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Point-of-View Shot - The Diary of a Teenage Girl (2015)

por Catarina d´Oliveira, em 05.04.16

TheDiary2.jpg

 

"I had sex today... Holy shit"

 

Todos o vimos acontecer antes – ou por outra, tentar acontecer. É que a cena indie está pejada de tiros de pólvora seca quando se carregam os canhões da exploração do despertar sexual feminino. De facto, e apesar de as tentativas não serem propriamente raras, são escassos os exemplos que não se revelam demasiado moles ou genéricos ou por outro lado mal-intencionados na abordagem. Ora não nos parece de todo descabido iniciar esta análse assegurando que o assertivo e vigoroso filme de Marielle Hellner consegue fazer o que tantos outros apenas desejaram.

 

Minnie Goetze tem 15 anos, quer ser desenhadora de comic books e está a crescer no ambiente frenético da São Francisco dos anos 70, em plena ressaca do Flower Power. É uma típica adolescente em quase tudo, exceto no facto de descobrir o sexo com o namorado da sua mãe, com quem acaba por manter uma relação, mesmo depois desta o descobrir... Mas desengane-se quem visualiza Minnie como uma prima não muito afastada de Lolita. Minnie é entusiástica, é louca por sexo e não tem medo de fazer algo relativamente a essa situação, o que se coaduna na perfeição com o sentimento de emancipação e libertação sexual que se faz sentir ao longo de toda a película.

 

diary-of-a-teenage-girl.jpg

 

A base dos trabalhos é o romance homónimo e (semi-)autobiográfico de Phoebe Gloeckner, e ainda que a história de Minnie seja, de um modo geral, bastante previsível, é a abordagem do seu retrato, tão resoluta quanto refrescante, que o diferencia dos demais primos afastados.

 

Seria difícil de prever que uma tão confiante e arrojada produção surgisse das orquestrações de um maduro cineasta, mas a verdade é, de facto, que este é o primeiro filme dirigido por Marielle Heller. A abordagem desta peculiar comédia dramática sobre a nem sempre gloriosa transição entre o início da sexualidade juvenil para a assumida maioridade é absolutamente desarmante, tornando difícil relembrar um outro filme sobre o crescimento/adolescência (ou coming-of-age, à falta de um melhor termo na língua de Camões) tão apostado na manutenção de uma posição livre de julgamentos e críticas aos seus protagonistas.

 

Fundido numa paleta inspirada em polaroides e embebida numa banda-sonora apaixonada pelos anos 70, o filme mantém-se fiel às suas origens da B.D. ao incorporar algumas versões animadas de ilustrações da autora – o dispositivo que já não é novo nas lides indie ganhar aqui uma dimensão especial e intencional ao dar vida às fantasias febris de Minnie que, por sua parte, é também uma aspirante a artista gráfica.

 

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Bel Powley é absolutamente sensacional ao trazer Minnie à vida, numa performance excecionalmente corajosa e modulada. A sua inconstante protagonista é um ponto de desequilíbrio constante, podendo ser amorosa e inocente, para no momento seguinte se revelar quase cruel e manipulativa. É um poço de contradições que caminha entre a infantilidade e a “adultez”, a vulnerabilidade e a emancipação. Ela não é um cliché ou um poster ou uma figura de representação – é o desabrochar de uma jovem mulher disposta a conseguir o que quer, seja isso o que for.

 

Como uma mãe com sérios défices de capacidades maternais, Kristen Wiig vem reiterar o seu incrível talento para as lides dramáticas (que se vêm acrescentar ao seu impecável mas já bem conhecido e glorioso timing cómico). No entanto, o papel mais desafiante do plano secundário é inequivocamente o de Monroe, que se faz acompanhar do símbolo universal de tendências sexuais duvidosas: um bigodinho isolado. Correndo sempre o risco de caminhar perto demais de uma caracterização reles e tirana, nunca é vilanizado pelo argumento ou pela fantástica performance de Alexander Skarsgård, que apesar de lidar com o “boneco” mais difícil de criar empatia, consegue desenvolve-lo como alguém surpreendentemente amável para Minnie e Charlotte.

 

Globalmente, há níveis do questionável comportamento de Minnie que não são tão óbvios construtores da persona de uma mulher adulta e confiante, mas The Diary of a Teenage Girl é um inequívoco hino à emancipação feminina e à valerosa mensagem de necessidade de autoestima.

 

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Moralmente complexo e por vezes desconfortavelmente próximo de verdades desassossegadas, o filme de Hellner mantém uma honestidade fascinante, dura e frustrante – um espelho da própria adolescência. Aqui temos uma janela sem filtros do universo de sexualidade, manipulação e exposição franca de Minnie sobre a necessidade de ser desejada, amada e abraçada.

 

“Isto é para todas as raparigas quando tiverem crescido”, partilha Minnie com o seu fiel gravador de cassetes. Não sendo necessariamente um crowd pleaser no seu sentido mais tradicional, The Diary of a Teenage Girl tem toda a frescura, determinação e desembaraço para se tornar um marco nesse célebre sub-género de culto que são os filmes de crescimento.

 

E o tempo não deverá tardar a validar esta previsão.

 

 

8.0/10

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Point-of-View Shot - Trumbo (2015)

por Catarina d´Oliveira, em 23.02.16

TRUMBO-DEST.jpg

 

"What the imagination can't conjure, reality delivers with a shrug"

 

Se há coisa que não falta a Trumbo é um conjunto de intrigantes razões que edificaram a vontade que há muito trazíamos de lhe explorar os segredos.

 

A primeira é, por ventura, a mais óbvia: Bryan Cranston. Isto porque, apesar de já não ser uma cara nova nas lides de Hollywood, as performances que mais o marcaram no grande ecrã foram sobretudo secundárias. De O Resgate do Soldado Ryan, a Drive, passando por Argo, Contagion, e muitos outros, fica a sensação que Cranston não teve até aqui a oportunidade de explorar as suas máximas potencialidades dramáticas em Cinema, e talvez tenha sido o Walter White de Breaking Bad a ajudar a quebrar o enguiço.

 

Prosseguimos com o realizador Jay Roach que aqui embarca na sua primeira aventura dramática. Até aqui, a sua experiência ia pouco além das comédias de cariz físico e palerma de Austin Powers e a sátira familiar de Uns Sogros do Pior.

 

trumbo.png

 

Por fim, o elemento mais curioso, que é tão somente o objeto em observação macroscópica: Dalton Trumbo, um histórico argumentista da Era de Ouro de Hollywood, celebrado pelo engenho nas palavras, renegado pelas suas opções políticas – e enquanto é possível que o seu nome pouco dissesse a ouvidos destreinados, as suas obras deixam-se falar por si: Roman Holiday(1953), The Brave One (1956),  Spartacus (1960), Exodus (1960).

