"The very meaninglessness of life forces man to create his own meaning. If it can be written or thought, it can be filmed." - Stanley Kubrick
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05
Jan
13

(atenção este artigo pode conter SPOILERS para os leitores que não tenham visto alguma versão do filme, lido o livro ou visto o espetáculo musical em palco)

 

Desta vez não é propriamente um desabafo, mas a partilha da minha felicidade perante uma escolha criativa.

 

"Les Misérables" estreou apenas há dois dias no nosso país, e já teve o poder de deixar a audiência dividida. Uns ficaram apaixonados, outros nem por isso, mas não é disso que hoje vamos aqui falar hoje, porque já me estiquem que chegue e sobre na crítica alargada que escrevi ao filme (quem não leu, está aqui).

 

Mas todavia, além dos gostos e uns e desgostos de outros, existem pontos que são de apreciação quase, quase consensual (porque nada o  consegue alguma vez ser a 100% nestas lides). A fabulosa interpretação secundária de Anne Hathaway de Fantine, a malograda mulher que vê a sua vida destruída enquanto o interior se lhe desespera pela impossibilidade de ajudar mais a filha (que se supõe doente), Cosette.

 

 

Tive pena que o filme só se debruçasse sobre ela durante apenas meia hora, ou coisa do género, mas de facto, a menos que o filme fosse focado na sua personagem, era difícil dar-lhe mais tempo de antena tendo em conta a dimensão da restante história. De todo o modo, e para os curiosos, saibam que Victor Hugo escreveu "Os Miseráveis" na forma de cinco livros, escritos e lançados separadamente (hoje existem nessa forma, mas há sempre mais acessível a compilação dos cinco, que é um calhamaço grandão de 1200 páginas). O primeiro chama-se "Fantine", e cobre a história desde a soltura de Jean Valjean (elaborando um pouco sobre a sua vida antes de ser preso), até à morte de Fantine. Como é natural, e apesar de conter muitas outras histórias adicionais, "Fantine" conta a história mais detalhada da personagem titular, incluíndo a história de amor que viria a originar Cosette, e o encontro com os Thénardier.

 

 

Enfim, isto só para os curiosos que desejassem saber o que mais podiam encontrar no livro sobre este ponto particular (e desde já recomendo a leitura a super bold, tem uma linguagem bastante acessível, e apesar de o tamanho não ser dos mais apelativos, vale inteiramente a pena, claro, não só pela história épica, mas pela atenção dada por Victor Hugo ao detalhe, e em fornecer a visão mais completa sobre o mundo das suas personagens).

 

Mas voltando a Anne Hathaway... é curioso recordar que ela e Hugh Jackman já tinham cantado juntos há tempos, quando ele aceitou a hercúlea e nem sempre generosa tarefa de apresentar a cerimónia dos Oscars, aqui há uns aninhos. Nessa cerimónia, e entre outras coisas, Jackman cantou o famoso medley dedicado aos nomeados a Melhor Filme do ano, e a certa altura, desafiou Hathaway a subir ao palco para o acompanhar no momento divertido. 

 

(o vídeo do medley está completo, mas a parte referida começa à volta dos 4:00) 

 

 

Ora foi o próprio Jackman, que depois de selecionado para protagonizar o novo filme de Tom Hooper, sugeriu Hathaway para o papel de Fantine. Isto não livrou Hathaway do moroso processo de casting até ser eventualmente escolhida - ao que parece, nomes como Amy Adams, Marion Cotillard, Kate Winslet e Rebecca Hall foram considerados.

 

Entretanto, Hathaway chegou, viu e venceu e ofereceu-nos aquela que já é conhecida como "a performance que lhe deverá valer o cobiçado Oscar da Academia". A meu ver, e contando apenas com os titulos que vi até ao momento, inteiramente merecido. Chega-se inclusive a dizer, que Hathaway só precisou de menos de 5 minutos para ganhar o galardão - nada menos que a duração do mais emocional, poderoso e famoso solo do musical, "I Dreamed a Dream".

 

 

E é o referido solo que me faz chegar ao ponto que queria hoje aqui fazer passar. Estou feliz com a escolha de Tom Hooper.

