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Point-of-View Shot - Män som hatar kvinnor (2009)

por Catarina d´Oliveira, em 12.10.11

 

"Pára com a victimização! Ele quase te matou. Ele violou, matou e gostou. Ele teve as mesmas oportunidades que nós para escolher o que quis ser. Ele não foi uma vítima. Ele foi um cabrão sádico que odiava mulheres."

(tradução do original sueco)

 

Apesar de o título Americano ser mais cinematográfico, a verdade é que este primeiro episódio da saga best-seller sueca é mais sobre Homens que Odeiam as Mulheres do que propriamente sobre a tatuagem que Lisbeth Salander tem nas costas (nota: o título americano é The Girl with the Dragon Tattoo).

 

Tal como aconteceu com Låt den rätte komma in (Let the Right One In), Hollywood não poupou a adaptação da série de Stieg Larsson e em vez de gastar uns trocos a promover a versão original vai vazar os bolsos com a sua versão americanizada. Ok, temos David Fincher a bordo, e a coisa não ficará decerto com mau aspecto… mas caramba, um filme bom como este precisava de um remake… já? Duvido.

 

Filmado de acordo com o look característico dos filmes escandinavos – muito pautados pelos brancos e azuis – este é um filme duro com um argumento bem escrito, imensa atenção ao detalhe e dois protagonistas bem idealizados. Mas vamos ao enredo.

 

Mikael é um jornalista de uma publicação de esquerda, que no início do filme vemos ser sentenciado a prisão por se meter com as pessoas erradas – leia-se, as poderosas. Bom mas por alguma razão que desconheço, a pena só terá efeito passados seis meses, tempo que o jornalista aproveita para aceitar um trabalho proposto por um industrial rico (Vanger) de investigar o desaparecimento de uma sobrinha há décadas atrás.

 

 

Mas Mikael tem uma parceira inesperada – Lisbeth Salander uma talentosa hacker, cheia de piercings e mood gótico, cuja tatuagem nas costas dá título à versão americana da história. Ora Lisbeth foi contratada para investigar Mikael por Vanger, e conforme continua a investigar todos os passos do jornalista, também ela se interessa na investigação e toma parte dela.


E a investigação, ou o mistério tem uns pozinhos à là Agatha Christie: o desaparecimento ocorreu numa ilha que só tinha uma saída, e que por acaso até estava fechada quando a desgraça aconteceu. Assim, a lista de suspeitos está reduzida aos presentes num retiro de um negócio familiar que ocorreu na altura… e muitos deles tinham os motivos certos para cometer o crime.


Juntos, os nosso heróis descobrem que o caso está ligado aos Nazis e a uma série de homicídios que levam já mais de 60 anos. E como quem anda à chuva se molha, Lisbeth e Mikael começam a ficar em perigo, porque o assassino descobre que alguém está perto do seu segredo e não fica nada contente com isso.

 

Não li os livros ainda, é certo (não me crucifiquem, já estou a tratar disso), mas parece-me claro que Stieg Larsson se terá inspirado bastante na herança dos mistérios britânicos e americanos, temperando essas aprendizagens com a misógina e as desigualdades de poder da sociedade sueca.

 

 

Como Larsson, o realizador Niels Arden Oplev reconhece as inspirações americanas, e dá ao filme um ritmo vivo que nunca sacrifica o intelecto ou o grafismo da história. E por falar em grafismo, vamos também ao curioso e simultâneo afastamento do cinema das terras do tio Sam: aqui o ambiente e sobretudo a violência são desconfortáveis. É um conto arrepiante, um drama de horror humano e até com toques melodramáticos. Um deus ex machina à bela maneira sueca.

 

Mas este não é apenas um filme sobre uma rapariga desaparecida; este mistério vai também desenterrar segredos fétidos e putrefactos em várias frentes. Quando se dá a revelação, ou mais concretamente, revelações, é uma explosão de implicações terríveis que leva o espectador para um outro nível de verdades repugnantes. Ao contrário de outros mistérios com razões até mais realistas para um crime, aqui desencadeia-se um legado de repulsa tão penetrante que implica mais do que apenas o vilão. Isto porque desconfio a convenção e o standard não são coisas que interessem ao realizador Opley. Não existe o herói perfeito contra o vilão usual, mas sim pessoas com falhas e danos de ambos os lados.

