Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Mais sobre mim

foto do autor


Calendário

Novembro 2012

D S T Q Q S S
123
45678910
11121314151617
18192021222324
252627282930

subscrever feeds


Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2012
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2011
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2010
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2009
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2008
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D


Point-of-View Shot - Argo (2012)

por Catarina d´Oliveira, em 08.11.12

 

 

"Look, if you're going to do this, you're going to do this... You can't build cover stories around a movie that doesn't exist. You need a script, you need a producer."

 

Espiões e cineastas. Ambos são mestres do disfarce e da trapaça. No novo filme de Ben Affleck, juntam forças para contar uma das histórias mais curiosas do ano e um das missões-embuste de maior sucesso da CIA.

 

Baseado em factos reais, “Argo” narra a operação secreta para resgatar seis americanos que foram feitos reféns em Teerão, no Irão – uma verdade escondida por décadas.

 

A 4 de novembro de 1979, quando a revolução iraniana atinge o ponto de ebulição, vários militantes atacam a embaixada e levam mais de 50 americanos como reféns. No meio de uma anarquia caótica, seis conseguem escapar e refugiam-se na casa do embaixador canadiano. Tony Mendez, um especialista da CIA em “exfiltração”, sabe que é uma questão de tempo até serem encontrados e mortos, pelo que arquiteta um plano arriscado para os colocar em segurança. Um plano, que só poderia acontecer nos filmes.

 

 

É raro que um daqueles que chamamos “atores-estrela” faça uma transição legítima e aceitável para a cadeira de realização. Clint Eastwood e Robert Redford são casos notáveis do passado “mais ou menos” recente. E depois de George Clooney, parece que podemos adicionar Ben Affleck a esse clube restrito.

 

Cinema irónico e de suspense polvilhado com humor, é o que nos oferece o ator-realizador que tem desenvolvido um gosto particular para o thriller que radia autenticidade. Seguindo "Gone Baby Gone" (2007) e “The Town” (2010), “Argo” atinge um novo nível de engenho na arte ao dilatar a amplitude, complexidade e veia cómica.

 

 

O argumento é de uma qualidade rara na Hollywood moderna, e é curioso que tenha surgido de um novato nessas lides. Chris Terrio deixou-se emergir completamente na natureza dos thrillers dos anos 70 ao mesmo tempo que se atirou de cabeça ao estudo de caso que se apresenta no cerne de “Argo”, tendo o próprio acrescentado vários detalhes que não se encontravam no artigo de 2007 de Joshuah Bearman para a Wired que inspirou o filme – “Escape from Tehran: How the CIA Used a Fake Sci-Fi Flick to Rescue Americans from Iran”.

 

À imagem de filmes como “All the President's Men” ou “Three Days of the Condor”, “Argo” encontra nas conversas, maquinações e planos entre meia dúzia de tipos de fato a ação que, no género, normalmente se serve generosamente de doses industriais de tiros, corridas e explosões. Uma “Missão Impossível” sem os efeitos especiais, digamos assim.

 

A fotografia de Rodrigo Prieto acomoda-se na perfeição na edição frenética de William Goldenberg, que corta entre eventos e locais num voo de entusiasmantes altitudes. O design de produção, direção artística e de sets, bem como o guarda-roupa merecem as melhores honras, tendo construído aquele que será por ventura um dos visuais cinematográficos mais realistas e detalhados do ano.

 


Nas interpretações, Ben Affleck é, provavelmente de forma intencional, extremamente comedido, criando na verdade um “herói” relativamente pouco interessante, questão esta que só serve para exaltar o elenco secundário, que declaradamente se destaca – nota especial para a dupla Hollywodesca de Alan Arkin e John Goodman, que funcionam como os verdadeiros mecanismos de comic relief que se equilibram com a tensão da ação no Irão.

 

No fundo, “Argo” é um daqueles exemplos claros onde toda a gente – desde os atores ao realizador, passando pelo argumentista e pelos responsáveis de guarda-roupa – conhece profundamente o tema que aborda, e se propõe a servir ao máximo a história que conta. O contexto político da crise de reféns é gerido com inteligência máxima em vários momentos, acrescentando-se aos desenvolvimentos um prólogo que explica, em traços gerais e inteligíveis, a revolução Iraniana e a forma como esta se descontrolou.

 

Infelizmente, e às tantas, mostra-se demasiado encantado com a sua premissa mirabolante e apesar de parecer pretender distanciar-se de tais intentos, acaba por revelar traços de jingoísmo e xenofobia, entre passagens redundantes que, noves fora, tornariam o todo bem mais atrativo. Nada demasiado grave ou fora do normal, mas que o diminui substancialmente da importância cultural e social que podia almejar.

 

 

Numa era em que sentimos olhos, ouvidos, inteligência e mente violentados por tantos lados, é um alívio ver que existem filmes que ainda respeitam a audiência enquanto lhe oferecem material de qualidade, altamente instigante, e cujo peso é exponencialmente aumentado pela sua significância contemporânea.

 

Sim, é o tipo de filme que ganha Óscares. Não, não é o melhor filme que poderia ser. Mas mesmo assim, é muito bom. A época “pós-verão-blockbusteriano” ou dos “esperançosos dos Óscares”, como lhe preferirmos chamar, está oficialmente aberta. And it starts with a bang.

 

8.0/10

Autoria e outros dados (tags, etc)


1 comentário

Imagem de perfil

De Menina ImPerfeita a 18.01.2013 às 10:01

Olá :) Vi ontem o filme. Devo dizer que fiquei agradavelmente surpreendida. Percebo agora porque ganhou o globo de ouro para realizador, de facto acho que foi um filme bem pensado e consequentemente bem dirigido. Concordo contigo quando dizes que ele, enquanto actor, estava muito comedido. Até acrescento que as personagens, no geral, estavam comedidas e talvez pouco desenvolvidas. Todavia não se deve esquecer os papéis de Alan Arkin e de John Goodman, que apesar de pequeninos, foram ainda assim um alívio no meio de tanta tensão e suspense. Apesar de concordar contigo quando citas alguns traços, em demasia de, jingoísmo e de xenofobia, lembra-te de que naquela época deveria ser muito pior do que foi realmente tratado no filme. Além disso, acho muito difícil realizar um filme deste género e inconscientemente, não introduzir cenas que pequem por xenofobia, tendo em conta o que muitas vezes a sociedade nos impõe.
Beijinhos*
p.s. estou indecisa sobre qual filme ver primeiro, django unchained ou zero dark thirty. Já que viste os dois, qual me aconselhas ver primeiro?

Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.




Mais sobre mim

foto do autor


Calendário

Novembro 2012

D S T Q Q S S
123
45678910
11121314151617
18192021222324
252627282930

subscrever feeds


Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2012
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2011
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2010
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2009
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2008
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D