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Na noite mais assustadora do ano, os entusiastas do Halloween têm uma desculpa para tirar do armário as máscaras empoeiradas para sair à rua à caça do doce ou travessura.

 

Mas a dura verdade é que nem toda a gente é fã daquela que conhecemos hoje como a cultura do dia das bruxas, e que envolve abóboras, sustos, máscaras perturbadoras e filmes de terror.

 

Depois de, no ano passado, me ter entregue de alma e coração aos seguidores da celebração, em 2015 ofereço um leque de opções cinematográficas para os mais caseiros que não veem o apelo na carnificina de Michael Myers e na cultura do terror que se desenvolveu lado a lado com a evolução do Halloween.

 

 

“ROCKY HORROR PICTURE SHOW” (1975)

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É um item na bucket list de muitos, participar numa das fantásticas e animadas exibições de “Rocky Horror Picture Show”, onde a assistência se une entoando canções, dançando e vestindo-se como os seus personagens favoritos. A segunda melhor coisa é vê-lo no conforto do lar… e aproveitar a solidão para ser ainda mais espalhafatoso.

 

 

“THE ADAMS FAMILY” (1991)

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Podem ser estranhos, misteriosos e até ligeiramente assustadores, mas acima de tudo os Adams são um núcleo de excentricidade absolutamente irresistível.

 

 

“MONSTERS, INC” (2001)

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E se, na verdade, o Papão&Cia tivessem medo de nós? Parcialmente passado durante a época do Halloween, é uma das verdadeiras pérolas da Pixar e talvez o seu filme mais subvalorizado.

 

 

“MEAN GIRLS” (2003)

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Num dos seus muito iluminados esclarecimentos, Lindsay Lohan confidencia-nos que para as crianças, o Halloween serve para vestir máscaras e sair à rua para a Doçura ou Travessura. No mundo das “giras” contudo, há mais travessuras do que outra coisa.

 

 

“IT'S THE GREAT PUMPKIN, CHARLIE BROWN” (1966)

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O gang do Peanuts reúne-se neste clássico que se mantém adorado, enquanto Linus espera pela misteriosa Grande Abóbora (uma espécie de resposta do Halloween, ao Natal). Não esquecer ainda o célebre momento em que Charlie Brown vai à Doçura ou Travessura e recebe uma pedra.

 

 

“E.T.” (1982)

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Em 1982 Steven Spielberg fez um filme onde os extraterrestres não estavam ativamente a tentar destruir o nosso planeta. Se optarem por esta escolha, talvez não seja má ideia reservar um pacote de lenços. (Nota: dêem primazia à versão especial restaurada, onde, perante uma criança mascarada de Yoda de Star Wars, o E.T. declara: “hey, I know that guy!”).

 

 

“FRANKENWEENIE” (1984), (2012)

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Depois da curta-metragem em 1984, Tim Burton resolveu transformar a sua história da amizade entre um rapaz e o seu cão numa longa-metragem e ambientá-la ao universo da animação stop-motion. E agora, desafio-vos a não sentir um incontrolável afeto por Sparky.

 

 

“HOCUS POCUS” (1993)

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Bem antes de usar Manolos e ser mais conhecida como Carrie Bradshaw do que pelo nome próprio, Sarah Jessica Parker foi uma das “Três Bruxas Loucas”, ao lado de Bette Midler e Kathy Najimy. Juntas procuraram a juventude eterna no Halloween neste clássico tradicional.

 

 

“NIGHTMARE BEFORE CHRISTMAS” (1993)

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Parece que o stop-motion rima com o Dia das Bruxas, e também é verdade que o filme de Tim Burton é usual e carinhosamente incluído nas listas de Natal, mas o Halloween é uma parte insubstituível no mundo encantado de Jack e, por isso mesmo, uma incontornável opção para a noite de 31 de outubro.

 

 

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Snorricam - Crying in a Sweater

por Catarina d´Oliveira, em 29.10.15

Indies pequeninos e emocionalmente desafiantes - não são a praia de toda a gente, mas são definitivamente um sub-género em constante reinvenção e reciclagem nos meandros de Hollywood.