 

A verdade é que são poucos filmes que respeitem a assassinatos e mistérios tão negros como este. Na maioria das vezes, os aspectos mais perturbadores por detrás do próprio acto são evitados, mas Opley engoliu o medo e serve-nos um horror de depravação, intolerância, genocídio, violação e morte à lá carte.

 

 

Esta não é uma história para os fracos de estômago que dá direito a cenas de violação brutais e explícitas. Salander é, de facto, uma personagem e tanto. Apesar de todas as pistas de violência e violação que sofre(u), consegue funcionar e ter relações (ainda que à sua estranha maneira) e entendemos o seu constante assombro. Ainda para mais, cria a sua forma de justiça – sem desculpas, sem remorsos. Sem dúvida uma anti-heroína como nenhuma outra.

 

Talvez a tarefa de Fincher não se complique tanto na replicação da sensibilidade dos temas mas mais na química entre os protagonistas, que neste original sueco é tão incomum quanto intensa.

 

Não sou a maior fã da interpretação de Nyqvist, mas o seu jornalista Blomkvist não é mau de todo. Mikael funciona como o contra-peso de Lisbeth, o que também não é tarefa grata. Ele é quase insonso onde ela é extravagante e enquanto ele encontra umas pedras chatas no caminho, ela vive pesadelos. Mais do que opostos que se atraem, estes são opostos que se precisam mutuamente em nome de um equilíbrio maior. Contudo, é Noomi Rapace que nos desarma como a astuta hacker Lisbeth Salander. Apesar do passado e presente tenebrosos, estes tornam-na uma personagem fascinante, e é a sua presença que torna um mistério standard numa das histórias ficcionadas mais relevantes do novo milénio.

 

 

E muito se discute sobre os aspectos que Larssen desenvolveu e que não estão no filme, e talvez esse seja o aspecto mais interessante da outra adaptação que está para vir - ver o que terá a mais e a menos, e a diferença na abordagem; mas ao dar igual importância ao “quem”, “como” e “porquê”, este fantástico policial sueco apresenta-se como uma obra pós-moderna absolutamente magistral, ainda que não totalmente comercial.

 

Este Homens que Odeiam as Mulheres é um retrato de uma Suécia moderna porém corrupta e que não faz inveja a ninguém. Parece que é imoral gostarmos de algo tão negro, mas é tão astutamente construído que é impossível passar-nos ao lado. Bom, também é verdade que há personagens que são simplesmente más (maléficas mesmo) e algo unidimensionais, e os aspectos relativos à religião e fascismo não são particularmente inspirados em termos de abordagem, mas não se pode ter tudo. 

 

Apesar desta ser uma história com múltiplas camadas, a mais proeminente é talvez a mais visível – de facto há aqui muitos homens que odeiam as mulheres. Este Millenium 1 não toma funciona à base da exploração, mas quer antes dar alguma luz sobre um poder que infesta a sociedade: o quão fácil ainda é para os homens fazer mal às mulheres e escaparem impunes. Por mais nojentas e criminosas que sejam as suas atitudes, estes actos continuam invisíveis, sendo consequente e cegamente “aceites”. E esta é uma constatação não só lamentável e triste, como incrivelmente perigosa.

 

9/10 

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Especial Saga Millenium

por Catarina d´Oliveira, em 11.10.11

Pois é... vi ontem (finalmente!) o último episódio da saga sueca Millenium que me inspirou para organizar um especialito aqui no blog. Pois então nos próximos dias surgirão as críticas dos três filmes baseados na saga de Steig Larsson e que andam a tomar o mundo de assalto. Fiquem atentos ;)

 

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Mise en Scène - The Avengers e Carnage

por Catarina d´Oliveira, em 11.10.11

Depois de muita e sofrida espera para os fãs, o trailer de The Avengers chegou finalmente. Realizado por Joss Whedon, este desfile de testosterona tem como protagonistas Robert Downey Jr., Clark Gregg, Chris Hemsworth, Chris Evans, Samuel L. Jackson, Jeremy Renner, Mark Ruffalo e a solitária presença feminina de Scarlett Johansson.

