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Point-of-View Shot - Behind the Candelabra (2013)

por Catarina d´Oliveira, em 19.09.13

 

"I want to be everything to you. I want to be father, brother, lover, best friend."

 

Atreva-se a ser deslumbrado, porque ninguém diria que Gordon Gecko e Jason Bourne formariam um casal tão credível e fascinante.

 

Como antes do fogo ardente veio a faísca, antes de Elvis, Elton John, Michael Jackson e Lady Gag veio Liberace, o extravagante e virtuoso pianista que foi a estrela mais brilhante – literalmente e não só – na vida das donas de casa norte-americanas ao longo de uma carreira de mais de 40 anos. Liberace era um entertainer de “E” maiúsculo, e não se cansava de explicitar a quem o quisesse ouvir: “Eu não dou concertos. Eu dou espetáculo!”.

 

Liberace viveu uma vida de excessos, dentro e fora do palco, e sem vergonha disso mesmo. No verão de 1977 conhece o jovem e belo Scott Thorson, um aprendiz de veterinário por quem nutre um carinho imediato. Apesar da diferença de idades e de pertencerem a mundos opostos, os dois envolvem-se numa secreta relação amorosa durante cinco anos. Eventualmente, o exuberante castelo de cartas que foi constantemente exposto a pressão e a uma existência excessiva, colapsa. Terá sido o mau comportamento de Scott a afastar Liberace ou será que este foi empurrado para maus caminhos pela crescente indiferença de uma confusa figura parental e amante?

 

 

As respostas não são simples, como seria de esperar de uma relação tão complexa. “Behind the Candelabra” é a encenação desse affair e um olhar sobre o mundo escondido do “Senhor Espetáculo”, inspirando-se diretamente na memória homónima publicada por Thorson em 1988, um ano depois da morte do entertainer.

 

Inicialmente concebido para Cinema, o filme de Steven Soderbergh viu-se com uma receção apreensiva e fria em Hollywood quando o realizador levou o projeto aos estúdios: “Disseram que era demasiado gay. Todos eles. Fiquei chocado. Não fazia qualquer sentido”.

 

Felizmente, e como tem sido o caso noutras situações, a HBO apareceu para salvar o dia, e o filme chegou a maio deste ano ao festival de Cannes, estreando no canal de cabo dias depois.

 

 

Num retrato cru e realista, estamos em permanente contacto com Scott e Liberace, na sua forma mais fabulosa e disforme, sem qualquer obstáculo a esbarrar o desenvolvimento de uma relação povoada por contradições, motivações conflituosas e ainda assim, muito amor. Este é o reflexo fiel de dois outsiders que se encontraram. Logicamente falando, não durou… mas como o final deixa no ar, talvez para ambos, de alguma forma, tenha sido para sempre.

 

Divertido mas profundamente trágico - muito como a inesquecível personalidade no centro - o tom do título é supremamente equilibrado, e no desenrolar das duas horas de acontecimentos, nunca sentimos que o argumento de Richard LaGravenese ou o ponto de vista de Soderbergh não tratem este projeto com respeito e a mais pura sinceridade.

 

 

Apesar da superfície florida, o arco narrativo mantém-se na terra, deixando-nos encontrar a comédia por nós mesmos, e interlaçando-a na perfeição com os momentos dramáticos mais intensos, que se sentem perfeitamente orgânicos, muito por culpa do argumento superior de LaGravenese.

 

Se algum problema pode ser identificado é que se sente ligeiramente longo, arrastando-se no segundo ato, antes do poderoso facelift final, o pathos que interrompe uma festa descontrolada com a pureza inescapável da luz do nascer do dia.

 

Em todos os departamentos, desde o guarda-roupa, à maquilhagem, passando pela direção artística, o Óscar pode estar fora do horizonte – por questões óbvias de conflito de meios – mas os Emmys dificilmente escaparão ao seu charme.

 

 

Nas interpretações, Michael Douglas é deslumbrante naquela que será, sem grandes dificuldades, uma das performances mais dinâmicas do ano. O seu Liberace é a encarnação da contradição, complexo mas infantilmente simples, desejando o amor e ao mesmo tempo a selvajaria sexual de um novo parceiro a cada noite e profundamente dividido pelo desejo de partilhar a cama com Scott e de adotá-lo como filho. Pegar num cartoon de capachinho com uma voz de ET afetado e transformá-lo numa pessoa real – umas vezes gentil, outras cruel – não é tarefa fácil, mas Douglas foi absolutamente destemido e em si Liberace encontra a ressurreição.

 

Quem não fica atrás é Matt Damon, o verdadeiro protagonista – afinal, “Behind the Candelabra” é contado a partir dos seus olhos. A sua performance de um jovem inocente cuja vida leva uma reviravolta dramática é corajosa, delicada, mais sóbria mas igualmente poderosa e impossível de ignorar, tanto como a de Douglas.

 

O elenco secundário é também da mais alta qualidade, com performances curtas mas incisivas de Debbie Reynolds, Scott Bakula, Dan Aykroyd e o fabuloso Rob Lowe como o sórdido cirurgião plástico Jack Startz, cuja obsessão pelo ofício e as suas maravilhas lhe conferiram um ar permanentemente drogado numa paródia perfeita aos anos 70 de Hollywood.

 

 

Na generalidade da carreira de Soderbergh, a atenção é especialmente dada à sua mestria técnica e a facilidade com que circula entre géneros. Todavia este é um dos seus projetos mais íntimos, humanos e com alma, demonstrando que é, na verdade, um dos realizadores mais completos da sua geração, e uma perda insubstituível - se a sua partida do universo cinematográfico definitiva, como tem assegurado em diversas ocasiões.

 

Liberace sempre gostou de terminar os seus espetáculos com uma performance arrasante, digna de aplausos intermináveis, algo que o seu público nunca esquecesse. E se, por hipótese, este for o último filme de Soderbergh, temos também a certeza resoluta de que “Behind the Candelabra” foi, de facto, inesquecível. 

 

 

8.5/10

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