 

Estavamos oficialmente interessados, mas estaria Trumbo à altura das modestas mas sólidas expectativas que criamos?

 

O enredo ambienta-se, na sua maioria, aos anos 40, e temos encontro marcado com a carreira de sucesso do argumentista Dalton Trumbo. No entanto, e ao espelho do que ainda hoje acontece na indústria das montanhas-russas do sucesso e dos 15 minutos de fama, o seu estatuto de génio inabalável é fortemente bombardeado quando ele e outras figuras de Hollywood entram na lista negra pelas suas convicções políticas. Trumbo, que sempre se recusou a fazer segredo da sua posição política e social, juntamente com muitos dos seus pares, tornou-se assim vítimas da histeria do anti-Comunismo que reinou na América do pós-guerra, chegando, inclusive, a ser sentenciado a uma pena na prisão por desacato. A infame lista negra de “perigosos radicais” que viam o seu caminho interdito aos grandes estúdios não parou de inchar durante vários anos. Esta é, portanto, a história da sua luta contra o governo norte-americano e os patrões dos Estúdios, numa guerra pelas palavras e a liberdade, que envolveu todos em Hollywood, desde Hedda Hopper e John Wayne, até Kirk Douglas e Otto Preminger.

 

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Se isto vos parece a receita perfeita para um testemunho maçudo incognoscível sobre oposições ideológicas e políticas, podem ficar descansados: não é preciso estudar a vida de Dalton Trumbo antes do filme, e muito menos os princípios do Comunismo – desde que não esperem entender as suas raízes meramente a partir deste objeto cinematográfico.

 

De facto, Jay Roach inspira-se nas suas raízes humorísticas para conferir alguma leveza a um dos períodos mais negros na liberdade criativa e de expressão em Hollywood, transformando Trumbo numa fatia leve e informativa de uma das muitas e variadas eras da injustiça na indústria – um tema sempre atual, como podemos observar, num outro prisma, nas recentes movimentações contra a falta de diversidade na representação de papéis nas grandes produções de Hollywood. O argumento de John McNamara é também neste sentido arejado e relativamente capaz de condensar um conjunto de eventos complexos em duas horas de entretenimento acessível e informativo.

 

trumbo-3.png

 

Mas o maior problema de Trumbo surge justamente da batalha entre a informação que entretém e o retrato de uma Era verdadeiramente negra para o Cinema. Na verdade, a necessidade de entrecortar constantemente momentos de drama e seriedade com pedaços de comédia em forma de algodão doce é que se perde na tradução o tema muito, muito assustador que se pretende cobrir. E esta falta de alma e de predisposição a abraçar a seriedade sem medo de aborrecer o público não é ajudada pelo facto de o protagonista parecer repetidamente capaz de resolver todo e qualquer problema que lhe surja no caminho, qual super-herói do universo Marvel.

 

No elenco, o líder dos “Vingadores das palavras” é Bryan Cranston, que captura toda a nuance gentleman que envolvia Trumbo, bem como a sua inesgotável fonte de espirituosa produção de palavras – ditas e escritas. Do mesmo lado da barricada, vale ainda a pena destacar os complacentes companheiros de batalha, particularmente a figura compassiva e contrastante de Louis C.K., e ainda o gigantesco comic relief patrocinado por John Goodman como o irreverente Frank King, chefe de armas do estúdio de série B (ou Z?) King Brothers Productions.

 

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Do outro lado do campo de batalha jaz um dos maiores problemas de Trumbo: os vilões, pouco interessantes e dolorosamente unidimensionais. De facto, numa passagem tardia do filme, Trumbo sugere que não procuremos por heróis ou vilões no meio do que aconteceu, mas apenas vítimas. Não deixa de ser curioso que o próprio filme que relata tais ideais seja pouco capaz de os transferir para a película – ainda que encontre um certo grau de redenção para pelo menos um dos seus personagens mais moralmente questionáveis.

 

Resumindo e concluindo, o filme de Jay Roach é um exercício irregular de entretenimento que se quer relativamente informativo, mas não demasiadamente dramático. E é nesse equilíbrio desequilibrado que aniquila as suas próprias possibilidades de se tornar um filme excecional e importante: porque afinal de contas, apesar de representar uma luta ganha, Trumbo é um triunfo relativamente modesto – sólido e satisfatório, mas sem alma ou ambição que verdadeiramente merecia.

 

 

7.0/10

 

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Point-of-View Shot - The Revenant (2015)

por Catarina d´Oliveira, em 21.02.16

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"I ain't afraid to die anymore. I'd done it already"

 

 

Um poema frenético cravado a frio na pele ensanguentada, The Revenant revisita o mito americano com a crueza que mais com ele condiz – venal, bruta e vingativa.

 

Numa expedição pelo desconhecido território americano, o lendário explorador Hugh Glass é brutalmente atacado por um urso e deixado como morto pelos seus companheiros de caça. Na luta pela sobrevivência, Glass resiste a um sofrimento inimaginável, bem como à traição de John Fitzgerald, um dos seus companheiros de expedição. Guiado pela sede de vingança e o amor da sua família, Glass terá de enfrentar um inverno rigoroso numa busca incessante pela sobrevivência e redenção.

 

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De Leonardo DiCaprio já se disse tudo o que virtualmente se poderia dizer de um ator absolutamente dedicado à sua arte. Depois de anos a fio a usar memes e engenhos humorísticos para gozar o facto de nunca ter levado um Óscar para casa – não obstante as vezes que o mereceu – será, certamente, este o ano que lhe quebra o enguiço. E apesar de ser uma performance profundamente instintiva, fisicamente complexa e matizada e extremamente impressionante, é difícil encaixá-la sequer no top 3 do cânone do ator, o que não deixa de parecer mais uma curiosa confirmação da célebre asserção de Katharine Hepburn sobre as estatuetas douradas: “os atores certos ganham sempre o Óscar, mas pelos papéis errados”.

 

Tanto ou mais surpreendente é Tom Hardy que aparece fiel à forma que lhe conhecemos – o que significa 100% carismático e 50% ininteligível no discurso. Fitzgerald não é um personagem propriamente complexo, aparecendo como um vilão ligeiramente cartoonizado, cujo momento mais humano surge quando descreve pormenorizadamente o que sentiu quando lhe arrancavam o escalpe a sangue frio. Fun!

 

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Mas voltando às considerações gerais, o novo filme de Alejandro G. Iñárritu ambienta-se a um vértice fascinante da ainda breve história americana, mesmo antes de os caminhos serem trilhados, de os cowboys serem intitulados, de os homens armados de emblemas e fogos abrirem caminho pelo Oeste. É quase um cenário Bíblico, num mundo aparentemente sem lei onde a justiça se faz “olho por olho, dente por dente”. Aqui a única lei que impera é a da vingança em bruto, a única que importava naquele momento singular da história, aquele momento que se propaga numa saga de dor e determinação.

