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Deep Focus - Sequelas & Remakes

por Catarina d´Oliveira, em 29.11.10

 

Neste primeiro post, vamos dedicar-nos ao primeiro termo, a sequela. Esta refere-se à forma mais comum de relacionar um filme com outro que já foi realizado e lançado. O novo filme mostra os eventos ocorridos no mesmo universo ficcional da obra anterior sendo que sucede os eventos cronologicamente. Outra forma comum de relacionamento é a prequela, que antecede cronologicamente o filme original.

Quando vemos um bom filme com boas personagens e um bom guião, uma das primeiras coisas que queremos é acompanhá-lo de novo. Ficamos excitados quando ouvimos falar de mais, e, em algumas situações as expectativas são atingidas ou mesmo excedidas… mas às vezes não.

 

Algumas regras para as sequelas
 

Um semi-remake do 1º filme é uma péssima sequela

 

As regras mais óbvias também podem ser, como são de facto, das mais esquecidas. Quantas vezes não estamos a meio de uma “parte 2” e sentimos cá dentro: “eu já vi isto…”. Mas onde? No primeiro filme, é claro! Nada é mais irritante que uma sequel que se alimenta dos melhores momentos do original. Nem vale a pena fazer uma lista com as ofensas a esta regra, porque nunca mais saíamos daqui. Se se copia apenas, não há volta a dar.


Avance-se com a história

 
As conversas sobre as melhores sequelas de todos os tempos são um pouco redundantes. LOtR: The Two Towers, Dark Knight, SW: The Empire Strikes Back ou The Godfather II vêm sempre à baila. E porquê? Porque estas obras que sucedem o original, seguem o mesmo para se moverem para o patamar seguinte. Na verdade, as melhores sequelas acrescentam nuances e temas que fazem os primeiros filmes parecer mais ricos. É uma regra óbvia – as sequelas existem porque nos apaixonamos por determinados filmes e queremos mais deles. O problema é, muitas vezes, a execução ou falta de material consistente.


Manter o elenco

 

É difícil imaginar outro actor a interpretar Indiana Jones, ou a extreminadora de aliens Ripley, ou Jack Sparrow ou mesmo Harry Potter além dos actores originais. Felizmente, esta questão nunca se pôs, porque todos os personagens mencionados viveram sempre na interpretação do mesmo actor. Mas trazer de volta parte ou a totalidade do elenco original é um passo de gigante na manutenção da faísca necessária para que o capítulo seguinte funcione. É verdade que nem sempre resulta e nem sempre é possível (actores podem ter contratos que os impedem de voltar ao papel), mas excluindo o James Bond, o risco de arriscar um cast novo é grande demais para ser corrido.
 

Há actores insubstituíveis


Talvez o mais correcto seja “há personagens insubstituíveis” ou “há químicas insubstituíveis”. Às vezes, por mais que odiemos um actor, é simplesmente impossível esquecer a sua interpretação quando vemos outro “roubar-lhe o lugar”. Por vezes assume-se que, desde que o filme tenha um título reconhecível, qualquer actor poderá ser substituído. Todavia, muitas sequelas falhadas provam o contrário.
Procure-se sempre o melhor caminho
O "Superman" de Christopher Reeves alegrou os fãs mas não os deixou a lamber os dedos. A segunda parte, por outro lado, compensou a natureza mais estagnada do original com explosões de aventura e acção. Outro exemplo mais recente, é o dos filmes de Harry Potter, cujos temas se têm tornado mais adultos rendendo-lhe críticas cada vez mais positivas.Os filmes de Lord of the Rings vão acrescentando elementos de tragédia grega e flexibilidade de géneros que desenvolvem mais profundidade do que um simples segundo capítulo.
Em poucas palavras, alguém descobriu o que desagradava às pessoas ou enfraquecia o material nos primeiros filmes, para que as sequelas corrigissem os seus erros. O resultado? Melhores continuações.

