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Deep Focus - Vamos falar de Who Framed Roger Rabbit

por Catarina d´Oliveira, em 28.04.16

whoframed.jpg

 

Hollywood, 1947. Eddie Valant, um detetive com pouca sorte, é contratado para encontrar provas de que Marvin Acme, o grande e divertido industrial dono da cidade dos desenhos animados, se anda a ‘divertir’ com a sexy Jessica Rabbit, mulher da super-estrela Roger Rabbit. Quando Acme é encontrado morto, todos os indícios apontam para Roger e o sinistro e poderoso juiz Doom está decidido a prendê-lo. Roger implora a Valiant para encontrar o verdadeiro assassino e as coisas complicam-se quando Eddie desmantela escândalo atrás de escândalo e se apercebe que a própria existência da cidade dos desenhos animados está em perigo.

 

Este poderia ser o início de muita coisa: de uma valente trip de ácidos, da ruína de um realizador alucinado, do fim de um género híbrido e incompreendido. Ainda que a questão da trip de ácidos não esteja totalmente fora da equação, Who Framed Roger Rabbit ousou, no entanto, ser uma outra coisa, que possivelmente nenhum de nós esperávamos: um clássico de culto revolucionário.

 

Eu sei o que alguns de vocês podem estar a pensar: “olha esta desgraçada andou-se a drogar e agora viu um computador à frente e é o vê-se-te-avias“. Respondendo ao hipotético insulto, não, não confirmo nem desminto o consumo de substâncias psicotrópicas, mas sim, reafirmo o estatuto deste peculiar filme sem que peque por falta de justificação – até porque razões não faltam.

 

Comecemos pelo facilmente mensurável e quantitativamente reconhecível. Em 1988, Who Framed Roger Rabbit foi o segundo filme mais rentável da indústria (ficando apenas atrás de Rain Man) e tornou-se a animação a ganhar mais Óscares da história (três galardões). Demorando uns intermináveis 14 meses de pós-produção, foi também e e foi o filme mais caro a ser produzido em Hollywood nos anos 80 (com um chorudo orçamento de 70 milhões de dólares - hoje facilmente ultrapassáveis pelos Avatares e Vingadores desta vida, mas na altura uma autêntica pipa de massa).

Mas números à parte, o que torna Who Framed Roger Rabbit um prodígio do cinema contemporâneo é tão somente a sua própria natureza e as suas exclusivas valências – pode parecer difícil de acreditar, mas este maníaco e inteligente cromo cinematográfico é um filme revolucionário para a indústria e muito mais importante para as noções artísticas e financeiras do cinema do que podem pensar.

 

Ora este nosso clássico de culto funde live action com animação tradicional, polvilhando tudo com um enredo surpreendentemente intrincado e complexo, com referências à Depressão Americana, ao film noir, a um sistema de traições e violência e a um homicídio com direito a chantagem forçosa. Foram também estes elementos inesperados e inequivocamente arriscados que enovoaram uma linha até aqui bem estabelecida entre o que eram filmes para crianças e para adultos. De facto, o projeto de Zemeckis foi um dos grandes responsáveis pelo renovado interesse da audiência na animação, propiciando também o famoso “renascimento da Disney” – que depois de um período conturbado (que é como quem diz, depois da diarreia criativa que atravessou) durante os anos 70 e 80 voltou a ressurgir em força nos anos 90 com uma série de produções de sucesso como A Pequena SereiaA Bela e o MonstroAladinoO Rei Leão e muitos outros.

Tomando liberdades possivelmente açambarcadoras, gostava de vos puxar de volta pelas orelhas à característica mais marcada de Who Framed Roger Rabbit – o facto de misturar atores e cenários reais com animação clássica – para que possamos analisar o porquê do seu caráter revolucionário e hercúleo. Na verdade, as produções que até aqui ousaram combinar estes díspares elementos (por exemplo, Mary Poppins) são hoje consideradas primitivas quando comparadas com a produção de Zemeckis.

 

Richard Williams, diretor de animação, comprometeu-se a quebrar as três regras de ouro neste tipo de misturadas fílmicas: moveu a câmara o máximo possível para que as animações não parecessem coladas a um fundo inanimado, usou a iluminação e os jogos de sombras para criar enormes contrastes e efeitos inovadores e pôs os personagens animados a interagir com objetos e pessoas o máximo possível. Como podem calcular, tinha tudo para dar merda - mas miraculosamente não deu.

