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Widescreen - Wise Up em Magnólia

por Catarina d´Oliveira, em 25.11.10

Filme, Ano: Magnolia, 1999

Realização: Paul Thomas Anderson

Descrição da Cena: Reflectindo sobre as suas vidas, problemas e infelicidades, os personagens de Magonlia cantam a música "Wise Up" de Aimee Mann. 

 

 

 

Magnolia é um incrível mosaico sobre as vidas de pessoas "estragadas". Não há protagonistas, e vemos apenas pequenos vislumbres da vida de cada um.

 

Este clip que partilhei convosco, foi um momento musical totalmente inesperado. P.T. Anderson conseguiu que olhássemos além de qualquer estrela do elenco, e que sentissemos apenas a voz trémula do personagem, dentro de todas as suas inseguranças e derrotas. Do personagem, não do actor, que é algo muito diferente.

E este é um momento onde todos já estivemos... cantando palavras de uma canção que diz aquilo que nós não conseguimos dizer.

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Flashforward - Kit Warner Bros. 2001

por Catarina d´Oliveira, em 24.11.10

Para todos os interessados, a Warner Bros. deu a conhecer um pouco mais daquilo que temos à nossa espera no ano que vem no seu kit de 2011. Entre os grandes filmes que estão para vir temos Sherlock Holmes 2, The Hangover II e Harry Potter and the Deathly Hallows: Part II.

 

Créditos: iesb.net

 

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Widescreen - Waltz with Bashir

por Catarina d´Oliveira, em 24.11.10

Filme, Ano: Waltz with Bashir, 2008

Realização: Ari Folman

Descrição da Cena: Soldados das Froças Israelitas emergem numa praia em Beirute, vestem-se e andam pelas ruas de uma cidade despedaçada.

 

 

Durante um café com um amigo, Ali Forman dá-se conta que não se lembra de quase nada dos seus tempos de soldado nas Forças Israelitas e decide então viajar pelo mundo e entrevistar antigos companheiros na esperança de lembrar o que esqueceu e compreender porque o esqueceu.

 

Numa noite, Forman tem uma visão onde ele e outros companheiros soldados emergem de dentro de água nus, numa praia de Beirute completamente deserta. Depois de se vestirem, erguem-se e caminham por um local desgraçado, esquecido por todos, menos por aqueles com a vil missão de o destruir e por quem ainda lá está - mulheres despedaçadas e em luto, sobreviventes do massacre que ainda gritam por aqueles que já perderam.

 

Uma cena arrebatadora de uma verdade que ninguém quer conhecer. Uma cena que demonstra toda a desorientação de quem lá esteve a combater... jovens soldados também eles dominados pelo medo. O pós-terror humano canta toda a vilandade e nojo pelos atrozes actos que inocentemente chamamos “humanos”. 

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Smash Cut - Daniel Radcliffe

por Catarina d´Oliveira, em 23.11.10

 

"Oh God, she promised me categorically that there wouldn’t be another book involving Harry. I think 10 years is a long time to spend with one character.”

 

Daniel Radcliffe (sobre J.K. Rowling que disse no Oprah Winfrey Show ainda haver potencial para mais histórias de Harry Potter)

 

E pronto. Se J.K.Rowling não resistir mesmo à tentação de escrever mais histórias sobre o rapaz que sobreviveu, parece que vamos ter de encontrar um novo Harry.

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Point-of-View Shot - Harry Potter 7: part I

por Catarina d´Oliveira, em 22.11.10

Nota: Atenção amigos, esta é daquelas críticas grandes. Mas com filmes bons, até dá gosto escrever!

 

 

"These are dark times, there is no denying."

 

Quando saía da sala de cinema, ouvia secretamente as opiniões dos outros espectadores que me rodeavam e não pude deixar de me sentir frustrada. “Que desilusão. Isto não vai ter sucesso nenhum”, dizia alguém. Enfim. Tenho pena que às vezes não se olhe além daquilo que se pode captar. Esta é uma saga em crescimento, sendo somente natural que os seus temas e instrumentos mudem. É que além da crescente maturidade dos protagonistas, ainda temos de considerar que esta é uma era negra no mundo da magia, e um filme carnavalesco e pejado de acção não era de todo o que se pedia.