 

 

 

Mas se anda tudo meio louco com os super-heróis da Marvel, eu cá esfrego as mãos ao assistir a este novo miminho de Carnage, de Roman Polanski. Explorando um grupo de quatro personagens ao limite - trancando-as na mesma casa - o realizador franco-polaco parece brindar-nos com uma saborosa (e talvez maldosa?) comédia que já vai arrecadando boas críticas por onde passa.

Jodie Foster, John C. Reilly, Christoph Waltz e Kate Winslet compõem o elenco que decerto nos vai deixar a chorar por mais. 

 

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New Shots - 10 a 16 de Outubro de 2011

por Catarina d´Oliveira, em 09.10.11

 

Esta semana nos cinemas:

  • Contagion                  Nota IMDB 7.2/10
  • Abduction                  Nota IMDB 3.7/10
  • No Meu Lugar                  Nota IMDB 6.3/10
  • The Three Musketeers                  Nota IMDB 6.1/10
  • Route Irish                  Nota IMDB 6.3/10
  • Submarine                  Nota IMDB 7.4/10
  • Marti, dupa craciun                  Nota IMDB 7.2/10

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Flashforward - 08-10-2011

por Catarina d´Oliveira, em 08.10.11

Quintinhas no Cinema

 

O Farmville no cinema já não deve ser uma grande surpresa para quem segue notícias de cinema: afinal há uns meses falou-se na adaptação de Zynga's Mafia Wars, mas a verdade é que o assunto morreu um bocadinho.

 

 

E como há que estar atento às oportunidades, Alec Sokolow e Joel Cohen, que escreveram Toy Story, revelaram que podem estar a trabalhar numa versão cinematográfica de Farmville.

 

Todavia, há que notar que o Farmville já teve o seu auge. Tendo já sido o jogo mais popular do mundo, hoje já fica atrás de Cityville e The Sims Social... pelo que se a tendência continuar, o jogo já nem terá popularidade suficiente para dar um filme.

 

 

Sony já planeia biopic de Steve Jobs

 

Apesar de a triste notícia da morte do génio de Steve Jobs ainda não ter assentado, é claro que a "insensível" indústria cinematográfica faria os possíveis para começar um filme sobre a sua vida. Era apenas questão de saber qual o estúdio que avançaria primeiro com a ideia... e parece que esse estúdio foi a Sony.

 

 

O site Deadline reporta que a Sony já está a negociar para comprar os direitos do livro de não-ficção sobre Steve Jobs que está para sair, com a intenção de fazer dele um filme. O livro em questão foi escrito por Walter Isaacson e tem o lançamento adiantado para 24 de Outubro lá pelas américas. O projecto é uma compilação de 140 entrevistas a Jobs, sua família, colegas e amigos e conta a história da construção do seu império.

 

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Freeze Frame Shot - A Branca de Neve de Tarsem Singh

por Catarina d´Oliveira, em 07.10.11
Preparem-se para um confronto de titãs, cujo mote é vestidos, suor e lágrimas. Kristen Stewart aparece equipada com uma armadura, mas é melhor não subestimarmos a delicada Lily Collins.

 

As imagens que vos trago hoje são do projecto de Tarsem Singh que apresenta pela primeira vez Julia Roberts como a má da fita e Armie Hammer como príncipe encantado.

 

Mas não se deixem confundir: lá porque existem duas Brancas de Neve no nosso futuro, não quer dizer que elas sejam iguais! Porque de facto, parece que não podiam ser mais diferentes... Esta versão de Tarsem parece mais próxima do conto de fadas, enquanto que a de Rupert Sanders parece mais um épico de guerra. Além de que me parece que terão estreias longínquas o suficiente para evitar confusões: um estreia em Março e outro em Junho lá pelos States. 

