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Point-of-View Shot - Cosmopolis (2012)

por Catarina d´Oliveira, em 30.05.12

 

"Everything in our lives, has brought us to this moment."

 

 

Não há muitas pessoas que tenham sido capazes de se afirmar como adjetivos; a descrição única para uma combinação singular de fatores.

 

O cibernético. O sexual. O estranho. O obsessivo. O febril. O eletrizante.

 

Cornenberg.

 

Aquando do lançamento de A Dangerous Method, o mundo questionou-se se o mestre do terror e do excêntrico se estaria a converter numa versão soft de si mesmo. A resposta chega como que em jeito provocador: “Vocês estavam mesmo a pedi-las”.

 


 

Cosmopolis, o mais recente filme do realizador canadiano, acompanha a história de Eric Packer, um jovem génio multimilionário que atravessa obstinadamente a cidade de Nova Iorque para cortar o cabelo.

 

Por esta altura, já todos os leitores se devem ter dado conta de que esta é muito mais do que uma jornada com fins estéticos, até porque, e perdoem o spoiler, o barbeiro deixa muito a desejar nos seus dotes com a tesoura.

 

Cosmopolis é um inebriante retrato da alienação num mundo onde, vertiginosamente, tudo – dinheiro, relações, vida e morte - perde sentido. É horror americano do século XXI, que encontra no cibercapitalismo o seu bicho-papão e numa odisseia definida por encontros pontuais a sua forma. Além do enterro do capitalismo, Cosmopolis adereça outra preocupação recorrente no cinema de Cronenberg – a das limitações do corpo e da psique humana.

 

 

Todo o filme se sente carregado de uma tensão que antevê o fim dos dias, algo que Cronenberg sempre provou dominar como se de um animal domesticado se tratasse. A parábola pós-capitalista representa de alguma forma um regresso ao passado para o realizador, numa espécie de inversão luxuosa de eXistenZ (1999).

 

A natureza experimental limita a maximização da potência das mensagens que se quer fazer passar. O diálogo é uma renúncia assumida ao realismo: ornamentado e poético, coloca inúmeras questões que são apenas respondidas com indiferença ou outras questões. E valorizar em todos os momentos o simbolismo em nome do enredo tem o seu preço. Cosmopolis é, por isso, um filme intelectualmente desgastante.

 

  

A essência fria, quase robótica, e a recitação monocórdica de Robert Pattinson estão de acordo com a abordagem de Cronenberg, mas o jovem ator britânico não deixou de ceder a alguns dos seus mais impetuosos tiques, enquadrando-se no personagem com mais ou menos destreza, de acordo com quem partilha o ecrã. Os seus 22 minutos ao lado de Paul Giamatti (que é responsável pelos traços mais humanos reconhecíveis na obra) são manifestamente os mais bem conseguidos. É impossível não imaginar o seu Packer como um dos célebres pacientes dos protagonistas do penúltimo filme de Cronenberg, A Dangerous Method.

 

Já a brilhante aparição de Mathieu Amalric, quase em jeito de cameo, deixa-nos a desejar que o terrorista das tartes de nata faça mais visitas ao cinema contemporâneo.

 

 

Pondo a questão em pratos limpos: havia duas formas de fazer Cosmopolis: torná-lo numa espécie de thriller mais convencional e mainstream, ou fazer dele uma espécie de colagem estilística da obra que o suporta, sacrificando sobretudo convenções de argumento. A escolha de Cronenberg é clara.

 

Este é talvez o filme mais ambicioso de Cronenberg, e aquele que parte de uma base de trabalho mais estimulante. O resultado é inequivocamente denso, opaco e altamente polarizador; se isto se traduz num sucesso total refletido numa obra relevante para o seu tempo, só poderemos saber depois de repetidas visualizações, mas sobretudo, se permitirmos que o tempo o envelheça.

 

Mas mesmo que seja impossível decifrar na íntegra as mensagens e que seja, na sua base, um exercício impenetrável, Cosmopolis não deixa de se impor como um reflexo de uma equação civilizacional pronta a explodir, e uma sumptuosa discussão de ideias que são importantes de mais para o nosso século para serem varridas para debaixo do tapete.

 

8.5/10

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