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Mise en Scène - Up, Star Trek, Harry Potter

por Catarina d´Oliveira, em 07.03.09

Ficam mais três belíssimos trailers de três dos filmes mais aguardados do ano! Enjoy :D

 

 

 

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Master Shot - Onde é que eu já vi isto? (RomCom)

por Catarina d´Oliveira, em 05.03.09

 

1. As protagonistas apaixonam-se continuamente pelos seus amigos homossexuais, demonstrando a ironia trágica do amor.

 

2. OK, numa comédia romântica as mulheres DEVEM usar maquilhagem completa em cada uma das seguintes situações: dormir, tomar banho, perseguições implacáveis e intermináveis, pré-história...
 

3. Não importa como o homem é; a mulher será exactamente o oposto. Quanto mais ridiculo o contraste melhor: rapaz riquíssimo/rapariga muito pobre; rapaz vive no séc. XVII/rapariga vive no séc XXI, rapaz morto/rapariga viva... Quanto mais duvidarmos que é possível acabarem juntos, melhor é a forma de começar uma comédia romântica.

 

 

4. Outro ponto essencial são os amigos esquisitos; eles proporcionam momentos de comic relief, dão conselhos sábios (ou não) ou confundem ainda mais o já baralhado protagonista. Alguns estereótipos comuns são:
a) Mulher: o amigo homossexual e duas raparigas (uma afro-americana e outra feia e/ou gorda)
b) Homem: ou tem um melhor amigo ou um grupo de amigos que, realmente, nunca o compreendem.

 

5. Se o herói do filme é um homem gordo ou extremamente feio, as leis ditam que uma mulher atraente se apaixone por ele mesmo no final do filme; tudo pelo charme e sentido de humor claro!

 

6. Há sempre um grande evento social com música, comida e dança (ex: casamentos, cocktails, inaugurações).

 

 

7. As melhores comédias românticas iniciam-se com a dupla protagonista em que um não quer ter absolutamente nada a ver com o outro. (Normalmente a fase do “ódio mútuo” é muito mais engraçada do que a da atracção)

 

8. Não importa se o espaço é infinitamente grande ou microscopicamente pequeno; os nossos protagonistas vão-se cruzar “acidentalmente” três ou quatro vezes seguidas em lugares estranhos.

 

9. Se o filme é orientado para um público adolescente, é muitíssimo provável que haja doses industriais de sogros; especialmente, o pai da rapariga.

 

10. Uma banda sonora nostalgica e (por vezes) pirosa é um elemento obrigatório

 

 

11. Já que é raríssimo haver protagonistas feias, as que começarem dessa forma só o fazem para, ao longo do filme serem alvos de uma radical transformação.

 

12. Milhares de filmes devem conter uma parte em que a mulher ainda está na fase de odiar aquele “parvo nojento” e que lhe deseja que morra longe ou algo de género. Nessa altura, o homem beija-a à força e, apesar de se debater inicialmente, é inevitável que segundos depois já esteja a agarrar-se a ele (o que na realidade acontece mooooontes de vezes...)

 

13. O casal TEM imperialmente de acabar o namoro a certa altura. Caso contrário, como é que faziam as pazes?

 

 
 

14. Um mal-entendido estúpido acontece lá pelos ¾ do filme e causa uma violenta discussão que, normalmente, termina com o rompimento. Normalmente acontece com os homens que são apanhados em situações comprometedoras (a ajudar uma outra mulher talvez) e aos quais não é dada qualquer oportunidade de explicar o que aconteceu.
 

15. Depois do mal-entendido finalmente ser compreendido pela parte acusadora, é praticamente impossível os protagonistas encontrarem-se no mesmo espaço, já que inexplicáveis fenómenos temporais os fazem desencontrar-se por questões de centésimos de segundo.
 

*** *** ***

 

Outras publicações do "Onde é que eu já vi isto?" :

 

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Mise en Scéne - Public Enemies, Wolverine e Salt

por Catarina d´Oliveira, em 05.03.09

Hoje há mais carregamento de material promocional!

