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Point-of-View Shot - The Social Network (2010)

por Catarina d´Oliveira, em 09.11.10

 

"You have part of my attention - you have the minimum amount. The rest of my attention is back at the offices of Facebook, where my colleagues and I are doing things that no one in this room, including and especially your clients, are intellectually or creatively capable of doing."

 

A esta hora, Mark Zuckerberg deve estar com aquela horrível sensação de que alguém roubou a sua password, entrou na sua conta e postou alguns comentários muito, muito desagradáveis para toda a gente ver.
 
David Fincher e Aaron Sorkin criaram uma bola de neve de entretenimento que qualquer pessoa que goste de poder, negócios, redes sociais ou drama deve ver: The Social Network, uma história dos nossos tempos.

 

Bom, antes de avançar para a crítica propriamente dita, devo ressaltar que esta é uma obra de ficção, levemente baseada no romance The Accidental Billionaires, de Ben Mezrich. Neste ponto deve ainda atentar-se que o livro referido anteriormente contou com depoimentos de Eduardo Saverin apenas, uma vez que Zuckerberg se recusou a participar no mesmo. Assim, julguei que valia a pena esclarecer algumas questões que poderão ler, se estiverem interessados, no link abaixo. 

 

Mas sem mais demoras, vamos ao que interessa, a Crítica.

 

 

The Social Network é um daqueles filmes que tinha tudo para não funcionar. Um filme sobre uma rede social? Mas o que é que poderão querer dizer com isto? Pessoas a falar num dormitório, numa casa ou numa sala pejada de advogados? Close-ups completamente daninhos de ecrãs de computador e setas de um rato?
 
Mas quando se põe esta ideia e estas palavras nas mãos do argumentista Aaron Sorkin e, posteriormente, as suas palavras no mundo de David Fincher, de repente tudo faz sentido. A história que não o era, as palavras entediantes e as imagens vazias metamorfizam-se numa sedutora parábola para a nossa era.
 
Mark Zuckerberg é um jovem que, depois de ter tido a nota máxima nos SAT, começou a estudar na prestigiada universidade de Harvard. Depois de uma acesa discussão com a namorada, o rapaz brilhante que parece afectado pelo Síndrome de Asperger resolve criar um site de confrontos de beleza entre vários conjuntos de duas raparigas, e onde os alunos de Harvard podem votar. Depois de mais de 22.000 votos na pagina, o sistema de computadores da universidade “crasha”. Zuckerberg é descoberto e, além de ser castigado pela universidade, também se torna famoso na comunidade.  

 


Dois atletas e reputados alunos pedem-lhe ajuda no desenvolvimento de um site que permitiria todos os alunos de Harvard manterem-se ligados. Zuckerberg aceita. Mas ao mesmo tempo, e num momento de epifania, sai a correr sem mesmo reparar que começou a nevar até ver os seus pés enterrados.  É um momento de viragem e com o amigo Eduardo Saverin, decide ele mesmo começar um novo site, uma rede de amigos. Como uma febre contagiosa, a rede social espalha-se pelo país e pelo mundo e o dinheiro começa a entrar… e os problemas também.

 

Este site com história controversa viria um dia a chamar-se “Facebook”.

 

The Social Network não deve ser tomado como a verdade dos factos que ocorreram, até porque Fincher tinha em vista algo muito maior. Com engenho e precisão cirúrgica, faz-se de Zuckerberg uma metáfora e uma lente através do qual compreendemos a cultura contemporânea.

 

O Zuckerberg que vemos no ecrã é, do fundo da sua essência, uma figura paradoxal. Um dos seus principais constituintes é uma crueldade arrogante; todavia, e ao mesmo tempo, parece-nos apenas um jovem estranho e inocente. Ao mesmo tempo que tece as redes de amizade de um dos maiores fenómenos culturais dos nossos tempos, é impiedoso nas suas próprias relações quando estas não se revelam convenientes.

Zuckerberg ve-se como um homem sem pernas que inventa uma cadeira-de-rodas perfeita. A fita sugere que os génios são fora do normal. A concentração obsessiva destas mentes simultaneamente abençoadas e amaldiçoadas anula a sua visão periférica social.

 

 

A natureza da narrativa cola-se aos clássicos americanos que versavam sobre a ambição, competição e traição. Consequentemente e compreensivelmente, o oitavo filme de David Fincher foi comparado à obra prima de Orson Welles – Citizen Kane. Um simples toque na tecla “refresh” traz para o background dos nossos dias um homem muda a sociedade domando a feroz tecnologia emergente como se de um gatinho domesticado se tratasse querendo o seu nome estampado pelo seu trabalho.