 

The Revenant é, assim e sem qualquer margem para fantasias, um violento western que só parece passado num cenário nevoso para expor ainda mais o sangue, suor e membros decepados. Iñárritu maravilha-se com a virgindade da terra, contraposta com a malevolência humana – a simples selvajaria inocente de tudo, desde as árvores sem fim, aos prados cobertos de branco, aos rios enraivecidos. Digamos que, em diversas formas e medidas, é, para o bem e para o mal (já lá iremos) o Gravity dos westerns - visceral e de tal forma eletrizante que transcende a própria narrativa.

 

O pano abre numa espécie de floresta alagada e húmida, de aspeto pouco convidativo, atolada de homens que trocaram qualquer noção de conforto pela possibilidade de fazer algum dinheiro extra no mercado das peles. Enquanto o gangue discute (pouco) alegremente assuntos mundanos, as setas começam a voar, e porque Iñárritu filma tudo com uma misteriosa obsessão pelo natural, é quase possível sentir a roupa pejada de lama, a água a consumir-nos os ossos, o sabor metálico do sangue a inundar-nos a boca. Toda a cena é filmada ao estilo de Birdman, o que significa que navegamos etereamente pelo caos, saltitando de personagem em personagem, enquanto estes rijos do Oeste tentam escapar vivos à fúria dos Índios que apenas procuram recuperar uma “princesa” desaparecida. E esta cena é apenas uma miniatura de tudo o resto.

 

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É uma espécie de paradoxo – aparentemente desnecessariamente cruel, mas é essa mesma dimensão ríspida que mantém a noção de que o Velho Oeste Selvagem era, de facto, desnecessariamente cruel. É certo que quase parece retirar um prazer retorcido da sua própria sanguinolência, num niilismo resvalado numa escuridão que ilustra sem espinhas que a selvajaria do Oeste selvagem não significava propósito, ou independência, ou liberdade. Aqui o selvagem era genuinamente bruto, desumanamente natural e inescapavelmente imperdoável.

 

The Revenant é visceralmente diferenciado de Birdman, mas também dos enredos entreligados dos anteriores filmes de Iñárritu (onde se contam, por exemplo, 21 Grams e Babel). Desta feita a história é extraordinariamente simples, inclusive a um ponto prejudicialmente detrimental. De facto, a ambição filosófica e moral é tão exacerbada que no momento em que chegamos à ansiada represália, depois de tanta dor, morte, planos da natureza e minutos inexplicavelmente queimados, é muito difícil não a sentir como uma relativa desilusão.

 

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Na verdade, o que fez Birdman funcionar tão bem foi o harmonioso casamento entre o virtuoso estilo do realizador e o estado caótico da psique das suas personagens. Todo o pandemónio miraculosamente organizado trabalhava em prol da história de um homem que, procurando reencontrar-se consigo mesmo, se perdia ainda mais. Em The Revenant, o estilo e a história não só não parecem estar na mesma página – parecem arrancados de livros diferentes. O investimento feito em encantar os nossos olhos através de cenas que são manifestamente indeléveis (Emmanuel Lubezki destaca-se uma vez mais como um dos mais talentosos e disruptivos diretores de fotografia dos nossos tempos), o mais recente filme de Iñárritu não consegue deixar de se sentir frustrantemente frio, incapaz de nos assoberbar o coração como nos revira as entranhas.

 

Feitas as contas, The Revenant parece mais uma experiência do que um filme propriamente completo e totalmente coerente. Todavia, esse tipo de cinema, esse raro tipo de cinema que nos transporta inesperada e inescapavelmente para um outro tempo e espaço, ao ponto de lhe cheirarmos os odores, de lhe sentirmos os chãos, de lhe sofremos as dores, é sempre bem-vindo.

 

 

7.5/10

 

 

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Point-of-View Shot - Spotlight (2015)

por Catarina d´Oliveira, em 10.02.16

 

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"I'm not crazy, they control everything"

 

Há vários tipos de filmes no mundo, mas apenas alguns deles têm o potencial de nos inspirar (nem que momentaneamente) a mudar de carreira.

 

Rocky fez-nos querer acordar cedo, tomar suplementação e treinar incansavelmente. Braveheart fez-nos querer pintar a cara e lutar pela liberdade com um kilt. Gandhi fez-nos querer ser melhores humanos. Que diabo, Forrest Gump fez-nos querer correr como se não houvesse amanhã!

 

Depois há Spotlight... o filme que nos impele a procurar temas fraturantes e esmiuçá-los até não sobrar nada mais que osso e uma revelação essencial.

 

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E se nos permitem o auxílio de uma útil analogia, o filme de Tom McCarthy é como uma boa banda de cera: uma vez colocada, já não há volta a dar, só resta arrancar. Ambientado ao estado de coisas em 2001, a película baseia-se em factos verídicos e segue a tenaz equipa de repórteres de investigação do Boston Globe. Liderada pelo respeitado mas rebelde Robby, a equipa conhecida por Spotlight trabalha afincadamente para investigar alegações de abuso no seio da Igreja Católica, mas nada os podia preparar para o alcance catastrófico do escândalo ou o quão longe vai a praga de fraude e apatia.

 

Cinematograficamente falando, o conceito de recontar a história de Spotlight tinha tudo para correr horrivelmente mal, mas sob a alçada da mestria de McCarthy, tudo se conjuga com a mais refinada precisão. Honestamente falando, Spotlight é um dos melhores dramas sobre jornalismo de investigação da história do Cinema, equilibrando-se nas alturas com as icónicas presenças de gigantes como All the President's Men ou The Insider.

 

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Equilibrado e astucioso, Spotlight é especialmente exímio na exploração da “área-cinzenta”. Se por um lado os vilões não podem exatamente ser considerados exclusivamente vis, também os heróis não são retratados como tal, estando inclusivamente abertos a um retrato que não persiste sem uma parte de mácula. “Se é preciso uma vila para criar uma criança, é preciso uma vila para abusar de uma”, diz, a certa altura, um dos personagens. E no filme de Tom McCathy ninguém sai incólume.

 

O elenco é formidável, de uma ponta à outra, e grande parte da razão para o sucesso da película. É que este trata-se de um puro exercício de “esforço de equipa”, onde cada ator trabalha com a inteligência da subtileza para não roubar qualquer foco ou importância ao poder do material-base, e no entanto, toda e qualquer performance é crucial para o sucesso do conjunto.