 

Nem de propósito, minutos depois de ter postado acerca do poster de Public Enemies, eis que ficou online o próprio do trailer.

 

O aspecto é bonzinho; nada de muito abrilhantado mas também nada de se ignorar. E afinal de contas... não é fantástico apreciar a versatilidade de Depp? Conhecido pelas escolhas viradas para a fantasia e excentricidade, Public Enemies promete ser algo com mais "pés assentes no chão" (é inclusive baseado numa história verídica). Anyway... é excelente tê-lo de volta!

 

O segundo vídeo de hoje é o trailer final e derradeiro de X-Men Origins: Wolverine antes do lançamento. E como é costume dizer-se...o melhor guarda-se para o fim!

 

Mas Wolverine não se fica pelos meros trailers...hoje, mais 6 imagens promocionais de personagens ficaram disponíveis! Tal como o trailer... de fazer roer as unhas pela estreia.

 

     

 

Los Abrazos Rotos, a nova parceira entre Pedro Almodovar e Penelope Cruz, teve também os seus primeiros posters.

 

 

Por fim, e também a propósito de ontem, mais uma curiosa imagem de Salt ficou disponível na rede. Depois de loura e morena, Jolie toma um aspecto completamente diferente: olhos castanhos, cara lavada, boina...um look...doente?

 

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Flashforward - 11 Minutos (Paulo Coelho)

por Catarina d´Oliveira, em 04.03.09

Só hoje me apercebi que Veronika Decide Morrer não era o único título de Paulo Coelho em adaptação ao cinema...

 

Não tenho por hábito geral noticiar todas as notícias de casting ou de desenvolvimento de filmes; foco-me somente no curioso, no bizarro ou no que me interessa especialmente. Hoje o caso respeita à terceira situação, já que Paulo Coelho é um dos meus autores favoritos.

 

 

11 Minutos, publicado em 2003, foi um dos seus mais provocadores livros abordando abertamente e sem preconceitos a temática do Amor, do Sexo e das desilusões que da intercepção entre estas duas realidades advém.

 

A história é a de uma jovem brasileira que desde cedo conheceu profundamente a decepção amorosa e que fechou seu coração a tudo e todos. A promessa de uma vida melhor é por vezes tão aliciante que cega, e a jovem parte para a Europa em busca de uma nova vida, acabando por se tornar prostituta. O Amor é reencontrado no último lugar que esperava... a boite onde trabalha.

 

O elenco já começa a delinear-se.

Alice Braga que vimos recentemente em I am Legend e Blindness encarregar-se-á do papel principal, enquanto Vincent Cassel viverá um produtor musical e Mickey Rourke o gerente da boite. O projecto parece-me ter boas e musculadas pernas para andar! Sim senhor!

 

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Mise en Scéne - 3 trailers + 1 poster =.....

por Catarina d´Oliveira, em 04.03.09

O trailer de Lymelife é o primeiro que vos trago hoje...parece que temos aqui um drama indie com bom potencial que poderá valer mesmo a pena dar uma vista de olhos!

 

Segue-se 500 Days of Summer que fez furor no festival Sundance este ano. Outro a ficar de olho! Tem recebido muito boas críticas e tem realmente bom aspecto!

 

Ben Foster e Dennis Quaid protagonizam a história de duas pessoas que acordam a bordo de uma estranha nave espacial sem quaisquer memórias. Verdades aterradoras esperam-nos na descoberta da misteriosa nave. Pandorum...o que será realmente? Uma praga...um virus? Algo a descobrir, sem dúvida!

 

Por fim, deixo-vos o poster simplezinho de Public Enemies, o muito aguardado e próximo de Johnny Depp e Christian Bale.

 

(clicar para aumentar)

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Festivais - Black & White

por Catarina d´Oliveira, em 04.03.09

 

Não me digam que ainda não ouviram falar do festival Black&White. Não?? Ora bem...