 

Em termos práticos, e porque vivíamos numa era sem as facilidades tecnológicas que hoje quase 30 anos mais tarde assumimos como garantidas, todos os frames do filme que combinassem ambos os elementos teriam de ser impressos como uma fotografia. Depois, um animador desenhava a figura animada presente nessa cena em papel vegetal, colorindo-a posteriormente à mão. É só após este processo que o desenho é transferido para o frame original utilizando uma impressora ótica. 326 trabalharam a tempo inteiro no filme, construindo mais de 82.000 frames de animação - e só de escrever este parágrafo já padeço desse mal comum e maior que assombra ser humano moderno: estou a suar do bigode.

 

Evidentemente, todo o projeto foi um enorme risco conjunto da Disney e da Warner – na verdade, o primeiro visionamento de teste foi um fiasco, com uma audiência sobretudo composta por jovens adultos a odiar o filme. Mas Robert Zemeckis, porque é um homem que os tem no sítio, manteve-se firme no seu projeto - na montagem e no produto final.

 

E ainda bem. Só assim é que nascem os verdadeiros clássicos.

 

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Deep Focus - A Mulher enquanto heroína de ação (I)

por Catarina d´Oliveira, em 26.05.15

 

mulher heroina.jpg

 

[artigo originalmente escrito para a Vogue.pt] 

 

 

1. O LEGADO

 

Quando “Mad Max: Fury Road” chegou às salas de cinema de todo o mundo, duas coisas ficaram claras: primeiro, George Miller tinha não só feito um glorioso update da saga que criou há mais de 30 anos, como concebeu um dos maiores (e melhores) filmes de ação dos nossos tempos; segundo, e possivelmente ainda mais surpreendentemente… não tinha tornado Max o seu protagonista.

 

É que, não obstante ser ele a dar o título ao filme, o corpo aos posters e a voz aos trailers, é Furiosa, a imponente Imperator de Charlize Theron, a inequívoca heroína de um filme que carrega uma poderosa mensagem, não feminista, mas pró-feminina - e sobre a influência particular da fabulosa personagem de Theron na perspetiva futura da Heroína feminina no Cinema, falarei ainda esta semana, noutro artigo.

 

 

Todavia, não é segredo para ninguém que a indústria cinematográfica continua a ser profundamente sexista, intoxicada por disparidades escandalosas que vão desde o tratamento das personagens à própria dinâmica económica e financeira da indústria.

 

Mergulhemos nos factos: dos dez atores mais bem pagos em 2014 apenas duas são mulheres – Sandra Bullock (51 milhões de dólares) e Jennifer Lawrence (34 milhões de dólares). E se Bullock foi um caso pontual e fora de série por culpa do fenómeno global que foi “Gravidade”, apenas Lawrence pode ser considerada uma presença feminina consolidada, ocupando o décimo lugar numa lista encabeçada pelo ícone de Robert Downey Jr. Que lhe rendeu uns pornográficos 75 milhões de dólares – mais do dobro de Lawrence.

 

O facto mais curioso quando resolvemos cruzar alguns dados é que, na verdade, a estrela mais rentável de 2014 foi… uma mulher – entre o terceiro capítulo da saga “Hunger Games” e o mais recente filme de “X-Men”, Lawrence foi quem mais rendeu na bilheteira em 2014, seguida de Chris Pratt e, que surpresa, outra mulher, Scarlett Johansson.

 

 

É, no entanto, virtualmente impossível fazer boas omeletes sem ovos, e as oportunidades para blockbusters ou grandes produções protagonizadas por mulheres são profundamente escassas. Mantendo-nos ainda no ano de 2014, podemos constatar que dos 10 filmes mais rentáveis do ano, apenas dois são protagonizados por mulheres – “Maleficent” com Angelina Jolie e “The Hunger Games: Mockingjay – Part 1” com Jennifer Lawrence. E esta não é, de todo, uma má proporção – basta recordar que poucos mais foram sequer produzidos nesse ano - “Divergent” e “Lucy” devem, praticamente, fechar a lista se nos cingirmos apenas a cinema sci-fi/ação.

 

Esta não é, portanto, uma indicação de que a heroína de ação é, para Hollywood ou o Cinema em geral, uma maçã podre destinada a resultados e rendimentos medíocres. Se constitui alguma conclusão é a de que a indústria que nos quer passar a imagem de cada vais mais cool e liberal continua retrógrada e obsoleta – porque chamá-la de convencional é um insulto. Quando a "convenção" é promover a disparidade e a morte das oportunidades, não pode nem deve ser invocada como tradição. Da mesma forma, exibir a mulher como uma entidade capaz de pensar, sentir e lutar não é feminismo, é igualdade.

