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Point-of-View Shot - De Rouille et d'Os (2012)

por Catarina d´Oliveira, em 15.03.13

 

"Une pute peut pas dresser des orques?"

 

Nomeado para uma Palma de Ouro em Cannes no ano passado, o mais recente filme de Audiard é uma experiência sensorial e de fisicalidade explosiva como talvez nenhuma outra no Cinema dos últimos anos.

 

Baseado numa série de contos de Craig Davidson, “De Rouille et d'Os” é, lato sensu, uma história sobre duas pessoas magoadas e danificadas pela vida que se ajudam mutuamente.

 

 

Desempregado e encarregado do filho de cinco anos que mal conhece, Ali troca a Bélgica pela França para viver com a irmã e o seu marido. A vida parece endireitar-se, e Ali até consegue rapidamente um emprego como segurança numa discoteca. É numa dessas noites de trabalho que, depois de uma confusão, conhece Stephanie, uma treinadora de baleias assassinas, cuja relação cresce cada vez mais, depois de Stephanie sofrer um acidente horrível que muda a sua vida para sempre.

 

São personagens que são desafiantes, é difícil gostar delas de caras, e é difícil por vezes não saltar da cadeira e gritar com elas, dizer-lhes umas quantas verdades. Um pouco, ou aliás, muito como na vida real. Tanto como na vida real…

 

 

Jacques Audiard afirmou que nos queria oferecer uma história de amor que encaixasse nos tempos difíceis que vivemos, e se “De Rouille et d'Os” falhou em atingir o consenso crítico e público do anterior filme do realizador (“Le Prophete”, de 2009) – o que já de si era bastante desafiante, visto ser quase impossível encontrar uma crítica negativa ao mesmo -, comprovou a asserção do seu criador, apesar de ser mais uma história de sobrevivência e cura, do que propriamente um romance.

 

A abordagem minimalista de Audiard é notável, bem como a decisão de não tornar esta a “história da vitória de Stephanie” do costume. Pode não parecer, mas esta foi uma decisão bastante corajosa, e que significou uma não-exploração (no sentido negativo) da invalidez da personagem, mas, ao invés disso, uma profunda exploração da sua fragilidade e vulnerabilidade emocionais.

 

 

Audiard nunca desvia a câmara em face de um momento difícil ou doloroso, não cedendo, no entanto, nunca a uma violência – física ou emocional – gratuita.

 

O argumento é soberbo, tanto na exploração da intrigante e inesperada relação central, como nas ilações que faz sobre a realidade social do enredo (nomeadamente, económica, onde vemos muitos reflexos do nosso próprio dia-a-dia) e do tratamento do ponto sensível da invalidez.

 

A fotografia belíssima de Stéphane Fontaine não se envergonha nada ao lado das melhores do ano passado, enquanto Alexandre Desplat fornece mais uma adequadíssima banda-sonora original, que se auxilia ocasionalmente de acordes reconhecidos com grande efeito – é garantido que nunca mais ouviremos “Fireworks” de Katy Perry da mesma maneira.

 

 

Se tivéssemos de fazer uma jigajoga em Cinema francês contemporâneo, “Ferrugem e Osso” havia de resultar de uma poção mágica composta de “Le scaphandre et le papillon” (2007), “Intouchables” (2001) e umas pitadas leves (bem, bem leves) do romance de “Le fabuleux destin d'Amélie Poulain” (2001).

 

Como nos tem habituado, Marion Cotillard vem cimentando a sua posição como uma das mais telntosas e fascinantes atrizes europeias da atualidade, e a sua performance em “De Rouille et d'Os” talvez não tivesse ficado indiferente a tantos certames de prémios e reconhecimentos se não fosse este ano também o de outra senhora francesa – Emanuelle Riva, de “Amour”.

 

 

 

Como noutras ocasiões, Cotillard faz-nos esquecer da dimensão da atriz enquanto somos consumidos pela verdade da sua personagem – apesar de ter tido boas performances e oportunidades desde o Óscar por “La Vie en Rose”, nunca voltou a ter um grande papel como volta a ter aqui.

 

Do outro lado, também não ficamos mal servidos com Matthias Schoenaerts, que no retrato de Ali consegue manter simultaneamente a natureza brusca e animalesca que quer cobrir a todo o custo as vulnerabilidades que também nele residem. Se tivéssemos de fazer um paralelo com Hollywood, ou nos obrigassem a apostar numa carreira internacional (se é que ele assim o deseja), Schoenaerts pode ser um novo Tom Hardy.

 

O filme resiste sempre ao sentimentalismo, nunca cedendo a clichés românticos esperados, mas mentíamos se o rotulássemos com a etiqueta tóxica da perfeição – que a bem dizer, a ninguém serve. Na verdade, existe uma pequena série de twists calamitosos perto do final que seria dispensável, bem como um conjunto de cenas tão familiares que acabam por destoar no quadro realista de Audiard.

 

 

Não obstante as pedras no caminho, é um filme formidável, e um ensaio extraordinário em realismo cru e duro.

 

No rolar dos créditos, e mesmo depois de abandonarmos a sala, o que fica é um sentimento simultaneamente estimulante e de profundo abalo de crenças. Porque naquelas duas horas, talvez inconscientemente por vezes, fomos obrigados a repensar tudo o que pensávamos saber sobre a fragilidade humana, sobre o amor e a nossa ligação com o outro.

 

E no final de contas, chegamos à conclusão de que sabemos muito menos do que imaginávamos, e na verdade, fica a sensação irrequieta de que, se o futuro trouxer a mudança abrupta, sejamos também nós forçados a reconhecer que não nos conhecemos assim tão bem.

 

8.0/10

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