 

O B&W tem a principal característica de ser um festival único no mundo, onde se celebra a produção artística a preto e branco. A decorrer entre os dias 22 e 25 de Abril de 2009 na universidade Católica Portuguesa do Porto (Campus da Foz), o festival engloba três categorias para competição: vídeo, fotografia e áudio.
 

Infelizmente a fase de inscrições já acabou e já falta pouco para os gloriosos dias de Abril onde o festival estará ao rubro.

 

O Close-Up apresenta aqui, oficialmente, o seu apoio a uma iniciativa de louvar. É preciso fazer o cinema respirar em Portugal. E cada vez mais, ele respira profundamente!

 

O Ante-Cinema dirigido pelo fabuloso Fernando Ribeirto (que todos conhecem aliás) é o blog oficial do evento onde poderão encontrar informações mais detalhadas sobre o evento. Para isso, basta dirigirem-se já já aqui.

 

O Black&White prima não só pela qualidade mas pela modernidade, pelo que disponibilizou também novas informações e elementos media nas suas páginas do Twitter e do MySpace.

Aqui não se brinca em serviço!

 

De resto, deixo-vos o próprio site oficial do festival que, acreditem, vale muito a pena visitar! É só clicar na imagem.

 

 

Sempre que se justifique, o Close-Up informar-vos-á sobre os desenvolvimentos mais importantes do festival!

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Smash Cut - Sobre Monopoly...

por Catarina d´Oliveira, em 03.03.09

 

"It's about real people kind of playing a real-life game of ‘Monopoly,’ not the board game, although they’re icons of the game." Brian Goldner

 

"We have identified a pretty good story and it is fundamentally a movie, not a game, probably describing in a way the characters in the film, the passion of the game, and how the game came about.” Ridley Scott
 

(membro da Hasbro e o realizador Ridley Scott discutindo a história do filme a ser feito a partir do jogo Monopoly)

 

Ah...esta é uma daquelas alturas que, nas animações japonesas, surgiria um enorme gota de suor na cabeça do meu personagem...

 

Este pessoal parece animado com a ideia. Ainda não percebi muito bem o que eles quiseram dizer com estas tentativas de explicar o enredo... já me fartei de tentar imaginar uma história plausível que possa ser baseada neste jogo (sem se afastar demasiado dessa premissa claro)...mas não se me ilumina nada... Enfim!

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Freeze Frame Shot - "First Looks" Darwin e Salt

por Catarina d´Oliveira, em 03.03.09

Apesar de ainda não ter distribuidora, Creation, realizado por Jon Amiel, já tem as suas primeiras imagens do naturalista inglês Charles Darwin (aqui interpretado por Paul Bettany). 

 

O filme faz uma abordagem que contextualiza a morte prematura da filha de Darwin (Annie) com o seu trabalho posterior e baseia-se no livro Annie's Box de Randal Keynes que é nada mais nada menos que... o trineto de Charles Darwin. Esperam-se desvendadas algumas curiosidades familiares! Já agora, fica também o site oficial de Creation.

 

    

 

*** *** *** 

 

Salt segue a história de uma agente da CIA acusada de ajudar os Russos que terá de limpar o nome numa tendenciosa rede de informação falsa sobre si. Inicialmente protagonizado por Tom Cruise, Salt conta agora com Angelina Jolie como personagem principal que de Edwin passou a Evelyn.

 

No filme, Salt terá várias "imagens" como podemos ver pela amostra que foi disponibilizada abaixo. Como é a verdadeira agente é algo que não se sabe, e é aí que jaz o grande mistério do filme.

 

"É uma personagem que nunca conhecemos. Pessoas que pensam conhecê-la, podem ou não conhecê-la. Aqueles que pensam que ela está disfarçada poderão estar certos ou não. É suposto tentarmos continuamente adivinhar" diz o produtor Lorenzo di Bonaventura.