 

A propósito da presença no programa de Jimmy Kimmel, Kristen Wiig aproveitou para lhes dar uma valente facada e atirar uma piada ácida a todos os atores que entre grandes produções/comédias se aventuram por um dramalhão de baixo orçamento de vez em quando - lote em que ela está também incluída depois de projetos como The Skeleton Twins e The Diary Of A Teenage Girl.

 

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"Crying in a Sweater" é o hilariante filme fictício que aqui se apresenta e passa garantidamente para o top dos melhores momentos do vosso dia de hoje.

 

 

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Point-of-View Shot - What We Do in the Shadows (2014)

por Catarina d´Oliveira, em 25.10.15

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"Deacon: I think we drink virgin blood because it sounds cool.

Vladislav: I think of it like this. If you are going to eat a sandwich, you would just enjoy it more if you knew no one had fucked it."

 

 

Façamos um pequeno exercício de projeção: somos todos vampiros. À parte de toda a espetacularidade aparente de sermos, potencialmente, um ser mitológico sensualão, que tipo de dificuldades poderíamos encontrar no mais mundano dos dias?

Afinal não poderíamos confraternizar socialmente no exterior à luz do Sol; nem organizar devidamente uma indumentária catita para uma noite fulgurante de copos (de sangue) porque não conseguimos ver-nos ao espelho; nem entrar num clube badalado se não nos convidarem; nem suportar que o nosso colega de casa se recuse a limpar a badalhoquice que orquestrou quando matou alguém na noite passada.

Resumindo e concluindo, não seria fácil, mas o que é fácil é imaginar agora como esta série de situações poderia gerar comédia do mais alto gabarito. Foi essa a ideia vencedora de Jemaine Clement e Taika Waititi.

 

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Em Wellington, uma curiosa e corajosa equipa de filmagens mune-se de crucifixos e dentes de alho para tentar filmar um documentário numa casa partilhada por quatro vampiros. Começamos por conhecer o líder assumido Viago, uma figura que se orgulha do aspeto janota e que se queixa recorrentemente dos colegas de casa por se escaparem às tarefas domésticas. Segue-se Vladislav, um macho latino do lado negro, aborrecido por ter perdido o poder que detinha há 800 anos. Deacon é o bad-boy do grupo, sempre descontente e em desacordo com as imensas regras impostas por Viago. Por fim temos Petyr, que do alto dos seus 8000 anos de vida e uma tez que certamente já viu melhores dias, prefere manter-se recluso na cave da casa, longe da convivência com os outros. No entanto, quando os vampiros conhecem os humanos Nick e Stu começa a verdadeira viagem de traços hilariantes à medida que os mortos tentam compreender mais da sociedade atual.

Fazendo pelos vampiros o que “This is Spinal Tap” fez pelas bandas de Rock, “What We Do in the Shadows” é, na sua génese, uma comédia sobre a dificuldade de ser (MUITO) diferente.

 

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Depois de explorarem o conceito do que seria a vida de vampiro no quotidiano atual na curta-metragem “What We Do In the Shadows: Interviews with some Vampires” (2005), Taika Waititi e Jemaine Clement decidiram aproveitar a mesma ideia para concretizar, nove anos depois, a respetiva longa-metragem.

É verdade que, a certa altura, parece tornar-se longo demais para o seu próprio bem, um problema comum no sub-género do “mockumentary”, especialmente quando se tenta criar uma história a partir de 120 horas de improviso louco – pois foi assim que se edificou, efetivamente, esta comédia que demorou aos realizadores um ano a editar. Mas este é um género incrivelmente limitado, e Wititi e Clement demonstram um engenho particularmente notável a domar a besta.

O argumento navega de forma dinâmica por todos os elementos para encontrar o humor na forma como os personagens se relacionam entre si – mas a genialidade do mesmo encontra-se na exploração das inseguranças de cada personagem que acaba por torna-los tão… humanos. São assassinos imortais que, no fundo, têm os mesmos desejos e os mesmos medos que o comum dos mortais.

Outra das jogadas de mestre da produção foi associar cada um dos protagonistas a diversos ícones mitológicos que já passaram pelo grande ecrã ao longo dos anos. Viago representa claramente a era vitoriana de “Interview with the Vampire” (1994), Vladislav mantém o sex-appeal europeu de “Dracula” (1992), Deacon parece inspirado na natureza malandra de “The Lost Boys” (1987) e por fim, Petyr partilha claras semelhanças com o ícone “Nosferatu” (1922).