 

O sentido de gestão e contenção é transportado para o fantástico argumento, um musculado exercício em economia – cada palavra importa e cada cena existe com um propósito: o de levar a investigação mais longe. Adicionalmente, não há atalhos desnecessários para a vida pessoal de qualquer um dos jornalistas, o que nos obrigaria ou a requerer um ponto-de-vista único e profundo ou a solicitar a amalgama dos pontos-de-vista de todo o elenco. Ambas revelar-se-iam tarefas incompletas ou virtualmente impossíveis. E McCharthy e Josh Singer escolheram a premissa do distanciamento, dando-nos a conhecer apenas o estritamente necessário sobre cada um dos jornalistas e deixando que o seu trabalho defina o resto da sua figura cinematográfica.

 

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Por outro lado, os sobreviventes não são vítimas – uma diferença crucial estabelecida pelo filme – e o argumento dá um honroso espaço às suas desoladoras histórias e experiências que, emergindo de uma catarata de vergonha, medo e lágrimas, nunca são reduzidas a meros adereços para chegar a um determinado fim.

 

McCarthy orquestra a investigação procedural com precisão cirúrgica, aplicando uma noção de ritmo inacreditável para um filme que contem cenas que se estendem por minutos e que versam sobre esse “lírico” tema que é o obstáculo da burocracia para aceder documentos selados pela justiça mas abertos para consulta pública. E, como que por magia, essas são genuinamente entusiasmantes.

 

Mas o sabor que fica na boca depois de um autêntico showcase de exímia subtileza e contenção estilística não deixa de ser angustiante, como se cinzas se desfizessem na boca. Porque é impossível afirmar com franqueza de um espírito puro que se gostou do filme de McCarthy.

 

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O derradeiro e mais violento soco no estômago chega no final. Spotlight não é um filme para se gostar. É um filme para enraivecer, para gritar. Para acordar e magoar. E como a respetiva reportagem que o inspirou e que não podemos esquecer, é um filme para nos mudar.

 

Tenso, meticuloso e pernicioso, Spotlight é a narração essencial de um escândalo contemporâneo.

 

 

8.5/10

 

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Point-of-View Shot - What We Do in the Shadows (2014)

por Catarina d´Oliveira, em 25.10.15

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"Deacon: I think we drink virgin blood because it sounds cool.

Vladislav: I think of it like this. If you are going to eat a sandwich, you would just enjoy it more if you knew no one had fucked it."

 

 

Façamos um pequeno exercício de projeção: somos todos vampiros. À parte de toda a espetacularidade aparente de sermos, potencialmente, um ser mitológico sensualão, que tipo de dificuldades poderíamos encontrar no mais mundano dos dias?

Afinal não poderíamos confraternizar socialmente no exterior à luz do Sol; nem organizar devidamente uma indumentária catita para uma noite fulgurante de copos (de sangue) porque não conseguimos ver-nos ao espelho; nem entrar num clube badalado se não nos convidarem; nem suportar que o nosso colega de casa se recuse a limpar a badalhoquice que orquestrou quando matou alguém na noite passada.

Resumindo e concluindo, não seria fácil, mas o que é fácil é imaginar agora como esta série de situações poderia gerar comédia do mais alto gabarito. Foi essa a ideia vencedora de Jemaine Clement e Taika Waititi.

 

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Em Wellington, uma curiosa e corajosa equipa de filmagens mune-se de crucifixos e dentes de alho para tentar filmar um documentário numa casa partilhada por quatro vampiros. Começamos por conhecer o líder assumido Viago, uma figura que se orgulha do aspeto janota e que se queixa recorrentemente dos colegas de casa por se escaparem às tarefas domésticas. Segue-se Vladislav, um macho latino do lado negro, aborrecido por ter perdido o poder que detinha há 800 anos. Deacon é o bad-boy do grupo, sempre descontente e em desacordo com as imensas regras impostas por Viago. Por fim temos Petyr, que do alto dos seus 8000 anos de vida e uma tez que certamente já viu melhores dias, prefere manter-se recluso na cave da casa, longe da convivência com os outros. No entanto, quando os vampiros conhecem os humanos Nick e Stu começa a verdadeira viagem de traços hilariantes à medida que os mortos tentam compreender mais da sociedade atual.

Fazendo pelos vampiros o que “This is Spinal Tap” fez pelas bandas de Rock, “What We Do in the Shadows” é, na sua génese, uma comédia sobre a dificuldade de ser (MUITO) diferente.

 

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Depois de explorarem o conceito do que seria a vida de vampiro no quotidiano atual na curta-metragem “What We Do In the Shadows: Interviews with some Vampires” (2005), Taika Waititi e Jemaine Clement decidiram aproveitar a mesma ideia para concretizar, nove anos depois, a respetiva longa-metragem.

É verdade que, a certa altura, parece tornar-se longo demais para o seu próprio bem, um problema comum no sub-género do “mockumentary”, especialmente quando se tenta criar uma história a partir de 120 horas de improviso louco – pois foi assim que se edificou, efetivamente, esta comédia que demorou aos realizadores um ano a editar. Mas este é um género incrivelmente limitado, e Wititi e Clement demonstram um engenho particularmente notável a domar a besta.

O argumento navega de forma dinâmica por todos os elementos para encontrar o humor na forma como os personagens se relacionam entre si – mas a genialidade do mesmo encontra-se na exploração das inseguranças de cada personagem que acaba por torna-los tão… humanos. São assassinos imortais que, no fundo, têm os mesmos desejos e os mesmos medos que o comum dos mortais.

Outra das jogadas de mestre da produção foi associar cada um dos protagonistas a diversos ícones mitológicos que já passaram pelo grande ecrã ao longo dos anos. Viago representa claramente a era vitoriana de “Interview with the Vampire” (1994), Vladislav mantém o sex-appeal europeu de “Dracula” (1992), Deacon parece inspirado na natureza malandra de “The Lost Boys” (1987) e por fim, Petyr partilha claras semelhanças com o ícone “Nosferatu” (1922).

 

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Waititi e Clement criaram não só uma das melhores comédias dos últimos anos como uma fantástica adição ao cânone do Cinema sobre Vampiros. “What We Do in the Shadows” é um filme que grita por visionamentos repetidos, alimentados por um diálogo pejado de citações de platina, de gags que possivelmente se tornarão objetos de culto e de piadas secundárias que certamente perdemos quando estávamos a rir à gargalhada da primeira vez.

E é esta natureza da possibilidade de repetição que separa uma grande comédia de uma comédia mediana ou medíocre. É isto que separa “Ghostbusters”, “This is Spinal Tap” e “Monty Python and the Holy Grail” dos restantes. E é com alguma segurança que dizemos que, a partir de hoje, “What We Do in the Shadows” faz também parte desse restrito grupo imortal.