 

 
 
 
 
 
 
 
 

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R.I.P. - Steve Jobs

por Catarina d´Oliveira, em 06.10.11

Steve Jobs foi um visionário. Um inventor fantástico e um empresário ímpar. Em 1976 criou a Apple Computer, e mesmo com "zangas" pelo meio, trouxe-nos o iMac, o iPhone, o iPod e o iPad, gadgets que, mesmo que não tenhamos no nosso inventário pessoal, influenciaram decerto e de forma massiva a tecnologia como hoje a conhecemos.

 

 

Mas outros feitos, talvez ofuscados pela maçã meia roída, não devem ser esquecidos.

 

George Lucas vendeu a divisão de animação e computação gráfica da LucasFilm a Steve Jobs em 1985, quando este tinha sido demitido da Apple e estava em busca de um novo negócio. Esta produtora, inicialmente chamada de The Graphics Group e que custou  10 milhões de dólares, tornou-se num gigante cinematográfico que venceu 24 Oscars, avaliado em cerca de 6,5 mil milhões de dólares e que dá hoje pelo nome de Pixar. Em 2006, não querendo perder a fonte de talento que encontrara acidentalmente, a Disney comrpou a Pixar por 7,4 mil milhões de dólares, e Steve Jobs passou a ser o maior acionista individual da Disney.

 

 

"Steve Jobs was the greatest inventor since Thomas Edison. He put the world at our fingertips."

Steven Spielberg

 

 

Com 56 anos, Steve Jobs faleceu, vítima de um cancro no pâncreas que já tratava desde 2003. Mas hoje, ao invés de chorarmos a sua perda, vamos celebrar um grande homem o legado inesquecível que nos deixou.

 

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Mise en Scène - Finalmente... My Week with Marylin

por Catarina d´Oliveira, em 06.10.11

Michelle Williams as Norma Jean Mortensen, ou como mais de vocês devem conhecer... Marylin Monroe. 

 

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Point-of-View Shot - American Psycho (2000)

por Catarina d´Oliveira, em 04.10.11

 

"I have all the characteristics of a human being: blood, flesh, skin, hair; but not a single, clear, identifiable emotion, except for greed and disgust. Something horrible is happening inside of me and I don't know why. My nightly bloodlust has overflown into my days. I feel lethal, on the verge of frenzy. I think my mask of sanity is about to slip"

 

 

O ano da viragem do milénio foi não só imensamente interessante para os charlatães que todos os anos se aventuram a prever o fim do mundo, mas também um ano bastante prolífero para a indústria cinematográfica, ainda que muitas vezes injustamente esquecido.

 

Eu sei, neste momento estão provavelmente a tentar lembrar-se de filmes deste ano 2000 e parece tarefa difícil – com pouco mais de uma década, ainda amadurecem para se tornarem clássicos – mas foi ano de Memento, Requiem for a Dream, Snatch, Amores Perros, Gladiator, Crouching Tiger Hidden Dragon… e entre muitos outros, American Psycho, do qual vos venho falar hoje.

 

Não me recordo ao certo da primeira vez que assisti a este thriller baseado no livro de Brett Easton Ellis, mas sei que o segundo visionamento que ocorreu há dias reforçou a vontade de escrever sobre este fantástico filme de Mary Harron.

 

 

Patrick Bateman é um homem bonito e de sucesso, com absolutamente nada que o diferencie dos seus colegas de Wall Street. Auto-intitulando-se de “especialista em homicídios e execuções”, Bateman é simultaneamente uma vítima e um predador do consumismo que deixa levar-se pelas suas fantasias fetichistas e violentas quando a noite cai. As aparências são tudo, desde o lugar onde almoçam, até ao lugar onde vivem, às roupas que vestem – num conjunto de cenas hilariantes observamos Patrick na sua rotina matinal com cremes, máscaras, gel e tudo o que tem direito.

 

Este é um mundo superficial que obriga o nosso herói (ou vilão?) ao comportamento psicótico, escapando de uma realidade que ama e odeia ao mesmo tempo. A existência é algo vazio e que obriga a procurar significados nos lugares mais sombrios – e Bateman sente excitação e poder… bom, pelo menos assim parece sentir alguma coisa.