 

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Waititi e Clement criaram não só uma das melhores comédias dos últimos anos como uma fantástica adição ao cânone do Cinema sobre Vampiros. “What We Do in the Shadows” é um filme que grita por visionamentos repetidos, alimentados por um diálogo pejado de citações de platina, de gags que possivelmente se tornarão objetos de culto e de piadas secundárias que certamente perdemos quando estávamos a rir à gargalhada da primeira vez.

E é esta natureza da possibilidade de repetição que separa uma grande comédia de uma comédia mediana ou medíocre. É isto que separa “Ghostbusters”, “This is Spinal Tap” e “Monty Python and the Holy Grail” dos restantes. E é com alguma segurança que dizemos que, a partir de hoje, “What We Do in the Shadows” faz também parte desse restrito grupo imortal.

 

 

8.5/10

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Snorricam - O futuro de Back to the Future

por Catarina d´Oliveira, em 21.10.15

2015 é um ano tremendamente especial para qualquer fã de ficção científica que se preze: afinal, não só Back to the Future celebra o seu 30º aniversário como é justamente hoje - 21 de outubro de 2015 - que Marty McFly e Doc Brown chegam ao seu futuro (relativo a 1985), nos eventos de Back to the Future II (estreado em 1989).

 

É tomando o mote dessa bonita data cinematográfica que, além de poderem explorar alguns factos que (possivelmente) não sabiam sobre Back to the Future, subimos a bordo do DeLorean para examinar um pouco da mitologia de uma das trilogias de culto dos anos 80 em particular e do séc. XX em geral.

 

 

Jovens reagem à chegada de Marty McFly a 2015

 

 

12 previsões tornadas realidade

 

 

10 coisas que Back to the Future II previu mal

 

 

Quanto custaria construir uma máquina para viajar no tempo?

 

 

A capa (fictícia) de 21 de outubro de 2015 do USA Today de Back to the Future II replicada hoje pelo próprio jornal...

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Mise en Scène - Star Wars: The Force Awakens

por Catarina d´Oliveira, em 20.10.15

Durante o dia de ontem, a Disney lançou um novo poster - um daqueles a sério, mesmo - para "Star Wars Episode VII: The Force Awakens", que para surpresa e desgraceira total para muito boa gente, não tem Luke Skywalker à vista. No entanto, e para rebentar mesmo com os cérebros nerds por esse mundo fora, lançou hoje um novo trailer daquele que é, possivelmente, o filme mais aguardado do ano.

 

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Realizado por J.J. Abraams, "Star Wars: The Force Awakens" irá contar no seu elenco com os veteranos Mark Hamill, Harrison Ford e Carrie Fisher, além das novas caras de John Boyega, Daisy Ridley, Oscar Isaac e Adam Driver. A nova história acontecerá 30 anos após os eventos de Star Wars VI: Return of the Jedi, e os novos heróis terão de combater novos inimigos como o guerreiro Kylo Ren e uma nova ameaça ao Império sobre a forma d’A Primeira Ordem.

 

 

 

"Star Wars: The Force Awakens" chega aos cinemas portugueses a 17 de dezembro.

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Master Shot - Rock in... Movies

por Catarina d´Oliveira, em 15.10.15

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Dos invernos em que nos perdemos em playlists cirurgicamente selecionadas a gosto aos verões em que nos deixamos levar pelos cartazes dos festivais, a Música habita o nosso quotidiano combatendo o silêncio ensurdecedor e promovendo o cultivo artístico, político, emocional, espiritual e, no fundo, da aptidão de viver uma existência mais completa.

 

Mas quando a primeira arte se cruza com a sétima, mergulhamos um pouco mais fundo no contexto e na realidade daqueles que também ajudaram a edificar o que vemos, o que ouvimos, e o que somos. E passamos a ser mais.