 

   

 

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Mise en Scéne - Terminator Salvation

por Catarina d´Oliveira, em 03.03.09

É uma pena os filmes Terminator não me interessarem ou dizerem praticamente nada porque o novo trailer de Terminator Salvation é, de facto, muito bom! A esta hora já tinha tido um ou dois enfartes da excitação mas infelizmente não consigo apreciar o género como este sem dúvida o merecerá...ehe.

 

Contudo, fica aqui o excelente trailer e a promessa de que, mesmo assim, é claro que darei uma atenta espreitadela ao filme quando estrear ;)

 

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Point-of-View Shot - Sophie's Choice (1982)

por Catarina d´Oliveira, em 02.03.09

 

"Nein! Ich kann nicht wahlen! Ich kann nicht wahlen!"

(Não! Não consigo escolher! Por favor não me obriguem a escolher!)

 

Escolher.


Todos os dias nos deparamos com escolhas; umas fáceis, outras complicadas. O que é certo, e que muitas vezes esquecemos é que, ao mesmo tempo que escolhemos alguma coisa, abdicamos automaticamente de outra.


Uma escolha pode ser uma liberdade mascarada, cruel e devastadora que, em determinados momentos, desejaríamos não possuir. Não uma, mas uma série de dramáticas escolhas marca a vida de Sophie, a sofrida protagonista de uma das mais trágicas e comoventes histórias que o cinema viu surgir nos últimos 30 anos: Sophie’s Choice.
 

 

O ano é o de 1947 e Stingo é um jovem aspirante a escritor que resolve mudar-se para Brooklyn em busca de um importante impulso na sua tenra carreira. Já alojado, Stingo desenvolve uma profunda e intima amizade com os seus “vizinhos de cima”, Nathan Landau e a sua namorada polaca Sophie Zawistowska. Mas este triângulo relacional é constantemente ameaçado pelas estranhas e violentas variações de humor de Nathan e pelo misterioso fardo que Sophie parece carregar consigo em todos os momentos.


Dois narradores conduzem-nos pelas estradas dos acontecimentos: Stingo, que recorda o inesquecível Verão em Brooklyn, e Sophie, que dentro da história de Stingo, compartilha as suas memórias da Segunda Grande Guerra com este último.

 

A amizade de Stingo com o exuberante casal torna-se rapidamente numa odisseia de descoberta do amor, mas também um horrível choque com uma realidade de ódio, mentira e vergonha que, de uma forma ou outra, fragmenta estas três pessoas de quem aprendemos lentamente a gostar e acolher.
 

Realizando, produzindo e escrevendo o argumento a partir do material original de William Styron (o livro com o mesmo nomes publicado em 1979), Alan J. Pakula foi o grande maestro desta excepcional peça. Pakula trata a história com exímios respeito e lealdade, dando, simultaneamente, uma nova e verosímil vida a Sophie, e faz-se acompanhar de uma competentíssima equipa da qual se destacam Nestor Almendros, pela inteligente fotografia contrastando as cores vivas do presente com os tons deslavados e cinzentos da Alemanha Nazi, e Marvin Hamlish, que reconstruindo obras de Mozart, Beethoven e Strauss, cria um tocante e belíssimo fundo sonoro que se move ao sabor dos tempos e das emoções com uma fluidez impressionante.

 

 

O trio protagonista é composto por Meryl Streep, à qual me referirei mais à frente, e pelos dois homens da casa: Kevin Kline, que nos brinda com uma estupenda estreia no cinema com o perturbado Nathan (nota especial para as quebras de loucura e uma cena particular onde dirige, imaginariamente, uma orquestra e que por alguma razão representa toda a excentricidade e insanidade que o habitam) e Peter MacNicol com o jovem e sentimental Stingo.

 

Reservo um espaço especial e um pouco mais alargado do que o costume para falar um pouco sobre a grande razão de esta fita roçar a  classificação de obra prima: uma mulher que justifica aqui e como nunca todo o reconhecimento e mais algum que lhe seja possível. Tendo visto muitos dos seus filmes, Meryl Streep já era, a meu ver, uma das maiores actrizes da actualidade. Mas esta fita veio-me mostrar que isso era não era de todo verdade; é muito, muito mais que isso.