 

 

8.5/10

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Point-of-View Shot - The Martian (2015)

por Catarina d´Oliveira, em 07.10.15

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LOG ENTRY: 28 SETEMBRO, 2015

User ID: catarina_doliveira

Host Name: close-up-blog

Host address: http://close-up.com.pt/

Message Type: pré-descrição-antestreia.txt

Message Level: 1

 

 

Message Text:

Saímos de casa pelas 20h, com aquele atraso que já nos é característico. Sempre fomos conhecidos, com alguma graça, como “a família que come muito depressa”, pelo que chegar a horas à sessão de antestreia de “The Martian” não me parecia, sequer, um desafio.

 

Não o foi.

 

Entramos na sala e sentamo-nos na fila encostada à esquerda, mesmo perto das escadas - uma escolha infortuna para quem teve de levar com um grupo de estafermos juvenis demasiado entusiasmados com uma simples ida ao cinema. Há piadas repetidas atá à exaustão. Há conversa de café durante todos os trailers, mas ao volume que tentaríamos falar numa discoteca. Há, inclusive, uma das criaturas que se sente particularmente pasmada porque está a experienciar pela primeira vez a tecnologia 3D, e expressa-se perante tal alegria com muita desenvoltura. Provavelmente, haverá ainda um soco na boca de alguém se isto não acalma.

 

Esperam-nos duas horas potencialmente interessantes e, provavelmente, muito irritantes.

 

 

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LOG ENTRY: 29 SETEMBRO, 2015

User ID: catarina_doliveira

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Message Type: pós-descrição-antestreia.txt

Message Level: 2

 

 

Message Text:

 

Há boas e más notícias – a má é que aqueles intervalos continuam a ser estupidamente anti climáticos. A boa é que, de facto, durante o filme, a pitalhada tomou um calmante e manteve-se controlada.

 

Ah, mas afinal há também uma ótima: “The Martian” é tremendo a vários níveis. A crítica faço-a nos próximos dias, porque hoje ainda tenho trabalho, um curso para me inscrever, uma visita familiar para fazer e um jantar fictício para pôr ao lume.

 

 

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LOG ENTRY: 30 SETEMBRO, 2015

User ID: catarina_doliveira

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Message Type: sinopse-apresentação.txt

Message Level: 3

 

 

Message Text:

 

Durante uma missão tripulada a Marte, o Astronauta Mark Watney é dado como morto após uma tempestade e deixado para trás pela sua tripulação. Mas Watney sobreviveu e encontra-se preso e só num planeta hostil. Com escassos mantimentos, ele terá que contar com a sua criatividade, inteligência e espírito de sobrevivência para encontrar uma maneira de enviar para a Terra um sinal de que está vivo. A milhões de quilómetros de distância, a NASA e uma equipa de cientistas internacionais trabalham incansavelmente para salvar o astronauta. O mundo une-se por uma causa – trazer Watney de volta.

 

Baseado no romance de Andy Weir – que por si só embarcou numa jornada galáctica desde a publicação gratuita e integral online, para o download via Kindle, para um bestseller internacional que gritava por uma adaptação a pontos de se ouvir no espaço – “The Martian” é uma mistura ajuizada do técnico e do pessoal, das viagens exteriores e interiores, e do trabalho de equipa e a glória individual.

 

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LOG ENTRY: 1 OUTUBRO, 2015

User ID: catarina_doliveira

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Message Type: contextualização-temas-observações.txt

Message Level: 4

 

 

Message Text:

 

É a terceira aventura espacial consecutiva a cair-nos ao colo juntamente com as folhas amareladas pelo outono. Sem a ambição técnica de “Gravity” ou a aspiração transcendente de “Interstellar”, é um esforço mais terreno e alicerçado na nossa realidade, e talvez por isso mesmo, ligeiramente menos espetacular mas mais relacional - o épico de Ridley Scott não tropeça na zanga com o incontrolável ou na introspeção perante o fim. “The Martian” é, antes, um objeto de intervenção e uma celebração da ingenuidade humana que só é equiparada pela sua resoluta vontade de sobreviver.

 

À semelhança de “Apollo 13”, pode ser considerado como um crowd-pleaser sem que essa categorização seja pejorativa. Foi cuidadosamente desenhado para nos transportar para um local que temos dificuldade em imaginar, mas que ainda assim é próximo o suficiente para que nos consigamos relacionar com ele. É maior do que nós, mas não demasiado distante. Não é demasiado complexo, mas lida com temas intrincados com discernimento suficiente para reconhecer a inteligência devida da audiência, que deve, por si mesma, deduzir algumas das eventualidades. No final, reclamamos a recompensa.

 

No livro, Weir baseou-se na construção de cenários plausíveis de um ambiente hostil para a aplicação do engenho de Watney e o desenvolvimento das consequências dos seus atos e o filme deixa-se transportar por essa aderência escrupulosa à ciência. As técnicas de storytelling utilizadas são largamente bem-sucedidas, repescando alguns dos sucessos do seu parente literário – como as log entries levadas a cabo por Mark, com meia razão para quem as descobrir um dia, e meia razão para não enlouquecer – ainda que se torne rapidamente aborrecido colocar personagens a ler em voz alta as mensagens que escrevem.

 

Completamente livre de enredos secundários de artifício – estabelecendo o foco geral na perspetiva de salvamento de Mark, quer em Marte, quer no espaço, quer na Terra – Drew Goddard instituiu um argumento musculado e sem gorduras adicionais, o que funciona simultaneamente como uma das suas maiores virtudes e uma das suas mais problemáticas vertentes.

 

Já percebemos qual o ponto de vista positivo desta escolha criativa – o foco absoluto e total em Watney, sem distrações – mas o potencial negativo de tal predileção é igualmente óbvio. A partir de certa altura, torna-se óbvio que não estamos a observar um homem a lutar contra o impossível mas a desafiar as probabilidades – uma diferença subtil, mas crucial já que impede que “The Martian” instile totalmente o sentido de urgência emocional que pretende. Este é um problema que se reflete também nas personagens, particularmente em Watney, que raramente vemos cair na fragilidade humana, ou sofrer da isolação prolongada ou da frustração da tentativa-erro.

 

Mas este afastamento do sentimentalismo é uma das marcas de Ridley Scott, e se é para o fazer, mais vale embarcar com um mestre. Porque da mesma forma que não o usa para nos manipular emocionalmente, também não cede à necessidade de o trazer à tona quando é conveniente à história – algo que os primos “Gravidade” e “Interstellar” fizeram sem grandes cerimónias. Não há reflexões teológicas, ou pressões psicológicas com familiares amados à distância (não ao ponto de dominar o enredo), ou afirmações espirituais. Em vez disso, estamos perante um tributo ao poder da ciência e do espírito humano.

