Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Mais sobre mim

foto do autor


Calendário

Dezembro 2012

D S T Q Q S S
1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031

subscrever feeds


Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2012
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2011
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2010
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2009
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2008
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D


Point-of-View Shot - Anna Karenina (2012)

por Catarina d´Oliveira, em 06.12.12

 

"You cant ask why, about love"

 

Diz-se que o mundo está para acabar num dia próximo, e talvez por essa razão, o Cinema de Hollywood decidiu este ano ser especialmente ousado. Desde “Cloud Atlas”, o filme que fala sobre tudo, a “Les Misérables”, o primeiro musical onde os intervenientes cantam ao vivo, passamos ainda pela singular abordagem de “Anna Karenina”, uma das estreias desta semana.

 

Regressamos ao séc. XIX, reimaginado sob a alçada da opulência da alta-sociedade russa para revisitar a história da personagem titular, uma famosa aristocrata que se vê envolvida num caso extraconjugal que colocará em causa o seu estatuto na sociedade e família. A exploração da capacidade de amar, em todas as suas formas, nasce das palavras do celebrado autor russo Leo Tolstoy, que vê a sua obra – considerada por alguns como o melhor romance alguma vez escrito – adaptada para o argumento de Tom Stoppard, que escreveu, entre outros, “Brazil” (1985) “Empire of the Sun” (1987) e “Shakespeare in Love” (1998).

 

 

Aproveitando a deixa, e parafraseando o Bardo, “o mundo inteiro é um palco, e todos os homens e mulheres não passam de meros atores; têm saídas e entradas, e cada um no seu tempo representa diversos papéis”. A este propósito, Joe Wright cria aqui um conceito que é simples de explicar, mas terrivelmente difícil de executar: o romance é apresentado como uma peça dentro de um filme, um olhar microscópico sob a vida deste pedaço de aristocracia da bancada de uma produção teatral, usando apenas quando estritamente necessário uma linguagem e expressão cinematográfica mais tradicional, um pouco incompreendida entre a crítica que praticamente apelidou a sua abordagem de “salta-pocinhas de necessidade”.

 

O dispositivo aparentemente bifurcado serve, no entanto, um claro propósito de comentário social sobre a forma como a alta sociedade tem sempre um papel a representar e, por oposição, como a vida rural e simples é sinónimo de uma vivência mais real e orgânica, livre da artificialidade.

 

 

 

Não são mecanismos subtis, mas é essa também essa exposição “desavergonhada” que torna “Anna Karenina” num pedaço cinematográfico com sabor igual a nenhum outro. O conceito é visual e intelectualmente estimulante, um exercício de interseção entre literatura, cinema e teatro que, apesar de não ser a melhor incursão do realizador – nunca consegue suplantar o poder dramático e emocional de “Pride and Prejudice” e “Atonement” – é entusiástico, corajoso e vistoso.

 

Inteligentemete, Stoppard mantém o diálogo de Tolstoy intacto em muitos momentos, acrescentando passagens sempre que necessário e com intuitos que acabam por ser claros e bem-sucedidos no contexto geral do ensaio. Os temas abordados pelo autor russo não são totalmente cobertos, sendo dada clara e justificada primazia à tragédia central da trama, pondo-se em segundo plano algumas observações sobre o progresso, a sociedade e a desigualdade entre classes trabalhadoras e aristocráticas – sendo que todos têm direito a pequeno tempo de antena, deve referir-se.

 

 

 

Grande parte de equipa reunida por Wright é repetente, como os casos do diretor de fotografia Seamus McGarvey – que uma vez mais cria planos-sequência que prometem perpetuar nas memórias mais apaixonadas pela arte –, o compositor Dario Marinelli, cujas valsas confluem perfeitamente com o visual e sumo da obra, Jacqueline Durran que produz um guarda-roupa esplendido e digno das maiores honras, e Sarah Greenwood que oferece ao design de produção o maior detalhe e luxo.

 

No elenco, Keira Knigthley cria uma Anna complexa e contraditória, que tanto é heroica como quase vilanesca, fazendo revisitar o eterno dilema sobre a protagonista: será ela uma vítima do seu posicionamento numa sociedade patriarcal, ou uma mulher neurótica e narcisista?

 

 

Se Jude Law fosse dez anos mais novo, seria uma escolha óbvia para interpretar o fervoroso Conde Vronsky sendo, como já veio a provar em papéis semelhantes, fabuloso. Felizmente, a cara laroca vem acompanhada de talento, e é uma lufada de ar fresco ver Law num papel que foi tantas vezes o dos seus “rivais” românticos, e o ator britânico vive-o intensamente.

 

O erro mais gritante da produção jaz no casting do Conde Vronsky, e Aaron Taylor-Johnson (que tinha dado promissoras indicações em “Savages” de Oliver Stone ainda este ano) cria um amante esmagado pelo uniforme e opulência do seu bigode que, além do visual manifestamente agradável à vista, poucos mais atributos apresenta à emoção que justificassem uma qualquer pinga de simpatia por si.

 

 

 

Os intervenientes secundários – onde se destacam Matthew Macfadyen, Kelly Macdonald, Domhall Gleeson e Alicia Vikander – são bastante sólidos ainda que, por manifestos constrangimentos de tempo e espaço, vejam a sua ação confinada à brevidade da adaptação.

 

O maior e definitivo problema de “Anna Karenina” é, infelizmente, dramático. Resumir uma obra de mais de 800 páginas a duas horas é uma luta desigual e impossível de vencer perante todos aqueles que já viajaram pelas páginas envelhecidas de Tolstoy. A tragédia é condensada e acelerada, mas mesmo assim, fica a ideia de que algo poderia ter sido feito para tornar esta história naquilo que ela verdadeiramente foi e é: uma tragédia com grandeza e poder de ópera, e não um simples melodrama relativamente estéril, que se vai tornando menos estimulante pelo caminho. O estilo prevalece sobre a substância, e o storytelling é, em determinados momentos, irregular.

 

 

De todo o modo, “Anna Karenina” pode ter falhado algumas notas pelo caminho – como o fez -, mas criou mesmo desse jeito e forma um evento cinematográfico, um tema de conversa, um filme que ambicionou quebrar as convenções da tradição de filmar uma história, contando-a numa espécie de híbrido de meios. Um quadro vivo transposto para um orgasmo visual, uma espécie de ballet sem dança infundido numa ópera sem cantores.

 

Consegui-lo com este grau de sucesso, é um feito, e o que sobra são duas horas do mais ousado, sumptuoso, luxuoso e belo Cinema do ano.

 

E aí está ela. A deixa para aplaudir de pé.

 

 

7.5/10

Autoria e outros dados (tags, etc)


Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.




Mais sobre mim

foto do autor


Calendário

Dezembro 2012

D S T Q Q S S
1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031

subscrever feeds


Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2012
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2011
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2010
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2009
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2008
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D