 

O argumento é brilhantemente escrito por Aaron Sorkin, com humor refinado, trocas verbais rápidas e afiadas e a exploração de grandes ideias. Sorkin criou uma dramatização onde ninguém está certo e ninguém está errado. Sorkin criou uma comédia de maneirismos, uma tragédia ao melhor estilo grego e uma sátira social. 

 

Por outro lado, Fincher prova uma vez mais que é um dos mestres do seu tempo, transformando actividades desinteressantes em interessantes e urgentes. A brilhante sequência da prova de remo filmada por si, rege-se segundo o género tilt and shift é uma bela analogia para as lutas perdidas por pouco pelos gémeos, e pelas poucas coisas que foram impedidos de conseguir realizar, o que os leva a tomar a decisão de ripostar a Zuckerberg. Uma cena que, apesar de largamente incompreendida, figurará como uma das Grandes do ano.

 

O elenco jovem é um cabaz de talento. Jesse Eisenberg é extraordinário na performance que lhe valerá muito provavelmente um punhado de nomeações e prémios. Zuckerberg é representado com uma intensidade brutal, nunca atingindo um momento de dúvidas em relação ao seu intelecto. No entanto, vemos que o que boia à superfície esconde um Homem com dúvidas, medo e insegurança.

 

 

Andrew Garfield torna Eduardo Saverin o personagem com quem mais simpatizamos, interpretando-o com um charme subtil que, intencionalmente, pretende mascarar as suas próprias faltas e erros. Sean Parker é mais uma prova que, ao contrário de muitos que se dizem actores, Justin Timberlake sabe bem o que anda a fazer à frente das câmeras. Parker é o lado negro do universo tecnológico ainda que, no final, até ele seja abalroado por Zuckerberg quando se torna demasiado perigoso para a empresa.

 

The Social Network, como tantas outras obras de Fincher, passa-se num mundo de Homens, onde, além de Erica que influenciou em dois momentos o curso história, as mulheres  funcionam muito como adereços – corpos sem nome, namoradas obsessivas.


A falta de complexidade e a paixão que não existe acabam por impedir The Social Network de ser um grande filme sendo apenas um (muito) bom filme. Pessoalmente, vi um filme perfeito mas sem chama.


Mas a fita tem outra questão central que tem tanto de corajosa como de potencialmente grave. Acaba por ser a história de um homem antipático, presunçoso e desagradável, um grande buraco negro que não oferece a mínima tracção. De facto, na cena inicial, a namorada sumariza muito bem aquilo que veremos nas duas horas seguintes – “You are probably going to be a very successful computer person. But you're going to go through life thinking that girls don't like you because you're a nerd. And I want you to know, from the bottom of my heart, that that won't be true. It'll be because you're an asshole.”. Mas, todavia, se nos mostrarmos dispostos, mesmo não querendo saber dele como pessoa, continuamos a ser sugados pela personagem.

 


Fincher quer dizer-nos algo poderoso e terrível: desde 2004, o mundo social configurou-se, em grandes proporções, à volta dos contornos da criação de uma mente neurótica.

 

Ainda que, a meu ver, não seja o filme do ano, The Social Network é entretenimento, e uma estória dentro de uma história. Um thriller que aborda temas como a intelectualidade, a ética empresarial e classes sociais que poderá fascinar toda a gente que não tenha o apelido Zuckerberg.

 

"Drop the "the". Just Facebook. It's cleaner."


8/10

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Mise en Scène - 1 em 2!

por Catarina d´Oliveira, em 06.11.10

Olá amigos!

 

Bem já há algum tempo que não postava uma rodada de trailers e desta vez trago-vos uma coisa interessante... ou não.

 

Estão a ver aqueles dois melhores amigos - um homem e uma mulher - que, não estando numa relação com outras pessoas, sentem falta de sexo e então começam a ter sexo casual um com o outro mas no fim apaixonam-se (ou, pelo menos, um deles)? Estão não estão? Gostam desse tipo de histórias? Se gostam mesmo muito, não vão ter um, mas dois filmes idênticos! Não é o máximo??

 

   
 
Nota: Pelo que se vê no trailer, Natalie Portman enrola-se com Mila Kunis em The Black Swan... e depois saem-se com estes filmes? Querem provar alguma coisa? Ehe!

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Point-of-View Shot - The Rocky Horror Picture Show (1975)

por Catarina d´Oliveira, em 04.11.10

 

 

Tenho de admitir... Depois de ver o episódio de Glee que foi para o ar no passado dia 26 de Novembro – “Rocky Horror Glee Show” – ficou-me o bichinho em relação ao intrigante e explosivo musical.
Depois de alguma pesquisa online, foi com grande alegria que verifiquei que havia, na verdade, um filme baseado na peça musical, o que me deixou feliz e me fez arranjar maneira de o ter em mãos o mais depressa possível.