 

Harry Potter and the Deathly Hallows: Part I parece-me trilhar um injusto caminho para ser, em muitas situações, um incompreendido. Afinal, é um rito de passagem, e muitos espectadores terão até dificuldade em identificá-lo como uma parte individual e única de um todo. Um pouco como “Lord of the Rings: the Two Towers”, é uma ponte, pairando algures entre um início e um fim. Mas se querem que vos confesse, nunca vi um Harry Potter tão humano e tão próximo de nós. Sei que terei muitos a discordar, mas mesmo sem grandes espalhafatos, acho que isto foi o que a saga cinematográfica nos ofereceu de melhor até hoje, e que melhor que isto era honestamente difícil de fazer.


Quando foi a anunciado que o último livro da série teria a sua adaptação cinematográfica dividida em duas partes, a irritação tomou o meu corpo. Achei que seria uma estratégia gerida pela ganância do dinheiro. Afinal de contas, e ainda bem, saiu-me o tiro pela culatra e fez-se algo em prol de uma história melhor.

 

Depois de seis filmes com pano de fundo comum – a glamourosa e fantasiosa escola de Hogwarts -, David Yates apresenta-nos uma primeira parte do último capítulo da saga para uma realidade muito mais próxima da nossa, uns simples muggles.

 

 

 

Nesta penúltima oportunidade de torcermos pelo rapaz que sobreviveu, o nosso trio favorito começa a frenética e extenuante busca pelos Horcruxes - objectos onde Voldemort guarda pedaços da sua alma, dificultando a sua destruição. E se de Philosoper’s Stone para The Chamber of Secrets notávamos uma abismal diferença em termos de negritude e complexidade, o que dizer do novo episódio?

 

Quanto ao facto de ser um filme como nenhum outro, é verdade. Desta vez não há o chapéu seleccionador, nem as peripécias de Longbottom, nem Hogwarts. Há uma jornada de três amigos que lutam pela possibilidade de um mundo melhor e com paz. Há uma jornada humana, há obstáculos e há uma amizade cada vez mais desenvolvida.


De certa forma, o tom de melancolia e desolamento que nos passa na maior parte do tempo, é também uma analogia àquilo que os espectadores começam a sentir. Uma nostalgia. Porque mesmo que ainda tenhamos oito meses para sonhar com “o rapaz que sobreviveu”, esta é talvez a primeira altura em que nos damos conta que, em Julho, tudo chegará ao fim.


Desta vez temos mensagens socio-políticas subliminares bastante evidentes, com os seguidores de Voldemort a empregar uma conduta semelhante à Nazi (uma nota interessante são as publicações e panfletos do Novo Ministério da Magia que se assemelham até em termos gráficos à propaganda Nazi), ressaltando a importância de uma raça pura que domina outras raças quase ditas “rafeiras” – os meio-sangue (considerados traidores) e, em última instância, os Muggles (raça inferior).


Outro ponto de sinalização e análise imperativa é o retrato raro do outro lado do heroísmo - um lado entediado, frustrante mas, acima de tudo, sozinho que implica muita pesquisa, dedicação e força interior.

 

 

 

Este é um vigoroso ensaio sobre personagens espalhadas por uma selecção de locais  entre a moderna e agitada Londres e as paisagens abandonadas da Inglaterra, concordando com as trevas deste conto apocalíptico.

 

Numa mistura mágica de acção, thriller, parábolas políticas, amor e amizade, a Part I é uma obra forte e verdadeira que mantém o nosso coração apertado entre as paredes da tristeza. Neste seguimento, vale a pena sublinhar que alguns dos melhores momentos provém de pequenas sequências entre o trio principal. É, claro, inevitável recordar a afectuosa cena escrita apenas para a adaptação cinematográfica onde Harry e Hermione partilham uma dança que espelha não só o valor da verdadeira amizade, como funciona também como um escape de um mundo que parece inescapavelmente condenado.  