 

 

DON’T LOOK BACK (1967), de D.A. Pennebaker

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É uma das poucas lendas ainda vivas das áureas décadas musicais de 60 e 70, mas não é por isso que a esquiva identidade de Bob Dylan, o eterno rebelde anarquista do folk/rock na linha da memória, se torna mais acessível ou menos simbólica. Filmado durante a tour britânica de 1965, o documentário de Pennebaker é, sobretudo, de natureza observacional - pioneira na altura - observando sem intervenção e de forma simples e espontânea a explosão de um ícone. Acompanhando Dylan na criação da mercurial rock star moderna – genial na tradução do engenho mas combativa e corrosiva fora de palco – Pennebaker construiu um dos melhores e mais influentes documentários musicais da história.

 

 

FRANK (2014), de Lenny Abrahamson

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Coescrito por Jon Ronson (ex-membro dos Oh Blimey Big Band) e inequivocamente inspirado na criação de Chris Sievey (uma personagem com uma enorme cabeça de papel chamada Frank Sidebottom), “Frank” é uma ficção por conta própria que nos leva numa viagem à boleia dos Soronprfbs, uma banda excêntrica encabeçada pelo enigmático personagem titular. Começando como uma extravagante e não raras vezes divertida excursão pelo processo criativo musical, é uma deliciosa dissonância, provocadora e sensível que explora a verdadeira importância do sucesso comercial nos dias de hoje em oposição à necessidade de conceção de algo verdadeiramente único.

 

 

BUENA VISTA SOCIAL CLUB (1999), de Wim Wenders

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Cores gastas, estética de hand-held, piadas da banda intercaladas com momentos de performance cheios de alma. São clichés que nos habituamos a amar nos meandros da história do documentário musical contemporâneo, mas que um dia foram frescos nos filmes que os criaram. Este foi um deles. Um tributo alegre e irresistível a um histórico e singular grupo de artistas puros e humildes onde a música é tão importante como as vidas e a cultura que existe por trás de si.

 



CONTROL (2007), de Anton Corbjin

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 Antes do filme existiram as fotos que uniram o destino de Anton Corbjin à veia post-punk dos Joy Division, mas foi quando o fotógrafo decidiu passar à imagem em movimento que este casamento de paixões e intensões chegou ao auge do seu artifício artístico. Num preto e branco metálico, Corbjin explora a vida do vocalista Ian Curtis desde 1973 até à sua morte, em 1980, no pico da sua primeira tour norte-americana. A ficção de “Control” é tão pura que chega a roçar o documental quando mergulha de cabeça numa era esquecida onde, antes de computadores, toques polifónicos e redes sociais, era a música que ajudava a alimentar a imaginação.

 

 

WOODSTOCK (1970), de Michael Wadleigh

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As tentativas de replicação foram (e são) imensuráveis mas já é comummente aceite que nunca existirá outro festival de música como o Woodstock do longínquo verão de 1969. Há, no entanto, muito boa gente que defenda que o evento não teria adquirido tanta relevância social, histórica ou cultural se não fosse pelo filme homónimo lançado no ano seguinte, que viria, inclusive, a ganhar o Óscar na categoria de Melhor Documentário. Mais de 45 anos depois, a epítome da contracultura mantém a sua mística e perante a impossibilidade de viajar no tempo e regressar ao Éden musical que desceu à terra na quinta de Max B. Yasgur, assistir ao filme de Michael Wadleigh é a experiência mais próxima do fenómeno de paz, amor caótico e música que juntou Santana, The Who, Jimi Hendrix e muitos outros.

 

 

THIS IS SPINAL TAP (1984), de Rob Reiner

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Se o virem uma vez, é provável que o voltem a ver vezes sem conta. É um dos suprassumos da comédia contemporânea e da sátira musical e geralmente considerado, sem grandes cerimónias, como um dos melhores spoofs de sempre. A maior parte do diálogo surgiu de improvisação, mas não é por isso que o clássico de Rob Reiner é menos referenciado e citado nos circuitos de culto. Seguindo uma banda fictícia britânica numa tour pelos EUA, este “mockumentary” é extravagantemente divertido e surpreendentemente verosímil – muitas bandas dirão que poderá versar sobre a sua história.

 


THE DOORS (1991), de Oliver Stone

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Foram príncipes da contracultura dos anos 60 e uma das bandas mais controversas e influentes de sempre com um vocalista carismático e dramático que inspiraria gerações – razões de sobra para levar o também rebelde Oliver Stone a inspirar-se na sua história para criar uma ficção que passou diretamente para o top de favoritos de muitos entusiastas da música. Não é o título mais forte ou unânime da lista, mas é uma carta de amor à cena do rock psicadélico dos anos 60 em geral, e um sentido tributo à figura de culto de Jim Morrison em particular.

