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Point-of-View Shot - The Master (2012)

por Catarina d´Oliveira, em 08.02.13

 

"I have unlocked and discovered a secret to living in these bodies that we hold"

Paul Thomas Anderson não só nos tem deixado bem habituados, como tem reunido o dom da incapacidade de expressar em palavras o que o seu trabalho tem vindo a significar para o panorama do Cinema contemporâneo Americano. Palavras como “corajoso” e “excecional” começam a parecer obsoletas. Eis que, no horizonte, surge The Master.

 

Ao cabo do termo da Segunda Guerra Mundial, o marinheiro Freddie Quell chega a casa indeciso e quebrado, inseguro quanto ao futuro, até ao dia em que se deixa seduzir pelo carismático Lancaster Dodd, líder da Causa, uma organização de base religiosa que começa a tornar-se popular nos Estados Unidos no início dos anos 1950.

 


 

Apesar de ser reconhecido como “o tal filme sobre a Cientologia”, a publicidade ao novo filme de Paul Thomas Anderson não é propriamente correta, ou sequer justa. Apesar de “A Causa” pedir uns quantos aspetos emprestados à organização criada por L. Ron Hubbard (além do paralelismo que pode ser estabelecido com qualquer outro “culto”), a verdade é que a dinâmica e natureza do seu funcionamento vão perdendo fulgor e importância à medida que Anderson se interessa mais em mergulhar na psique e mistérios de Freddie e do seu Mestre. São as ramificações decorrentes, cuja origem só podia advir de uma mente tão genial e críptica como a de Anderson (que escreveu o argumento e realizou o filme), que vão muito mais além.

 

The Master exige paciência e diligência do espectador, e em nenhum sentido é uma experiência leve, ou fácil. A sua abordagem às personagens tem muito a dizer sobre as fundações da cultura Americana, desde o individualismo à cooperação, ou da liderança à servitude. E Anderson não precisa de grandes discursos precisos, ou de personagens históricas, ou de apontamentos celebratórios supérfluos para o fazer. A humanidade misteriosa e complexa nos seus filmes acabou por, ela mesma, desenterrar a alma de uma nação.

Como “There Will Be Blood”, The Master estabelece um paralelo interessantíssimo com a disfunção Americana. Apesar de o posicionamento temporal ser preciso, a sua relevância é inegável, já que explora a dinâmica de uma nação que procura orientação até à iluminação.

 

No Festival Internacional de Toronto, Anderson discutiu a importância do período pós-Segunda Guerra Mundial no desenvolvimento de “O Mentor”, e como esse ambiente era o jardim perfeito para florescerem teorias como a da Causa – a América sentia-se rejuvenescida pelo espírito heroico, ao mesmo tempo que ainda perseguida pelos fantasmas do horror da Guerra. O questionamento sobre o sofrimento e as vidas passadas era constante, e é, como bem podemos lembrar, um tema que interessa aparentemente ao realizador, que já o abordara brevemente em “Magnolia”, se lembrarmos a asserção recorrente: “"Nós podemos cortar com o passado, mas o passado não corta connosco". É essa infinitude da vida das coisas da vida - discussões intermináveis e intemporais sobre o poder da dinâmica entre os homens e a sua necessidade de acreditar em Algo maior -, da alma e do tempo que está no cerne da convulsão interior que reside em The Master.

 

 

A própria profissão de Freddie como fotógrafo não é nem pode ser vista como arbitrária. A fotografia é o “congelar” de um momento fisicamente inacessível, um lugar onde o passado existe para ser observado mas nunca tocado, ou revivido, uma noção que acompanha particularmente bem com as noções de lembrança, sonho e acesso ao passado discutidas.

 

No limite, até a escolha de filmar em 65 mm (depois exibido em 70 mm) por Paul Thomas Anderson pode ser considerada em análise, se pensarmos no confronto entre o analógico e o digital. Enquanto o digital permite a gravação de momentos e rápido visionamento, formatação e reutilização, o mesmo não sucede com o analógico, ou neste caso, com os 70 mm, onde a impressão é permanente, não reutilizável e inapagável. Os traumas de Freddie são analógicos, indeléveis, ainda que o seu desejo de renovação seja constante.

 

 

Um segundo visionamento beneficia a experiência e equilibra em pratos mais bem calibrados a primeira metade, imensamente estimulante e entusiasmante, e a segunda, mais enigmática e complexa e consequentemente, mais distanciada - servindo o primeiro visionamento para o equivalente a observar e apreciar uma bela obra de arte e ser-se intrigado pela mesma, e o segundo para encorajar mais interpretação, reflexão, discussão e, quem sabe, um terceiro visionamento.

 

O que não precisa de ser visto mais de uma vez para gerar certezas é o calibre das interpretações dos principais peões em jogo.