 

David Yates (realizador) e Steve Kolves (argumentista) trabalham com uma sincronização magnífica neste ponto, capturando perfeitamente os sentimentos de paranóia (relativa à perseguição constante), o peso opressivo de uma tarefa maior que eles mesmos e a tristeza das separações e das perdas incontornáveis por parte do trio protagonista. É um filme incrivelmente violento a nível emocional e que nunca receia mostrar o que tem a mostrar, desde a frustração de um passo em falso, a uma morte dolorosa e inesperada.

 

Mas Yates surpreende ainda com um conjunto de bons sustos, humor (as maiores gargalhadas decorrem invariavelmente de Ron Weasley) e uma surpreende sequência de animação “à la Tim Burton” enquanto os três fantásticos enveredam pelo campo da simbologia, qual DaVinci Code, tentando decifrar um estranho desenho que recorrentemente vêem nas pistas que seguem.

  

 

 

Os efeitos são tão especiais que raramente damos por eles, o que é o melhor elogio que se pode fazer neste campo e as imagens de paisagens intermináveis contrastadas com cenários mágicos únicos contribuem para uma fotografia única por parte de Eduardo Serra, que trabalha pela primeira vez na série, trazendo uma estética e fluidez completamente diferentes.

 

Devemos ainda prezar a direcção de arte levada a cabo por Stuart Craig seja no sentimento de depressão sentido na decoração dos abrigos ou no Ministério da Magia com laivos fascistas.

Domina uma palete de azuis e cinzentos havendo, muito ocasionalmente, espaços de cores mais vivas que quase nos cegam devido à habituação ao tom negro, mas que se adequam perfeitamente aos contrastes que pretendem exaltar.

 

Quanto ao ritmo, alterna entre as sequências frenéticas de fuga e batalha, e a quietude dos momentos de exposição e explicação que são essenciais na trama. Mas é crucial ainda dizer que este é talvez o primeiro episódio que permite tanto às personagens como à assistência ter tempo para inalar e interiorizar toda a gravidade das situações e acontecimentos do enredo. Afinal, o mundo é um lugar ansioso e agora afectado por uma profunda esquizofrenia.

 

Como é costume, os jovens-adultos estão rodeados pela mais fina artilharia britânica, com Bill Nighy e Rhys Ifans como últimas adições. Entre os recorrentes, vale a pena destacar o contínuo brilharete de Ralph Fiennes (numa performance arrepiante), Helena Bonham Carter (mais louca que nunca) e Alan Rickman.

 

 

 

Mas apesar da chuva de estrelas, esta fita é só sobre as crianças que se tornaram adultos. Os três protagonistas são espantosos. Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson vêem o fim da série em frente dos seus olhos e parecem sprintar cada vez mais convictamente para o final, apresentando performances cada vez mais sólidas e dramaticamente bem conseguidas. Watson e Grint merecem apreço especial pelo envolvimento emocional exponencial que demonstraram neste filme em particular, uma vez que também me pareceu ser o primeiro filme não somente sobre Harry, mas sobre o trio. Todavia, e a ponto adicional, penso que, tal como outros actores que deram vida a personagens icónicos (ex. alguns actores de Lord of the Rings), eles vão ter dificuldade em afastar-se daquilo que os tornou célebres.

 

Outro momento chave relativamente ao elenco, é aquele em que o trio se disfarça para entrar no Ministério e especialmente David O’Hara e Steffan Rhodri captam cada trajeito de Harry e Ron na perfeição, proporcionando um mix de tensão e humor irrepetíveis.

 

Quase me esquecia de assinalar o regresso dos elfos domésticos Kreacher e Dobby, sendo o último a tal fonte de "awwww" que agora todos os filmes parecem ter. Mas que se desenganem aqueles que pensam que a sua participação se cinge a isso apenas. Dobby regressa como um corajoso combatente nesta guerra com o seu quê de terrorista, proporcionando, mais para o final, uma das cenas mais dramáticas e fortes de todas as duas horas e meia de duração.