 

Não falo da escolha mais primária de Anne HAthaway - com essa estou radiante! - mas falo das escolhas criativas que envolveram o tratamento da cena em questão. Nunca pensei poder dizer isto, mas depois de assistir ao filme duas vezes, fiquei fã do método de filmagem sem cortes e aproximado, que, colocando-a contra um fundo negro vazio, nos permite focar em nada mais que a emoção da personagem durante aqueles minutos.

 

A escolha no entanto não fica por ai. Parece-me estranho não notar tanta gente a falar do assunto, talvez até porque não achem importante, muitos porque se calhar nem repararam. Mas a verdade é que o primeiro trailer, o primeiro de todos a surgir nos ofereceu uma versão da música completamente diferente da que a que acabámos por ouvir no filme. Mais limpa, mais afinada e com mais musicalidade. Mas com a emoção quase totalmente sugada.

 

 

Li por aí que Anne Hathaway insistiu em fazer 20 takes da cena, apesar de Hooper lhe dizer que tinha conseguido o perfeito apenas à quarta tentativa. A versão que ouvimos no primeiro trailer será, por ventura, uma das outras 19, mas é, pelo menos para mim, a resiliente prova de que a escolha final, apesar de, provavelmente (porque eu não percebo assim tanto de música), musicalmente menor, menos afinada ou mesmo reconhecível, foi a mais poderosa, verdadeira e, derradeiramente, a única escolha possível tendo em conta... bom, toda a desgraça do arco de Fantine.

 

Porque esta foi uma mulher que perdeu tudo, que se encontra desfeita, fisica e emocionalmente, sem ninguém no mundo, e sem forma de chegar à única pessoa que poderia ser o seu alguém, a filha. Perdoem-me se estou a interpretar alguma coisa mal, mas não consigo imaginar esta pessoa a cantar de outra forma que não a apresentada por Hathaway no corte final do filme. Porque nunca a dor e o sofrimento infligidos a Fantine lhe permitiriam uma versão glamourosa e perfeita da canção - mesmo sim, tratando-se de um musical, porque este, talvez acima das canções, deve convir acima de tudo emoções e verdades, tal como qualquer outra obra de arte. Porque se fecharmos os olhos, a própria interpretação de Hathaway conta a restante história de Fantine que o filme, por vários constrangimentos, não nos pode oferecer.

 

E essa foi a melhor prenda de todas.

 

(a versão do 1º trailer, mais clean e musical)

 

(a versão final, incluída no filme)

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publicado por Close-Up às 12:40
13
Dez
12

Já estamos naquela altura do ano outra vez – pessoalmente, a minha favorita, mais que não seja porque a) estreiam alguns dos filmes mais aguardados do ano; e b) fala-se deles.

 

Mas esta também é a altura do ano que, lá pelos States e arredores é conhecida como “awards season”. Como o próprio nome indica, é a época dos prémios, das cerimónias de distinção, dos galardões imortais.

 

 

O problema com esta tal época do ano cinematográfica é que é também a altura de aparecerem os implicantes – os que dizem que dizem que não querem saber de nada de prémios porque estes não têm qualquer validação ou fornecem qualquer juízo credível sobre os filmes. Este ano, ainda não me cruzei com nenhum, mas quis deixar o desabafo antes de me começar a sair fumo das ventas.

 

Quero começar por dizer que gosto de prémios - o que não quer dizer que acredite que se deva trabalhar PARA eles - e que, sim, ocasionalmente também tenho as minhas resmungadelas à velha do Restelo sempre que um dos meus favoritos não sai vitorioso. Normalmente, aliás, quem reclama são os frustrados pelos seus favoritos nunca lá calharem, mas isso é pano para outras mangas que não quero aqui começar a coser.

 

 

O que quero aqui dizer é que, ao contrário do que muito se clama… os prémios, as cerimónias, as distinçõesSÃO, de facto, IMPORTANTES. E são-no em vários pontos e medidas que vou tentar esclarecer, segundo o meu ponto de vista.