 

Não se deixem descarrilar e manchar o nome de um bom original


Não há discussão sobre como arruinar filmes com sequelas que não mencione duas sequências de “bestial a besta”. O primeiro respeita a um dos melhores filmes de terror do século XX: The Exorcist. Exorcist 2: The Heretic foi lançado quatro anos depois do original e incluiu conversa fiada sobre um demonio africano, um cenário da loja dos 300, assunções falsas e um elenco cuja descrição “pouco inspirado” é muito simpática. Cá pra mim o realizador ou andou metido na bebida ou também foi possuído pelo demónio das sequelas. Outro assassinado é The Blair Witch Project, que se construiu basicamente do hype que teve antes e durante o lançamento, e de toda a história e pseudo-veracidade que se gerou à sua volta. Mas a coisa parecia estar a dar dinheiro, então os espertalhões de Hollywood resolveram tentar a sequela. Parabéns. Conseguiram fazer uma das sequelas mais hediondas e inúteis de todos os tempos.

 

Nunca esquecer quando é a altura de parar


A ganância de alguns produtores sobrepõe-se demasiadas vezes ao seu desejo de produzir uma obra de qualidade. Chocante não é? Basicamente estamos a tirar leite de uma vaca enquanto batemos num ceguinho. É este tipo de pensamento que acompanha os franchises intermináveis que deixam de ter coisas para contar ao segundo ou terceiro filme, mas que de alguma forma arranjaram maneira de chegar à oitava ou nona sequela. Precisávamos mesmo de sete filmes do Saw e da Police Academy? Precisávamos mesmo de assistir à queda no rídiculo de mestres como Freddy Krueger ou Jason?. Substituir o número da sequela por um 3D (veja-se, por exemplo, Saw 3D) também não engana ninguém. Não há nada pior do que ver um grande personagem assassinado pelo cansaço da repetição ou pelo ridículo de já não ter sequer razão de ser…

 

 

Outros apontamentos importantes:

  • Se não estou em erro, aprendemos isto bem cedinho na escola. Todas as histórias têm um princípio, um meio e um fim. Yup… as histórias precisam de finais… convém. E às vezes, os finais deixam as coisas bem explicadas e arrumadas e simplesmente não há razão para se continuar. É apenas isto;
  • Boas sequelas vêm de filmes que deixaram espaço para tal, como Spiderman, onde o vilão foi morto mas Harry Osborn achou a máscara do Green Goblin. O enredo geral ficou resolvido, mas ficaram fios narrativos por resolver se se quiser mesmo partir para a sequela;
  • É claro que também devemos distinguir uma categoria de sequelas para os filmes que não foram feitos para se cingir ao original, como Lord of the Rings, The Matrix ou Harry Potter. E aqui as regras que imperam são simples: as boas sequelas prestam, as más não. The Two Towers e The Return of the King foram brilhantes, mas já os Segundo e terceiro Matrix…;
  • Se a presença do elenco principal pode ser um factor chave de sucesso numa sequela, o elenco secundário funciona ao contrário, podendo beneficiar bastante de sangue novo;
  • Às vezes a simples presença de um realizador novo pode trazer o franchise de volta à vida;
  • Todavia. Há que ter cuidados, porque uma mudança demasiado radical de tom pode não cair nas graças da audiência;
  • As sequelas vivem da sua fama, por isso uma boa aposta nas campanhas é essencial. Um bom exemplo é a mensagem dos teasers de Austin Powers 2: “If you only see one movie this summer… well, see Star Wars. If you see two, then see Austin Powers”;
  • Por outro lado… nada de “He’s back!”, repetição de piadas ou qualquer coisa do género;
  • As sequelas vivem no preconceito: “Hmm o original era bom, mas isto não vai prestar para nada”, e muitos indivíduos nem sequer lhes dão oportunidade.

 

Algumas Boas sequelas

The Dark Knight; Before Sunset; Aliens; Terminator 2: Judgement Day; Superman II; Evil Dead II; Toy Story 2; LotR 2 e 3.

 

Algumas Más sequelas

Legally Blond 2; Highlander II; Grease 2; The Matrix 2 e 3; The Exorcist II; The Blair Witch Project 2; S.Darko

 

*** *** ***

 

Uma sequela é sempre uma nova forma de fazer dinheiro. É a verdade, e não há mal nenhum disso. Porque não haveria de ser assim? E assim a conclusão que retiramos é muito simples.


As boas sequelas não parecem ter sido feitas para gerar mais dinheiro; mas as más sim.

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