 

Sophie, a personagem criada por Styron, é uma criatura altamente extravagante e paradoxal parecendo, no seu tempo, de reprodução impossível. Se já pensamos na excelência ou “impossibilidade de fazer melhor” de papéis como Karen Blixen em Out of Africa, ou mesmo recentemente de Sister Aloysius em Doubt, as palavras deixam de ter qualquer sentido quando assistimos a Sophie’s Choice. Meryl Streep parece só conseguir ser ultrapassada... por ela mesma!

 

A preparação do papel levanta apenas o véu do trabalho e esforço da actriz: aprendeu Polaco e Alemão e sofreu uma variação de peso na ordem dos 15 Kg. A pronúncia polaco-americana de Streep será uma autêntica utopia para a grande maioria dos grandes actores, saindo-lhe tão naturalmente que é difícil acreditar que a primeira língua daquela mulher é, evidentemente, o Inglês. A sublimidade atinge o detalhe delicioso de, nas cenas iniciais onde ainda não controla positivamente o inglês, vermos Sophie e esforçar-se por traduzir mentalmente o que pretende dizer.

 

 

Streep é tão espectacularmente perfeita que quase nos cega para o que de resto nos rodeia; atinge o intatingível e faz-nos realmente repensar o que é  uma verdadeira interpretação cinematográfica. Cada pedaço microscópico de talento é utilizado até à exaustão na construção de um complexo, detalhado e comovente retrato, e o que Streep espalha em todos os momentos pelo ecrã é pura arte. E as palavras nunca estarão sequer próximas de poder descrever a performance desta grande, grande mulher. O dicionário deveria explicitar os termos Actor/Actriz com duas palavras: Meryl Streep.

 

Sophie's Choice é poderoso ao ponto de silenciar almas e corações. Muitas vezes desconfortável de olhar de frente, é uma história que ultrapassa e reinventa concepções de horrores terríveis. Horrores que, já insuportáveis, ainda se vêm exponencialmente aumentados pela desgraça e agonia envolventes do pesadelo Nazi. A dor de Sophie trespassa o ecrã para fisicamente se instalar em cada um dos espectadores.

 

Contudo, é ainda uma lição de esperança e de vida que, acima de tudo, nos relembra o quanto devemos aproveitar e estimar o que amamos e ainda, compreender o que realmente importa numa vida que tantas vezes é cruel e injusta.

 

 

É inevitável referir a cena que justifica o título do filme, já que é e será sempre a sua grande marca, e, inequivocamente, um dos momentos mais perturbantes e desoladores que uma camera já teve e terá algum dia a oportunidade de filmar. Em apenas um take se fez história -  o coração de mãe de Streep recusou o choque e devastação emocional de repetir a cena.

 

Num dos flashbacks sobre a sua experiência num campo de concentração, Sophie recorda-se num amontoado de judeus e alvos nazis, onde é abordada por um militar. Com um filho em cada um de seus braços, é-lhe dado um “privilégio” por não ser realmente judia: poderá escolher. Todavia, de tão cruel, torturadora e desumana,  esta escolha veste as roupas que nem a morte ousa tocar. O “prémio” de escolher um (e apenas um!) dos filhos condenado o outro à morte impõe-se sob a condição de que, não escolhendo, morrerão ambos.


Desesperadamente gritando não conseguir, Sophie acaba por fazê-lo, numa acção que, sendo aparente e exteriormente condenável, nos aproxima ainda mais de uma heroína diferente de todas as outras. Uma mulher que, para sempre, viveu na sombra da culpa e da dor mortal que não mata, e que nos fará tantas vezes acordar e pensar que, afinal, devemos dar graças e sorrir pela vida que temos.
 

 

"I knew that Christ had turned away from me, and that only a Jesus who no longer care for me could kill those people that I love but leave me alive, with my shame, oh, God, so I kneel down and take that piece of glass and I cut, cut my wrist but I didn't die of course, of course not"

 

9.5/10

 

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