 

  1. Prémios/distinções chamam atenção para os filmes que honram, fazendo com que se fale mais neles – no caso de filmes estrangeiros ou independentes, por exemplo, isso poderá fazer toda a diferença. Como? Veremos no ponto 2 e 3;
  2. Se um filme é aclamado e distinguido, é apenas natural que este facto chame mais pessoas às salas para os ver, o que, quer queiramos quer não e por mais que um filme nunca deva ser feito a pensar em quantas pessoas leva à sala, é essencial para que o Cinema continue a existir. Infelizmente encontramo-nos numa Economia cada vez mais dura e menos disposta a dar segundas oportunidades, ou sequer, primeiras oportunidades;
  3. Se um filme leva mais pessoas às salas, o estúdio que o produziu terá mais confiança para apostar na equipa de profissionais que o levou a cabo em oportunidades futuras, podendo essa ser a diferença fulcral entre um “Sim, vamos avançar com o projeto!”, um “Não, temos outras prioridades” ou um “Talvez, um dia” (que normalmente é um “Não”). De cada vez que um filme que vocês gostam ganha um prémio, a probabilidade da equipa que fez esse filme fazer outro filme aumenta exponencialmente, e isso só podem ser boas notícias;
A acrescer a estas razões, penso que é de importância vital esclarecer mais duas coisas:
  1. Um Oscar, um globo de ouro ou qualquer outro prémio NÃO DITA se um filme é bom ou não e especialmente, se devem ou não gostar dele. Na realidade, nada o faz, porque, na raiz, tudo isso não passam de opiniões. Da mesma forma, e por falar em opiniões, um prémio não serve para as cristalizar - afinal, ninguém manda nos gostos de ninguém - mas para as discutir. Sou aliás acérrima defensora do "gostos discutem-se sim, mas não se impõem", e é um pouco isso. Desta forma, ninguém se deve sentir obrigado a gostar de um filme só porque ele ganhou 10 Oscars, nem o contrário (que, sim... infelizmente, parece que acontece);
  2. Um último ponto é de esclarecimento imperial, já que é aqui que muita confusão se instala – está em meu crer, como expus acima, que um prémio É de facto importante para a carreira e sucesso de um filme. Mas é também importante enquadrar o que esse prémio significa. Um exemplo. Os “Oscars” têm a categoria de “Melhor Filme”, e no ano passado distinguiram “The Artist” como o melhor filme; se fosse eu a decidir, ganharia “The Tree of Life”, e não há qualquer problema em expor essa preferência no meu blog ou em conversa com amigos. O que é importante notar aqui é que a categoria se enquadra na escolha de Melhor Filme DA ACADEMIA, e não do Mundo inteiro. Isso era estúpido, a menos que se pusessem 6 mil milhões de pessoas a votar. Mas não é. É um grupo de x pessoas que são reunidas para votar a visão DA ACADEMIA. Ponto. Resumindo, tenham calma, e não levem as coisas demasiado a sério.

 

E com mais ou menos acerto, é isto.

 

Perder anos de vida a discutir sobre o roubo que foi o Charlie Chaplin nunca ter ganho um Oscar por uma das suas interpretações (honorários à parte) ou o Ryan Gosling não ter sido nomeado no ano passado é parvoíce. Tal como o é dizer "ah não concordo com as nomeações/vencedores deles, nunca mais vejo esta porcaria". Relembrá-lo de forma minimamente saudável como algo com que não concordamos, é, lá está, saudável. O mesmo se aplica – com os devidos ajustes de grandeza, claro está – aos tops ou prémios levados a cabo pelos bloggers: esses então que só o fazem mesmo pela diversão, pelo gosto e paixão genuína que têm pelo Cinema.

 

 

Com este desabafo não pretendo converter ninguém. Quem não simpatiza com prémios, não é por isto que vai passar a simpatizar, e se não gostam acho muito bem que não vejam... mas também não precisam estar sempre a mandar as bocarras do costume, ou a diminuir quem gosta de ver e segue, comam antes uma peça de fruta, ou assim...

 

Fica apenas a lembrança que, dos Oscars da Academia aos Soap Awards que organizo aqui no blog, o que importa é que nos divertamos e que continuemos a ver e a falar de filmes. Isso sim amigos, é o mais importante!

publicado por Close-Up às 21:25
17
Jul
12

Este é um desabafo antigo, que até já tornei público em inúmeras vezes, mas que vejo aqui a necessidade de ser renovado: a minha insatisfação perante a pobreza de espírito de alguém que não sabe (nem quer) respeitar as opiniões alheias.

 

Contextualizando o caso específico desta pequena reflexão: The Dark Knight Rises é, pelo menos no meu entender, facilmente o filme mais antecipado do ano. Discussões sobre a subjetividade da questão (afinal é o ano em que estreiam também The Avengers ou The Hobbit por exemplo, só para manter a questão nos blockbusters) não são agora importantes.

