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Point-of-View Shot - Before Midnight (2013)

por Catarina d´Oliveira, em 06.06.13

 

"If we were meeting for the first time today on a train, would you start talking to me? Would you ask me to get off the train with you?"

 

Descobrir a paixão é relativamente fácil. Vencer o teste do tempo e do hábito é incrivelmente difícil. Mas fazer um filme tão divertido, cru e profundamente verdadeiro sobre a jornada de um casal que luta para se manter unido é ainda mais difícil.

 

É esta a dinâmica de uma história de amor tradicional – acaba com um grande beijo apaixonado entre duas partes que finalmente se congratulam por uma jornada acidentada por obstáculos vários, passando a viver num estado de romance idílico e eterno, intocado pelo hábito, ou mudança, ou infelicidade. Será isso possível?

 

A questão que se impera então colocar olha além de tais maquinações: o que é que acontece depois do “felizes para sempre”? E é essa pergunta – tão simples e tão difícil – que paira sobre “Before Midnight”.

 

 

Uma sinopse nunca conseguiu fazer muito por qualquer um dos filmes de Jesse e Celine, e nesta terceira incursão não é muito diferente. Reduzir-nos-emos então a assertar que nos reencontramos com o casal – agora na Grécia - nove anos depois da última vez que trocámos olhares. Na primeira troca de palavras sabemos que o seu regresso é como o reencontro de um delicioso prato favorito que, por alguma matreirice do destino, já não saboreávamos há anos, mas cujo gosto continua tão familiar que à primeira garfada é impossível reprimir um sorriso de infindável satisfação.

 

Juntos, e agora com duas belíssimas filhas a seu cuidado, Jesse e Celine recordam-se dos quase 20 anos que se passaram entre este momento e o seu primeiro encontro, a bordo de um comboio com destino a Viena. O tempo passa, disso não há dúvidas. A questão é: estarão eles diferentes?

 

 

Se “Before Sunrise” elaborou sobre a euforia de um romance assolapado e “Before Sunset” explorou o otimismo agridoce do reacender da chama, “Midnight” oferece uma examinação sobre verdades complexas da tarefa árdua e exaustiva de manter um relacionamento vivo, num exercício cinematográfico muito mais intrincado, doloroso e recompensador.

 

A terceira colaboração entre Richard Linklater, Ethan Hawke e Julie Delpy é requintada, simultaneamente divertida e melancólica, e profundamente catártica. Desta vez, existe mais conflito porque há muito mais em jogo, e pela sua preponderância, é o filme mais rico e triste da trilogia. Cada membro da audiência é tratado como um adulto maduro e sofisticado – uma fatia demográfica que nem sempre é bem servida pelo Cinema mainstream.

 

Poucos capturaram como este filme a forma como duas pessoas são capazes de se amar perdidamente e odiar cegamente no mesmo momento, numa profunda exploração da paixão, dos segredos, do arrependimento, e da identidade – tanto enquanto indivíduo, como enquanto casal.

 

 

O que sempre distanciou e continua a distanciar esta série da esmagadora maioria do Cinema que se faz por todo o mundo – especialmente em Hollywood – é a irrefutável qualidade do argumento, capaz de transmutar diálogo escrito e ensaiado em conversas tão espontâneas e naturais que são capazes de mergulhar no âmago dos mais profundos desejos, medos e ansiedades das suas personagens. A honestidade das linhas escritas conjuntamente por Hawke, Delpy e Linklater é de cortar a respiração.

 

O elemento temporal não é tão pronunciado como nos dois primeiros filmes, mas de alguma forma o desconforto de um relógio que não para começa a instalar-se, e a contemplação de uma alteração dramática de “estado civil” é constante até às doze badaladas que nos introduzem à madrugada.

 

 

Delpy e Hawke oferecem aqui das melhores performances das suas carreias, fazendo coisas absolutamente extraordinárias com momentos tão simples e vulgares. A dinâmica que existe entre si começa a ser passível de constituir a fundamental definição de “química entre dois atores em cinema”. Especialmente neste último episódio, somos capazes de nos rever em todas as suas interações, porque reconhecemos um pouco de nós, neles. Quando amam, parece verdade. Quando discutem, dói. Mas este realismo transparente é apenas a demonstração de uma forma máxima de artifício.

 

Por seu turno, Linklater segue-os em longos e inexplicavelmente belos planos sequência. O seu trabalho de realização demonstra uma contenção enorme, que combina com a natureza singela do desenrolar da complexidade humana – tanto individual, como quando em relacionamento com o outro.

 

Em muitas medidas além de uma apenas, Before Midnight é uma obra de mestre não só no reconhecimento de um argumento maior e na simplicidade do trabalho de dois atores à frente de uma câmara, mas sobretudo na exploração da condição humana como um todo. É um dos grandes romances da era moderna, e atinge aqui o expoente máximo da sua expressão e significância.

 

 

O final deixa uma vez mais a porta entreaberta, e certamente não seremos nós a fechá-la, mas a partir de 2013, quando as grandes listas sobre as melhores trilogias cinematográficas de sempre forem reconstruídas, o tridente humano de Linklater, Hawke e Delpy terá, decerto, lugar cativo ao lado de “Lord of the Rings”, a trilogia dos Dólares, “Star Wars”, “Toy Story” e “The Godfather” como uma das mais épicas de sempre.

 

Talvez até como a resoluta e mais importante para nós – não apenas quanto espectadores, mas enquanto seres humanos. Apenas porque é sobre todos nós e sobre tudo.

 

E para uma série de filmes tão célebre pela natureza palavrosa, Before Midnight acaba por ser, possivelmente, o mais responsável por nos deixar sem palavras.

 

 

10/10

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