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Deep Focus - Ensaio sobre Fobias no Grande Ecrã

por Catarina d´Oliveira, em 17.12.10

 

Os filmes podem ter um efeito profundo no sentimento de “medo” dos indivíduos. Em alguns casos, podem ser um passo na vitória sobre o medo, noutros podem contribuir para um já existente, e ainda existe aquela raça rara de filmes que, sozinhos, podem criar uma complexa e bem integrada fobia.


A Fobia consiste em reacções de medo persistentes e desproporcionadas em relação a um objecto, lugar, animal ou situação que representa perigo ou ameaça.. Do ponto de vista da psicopatologia, as fobias fazem parte do espectro dos distúrbios de ansiedade com a característica especial de se manifestarem em situações particulares.


Em mais um artigo especial do Close-Up, vamos falar de algumas fobias e da sua presença no cinema.

 

(medo de aranhas)

 

Bem, apesar de o tema principal ser um bando de aranhas assassinas a invadir uma pequena cidade americana, o filme Arachnophobia (1990) tem uma boa dose de gargalhadas que pode anestesiar os efeitos do filme nos mais ferrenhos aracnofóbicos. Além deste exemplar cinematográfico temos ainda Starship Troopers (1997), que envolve uma guerra de humanos contra insectos, Spider (2002), que conta a história de um homem cujo apelido é… spider por ter coleccionado aranhas em pequeno e... bom, se calhar os amigos aracnofóbicos também não nutrem especial afecto por Spider-Man.

 

(medo de bonecos, ventríloquos, estátuas de cera ou criaturas animadas)

 

No fundo, esta fobia representa o medo de coisas que imitem um ser vivo. Esta fobia é mais comum do que muitos pensam havendo, inclusive, muitos filmes a ilustrar a coisa: um dos mais famosos… o nosso amigo Chucky, protagonista do clássico Child’s Play de 1988. A sinopse é simples: um rapazinho recebe o seu boneco de sonho…que vem enfeitiçado por magia negra e é, na verdade, um sedento assassino. Outro caso representativo desta fobia é Dead Silence (2007), a história de ventriloquos vingativos que, depois de verem a sua dona morta, ganham vida e matam famílias numa pacata cidade americana... Este é um daqueles casos que, se não sofrem de automatonofobia, depois de verem estes filmes, não se vão sentir muito à vontade na mesma divisão que um boneco daqueles. (Para que conste…também nunca gostei muito deles… têm um ar assustador).

 


(medo excessivo da água; a selachofobia, no artigo também referida, designa o medo de tubarões)

 

Muitas vezes no cinema, estas duas fobias aparecem de mãos dadas. O terror gerado pelo simples argumento de Open Water de 2003 (dois mergulhadores perdidos no meio do oceano rodeados de tubarões) será um desafio para os hidrofóbicos e selachofóbicos. Outro incontornável? Jaws (1975) – Spielberg pôs os gigantes brancos no mapa, definitivamente. Um facto interessante sobre o filme é que, ainda que incrivelmente credíveis, os tubarões mecânicos apresentaram muitos problemas de funcionamento ao realizador, que em vez de poder ter um slasher com um “vilão” pronto para a carnificina, teve de optar por um estilo de maior suspense e feel hitchcockiano. Se conseguirem resistir até final, deverão emergir mais fortes depois destas aterrorizadoras experiências.

 

(medo de pessoas feias)

 

Yep, existe mesmo. Pelos vistos, existem pessoas com medo da feiura… e estes amigos, deviam ser obrigados a, Alex DeLarge’s Style, ver o clássico de David Lynch, The Elephant Man (1980). O papel emotivo de John Hurt como Joseph Merrick, um rapaz deformado e altamente explorado deveria não só mostrar aos cacofóbicos que a verdadeira beleza está cá dentro, como também fá-los-ia pensar que as pessoas feias pareciam modelos ao pé de Merrick.


(medo incomum de tomar banho)

 

Nesta fobia em particular, acho que todos sabem a que filme me irei referir. Com 50 cortes, 77 ângulos diferentes e 3 minutos de duração, a cena em que uma mulher toma banho relaxadamente e é inesperada e brutalmente assassinada por um homem com uma faca é um clássico do cinema de terror e suspense. Para preservar a história e suspense de Psycho (1960), Hitchcock proibiu os visionamentos de imprensa para os críticos de cinema, bem como as entrevistas sobre o filme e ainda proibiu os membros da audiência de entrarem na sala de cinema depois de o filme ter começado. Tudo isto, só acrescentou antecipação na mente de todos. Durante a famosa cena do duche, diz-se que pessoas no cinema desmaiaram, vomitaram e saíram a correr do cinema. Nunca um ataque tinha sido tornado tão pessoal no ecrã de cinema. Conseguem sentir as fobias do público a borbulhar?

 


(medo de espaços fechados; tafofobia respeita ao medo de ser enterrado vivo)

 

Em Panic Room (2002), Jodie Foster intepretou o papel de uma mãe a tentar proteger a sua filha da sua fobia – calustrofobia. Esta é uma das fobias mais comuns e, consequentemente, as pessoas que a têm não conseguem estar em elevadores ou espaços apertados. Mas a calustrofobia e tafofobia são levadas a um nível superior em Buried (2010), onde Ryan Reynolds interpreta um homem que acorda num caixão enterrado no deserto com apenas um isqueiro, um telemóvel e oxigénio bem limitado. O cenário, que também apareceu algures em Kill Bill Vol.2 deve fazer todos os claustrofóbicos pensar que, afinal, o elevador não é assim tão mau.

 


(medo de dormir)

 

Aqui também acho que estamos em sintonia. Um bom momento ao lado de Freddy Krueger é o bilhete de sonho para qualquer somnifóbico que se preze. A série, ou melhor os primeiros filmes da série, que têm como protagonista o infame assassino que persegue adolescentes durante o sono testará certamente os nervos daqueles que tremem só de pensar em contar carneirinhos. Deve atentar-se que este filme também poderá causar fobia a camisolas com riscas, chapéus velhos, e mãos alternativas ou com unhas grandes.

 

(Continua...)

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1 comentário

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De Frederico Daniel a 18.02.2016 às 18:02

Não achei o "Buried" nada claustrofóbico, nem um pouquinho.
"Enterrado": 2*

Há anos que queria ver "Enterrado" e vi-o recentemente, mas foi uma grande desilusão.
A história de "Buried" é bastante aborrecida, tal como o seu desenrolar.

Cumprimentos, Frederico Daniel...

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