 

 

Retomando o ponto que aqui interessa, a estreia de The Dark Knight Rises está mesmo à porta, e como é hábito, a crítica tem honras especiais de espreitar os filmes em primeira-mão e libertar pelos meios de comunicação as primeiras impressões sobre um dos grandes titãs cinematográficos do ano, que têm ecoado repetidamente por todas as formas de media.

 

Mesmo antes sem ter sido visto, The Dark Knight Rises está, também por isso mas não só, envolto num hype sem precedentes; uma antecipação que o coloca na tentadora mas perigosa posição d' "O" filme de super-heróis - ainda que, tecnicamente, o Batman não seja super, mas vocês percebem onde quero chegar. Os primeiros comentários curtos a chegar pelos sortudos a espreitarem o filme em primeira-mão foram ainda mais avassaladores. Comentários como "É o melhor comic movie de sempre" e o inevitável "se este filme não ganhar os Óscares nenhum outro do género ganhará" construíram ainda um altar mais elevado para o capítulo final da trilogia assinada por Christopher Nolan.

 

Tudo corria bem, ou normalmente, até ao dia em que The Dark Knight Rises teve a sua primeira crítica negativa. Ou pelo menos, a primeira crítica negativa visível. Marshall Fine foi o ofensor (entre ontem e hoje já houve mais uns poucos) e o resultado foi uma chuva de impropérios a apelar ao enxovalho por um grupo de indivíduos na secção de comentários da mencionada crítica. O mais curioso ainda neste caso particular é que, certamente, pelo menos a esmagadora maioria dos "comentadores" ainda nem sequer viu o filme (podem ler a crítica "demoníaca" aqui).

 

 

Nada contra o título da Warner, que, obviamente, "blockbusteristicamente" é para mim o mais aguardado do ano acrescendo ao facto de Nolan ser, dentro da sua linha de ação, um dos realizadores americanos da atualidade que mais aprecio, até de olhos fechados. Nada disso está aqui a discussão; aliás, o caso particular foi apenas utilizado a título ilustrativo. Esta é uma insatisfação generalizada.

 

É que isto de distribuir cacetada por causa de uma opinião pessoal, ainda por cima vindo de quem não deverá ter o mínimo conhecimento de causa, é coisa que me faz comichão. Mas comichão da grossa. A discussão sobre Cinema é das coisas mais apaixonantes que existem no meu pequeno universo, mas se há algo que me deixa triste e zangada é este tipo de faltas de respeito que, infelizmente, chega para inibir os menos fortes de ego e de convicção de expor a sua opinião.

 

Porque sim, os gostos discutem-se, mas não se podem impor. E até é essa "limitação" que permite a diversidade e que faz com que isto não seja uma carneirada (e uma seca!) total. 

 

 

Leitura aconselhada: artigo sobre a polémica das críticas negativas de The Dark Knight Rises pelo Editor do Rotten Tomatoes.

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publicado por Close-Up às 18:51
08
Jul
12

Este tem sido um ano entusiasmante para os blockbusters em geral e para o mundo dos super-heróis em particular.

 

Depois de Avengers ( bom entretenimento) e The Amazing Spider-Man (um dos meus filmes de super-heróis preferidos - falarei dele num futuro próximo para explicar porquê) está quase a chegar aquele que é um concorrente inegável ao "filme mais esperado do ano": The Dark Knight Rises.

 

Ora infelizmente, a estreia ainda não está particularmente próxima - até à estreia portuguesa ainda teremos de esperar mais de três semanas, ou pouco mais de uma, se estivermos noutras partes do globo, como Espanha, Reino Unido ou Estados Unidos....

 

Mas parece que os primeiros sortudos já tiveram a oportunidade de espreitar o último filme da saga Batman de Christopher Nolan e as críticas têm sido... estrondosas.

 

 

Segundo o Worstpreviews.com, foi isto que se disse:

 

"* Wow. Quite speechless at the moment...."TDKR" was everything I wanted it to be.

* So much awesome... can't wait to see it again. And again. And 9 out of 10 for me. I'd put "Amazing Spider-Man" at a 7.5 and "Avengers" at an 8.5.