 

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LOG ENTRY: 2 OUTUBRO, 2015

User ID: catarina_doliveira

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Message Type: elenco.txt

Message Level: 5

 

 

Como o “homem que dirige o espetáculo”, Matt Damon dá-nos a sua melhor e mais modulada performance dos últimos anos – cuidadoso para não tornar Watney num cérebro arrogante e inatingível e prudente na representação da fragilidade emocional da sua situação.

 

O superelenco secundário assume equivalência futebolística com um Barcelona ou um Real Madrid - Jessica Chastain, Chiwetel Ejiofor, Jeff Daniels, Sean Bean, Michael Peña, Donald Glover e Kristen Wiig – sendo incapaz de oferecer uma única performance preguiçosa. Todos são largamente unidimensionais e pouco desenvolvidos, mas em casos raros em que tudo o resto é tão bem-feito e focado, torna-se uma virtude. Não se perde tempo em flashbacks, histórias de vida ou temas arrastados. A contenção também é uma arte – onde um dos melhores exemplos aflora quando uma das cenas mais poderosas é um momento silencioso de devastação quando Watney descobre as suas batatas destruídas.

 

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LOG ENTRY: 3 OUTUBRO, 2015

User ID: catarina_doliveira

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Message Type: considerações-finais.txt

Message Level: 5

 

Message Text:

No meio da ode à desenvoltura humana e do exercício extremo à capacidade de resolver problemas, no final de contas, tudo depende da intensidade com que torcemos por Watney e, sobretudo, da medida em que acreditamos nele e no significado da sua história.

 

Por mais parolo e utópico que possa soar, “The Martian” traz perspetiva: de considerar as possibilidades infinitas do espaço, e os alcances desconhecidos do desbravamento científico, e a necessidade de perseverança perante um cenário de aparente total negatividade e a força motriz de uma causa que nos mova coletivamente numa mesma direção. Por uma vez não ficamos à espera de sequelas, ou videojogos, ou merchandising barato, mas de oportunidades de evoluir, e prosperar, e ir mais além

[……………………CRITICAL ERROR…………………..]

 

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[NEW ENTRY - TRAVEL LOG]

 

CCU - Daqui fala o Controlo de Críticas do Close-Up, Houston.

 

Houston – Comunique.

 

CCU - Estamos neste momento e finalmente a levar a cabo o arranque do Planeta Vermelho e confirmamos que o novo filme de Ridley Scott é, de facto, entretenimento pipoca ainda que do mais alto calibre, como tínhamos antecipado no relatório preliminar.

 

Houston – OK. Preparamo-nos para o lançar na rota mainstream, órbita blockbuster do Planeta Terra.

 

CCU – Afirmativo. No entanto, reforçamos que representa também um farol de oportunidade. De propiciar soluções, de instigar discussões, de inspirar gerações. A escolha passa por debater as suas faltas e diminuir os seus feitos ou… abraçar o seu apelo universal e utilizar a sua ficção para inspirar a potencialidade da realidade de uma raça que deve manter-se humilde e unida mas orgulhosa na sua ambição. Pode parecer inocente, mas vamos apostar segunda opção.

 

Houston – Recebido e confirmado. Posicioná-lo-emos no quadrante de potencial inspirador.

 

CCU – Afirmativo. Houston, we (might) have a miracle.

 

 

[END OF TAPE]

 

 

8.5/10

 

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Point-of-View Shot - Everest (2015)

por Catarina d´Oliveira, em 29.09.15

 

 

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"Something beyond the power of words to describe"

 

 

Everest” é, no fundo, como o verdadeiro Evereste: grande, impressionante, aterrador, mas sobretudo impiedoso – para as personagens e para a audiência.

 

Baseado numa expedição verdadeira que teve lugar em 1996, o épico de Baltasar Kormakur documenta a jornada de diferentes grupos turísticos que pretendem chegar ao afamado ponto mais alto do planeta. Simultaneamente, passa a primeira hora a justificar porque é que esta é a aventura de uma vida e a segunda hora a discorrer razões pelas quais é melhor ideia ficar em casa a jogar solitário debaixo de uma mantinha de lã.

 

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Factual e tecnicamente preciso, é uma aventura cinematográfica “à antiga”, muitíssimo ajudada por uma tecnologia estado de arte (e em estado de graça). A fotografia é de cortar a respiração – experimentem só espreitar os Himalaias em glorioso IMAX - ainda que se perca, mais no final, entre elementos que não conseguimos totalmente discernir.

 

A construção da tensão é pausada, mas segura e por isso mesmo muitíssimo bem-sucedida. O primeiro ato é especialmente bem edificado, estendendo-se o tabuleiro, alinhando-se os jogadores e esclarecendo as regras do jogo – é aqui que sabemos quem é quem, o que faz e qual o plano para a escalada.

 

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No segundo ato, o caos instala-se – na ação e no ecrã. No meio de tempestades e histórias cruzadas, existe por vezes a dificuldade em discernir personagens ou posições, mas sobretudo sente-se a incerteza de uma base imaginária – enquanto os sobreviventes conseguiram fazer relatos ricos e detalhados sobre os pormenores até à escalada e descida finais, existem logicamente passagens das quais não há registo, ficando à mercê da ficção criada pelos argumentistas. E aqui, pela fenda de uma porta mal fechada, entra como se de uma corrente de ar fria se tratasse algum melodrama que até ao momento tinha estado (e bem) ausente.

 

Kormakur leva o tempo que precisa para deixar assentar a tragédia e o caos. A abordagem aos acontecimentos é a de um slow-burner, o que faz com que só nos demos conta da precariedade da situação quando já não há volta a dar. Basicamente, tudo se transforma numa orgia de sofrimento em 3D que se sente mais nas entranhas do que na alma.

 

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É que, como é recorrentemente o caso em Hollywood, a magnitude da produção engole o seu próprio coração. Infelizmente, quase tudo o que não é puramente técnico resulta mal ou apenas bem o suficiente para não ser totalmente destrutivo.

 

Com um elenco tão vasto e vistoso, apenas duas ou três performances conseguem destacar-se – particularmente Josh Brolin e John Hawkes – o que é um problema quando o rol de mortes se começa a evidenciar um curioso e desumanizante exemplo vivo de “Quem é Quem”. Quanto à quata feminina– constituída pelo talento de Robin Wright, Keira Knightley e Emily Watson – fica renegada à eterna expressão de preocupação no rosto enquanto esperam por notícias cada vez mais terríveis ao lado de um telefone.

 

A boa notícia é que é intenso e aterrador o suficiente para congelar e entorpecer o corpo todo. A má notícia é que não é quente o suficiente para aquecer o coração - é melhor trazer um agasalho.