Rocky Horror Picture Show foi lançado há 35 anos, apenas dois anos depois da peça que lhe deu origem escrita por Richard O’Brien para os palcos de Londres. Na longa-metragem, o escritor ainda acrescenta os seus dotes de representação ao interpretar o mordomo Riff Raff.


Para todos os que não conhecem o fenómeno Rocky Horror, a história respeita à criação de uma espécie de Frankenstein com um grande apetite sexual chamado Rocky. E qual a utilidade de uma criatura destas perguntam vocês em coro: para ser o brinquedo sexual do ambíguo travesti Dr. Frank-n-Furter. O nosso amigo Frank não fecha bem a tampa, é um facto, por isso convida motoqueiros para as suas bizarras festas, mata pessoas em público para depois comer em cima dos seus cadáveres e dança números musicais de rock.

 

 

 

Os jovens Brad Majors e Janet Weiss decidem fazer fazer uma visita surpresa a um antigo professor depois de ficarem noivos. Infelizmente rebenta uma grande tempestade e o seu carro acaba por avariar no meio de uma estrada na floresta, perto de uma casa de ares sinistros e negros. Sem comunicação nas redondezas, são forçados a pernoitar na intrigante casa, apenas para descobrirem um novo mundo povoado de loucura e sexualidade subversiva.

 

A combinação que se forma nesta fatídica noite dá origem a alguns dos mais bizarros números musicais que veremos ao longo da vida.

Rocky Horror  é um bom filme por si; feito com um orçamento bastante pequeno, é um triunfo de realização inteligente por parte de Jim Sharman e uma montagem bastante competente captando especialmente a essência de cada momento musical.

 

No que respeita ao elenco, Tim Curry é um prazer de ver como Frank-N-Furter com os seus saltos altos gigantes, sombra negra e baton vermelho e é, sem dúvida, a alma do filme. O actor parece estar a divertir-se mais do que nunca, o que fortalece ainda mais a sua performance. Susan Sarandon e Barry Bostwick são amorosos como o casal Brad and Janet e o restante elenco é também bastante agradável, musical e divertido.

 

 

 

Como referido supra, tratava-se originalmente de uma peça britânica, e a reacção inicial à longa-metragem foi tudo menos boa com o próprio estúdio (20th Century Fox). Mas com o passar dos anos, Rocky Horror Picture Show tornou-se, tal como a versão teatral, numa experiência fundamental e única, evoluindo para uma tradição nocturna que oferece à audiência a possibilidade de participar em todo o estardalhaço, seja atirando arroz para o ecrã, mascarando-se ou cantando juntamente com o gang de travestis. E neste ponto acho que vale a pena vale a pena partilhar um parágrafo de alguém que esteve presente neste espectáculo para vos (e me) fazer um bocadinho de inveja.

 

"It is a dizzying experience, made all the more so if you are lucky enough to see it in a theater with a crowd who knows all the lyrics, dance moves, and proper audience responses to yell back at the screen. In this way, Rocky Horror has ceased to be a movie and has instead become the center of a ritualistic celebration of popular culture in all its twisted formations. Even when viewed on home video, it is hard not to imagine the audience involvement going on around you. Unlike most movies, the movie in and of itself is no longer enough. To be complete, The Rocky Horror Picture Show requires a two-way exchange between the film and the audience, making it a genuinely communal experience."
James Kendrick – Crítico de Cinema

 

 

 

Acredito piamente que as reacções geradas por Rocky Horror não são algo que possa ser alcançado conscientemente. Na verdade, John Huston descreve-o bem melhor que eu em 1950: “In pictures, if you do it right, the thing happens, right there on the screen.”

 

Mas além da participação colectiva, o grande factor X de Rocky Horror é a sua pura loucura e originalidade. É uma combinação inesperada de ficção científica, comédia, terror e musical que funciona.


Do lado negativo, além do espectro limitado de fãs que o filme terá, está um início forte e ritmado, um primeiro acto cheio de intriga e grandes músicas que é seguido por um período mais infértil e que permite uma certa rarefacção durante o aparato final.

 

 

 

Ninguém vê Rocky Horror com o objectivo de grandes significados profundos (se há mensagem a espalhar é mesmo a linha de diálogo “don’t dream it, be it”, que se tornou num grito de guerra para os fãs). Vêmo-lo sim porque é um autêntico pandemónio, e às vezes a única coisa que queremos é recostar-nos, deixar a loucura fluir e ver um filme maluco só porque sim.

 

Vai chegar a todos da mesma maneira? Certamente que não. Creio, na verdade, que estamos perante um daqueles casos de “8 ou 80”. Mas para todos os que estiverem dispostos a experimentar algo novo e fora do comum, The Rocky Horror Picture Show tem muito, mas muito para oferecer.

E odiando ou adorando, é uma viagem que tão cedo não vão esquecer.

 

7.5/10

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