 

Como Freddie, Joaquin Phoenix é assustadoramente poderoso, alternando entre os disparos raivosos e a tristeza abaladora com uma energia descontrolada que o torna apavorante, ainda que revigoradamente relacionável com uma parte recôndita e obscura do nosso ser.

 

A fabulosa interpretação de Phillip Seymour Hoffman é assemelhada em toda a natureza a um vulcão. A aparência plácida e ponderada é sempre passiva de ser substituída por uma explosão inesperada.

 

 

Em separado, são magníficos; mas juntos são uma força da natureza complementada, encaixando cada recanto com uma perfeição tão dinâmica e magnética como nenhum par conseguiu este ano. O confronto de ambos só encontra paralelo na eternal contenda entre o id e o superego: de um lado a besta indomável, de outro o treinador que aprecia a sua selvajaria, mas que anseia domá-la.

 

A personagem e performance de Amy Adams são comummente esquecidas, em detrimento de uma elaboração repetida sobre os feitos notáveis dos protagonistas masculinos, mas maior injustiça não poderia ser feita. A criação de uma mulher de natureza enganadoramente doce é notável, uma existência na sombra que é perturbadora em crescendo.

 

Tanto a fotografia de Mihai Malaimare Jr. (o primeiro trabalho de Anderson sem o seu diretor de fotografia habitual, Roger Elswit, que não pode participar por conflitos de agenda), como a banda sonora original de Jonny Greenwood estão entre as mais belas e distintas do ano.

 

 

Uma das dificuldades de The Master está, no entanto mas não só, ligada à ausência de um clímax claro e assumido, especialmente quando a última base de comparação é a sequência final convulsa e explosiva do seu último filme “There Will Be Blood”.

 

The Master desobedece ao processo de aproximação que se constata noutros títulos, potencialmente mais emocionais na experiência, menos crípticos na forma. De facto, o novo filme de Paul Thomas Anderson tem um quê de impenetrável, o que nem sempre jogará a seu favor. Apesar de uma reflexão única sobre o caráter e condição humana que apetece esgravatar, conhecer, sorver, é como pegar numa mão cheia de areia e ver os grãos escorrer entre os dedos, enquanto observamos imponentes o seu abandono do nosso controlo.

 

Paul Thomas Anderson não faz Cinema de significado claro, ou de configuração decifrável com a ajuda de uma qualquer enciclopédia interpretativa. Anderson faz Cinema quase interativo, onde o espectador é obrigado a dar algo de si, participar, espremer a laranja pelas próprias mãos. O grau de participação é, contudo, unicamente determinado por quem vê, e nesse sentido, "The Master" pode ser o que é à superficíe e nada mais, ou um infindável baú de interpretações que nunca serão certas ou erradas. Cada abordagem é tão válida como a outra.

Depois de dois visionamentos, o filme continua a ser um mistério para mim, mas mais um mistério que precisa de ser aceite, do que propriamente escarafunchado. É, afinal, muito sobre isso que reza “The Master”, sobre aquilo que não controlamos e/ou entendemos, mas que mesmo assim temos de aceitar em toda a sua complexidade.

 

Mas são mistérios subliminares como os seus que se demoram na nossa mente muito depois de abandonarmos a sala. Em retrospetiva, e tendo em conta a envergadura da carreira de Anderson, que encapsula clássicos modernos como “Boogie Nights”, “Magnolia” e “There Will Be Blood”, pode não ser um favorito óbvio e assumido os espectadores mais assíduos. Mas tal como o enredo e a própria filmografia de Anderson se preocupam em elaborar, só o tempo lhe poderá convir o lugar certo nas páginas da história.

 

É Cinema mercurial, para cativar e admirar, mais do que propriamente estabelecer uma ligação emocional com o espectador – tem uma abordagem austera, implacável, quase glaciar. Muito à imagem de Kubrick, por exemplo. É o sonho vivo e materializado do eterno estudante de Cinema, e uma adição meritória ao cânone formidável de Anderson sobre as falhas da natureza Humana.


8.5/10

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Snorricam - TIME: Great Performances 2013

por Catarina d´Oliveira, em 08.02.13

A TIME falou com alguns dos responsáveis pelas grandes interpretações em Cinema deste ano, o que resultou numa coleção de vídeos única que pode ser vista integralmente aqui.

 

Entretanto, fica um pequeno apanhado das entrevistas a Anne Hathaway, Christoph Waltz, Hugh Jackman, Jessica Chastain, John Goodman,John Hawkes, Naomi Watts, Quvenzhané Wallis e Sally Field.

 

 

 

 

Galeria de fotos do artigo (clicar nas imagens para aumentar)

 

  
   
  
 

 



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Snorricam - O Super Homem é um vendido

por Catarina d´Oliveira, em 08.02.13

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