 

 

Não consigo destacar pontos negativos relevantes, mas também não posso negar que Harry Potter and the Deathly Hallows: Part I nos deixa insatisfeitos. Contudo, é uma insatisfatez positiva, na medida em que ficamos embriagados com a história que se nos conta, e, como um vício, não queremos que termine nunca. Queremo-la toda ao mesmo tempo. A resolução final chegará dentro de oito meses, em Julho de 2011. E pelo que esta primeira parte deixa adivinhar, será algo épico e nunca antes visto.


Chegámos ao princípio do fim. E à passagem dos créditos finais, além dos desiludidos e frustrados, há também aqueles que dizem: "Fogo, adorei! Mal posso esperar por Julho!”. E, na verdade, esta é a única crítica que este filme precisa.

 

"I must be the one to kill Harry Potter"

 

9/10

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Hoje trago-vos dois achados que nada têm a ver um com o outro mas que achei engraçado partilhar.

 

Primeiro, um mapa de Inception, interpretando-o como um labirinto e com cartoons a acompanhar. Muito bom.

 

(clicar para ampliar) 

 

Crédito: cheese9.com

 

A segunda coisa que gostava de partilhar convosco é um vídeo dos já famosos Fine Brothers que têm como passatempo... espalhar spoilers sobre os filmes. Desta vez, e em "comemoração" do lançamento da 50ª longa metragem com carimbo Disney - Tangled -, vemos a resolução de todos os nossos contos de infância. Atenção aos spoilers pessoal.

 

 

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New Shots - 22 a 28 de Março de 2010

por Catarina d´Oliveira, em 21.11.10

 

Esta semana nos cinemas:

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Mise en Scène - Hornet, Cowboys e mais!

por Catarina d´Oliveira, em 20.11.10

Boa tarde pessoal. Hoje há mais uma fornada de trailers para divulgar.

 

Baseado na banda desenhada de Fred Van Lente e Ian Richardson, Cowboys and Aliens mostra a união dos índios Apache e alguns pistoleiros contra uma invasão de extraterrestres. Contando com as interpretações de Daniel Craig, Harrison Ford, Olivia Wilde, Sam Rockwell, entre outros, o novo filme de Jon Favreau tem estreia marcada para o próximo Verão.

 

 

 

Em The Green Hornet, Britt Reid (Seth Rogen) é um milionário que combate o crime como um justiceiro mascarado, com a ajuda do motorista Kato, expert em artes marciais, e é apaixonado por uma bonita jornalista (Cameron Diaz).

 

 

Depois do brilhante thriller dramático Moon, Duncan Jones traz-nos o seu próximo filme: Source Code, uma história de conspiração e corrida contra o tempo. Colter Stevens é um soldado condecorado enviado numa missão para descobrir a identidade de um bombista, depois de um atentado num comboio urbano de Chicago. Para isso, embarca num programa experimental inédito, que lhe permite ocupar a mente de outra pessoa durante os seus últimos 8 minutos de vida. De cada vez que Colter revive esses minutos, descobre novas pistas para tentar prevenir o próximo ataque, que envolverá milhões de pessoas. O trailer tem muito bom aspecto! Muito bom mesmo. É um dos que aguardo com mais curiosidade!

 

 

Protagonizado por Matthew McConaughey, The Lincoln Lawyer segue a história de um advogado criminal que é contratado para representar um rico cliente envolvido num caso de homicídio. É a primeira vez que oiço falar deste filme e não me entusiasma especialmente, mas vou esperar por mais informações.

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Snorricam - Harry Potter com sotaque americano

por Catarina d´Oliveira, em 20.11.10

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Point-of-View Shot - Despicable Me (2010)

por Catarina d´Oliveira, em 19.11.10

 

 

"We are going to pull of the TRUE crime of the century... we are going to steal the MOON!"

