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Point-of-View Shot - "To the Wonder" (2012)

por Catarina d´Oliveira, em 14.05.13

 

"I write on water what I dare not say"

 

Houve alguém que disse – e não com pouca razão – que se “The Tree of Life” foi a “2001: A Space Odyssey” de Terrence Malick, então “To the Wonder” é o seu “Blue Valentine”.

 

Depois de 40 anos de carreira que se espremeram em apenas cinco longas-metragens, Malick parece ter abandonado o modo “velocidade geológica” ao lançar um novo filme apenas um ano depois do seu último (“To the Wonder” estreou no festival de Cinema de Veneza no distante setembro do ano passado), e tendo mais três projetos no horizonte para os próximos dois anos. O novo drama - que atestado está que se mostrará tão divisivo, ou até mais, que o seu antecessor - explora corajosa e liricamente as complexidades do Amor em todas as suas formas.

 

 

Marina é uma mãe solteira parisiense que se apaixona por Neil, um turista americano. Juntos, apaixonam-se e vivem intensamente na eterna cidade do amor – Paris. Quando Neil regressa a Oklahoma, Marina e a sua filha de 10 anos vêm com ele, dispostos a iniciar uma vida como família. Todavia, a relutância de Neil em casar é apenas um sintoma de uma relação que, não se sabe bem quando, entrou em fase minguante. Quando o seu visa está prestes a expirar, Marina conhece um Padre que, também ele, se convulsa com questões interiores, de fé e amor. Enquanto isso, e para complicar um quadro já tão complexo, Neil reencontra-se com o amor de infância, Jane. O paralelismo entre o “triângulo amoroso” e o Padre é claro: a perda da chama do amor assemelha-se muito a uma crise de fé, e vice-versa.

 

"A Essência do Amor" faz a crónica das purezas e dores do amor romântico, enquanto elabora, ao mesmo tempo, sobre ideias que envolvem uma presença maior que nos guia. É um quadro dicotómico - doce e tortuoso, claro e lúcido enquanto é opaco - e uma das visões mais poéticas e assombrosas das lutas, tentações, convulsões e ilusões do Amor.

 

 

Este pode não ser o melhor filme de Malick, ou sequer o mais ambicioso. Mas ao lidar com questões tão pessoais como o amor e a crença, o realizador desafia-nos a pensar. Não há muitos cineastas capazes de abordar tais questões fraturantes, muito menos de forma tão visceral e simultaneamente artística.

 

Como vem sendo hábito na sua filmografia, a narrativa não existe nos limites que tradicionalmente lhe conhecemos – ainda que este seja, por ventura, o mais linear das suas incursões -, mas paira mais como uma série de memórias, relances, sentimentos; mais uma ópera do que propriamente um filme.

 

Tal como aconteceu em “The Tree of Life”, é a protagonista feminina que se destaca de um lote muito reduzido de atores. Olga Kurylenko é hipnótica como Marina, provendo-lhe uma ferocidade emocional que é o nosso principal ponto de ligação. Em contraste, Ben Affleck parece mais um erro de casting – enquanto é verdade que nem todos os atores serão capazes de suprir os requisitos do trabalho difícil com Malick, o realizador de “Argo” parece aqui especialmente perdido.

 

 

“To the Wonder” é mais um testamento à constante procura de respostas a perguntas sem resposta por parte de Malick: qual é a nossa relação com uma presença maior que pode guiar as nossas escolhas? Como é que nos relacionamos com os outros e o que nos rodeia? O que é o amor, e como aprendemos a conviver com ele, domá-lo?

 

Eventualmente, e revisitando a questão da “Escolha” colocada no próprio filme, “To the Wonder” aproxima-se perigosamente de uma espécie de autorreferência parodiada, que não beneficia em nada de um terceiro ato redundante – tanto visual, como retoricamente. Contudo, estas são faltas cometidas apenas por aqueles que tentam a diferença através da escolha.

 

E se são falhas dessas com as quais teremos de conviver para continuar a beber da mente de um dos mais poderosos e distintos cineastas americanos, então esse é apenas um pequeno preço a pagar por uma experiência única que continua a fazer valer o estatuto de Arte ao Cinema.

 

 

Em jeito de fecho, há muito neste novo filme de Malick que se constrói à volta da dúvida, da dor, da solidão e da perda. Terá o seu espírito otimista ficado perdido pelo caminho? Não necessariamente, já que o final aberto pode trazer, de acordo com a interpretação, a redenção.

 

Porque o homem vive na ânsia. A ânsia do bem, do grande, do divino, do amor. E é essa ânsia, essa sede que se alimenta dos sonhos, que no final nos salvará da negritude do desespero.

 

 

8.0/10

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