 

 

Mas vamos às origens da Mulher como figura central de ação: as primeiras heroínas mainstream começaram a surgir ainda durante a Segunda Grande Guerra, era histórica que coincidiu com as mudanças sociais que introduziram a Mulher ao mercado de trabalho, ao voto e à possibilidade de, cada vez mais, procurar a igualdade perante o Homem.

 

Os anos 40 viram as primeiras super-heroínas surgir nas bandas-desenhadas, e a Wonder Woman foi, possivelmente, o primeiro exemplo universalmente mais notável. Apesar de ter sido um arranque necessário e esclarecido, foi aqui que começou também a ser seguida uma tendência generalizada que pareceu alimentar o ideal erróneo de que era preciso sexualizar estas guerreiras para as tornar interessantes e, quiçá até, menos ameaçadoras – é esta queda para a necessidade de decotes, roupa apertada ou ausência dela, que tem também contribuído para o atraso da emancipação da mulher como heroína pelas suas qualidades inerentes.

 

 

Nos Cinema o cenário foi ainda mais negro, e durante muitos anos o género de ação foi um autêntico buraco negro alimentado a testosterona. Os seus gloriosos anos 70 e 80 edificaram fortemente o estatuto “macho” daquele que é possivelmente o género mais sexista, dominado pelos Stallones, Van Dammes, Schwarzeneggers e Willis desta vida. E enquanto o seu legado adquiriu o justo estatuto de culto – continuando a bombear-se nas veias das reencarnações de estrelas de ação de Hoje – a heroína de ação feminina debatia-se por uma golfada de ar.

 

A resposta de uma contemporaneidade que tem vindo a tentar, em parte, combater esta disparidade pode encontrar-se na tradição dinâmica do cinema de terror – ao longo das décadas o género foi-se fortalecendo com cada vez mais protagonistas femininas, encorajando assim o público a identificar-se com “a última sobrevivente” ou a “derradeira guerreira” em face da ameaça.

 

 

O cinema de ação, em particular, tem-se tentado embutir desta realidade, ainda que de uma forma mais gradual e menos marcada – primeiro e em muitas instâncias com personagens secundárias femininas complexas e multidimensionais que fugiram ao estatuto de “donzelas em perigo”, e posteriormente, e em doses mais controladas, em protagonistas completamente estruturadas, com uma história própria e capacidades físicas, emocionais, e psicossociais até aí só atribuídas a personagens masculinos.

 

E enquanto ícones como “Barbarella” (1968) são cotados como fortes influências icónicas e primeiras manifestações do heroísmo feminino em larga escala, talvez nenhuma outra retenha o estatuto de “heroína original” numa grande produção de indústria como a inolvidável Ellen Ripley, interpretada por Sigourney Weaver na saga “Alien”.

 

 

Ripley abriu caminho a mulheres de ação intrincadas, multifacetadas, vulneráveis mas duras, humanas mas implacáveis. E parte da vitória da personagem e do próprio franchise passou por não tornar Ripley apenas uma versão feminina de um “homem rijo”, mas reconhecer-lhe e exaltar-lhe as características que são tão inerentes à condição de mulher.

 

Foi esta criação e diferenciação que, em parte, despoletou o sentido de maternidade de Sarah Connor (“Terminator 2”), o sentimento de proteção de Katniss Everdeen (“The Hunger Games”), o desejo de vingança de Bellatrix Kiddo (“Kill Bill”), a procura de redenção de Furiosa (“Mad Max”), e as jornadas de muitas outras mulheres que ainda temos por conhecer no grande ecrã.

 

 

Com um avanço lento mas que parece cada vez mais consistente, e mesmo com as ainda atuais disparidades mais várias, a figura da mulher como estrela de ação começa a surgir de uma forma sólida e cada vez mais orgânica.

 

Todavia, e em jeito de conclusão, a verdade mais absoluta sobre Hollywood ou a indústria cinematográfica em geral é que, não obstante agendas políticas, sexistas ou outras, ela responde primariamente a um instinto: replicar o que faz dinheiro. Se o público responder positivamente à estrela de ação feminina, a sua presença vai ser cada vez mais constante e robusta.

 

 

 

Pelo que esta é também, e talvez sobretudo, uma luta e um dever nossos. De mulheres e de homens que querem mais diversidade, que anseiam por mais histórias complexas, mais protagonistas heróis e anti-heróis que valem a pena.

 

Mas sobretudo de homens e mulheres que procuram um mundo onde artigos como este simplesmente não precisam de existir.