 

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Há, algures, um “Everest” mais humano, onde os personagens são explorados de forma justa para a audiência e, no fundo, humanizados. Há, algures, um “Everest” mais ambíguo, onde não temos de caminhar de mão dada enquanto nos explicitam exaustivamente motivos nobres para atos maiores que a vida. Há, algures, um ”Everest” mais controverso, onde se coloca o dedo na ferida no que respeita a negócios construídos sob bases frágeis, que examinam expedições onde os líderes não, são, na mais pura das verdades, profissionais. Há, algures, um “Everest” melhor.

 

No formato em que existe, “Everest” é um épico de aventura competente, mas não esmagador. Afinal, e tal como alguns dos seus protagonistas, acaba por não atingir o pico.

 

 

6.5/10

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Point-of-View Shot - Irrational Man (2015)

por Catarina d´Oliveira, em 21.09.15

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"Anxiety is the dizziness of freedom"

 

Para que não haja margem para dúvidas: Woody Allen é um dos cineastas mais prolíferos, peculiares e talentosos da história do Cinema. Todos os anos, quando o verão dá as últimas cartadas e a sala de cinema começa a ser um cenário mais aprazível do que a areia e o mar sem fim à vista, habituamo-nos a ter em sala um dos seus caracteristicamente palavrosos e intelectualmente estimulantes filmes.

 

E há um certo jogo duplo em todo este processo. Entre a condescendência e a admiração pelo engenho de um maestro, sabemos que o que lá vem é a marca de um génio, mas também mais uma variação de algo que já vimos, onde o fator surpresa se reduz a pouco mais do que o elenco renovado.

 

Aprendemos a esperar que dele não venham filmes maus – afinal, Woody Allen é um resoluto exemplo de que não se desaprende a andar de bicicleta e há sempre um conjunto sólido de elementos de redenção. No entanto, sabemos que algumas das suas incursões são boas, outras menos boas, mas há ainda uma assombrosa quantidade daquilo que corriqueiramente designamos de obras-de-arte.

 

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Patinando algures entre a primeira e segunda categoria, “Irrational Man” não é uma obra-de-arte.

 

Trocando um pastelão palavroso por poucas palavras, o mais recente filme do realizador nova-iorquino versa sobre Abe Lucas, um torturado e fatalista professor de filosofia que se envolve com uma aluna curiosa e fascinada pela sua carismática figura e uma outra professora de meia-idade descontente com as parcas ofertas da vida familiar tradicional. Um dia, um único ato existencial muda tudo – em Abe e em todas as relações que mantém.

 

Como uma série de outras obras da filmografia de Woody Allen, “Irrational Man” equilibra motivos sombrios na destreza de uma leviandade aparente. Repescando temas de “Crimes and MisdemeanorsCrimes e Escapadelas” e mesmo “Match Point”, Allen encontra ainda em Dostoyevsky uma inesgotável fonte de inspiração – aqui também em sentido literal, já que o filme é levemente inspirado em “Crime e Castigo” do autor russo.

 

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Sobre o choque entre a teoria e a prática e a vida e as suas dores, o argumento, repleto de niilismo e moralismo na zona cinzenta, retalha-se numa ironia afiada e um núcleo cerebral delicioso. O problema apresenta-se quando o conteúdo filosófico e intelectual não consegue relacionar-se com substância emocional suficiente que nos invista.

 

É possível que este seja um dos filmes mais focados e inteligentes de Woody Allen, mas é talvez também esta arrumação pouco neurótica que contribui para a sensação de estarmos a ver um simulacro em vez de uma história. No final de contas, tudo parece meio maquinado e teatral.

 

Nas interpretações, e não primando pela subtileza na performance, Joaquin Phoenix encaixa tão bem em Abe quanto oreos com um copo de leite. Por outro lado, Emma Stone tem uma segunda oportunidade bastante mais inspirada num filme de Woody Allen, contribuindo para a construção da jovem Jill com um charme inocente de alguém que procura resposta às questões mais profundas da vida. No panorama secundário vale a pena destacar a estrela da matiné, Parker Posey, cuja insatisfeita professora de ciências é incisiva, amarga, triste e hilariante ao mesmo tempo.

 

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Ainda no panorama técnico, vale a pena fazer uma melódica nota à banda sonora dominada por Bach e Ramsey Lewis Trio e ainda à fotografia leve e vibrante e Darius Khondji que entra em saudoso choque com o macabro do enredo, tornado o filme uma iguaria positivamente enganosa.

 

Como acontece com a generalidade do cinema de Woody Allen, não é para todos os gostos. Afinal, é tudo muito engraçado e honesto e relacionável com as nossas contendas emocionais e morais quotidianas, mas é evidente que este universo populado por intelectuais ligeiramente verborreicos que pensam que percebem a vida mas são péssimos a vivê-la não é a praia para todos.

 

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Ao contrário de “Annie Hall”, “Manhattan” ou os mais recentes “Blue Jasmine” e “Midnight in Paris”, “Irrational Man” parece ser uma daquelas obras medianas entre os mais de 50 filmes que preenchem o vasto currículo de um Homem que transpira Cinema.

 

Não é, de todo, irracional desejar que o próximo seja um deleite irrefutável.

 

 

7.0/10

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Point-of-View Shot - Fehér isten (2014)

por Catarina d´Oliveira, em 04.08.15

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"Everything terrible is something that needs our love"

 

Com o sucesso do legado de Lassie, Beethoven, Benji e muitos outros, não é tão raro assim que um animal assuma um papel de relevo numa produção cinematográfica. O que é menos comum é que o nosso fiel amigo de quatro patas seja o centro de uma narrativa de contornos sérios, radicais mesmo, e tão profundamente conectada a algumas das maiores quezílias da raça humana desde sempre, e particularmente na atualidade.

 

Segundo os mitos da indústria, em 1929, o Pastor Alemão Rin Tin Tin recebeu mais votos na corrida ao galardão de Melhor Ator nos Óscares, mas rapidamente a Academia determinou que um humano deveria ganhar. Talvez, desde então, nunca tenhamos testemunhado uma outra ocorrência tão veemente na exposição dos talentos caninos até Hagen (interpretado pelos gémeos Luke e Body) dominar por completo a narrativa e emoção de “Fehér isten” ("Deus Branco", no título português), um conto premonitório sobre as relações entre uma espécie superior e o seu inferior caído em desgraça.

 

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Sabemos desde o plano de abertura – onde uma rapariga pedala ao longo de uma estrada perseguida por centenas de cães – que “Fehér isten” será uma besta diferente, não apropriada ou flexível a todos os gostos.

 

Flutuando entre a perspetiva humana e canina, a violência imprimida por Kornél Mundruczó desenrola-se em função da tarefa maior de exibir não só uma crítica direta (relativa aos maus-tratos animais) como uma metáfora simples mas poderosa – de como os rejeitados e abusados se unirão em busca de justiça maior, que não chega de forma certa ou errada, mas da forma possível.