 

 

A HARD DAY’S NIGHT (1964), de Richard Lester

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Assumo que é impossível que algum dos dois ou três leitores deste blog não conheça os Beatles, mas é relativamente compreensível que seja difícil de conceber a verdadeira dimensão e relevância do grupo que ajudou a cunhar o termo “boy band”. Não falo tanto da influência artística e cultural, porque essa é irreproduzível em magros dois parágrafos, mas da adulação que moveu dezenas de milhões de seguidores por todo o mundo. Numa paragem quintessencial do Cinema com objetos musicais, não só conhecemos as distintas personalidades dos quatro membros como assistimos à criação da fundação de uma mitologia que se ergue até à atualidade. É um sorriso na cara do início ao fim enquanto Paul, John, George e Ringo incendeiam a sua histórica e alegre revolução musical.

 

 

Artigo originalmente publicado na Vogue.pt

 

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Mise en Scène - Hail, Caesar!

por Catarina d´Oliveira, em 09.10.15

Há pessoas que sabem oferecer orgasmos a horas impróprias... e os irmãos Coen fazem parte desse grupo restrito.

 

Com rubis absolutos na carreira como Fargo, The Big Lebowski e No Country for Old Men, o seu mais recente projeto  Inside Llewyn Davis explorava o sonho desbotado de um músico nos anos 60, mas depois de mergulhar nos meandros da crueldade e da nostalgia da indústria da 1ª arte, está na hora de regressar ao tom de deboche e observação satírica para atacar a 7ª.

 

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Hail Caeser! é ambientado à Hollywood dos anos 50 e às maquinações corrosivas da icónica Era de Ouro e do famoso star system. A abordagem dos Coen é, à semelhança de O Brother, Where Art Thou? e Intolerable Cruelty, propositadamente idiótica - e Hail Caeser! até surgiu, inicialmente, em 2005, como o término de uma espécie de "trilogia idiota", que entretanto com Burn After Reading se tornou uma tetralogia - e promete um ataque feroz mas bem humorado à palermice da indústria que os criou.

 

 

 

 

O resultado parece absolutamente delicioso e deve chegar aos cinemas lá para fevereiro de 2016.

 

In Coen(s) we trust.

 

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Point-of-View Shot - The Martian (2015)

por Catarina d´Oliveira, em 07.10.15

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LOG ENTRY: 28 SETEMBRO, 2015

User ID: catarina_doliveira

Host Name: close-up-blog

Host address: http://close-up.com.pt/

Message Type: pré-descrição-antestreia.txt

Message Level: 1

 

 

Message Text:

Saímos de casa pelas 20h, com aquele atraso que já nos é característico. Sempre fomos conhecidos, com alguma graça, como “a família que come muito depressa”, pelo que chegar a horas à sessão de antestreia de “The Martian” não me parecia, sequer, um desafio.

 

Não o foi.

 

Entramos na sala e sentamo-nos na fila encostada à esquerda, mesmo perto das escadas - uma escolha infortuna para quem teve de levar com um grupo de estafermos juvenis demasiado entusiasmados com uma simples ida ao cinema. Há piadas repetidas atá à exaustão. Há conversa de café durante todos os trailers, mas ao volume que tentaríamos falar numa discoteca. Há, inclusive, uma das criaturas que se sente particularmente pasmada porque está a experienciar pela primeira vez a tecnologia 3D, e expressa-se perante tal alegria com muita desenvoltura. Provavelmente, haverá ainda um soco na boca de alguém se isto não acalma.

 

Esperam-nos duas horas potencialmente interessantes e, provavelmente, muito irritantes.

 

 

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LOG ENTRY: 29 SETEMBRO, 2015

User ID: catarina_doliveira

Host Name: close-up-blog

Host address: http://close-up.com.pt/

Message Type: pós-descrição-antestreia.txt

Message Level: 2

 

 

Message Text:

 

Há boas e más notícias – a má é que aqueles intervalos continuam a ser estupidamente anti climáticos. A boa é que, de facto, durante o filme, a pitalhada tomou um calmante e manteve-se controlada.