 

Temos aqui sátira maldosa à cultura dos anos 80 – materialismo, poder e ganância eram as palavras de ordem – e é importante reter que o filme goza abertamente e sem pudor com esse estilo e vida. A bom ritmo, segue com diálogos inteligentes que variam entre a comédia e o horror, uma combinação que sai extremamente bem a M. Harron, que se foca não tanto na violência gratuita mas na falta de humanidade deste universo de clones (afinal, não são raras as vezes que os personagens são confundidos uns com os outros), e é simplesmente fantástica a forma como conseguiram conjugar esta mesma violência com a psicologia de um serial killer e a crítica social implícita.

 

 

A produção artística e o guarda-roupa de Gideon Ponte, Andrew Stearn e Isis Mussenden captam na perfeição a essência dos anos 80 em toda a sua superficialidade e o look ultramoderno de classe só vem exaltar ainda mais a frieza do protagonista – especialmente se atentarmos no apartamento de tons brancos e pretos de Bateman . Tudo isto é captado na perfeição pela lente de Andrzej Sekula.

 

Christian Bale tem aqui uma das mais impressionantes performances da sua carreira, incorporando tudo o que torna Patrick um personagem complexo e violento, que nos assusta e diverte ao mesmo tempo. É claro como a água o trabalho que Bale teve, física e emocionalmente, e este deve ser prezado.


O elenco secundário é gigante e talentoso, cumprindo à risca o seu papel na conformidade e na humanidade da história (bom, aqui talvez só estejamos a falar da personagem de Chloe Sevigny, que se apaixona irremediavelmente pelo chefe).

 

 

O final fica aberto a interpretações: ou estamos perante um comentário sobre o quanto o materialismo e a superficialidade podem “esmagar” as personalidades mais desviantes, ou temos aqui uma tentativa de ilustrar como a sociedade de clones não entende o comportamento desviante. Na minha opinião, ambas as interpretações se aplicam, e o final é ambíguo deliberadamente e por essa mesma razão – para exaltar vários pontos de análise.

 

Por a adaptação ser tão inteligente, American Psycho funciona "pró menino e prá menina", apesar de, pessoalmente, achar a ilusão uma explicação muito mais interessante: Patrick será assim um incapaz que nem consegue direccionar a sua raiva contra o mundo – a fúria acaba por ser canalizada apenas nele mesmo, o que o leva à espiral da loucura. E esta é uma metáfora deliciosa para a futilidade e vazio do estilo de vida que American Psycho retrata e critica.

 

"There is no real me (...) I simply am not there"

 

8.5/10

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Widescreen - A gabardine & machado de American Psycho

por Catarina d´Oliveira, em 02.10.11

Filme, Ano: American Psycho, 2000

Realização: Mary Harron 

Descrição da Cena: Depois de jantar, Paul Allen e Patrick Bateman vão para casa do último, onde este dança e fala animadamente sobre Huey Lewis and the News, mesmo antes de matar Allen com um machado.

 

 

American Psycho, adaptação cinematográfica da obra de Bret Easton Ellis, é uma crítica satírica ao consumismo da década de 80 que dominava a cultura americana. Este retrato tem como modelo central a figura de Patrick Bateman, um homem de negócios fixado nos interesses da aparência e dos bens materiais, e a sua construção como homicida psicótico demonstra de uma forma exacerbada a desumanização que este tipo de cultura provoca. É colocada ainda uma ênfase essencial na incapacidade da sociedade em geral em reconhecer os actos violentos de Bateman.

 

De uma forma ou outra, este fabuloso American Psycho relembra Fight Club, usando os protagonistas a violência como forma de chegar mais perto de algum sentimento enquanto enterrados sob uma cultura imensamente consumista. Esta cena em particular espelha muito bem essa mesma ligação com a violência e a natureza satírica deste belo pedaço de história cinematográfica. Definitivamente um must para os apreciadores de filmes com algo a dizer sobre nós e sobre o mundo em que vivemos.

 

 

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