irrepreensível.
 
Mas lá porque LOTR é o fenómeno que é, não significa que não tenha tido também a sua parte de críticas e acusações, dizendo respeito a cortes (que surpresa!...bah!) e novas adições, como por exemplo o dilema de Aragorn em aceitar o seu destino como rei, que não está assim descrito no livro. A meu ver, o filme em si só teve a ganhar com estas adições, e foram elas que permitiram uma maior coesão e continuidade à própria história.
 
De uma forma geral, é sem grandes receios que digo que gostei tanto dos livros como dos filmes, pois as faltas de uns são compensados pelas qualidades dos outros.
 
 
Enquanto livro, mergulhamos profundamente naquilo que Tolkien imaginou como a Terra Média. Todas as lendas, as minuciosas e pormenorizadas descrições permitem uma análise e compreensão sem falhas tanto dos personagens principais, como das próprias raças, locais e tempos. Por ser por vezes extenso e intrincado, é considerado por alguns como "por vezes chato", algo que compreendo mas não concordo.
 
Enquanto filme, é um festival visual. O conhecimento e a explicação de contextos não são tão abrangentes como a base escrita, no entanto, a acção e o dinamismo falam mais alto do que no livro. O filme tem ainda a ganhar nas magníficas inovações visuais e multimédia, e ainda na humanidade dos personagens, que acaba por ser um dos elementos mais centrais e importantes da trilogia.
 
Na minha modesta opinião, os filmes Lord of the Rings estão não apenas entre as melhores adaptações literárias já feitas, mas também, pelas barreiras que quebraram, entre os melhores filmes de sempre da minha lista pessoal.
--- --- --- --- ---  
 
Harry Potter
 

Tal como as séries de The Chronicles of Narnia (C.S. Lewis) ou Lord of the Rings (J.R.R. Tolkien), Harry Potter , escrito por J.K. Rowling juntou fãs e mais fãs em todo o mundo em pouco mais de uma década de existência.

 

No geral, e até indo contra a opinião da maioria, considero as adaptações de Harry Potter realmente competentes e eficazes no seu maior propósito: entreter.

 

Se temos tanta pressa em comparar Harry Potter com Lord of the Rings, consequentemente dizendo que os filmes do feiticeiro não prestam quando equiparados aos da Irmandade do Anel, temos de ter em conta que se baseiam em materiais de natureza completamente diferente.

 

Tolkien tinha uma imaginação acima da média dos génios da criatividade. Era um visionário de mundos que não poderíamos sequer imaginar em sonhos se não no-los tivesse escrito em papel. Paralelamente, era um mestre da palavra, e cada linha sua era um autêntico ensaio épico: as descrições minuciosas, os embelezamentos estilísticos.

Rowling é uma escritora moderna, directa e dinâmica. A acção passa sem grandes demoras, sem grandes paragens para pormenorizadas descrições ou reflexões.

 

(clicar para ampliar)

 

São estilos diferentes, que, consequentemente, também criam filmes que, apesar de se enquadrarem no mesmo género cinematográfico, são de natureza completamente diferente.

 

Pessoalmente considero Harry Potter um grande objecto de entretenimento, e é sem qualquer constrangimento que digo que, antes de os filmes saírem, li todos os livros (alguns duas vezes, em inglês e português).

 

Em termos de conteúdo, os filmes são de facto mais pobres. É claro que nenhuma adaptação consegue manter todo o material do livro, o que significa que curiosidades ou factos que poderemos considerar interessantes ficarão de fora. O que se poderá dizer da criação de Rowling, é que vive muito destes pequenos apontamentos, destas deliciosas pérolas que dão ânimo e dinâmica ao enredo. E talvez seja daí que partem muitas das críticas.
 
Na minha visão pessoal, as escolhas de “o que incluir” e “o que deixar de fora” nem sempre foram sensatas, talvez, e especialmente com Chris Columbus, nos dois primeiros filmes. No entanto, compreendo a dificuldade de tornar “real” um mundo mágico, e, assim sendo, regalo-me e contento-me de muito boa medida com o que nos tem vindo a ser apresentado.
 
(*) Um facto curioso e que penso ser interessante trazer ao de cima é que, normalmente, os filmes ajudam a venda dos livros. Vejamos, só para citar um exemplo, Lord of the Rings, que, não obstante ser uma obra antiga e já bastante lida, viu o interesse nos livros completamente renovado e fortalecido com o lançamento dos filmes. No entanto, Harry Potter parece-me ser uma excepção à regra, sendo o sucesso dos livros a alimentar o sucesso dos filmes.
 
--- --- --- -- --- --- ---
 
E aí está...
Além dos filmes que discuti, muitos e muitos outros já foram e estão a ser adaptados (entre os mais célebres, The Godfather, Jaws, Shawshank Redemption, Fight Club...). Quero aqui deixar um pequeno apontamento para o crescimento exponencial de adaptações de Comics (o caso mais gritante, The Dark Knight), que só por acaso e sincero esquecimento não inclui aqui um exemplo/análise.
Neste artigo (tripartido) NÃO SÃO CONSIDERADOS TEXTOS TEATRAIS. Isto porque, mais tarde, pretendo dedicar um espaço exclusivo a esses textos.
 
E para terminar, gostava de deixar, mais uma vez, uma questão.
 
Qual a adaptação literária que mais vos surpreendeu [positiva ou negativamente] e porquê?
 
(*) Na terceira e última parte deste "artigo tripartido", publicarei algumas listas que me parecem conformes com o tema.
 

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