 

2010 tem sido um ano particularmente fraco para o Cinema. Todavia, parece-me sinceramente que os filmes de animação estão a querer salvar a alma do convento.

 

“Nada para desdenhar mas muito para celebrar” – parece ser este o mote da mais nova animação da Universal Pictures e Illumination Entertainment. Apesar de não ter o selo Pixar, o grande estúdio das animações, esta comédia irreverente mostra que não é só um bando de brinquedos que tem algo a dizer este ano. De facto, estamos perante uma inteligente e emocionante viagem que ainda nos trouxe os maiores “scene stealers” desde Scrat em Ice Age.

 

Gru é um vilão wannabe que nao consegue obter lucros nas suas maldades para o desagrado do administrador do Banco do Mal. Quando Gru tenta roubar a Torre Eiffel, acaba com a miniatura de Las Vegas e as coisas ficam ainda mais negras quando um concorrente emergente chamado Vector (o personagem mais desinteressante da historia) rouba a Grande Pirâmide do Egipto.

 

A Velha guarda está seriamente ameaçada e Gru, num acto de audácia, resolve elevar a fasquia: roubar a Lua. Mas Gru não enfrenta dificuldades apenas em Vector e no banqueiro que lhe nega os fundos necessários a missão, e também na sua mãe. Vilão que se preze tem o seu pack de”mommy issues”, não é verdade?

 

 

Mas como até aqui não tínhamos subastância suficiente para uma boa intriga, eis que surgem três órfãs, Margo, Edith e Agnes que servem inicialmente de meras peças no plano de Gru. Vendedoras de bolinhos desde sempre no orfanato, são o isco perfeito para entrar na casa de Vector onde está a desejada arma para encolher a Lua. Depois deste masterplan, elas vão ser enviadas de volta para o orfanato a sangue frio… isto claro, se o Amor não despoletar e não decidirem viver todos felizes para sempre.

 

Despicable Me vem de uma ideia de um animador espanhol animada por uma equipa francesa, e talvez pelas suas raízes europeias vejamos algo de refrescante e completamente original em Gru, talvez, até, cosmopolita.

 

Se olharmos para o nosso horizonte cinematográfico, reparamos que são raríssimas as animações sobre vilões. É claro, quase todas têm vilões, mas o seu propósito é apenas serem vencidos pelo herói. The Incredibles esteve perto, mas o role model positivo acabou por vir ao de cima. Este ano, ao que parece, temos dois vilões a dominar as animações: Gru e Megamind (a estrear brevemente em Portugal). Deve também notar-se é claro, que esta é uma história de redenção, senão se calhar este não poderia ser um filme familiar… mas ainda assim, e numa era em que tudo é uma cópia de uma cópia, é refrescante ver algumas maldades como uma história de adormecer negada.

 

Despicable Me fica para trás na liga Pixar muito por culpa de um enredo previsível. É tudo demasiado claro. O twist emocional por que todos esperamos acontece – as crianças começam a crescer em Gru e deixam de ser apenas instrumentos para atingir um fim. Mas apesar da previsibilidade, há uma questão muito interessante a reter. Para conseguir obter o que quer das órfãs, Gru tem de fazer o que todos os pais são obrigados a fazer: agir como um pai que se preocupa. O bully das três é constante, e consequentemente, vemos o nosso vilão em aulas de dança e montanhas russas, e Gru é o perfeito retrato daquelas complicadas partes da paternidade que parecem mais um peso do que uma alegria. Nestas cenas, as crianças riem-se dele a bandeiras despregadas. E os adultos riem-se com eles, porque pelo menos os pais viram o verdadeiro vilão… e esse vilão são eles mesmos.