* This film was the perfect final chapter in the trilogy.

* I think Bale gives his best performance as Batman and as Bruce Wayne in this one.

* Nolan manages to convey this wild ride into 165 minutes of his best work.

* "The Dark Knight Rises" is not onlyeasilythe best Batman movie yet, but now one of my favorite movies I've ever seen. It was unbelievable!

* If this does not break the mold and win Best Picture, no comic book movie ever will."

 

Oh bom... se isto já estava difícil de aguentar, agora então vai ser criminoso...

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publicado por Close-Up às 10:05
19
Jun
12

Sou, como poderão saber, uma grande admiradora daquilo que o Christopher Nolan consegue fazer do cinema em geral, e da saga Batman em particular... mas já não chega de trailers de The Dark Knight Rises

É que tenho a sensação de que há um novo todos os dias.. e preocupa-me a quantidade anormal de cenas às quais já fomos expostos...

 

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publicado por Close-Up às 14:22
14
Jun
12

Este é um micro-desabafo, e ainda por cima, um micro-desabafo pouco fundamentado, porque dos quatro filmes que aqui falo, só vi meio (sim, mesmo meio: apanhei bocados do Dear John no ano passado ou qualquer coisa assim)...

 

 

Mas não me parece bom presságio que, por alguma razão, estes quatro títulos me pareçam o mesmo filme. Pode argumentar-se a questão da semelhança do design dos posters e de três deles serem originados na obra de Nicholas Sparks, que basicamente escreve o mesmo livro cinquenta vezes... mas além disso, é algo mais além disso que nem consigo explicar...

 

Olhando para eles, não concordam comigo? Ou serei eu que estou a implicar?

 

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publicado por Close-Up às 20:38
28
Mai
12

Não que Cosmopolis tenha o que quer que seja a ver com o nosso Obikwelo,  que não tem; mas este é um desabafo em modo supersónico, que o tempo hoje é coisa que me falta.

 

Portanto resumindo bem resumidinho... 

 

 
É Cronenberg all over, e por isso, destinado a polarizar a audiência. Isso é definitivo.
Muito estilizado, vive do diálogo (que é brilhantemente escrito), e o Pattinson aguenta-se à bronca - ficou a prova que precisava de que talvez nunca venha a ser um grande ator (eu acho que trabalha à volta de demasiados vícios), mas que vive além de Twilight, o que já é uma vitória.
Algo mais aprofundado só amanhã ou quarta é que vos poderei trazer... até lá, é dinheiro bem gasto no bilhete mesmo não sendo o "tcha-nã" que muitos esperávamos. 

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publicado por Close-Up às 16:20
21
Mai
12

Apesar de me esforçar por gostar da sua intenção, os Globos de Ouro portugueses não são uma cerimónia sólida. Entre uma apresentação fraca (a roçar o risível) e um ritmo inconstante, os bons momentos da noite são esporádicos e raros.

 

O momento que, para mim, marcou a noite de ontem (e sim, vamos ignorar a tosga do Jorge Palma, porque já é costumeiro) foi o discurso tripartido que adveio da vitória de Sangue do Meu Sangue como o Melhor Filme da cerimónia.

 

De semblante solene e pesado, Anabela Morais, Rafael Morais e Nuno Lopes subiram ao palco para aceitar o prémio em nome de João Canijo, que não esteve presente, e nem os aplausos constantes conseguiram cortar a acidez das palavras escritas naqueles três pedaços de papel.

 

 

Com a entrada no novo milénio, Portugal parece ter voltado a produzir filmes de excelência, e até o público tem, à sua maneira, reconhecido isso mesmo. Mas de alguma forma, parece que existe alguém que está incrivelmente zangado com os nossos filmes, os nossos cineastas, os nossos atores, os nossos técnicos.

 

Alguém que parece ser uma força maior que arrasta por terra os Homens que orgulhosamente carregam o nosso estandarte pelo mundo fora. Alguém que parece não compreender que o entretenimento, ou pelo menos algumas das suas manifestações, são cada vez mais uma necessidade - porque eu acredito que é, ainda que muita gente não o veja dessa forma - e não apenas isso. Alguém que não parece entender que o nosso Cinema somos Nós.