 

Ah, mas afinal há também uma ótima: “The Martian” é tremendo a vários níveis. A crítica faço-a nos próximos dias, porque hoje ainda tenho trabalho, um curso para me inscrever, uma visita familiar para fazer e um jantar fictício para pôr ao lume.

 

 

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LOG ENTRY: 30 SETEMBRO, 2015

User ID: catarina_doliveira

Host Name: close-up-blog

Host address: http://close-up.com.pt/

Message Type: sinopse-apresentação.txt

Message Level: 3

 

 

Message Text:

 

Durante uma missão tripulada a Marte, o Astronauta Mark Watney é dado como morto após uma tempestade e deixado para trás pela sua tripulação. Mas Watney sobreviveu e encontra-se preso e só num planeta hostil. Com escassos mantimentos, ele terá que contar com a sua criatividade, inteligência e espírito de sobrevivência para encontrar uma maneira de enviar para a Terra um sinal de que está vivo. A milhões de quilómetros de distância, a NASA e uma equipa de cientistas internacionais trabalham incansavelmente para salvar o astronauta. O mundo une-se por uma causa – trazer Watney de volta.

 

Baseado no romance de Andy Weir – que por si só embarcou numa jornada galáctica desde a publicação gratuita e integral online, para o download via Kindle, para um bestseller internacional que gritava por uma adaptação a pontos de se ouvir no espaço – “The Martian” é uma mistura ajuizada do técnico e do pessoal, das viagens exteriores e interiores, e do trabalho de equipa e a glória individual.

 

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LOG ENTRY: 1 OUTUBRO, 2015

User ID: catarina_doliveira

Host Name: close-up-blog

Host address: http://close-up.com.pt/

Message Type: contextualização-temas-observações.txt

Message Level: 4

 

 

Message Text:

 

É a terceira aventura espacial consecutiva a cair-nos ao colo juntamente com as folhas amareladas pelo outono. Sem a ambição técnica de “Gravity” ou a aspiração transcendente de “Interstellar”, é um esforço mais terreno e alicerçado na nossa realidade, e talvez por isso mesmo, ligeiramente menos espetacular mas mais relacional - o épico de Ridley Scott não tropeça na zanga com o incontrolável ou na introspeção perante o fim. “The Martian” é, antes, um objeto de intervenção e uma celebração da ingenuidade humana que só é equiparada pela sua resoluta vontade de sobreviver.

 

À semelhança de “Apollo 13”, pode ser considerado como um crowd-pleaser sem que essa categorização seja pejorativa. Foi cuidadosamente desenhado para nos transportar para um local que temos dificuldade em imaginar, mas que ainda assim é próximo o suficiente para que nos consigamos relacionar com ele. É maior do que nós, mas não demasiado distante. Não é demasiado complexo, mas lida com temas intrincados com discernimento suficiente para reconhecer a inteligência devida da audiência, que deve, por si mesma, deduzir algumas das eventualidades. No final, reclamamos a recompensa.

 

No livro, Weir baseou-se na construção de cenários plausíveis de um ambiente hostil para a aplicação do engenho de Watney e o desenvolvimento das consequências dos seus atos e o filme deixa-se transportar por essa aderência escrupulosa à ciência. As técnicas de storytelling utilizadas são largamente bem-sucedidas, repescando alguns dos sucessos do seu parente literário – como as log entries levadas a cabo por Mark, com meia razão para quem as descobrir um dia, e meia razão para não enlouquecer – ainda que se torne rapidamente aborrecido colocar personagens a ler em voz alta as mensagens que escrevem.

 

Completamente livre de enredos secundários de artifício – estabelecendo o foco geral na perspetiva de salvamento de Mark, quer em Marte, quer no espaço, quer na Terra – Drew Goddard instituiu um argumento musculado e sem gorduras adicionais, o que funciona simultaneamente como uma das suas maiores virtudes e uma das suas mais problemáticas vertentes.