 

 

Mas algumas sequências individuais e as mãos cheias de personagens memoráveis tornam esta uma magnífica experiência.  A animação seguida de perto pelos realizadores Chris Renaud e Pierre Coffin alcança a nota máxima na energia, imaginação e cor, ainda que não alcance os níveis de detalhe e profundidade da Dreamworks e Pixar. Os animadores parecem ter-se inspirado no macabre da Família Addams em muitos momentos – de facto, Gru apresenta algumas semelhanças em relação ao Uncle Fester da família Addams.E à medida que Gru ameaça, congemina planos maléficos ou simplesmente rebenta o balão de uma criança, constatamos que os seus actos não são mais que tentativas para chamar à atenção.

 

A pirâmide invertida utilizada como princípio pelos jornalistas – captar a atenção dos leitores pondo a informação mais importante bem destacada – é invertida novamente em Gru, tomando a sua forma original. A animação começa por ter pernas curtas para crescer e alargar ao longo do tempo, culminando numa meia hora final que vale por todo o filme.

 

Na versão original, Gru tem a voz emprestada de Steve Carrell, na versão portuguesa, Nicolau Breyner cumpre a tarefa. E, apesar dos meus receios, cumpre bem, mais que bem no seu sotaque afectado no Leste. Todos os restantes, incluindo as crianças são também sublimes (quem não se apaixonou pela Agnes e a sua canção dos unicórnios?).

 

Não podia, é claro, deixar de falar nas grandes estrelas, os minions, os gadgets chaplinescos. É comédia instantânea, pronta a avivar a mais morta e lenta das cenas. Num twist diabólico que não demora mais do que dois segundos, uma gargalhada explode na nossa boca sem darmos conta. Sem sequer falarem uma língua compreensível na maior parte do tempo, a sua mensagem passa sempre e funciona. Acho sinceramente que a comédia precisava de mais minions para voltar à sua glória. Além dos minions, também Agnes, amais nova das orfãs merece reconhecimento sendo a fonte de 90% dos "awwwww" que ouvimos na sala aolongo da sessão.

 

 

Infelizmente para a fita, há momentos (ainda que sejam poucos) de mau gosto. No orfanato onde viviam as três “filhas” de Gru, as crianças vendiam bolinhos de porta em porta, e as que não fossem bem sucedidas eram postas de castigo numa caixa de cartão (“The Box of Shame”) durante horas… é suposto ter piada? A mim não me pareceu.

 

Não funciona a tantos níveis como o seu concorrente da bonecada da Pixar, mas também não insulta os espectadores mais velhos. È quase um “tudo incluído”, e é indubitavelmente o dark horse deste ano.

 

Quando as luzes do cinema acendem depois de sensivelmente hora e meia ficamos com a ideia que o que acabámos de ver não é como o Toy Story 3. Este é um filme feliz, enquanto provavelmente a primeira palavra que nos surge sobre as últimas aventuras de Woody e Buzz é “triste”. É uma bonita história, que nos toca de uma forma bem profunda; talvez a melhor animação do ano em termos de narrativa, edição e técnica. Mas se vos apetece rir, sorrir e sentir o coração quente, entrem nesta maravilhosa viagem por um mundo onde se pode sonhar tão alto ao ponto de roubar a Lua. Com armas que disparam gases, que diminuem objectos e atiradores de lulas, Despicable Me é o alegre antídoto à melancolia de Toy Story 3.

 

Voltando à primeira frase desta crítica, esta é uma fita para celebrar. Afinal, que levante o braço quem saiu da sessão sem um sorriso na cara. E, daqui a uns anos, quando o meu sobrinho puder ver e entender este filme, quero vê-lo ao lado dele.

 

"Unicorns, I love them. Unicorns, I love them. Uni uni unicorns, I love them. Uni unicorns, I could pet one if they were really real. And they are! So I bought one so I could pet it. Now it loves me, now I love it. La lala la la..."

 

7/10

 

 

Nota: Continuo sem perceber o 3D. Além de me provocar dores de cabeça, não vejo o ganho em termos de experiência cinematográfica que podemos obter… e são mais uns euros à rua. O filme é tão alegre que não precisa destas engenhocas. Eu sei, sou “antiquada” e anti-3D… mas, em 95% das vezes… não é tão desnecessário?

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