 

 

E apesar de acreditar, talvez inocentemente, num futuro melhor e num país que não só aceite mas apoie devidamente os seus artistas, creio que, às vezes, são estas palavras ácidas que nos faltam para nos darmos realmente conta da queda que demos, e juntarmos forças para nos reerguermos de novo.

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publicado por Close-Up às 20:10
17
Mai
12

Ok, isto não é bem um desabafo, é mais um esclarecimento, mas não me queria por a arranjar mais tags diferentes para o blog - desculpem, às vezes não tenho imaginação para tudo.

 

Há dias começou a circular na web que Michael Fassbender disse que "mostrar o pénis e urinar no ecrã" lhe custou um Oscar. É verdade, é capaz de ter custado e também é verdade que ele o disse, mas todo o "bom" jornalista gosta de tirar uma frase do contexto e de fazer um escabeche com a coisa.

 

 

Numa entrevista recente à GQ, o ator de origem germânica pôs tudo em pratos limpos.

 

Quando questionado sobre a célebre cena em Shame onde é visto a urinar - e a urinar a sério, não é nada com tubinhos a aldrabar - Fassbender admitiu-se orgulhoso de o ter conseguido fazer, acrescentando, entre gargalhadas:

 

"aquele xixi custou-me o Oscar". 

 

Deixando o tom de brincadeira, Fassbender elaborou sobre as razões pelas quais o filme de Steve McQueen não chegou à Academia...

 

"na América têm demasiado medo do sexo, e foi por isso que ele não foi nomeado"

 

 

Depois, num ato de impensável sinceridade, Fassbender acrescentou, sobre o caso particular da sua ausência nos Oscars, na categoria de Melhor Ator...

 

"Prometeram-me o paraíso! No início as pessoas dizem ' Vais aos Oscars' e tu ficas do género, 'tanto faz, não importa, não acho que vá'. Mas a certa altura começa a penetrar. E depois de um bocado começas a pensar 'eu vou aos Oscars...'. E depois começas a acreditar. E eu acreditei. Eu pensei que ia lá estar. E depois descobri que não ia, e fiquei chateado. Fiquei muito chateado. A primeira reação foi 'what the fuck...?' (...) É uma questão de vaidade. Acaba por se tornar importante para ti. E não devia."

 

Fassbender termina dizendo que aprendeu uma boa lição.

 

*** *** ***

 

Não precisamos de muito tempo para ultrapassar a fase da presunção - por nítida que seja a qualidade de alguma coisa, fica sempre mal dizermos que estamos/estavamos a espera de algo como consequência. Mas a verdade é que quando nos orgulhamos de algo que fizemos, às vezes, e talvez só às vezes, esperamos reconhecimento - ainda que nos esforcemos por fazer transparecer que "o ganho está no processo e no resultado, não no que os outros acham dele", sendo certo ou errado, às vezes o facto de alguém querer celebrar o nossos sucessos diz-nos MESMO alguma coisa, e acaba por ser MESMO importante para nós. Pouca gente há a admiti-lo.

 

Olhando para o quadro completo, acho que não foi só Fassbender quem aprendeu uma lição. Nós também aprendemos; e foi uma lição que raras vezes nos chega de Hollywood: uma lição de coragem, mas sobretudo de honestidade.

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publicado por Close-Up às 11:39
07
Mai
12

Caótico, deliberadamente estúpido e grosseiro - são apenas alguns adjetivos para descrever 21 Jump Street, o filme que reacende este ano a chama mais intensa daquilo que chamamos de bromance, aliando-se a um enredo solidamente apoiado na necessidade da ação.

 

Quem diria, no entanto, que esta seria uma das melhores comédias do ano e, quiçá, "A" melhor?

 

 

Mantendo simultaneamente a frescura e um feel ligeiramente retro, é uma sátira divertidíssima à geração facebook, ao entretenimento de ação e uma belíssima homenagem à série dos anos 80 em que se inspirou.

 

E se paira a ameaça de este ser um daqueles filmes que esgota toda a munição de guerra nos 2 minutos do trailer... estão bem enganados. O rácio de gargalhadas por minuto é muito superior à média, e o estilo à The Hangover tem vindo a conquistar-nos continuamente.

 

Não se preocupem: o bilhete completo para esta montanha russa de asneiradas&precalços policiais será verdadeiramente sinónimo de dinheiro bem gasto.

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publicado por Close-Up às 01:45
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