 

Já percebemos qual o ponto de vista positivo desta escolha criativa – o foco absoluto e total em Watney, sem distrações – mas o potencial negativo de tal predileção é igualmente óbvio. A partir de certa altura, torna-se óbvio que não estamos a observar um homem a lutar contra o impossível mas a desafiar as probabilidades – uma diferença subtil, mas crucial já que impede que “The Martian” instile totalmente o sentido de urgência emocional que pretende. Este é um problema que se reflete também nas personagens, particularmente em Watney, que raramente vemos cair na fragilidade humana, ou sofrer da isolação prolongada ou da frustração da tentativa-erro.

 

Mas este afastamento do sentimentalismo é uma das marcas de Ridley Scott, e se é para o fazer, mais vale embarcar com um mestre. Porque da mesma forma que não o usa para nos manipular emocionalmente, também não cede à necessidade de o trazer à tona quando é conveniente à história – algo que os primos “Gravidade” e “Interstellar” fizeram sem grandes cerimónias. Não há reflexões teológicas, ou pressões psicológicas com familiares amados à distância (não ao ponto de dominar o enredo), ou afirmações espirituais. Em vez disso, estamos perante um tributo ao poder da ciência e do espírito humano.

 

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LOG ENTRY: 2 OUTUBRO, 2015

User ID: catarina_doliveira

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Message Level: 5

 

 

Como o “homem que dirige o espetáculo”, Matt Damon dá-nos a sua melhor e mais modulada performance dos últimos anos – cuidadoso para não tornar Watney num cérebro arrogante e inatingível e prudente na representação da fragilidade emocional da sua situação.

 

O superelenco secundário assume equivalência futebolística com um Barcelona ou um Real Madrid - Jessica Chastain, Chiwetel Ejiofor, Jeff Daniels, Sean Bean, Michael Peña, Donald Glover e Kristen Wiig – sendo incapaz de oferecer uma única performance preguiçosa. Todos são largamente unidimensionais e pouco desenvolvidos, mas em casos raros em que tudo o resto é tão bem-feito e focado, torna-se uma virtude. Não se perde tempo em flashbacks, histórias de vida ou temas arrastados. A contenção também é uma arte – onde um dos melhores exemplos aflora quando uma das cenas mais poderosas é um momento silencioso de devastação quando Watney descobre as suas batatas destruídas.

 

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LOG ENTRY: 3 OUTUBRO, 2015

User ID: catarina_doliveira

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Message Level: 5

 

Message Text:

No meio da ode à desenvoltura humana e do exercício extremo à capacidade de resolver problemas, no final de contas, tudo depende da intensidade com que torcemos por Watney e, sobretudo, da medida em que acreditamos nele e no significado da sua história.

 

Por mais parolo e utópico que possa soar, “The Martian” traz perspetiva: de considerar as possibilidades infinitas do espaço, e os alcances desconhecidos do desbravamento científico, e a necessidade de perseverança perante um cenário de aparente total negatividade e a força motriz de uma causa que nos mova coletivamente numa mesma direção. Por uma vez não ficamos à espera de sequelas, ou videojogos, ou merchandising barato, mas de oportunidades de evoluir, e prosperar, e ir mais além

[……………………CRITICAL ERROR…………………..]

 

martian.jpg

 

 

 

[NEW ENTRY - TRAVEL LOG]

 

CCU - Daqui fala o Controlo de Críticas do Close-Up, Houston.

 

Houston – Comunique.

 

CCU - Estamos neste momento e finalmente a levar a cabo o arranque do Planeta Vermelho e confirmamos que o novo filme de Ridley Scott é, de facto, entretenimento pipoca ainda que do mais alto calibre, como tínhamos antecipado no relatório preliminar.

 

Houston – OK. Preparamo-nos para o lançar na rota mainstream, órbita blockbuster do Planeta Terra.

 

CCU – Afirmativo. No entanto, reforçamos que representa também um farol de oportunidade. De propiciar soluções, de instigar discussões, de inspirar gerações. A escolha passa por debater as suas faltas e diminuir os seus feitos ou… abraçar o seu apelo universal e utilizar a sua ficção para inspirar a potencialidade da realidade de uma raça que deve manter-se humilde e unida mas orgulhosa na sua ambição. Pode parecer inocente, mas vamos apostar segunda opção.

 

Houston – Recebido e confirmado. Posicioná-lo-emos no quadrante de potencial inspirador.

 

CCU – Afirmativo. Houston, we (might) have a miracle.

 

 

[END OF TAPE]

 

 

8.5/10

 

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