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Não é certamente a primeira obra a sugerir que a crueldade humana enfrentará, um dia, o doloroso "karma" perante os seus atos, mas com uma abordagem particularmente empática de uma versão caninca de "Birds", sublinha este ponto a marcador vermelho garrido.

 

O talento dos coprotagonistas humanos nem sempre acompanha o compromisso dos colegas de quatro patas, e é discutível a decisão do realizador em não só ter vilanizado a maior parte dos humanos como, no último ato, dar-lhes mais espaço de manobra e reflexão, em detrimento dos animais.

 

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Para Mundruczó, era "go big, or go home", e o resultado foi esmagadoramente belo e filosófico.

 

É entre o místico realismo áspero e a fantasia assombrada que “Fehér isten” se pauta numa das obras mais interessantes e enigmáticas de 2014.

 

 

8.5/10

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Point-of-View Shot - Jurassic World (2015)

por Catarina d´Oliveira, em 11.06.15

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"You just went and made a new dinosaur? Probably not a good idea..."

 

Há um lugar especial no coração de alguém que, numa insuspeita noite de verão, algures nos anos 90, se esquivava dos pais para ligar a televisão quando “Jurassic Park” era exibido pela primeira vez em canal aberto.

 

Descobriu-se a compaixão quando o Triceratopo adoeceu, a ansiedade quando uma debandada de Galimimos fugia à fome do T-Rex, o “toma lá bem feita!” quando o Dilofossauro impede Dennis de fugir do Parque com os embriões, os arrepios na espinha quando inolvidável o tema de John Williams ecoava pelo parque e a tensão pura e profunda quando aqueles dois Velociraptors encurralaram os miúdos na cozinha.

 

É pouco recomendável referir a primeira pessoa num texto que, apesar de naturalmente subjetivo, se procura fundamentalmente argumentativo e analítico. No entanto, arrisco tomar breves linhas para furar a convenção e explicar que “Jurassic Park” mudou a minha vida, porque com apenas uma mão cheia de anos de vida descobri que o milagre da sétima arte estava no seu alcance aparentemente infinito. Foi ali, com o filme de Spielberg, que o meu elo inabalável com o Cinema foi criado. E no dia em que o Parque se tornou Mundo, voltei àquela noite clandestina.

 

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A ter lugar 22 anos depois do primeiro filme – e basicamente ignorando todos os acontecimentos das sequelas – a nova aventura Jurássica regressa à Isla Nublar onde o parque de dinossauros está finalmente em funcionamento e segurança... Até deixar de estar.

 

Numa nova exposição da ignorante ambição de “brincar aos deuses”, a falta de humildade humana atinge novos máximos quando a gestão do parque resolve começar a criar dinossauros geneticamente modificados, sendo a inequívoca estrela da companhia o impressionante Indominus Rex – que é, na verdade, “A” Indominus Rex. Porque é que havemos de continuar a criar espécies “mundanas” quando podemos juntar as mais perversas combinações de DNA que o tempo tentou esquecer? Evidentemente, a imprevisibilidade de tal criação leva à sua capacidade de escapar e tornar o resto do parque numa bastante completa e apetecível versão de um buffet “coma até cair para o lado”.

 

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Apesar de não conseguir manter a aura emocional e o sentimento de assombro e fascínio do original de Steven Spielberg, Colin Trevorrow revela-se como um competente maestro do caos como gerador de ação.

 

Surgindo como a mais sólida (e melhor) das três sequelas, “Jurassic World” é especialmente bem-sucedido no estabelecimento do ritmo da ação que, quando arranca, explode numa montanha-russa de acontecimentos verdadeiramente entusiasmantes. Também o híbrido sintético no centro do terror da narrativa é simbólico - além do agente do caos, é uma metáfora representativa dos excessos gerados pelas imoderações do consumo e de quem produz entretenimento e a fome do lucro.

 

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O diálogo não é particularmente inspirado e algumas personagens tornam-se estereótipos andantes por falta de melhor caracterização (particularmente os vilões), mas à parte da eterna questão “como é que estes tipos conseguem continuar a ser autorizados e financiados para abrir estes parques?”, “Jurassic World” consegue transcender a ideia básica de bestas que perseguem humanos em fuga e é estruturalmente bem construído, tem uma progressão dramática e de enredo relativamente convincentes e um clímax surpreendentemente satisfatório.

 

Depois de um primeiro ato gerado para fazer os queixos tombar com admiração dócil, Trevorrow transforma rapidamente esta aventura de ficção científica num elaborado exercício criativo de (re)afirmação da lei de Murphy – não só tudo o que pode correr mal vai acontecer como vai tornar-se ainda pior. Às vezes parece mesmo que Trevorrow e companhia passaram a noite anterior à escrita do argumento a encharcar-se de gomas e Coca-Cola enquanto assistiam a “Predator”, “Alien” e “The Thing” escondidos debaixo dos lençóis.

 

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E apesar de o amor e respeito do realizador pela aura de “Jurassic Park” ser bastante óbvio, é no terceiro ato, algo espalhado por todo o lado, que esta sua nostalgia acaba por levar a melhor perdendo-se em referências e anotações demasiado encantadas com a sua própria importância. Não é necessária uma análise profunda para admitir que “Jurassic World” é frequentemente frívolo e autocomplacente, mas a verdade é que, surpreendentemente, na maioria das vezes, acaba por funcionar de alguma forma.

 

Chris Pratt é um herói carismático e bem-humorado, e enviamos diretamente de Portugal o prémio de "Maior Maratonista de Saltos Altos" para Bryce Dallas Howard, mas apesar de uma sólida dupla humana, são, mais uma vez, os fantasmas da maravilha extinta os principais protagonistas.

 

A magia dos animatrónicos de Spielberg está praticamente ausente num parque onde, provavelmente, 99% dos dinossauros são inteiramente gerados por computador. E se é verdade que esta visita aos milhões de anos passados parece, em certa medida, mais plástica e processada, este tipo de animação permite outros voos, estratosféricos, pela possibilidade do imaginário do cinema. E a vocação que é aqui demonstrada pelo estado de arte tecnológico é de cortar a respiração.

 

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Num exemplo em que o todo é superior à soma das partes, “Jurassic World” é uma seta do cupido apontada ao nosso coração com síndrome de Peter Pan. Durante duas horas completas convencemo-nos de que os dinossauros estão à distância de uma viagem de barco e de que o limite da nossa imaginação é apenas o início das possibilidades de um Cinema feiticeiro na fábrica de sonhos.

 

É um blockbuster de verão à moda antiga, de coração terno e adrenalina máxima onde é o homem contra a natureza, contra a natureza (modificada). E nós, porque estamos muito mais abaixo na cadeia alimentar do que gostamos de admitir, bem podemos aplaudir, mas nunca ganhamos.

 

 

7.5/10

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