 

 

[artigo originalmente escrito para a Vogue.pt]

 

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Em 2008 escrevi uma listagem de clichés e lugares-comuns dos filmes de terror. Um ano depois, em 2009, e apenas no intervalo de um mês, investiguei as maiores causas de morte nos filmes de terror modernos (muitos dos sintomas derivam, curiosamente, da estupidez) e compilei uma série de informações valiosas para montar um simpático guia de férias de verão segundo as experiências de jovens estraçalhados no género.

 

Às tantas, pensei para comigo “epá Catarina, se calhar já podias escrever sobre outros temas... as calotes polares, ou assim” e então os meus dedos ficaram proibídos de teclar barbaridades sobre filmes de terror durante quatro anos... até hoje, quando deram o grito do ipiranga e resolveram voltar a atacar furiosamente as palavras. Desta vez com a missão de salvar vidas.

 

 

Vidas inglórias e vazias que merecem uma segunda oportunidade. Vidas de moças badalhocas com peitos inflados, mas também de garotos com afinidade com alucinogenos. Vidas de machões-alpha conquistadores e de amigos asiáticos ou afroamericanos que, por alguma razão desconhecida, têm uma esperança média de vida de cerca de 15 minutos.

 

Hoje e amanhã vou-vos oferecer todas as ferramentas com um guia completo de sobrevivência a filmes de terror, que se dividirá numa 1ª parte de Regras gerais e uma 2ª parte com uma F.A.Q. que aborda de forma mais pratica algumas questões fraturantes da matéria.

 

 

 

REGRAS DE SOBREVIVÊNCIA NUM FILME DE TERROR 

 

[Está aberta a possibilidade de todos os leitores submeterem as suas próprias regras, que serão aqui incluídas com a devida identificação da fonte.]

 

1 – Quando achares que mataste o monstro/vilão/psicopata, nunca te chegues perto para lhe medir as pulsações ou ver se ainda está a bufar. Pelo sim pelo não, aplica-lhe mais uns golpes mortíferos no lombo. Com um machado.

 

2 – Não descrimines, mas pensa sempre que as crianças e os idosos estão rodeados de fita amarela a dizer “PERIGO”.

 

3 – A leitura de cabeceira ou em caves mal iluminadas de livros dos demónios que ainda por cima são em latim, estão estritamente proibidas. Leva antes uma sopa de letras.

 

4 – Explorações à cave, especialmente quando não há luz, são sempre má ideia.

 

5 – Pratica a abstinência – não há método contracetivo que te valha perante a fúria do assassino que tem particular prazer em estrafegar casais felizes.

 

6 – Se estão em grupo, nem pensem em separar-se. De facto, apliquem o seguinte procedimento: primeiro encham os dedos de aneis; segundo coloquem a posição de punho fechado; terceiro ganhem balanço; quarto apliquem uma bolachada poderosa no indivíduo que sugerir tal coisa.

 

7- Não espreites por buraquinhos na porta ou na parede.

 

8 – Se pressentes que alguém pode ter entrado na tua casa, é escusado desatar a gritar “quem está aí??”. Parece óbvio que o assassino não vai responder “iuhuuu sou eu aqui na cozinha! Queres uma água com limão?”.

 

9 – Se estiveres na versão asiática de um filme de terror... bom podes sempre começar a adiantar o teu testamento.

 

10 – Se a casa ou sítio onde estiveres estiver sob ataque, mantém o silêncio. Se estiveres acompanhado por alguém barulhento e que geme a cada inspiração, recomenda-se que o esmurres até ficar inconsciente.

 

11 – Ainda no mesmo ponto, se estiveres escondido, desliga o telemóvel.

 

12 – Quando ouvires um som estranho, não é o vento, mas também não te empenhes demasiado a saber o que é. Deixa-te estar que estás bem.

 

13 – Se estás a pensar mudar de casa, pede à imobiliária para evitar habitações perto de cemitérios ou locais que foram um dia uma igreja radical que sacrificava galinhas, ou um hospício, ou um lugar onde alguém (ou “alguéns”) morreu uma morte horrosa.

 

14 – Não abras a porta a ninguém às tantas da madrugada. Não é o tipo da Pizza Hut.

 

15 – Se entrares numa divisão com luzes estragadas que só sabem é tremeluzir, dá meia volta.

 

16 – Começa a praticar a tua corrida. Não tens de correr mais rápido que o assassino – só tens de correr mais rápido do que os teus amigos.

 

17 – Se a caminho da tua casa de férias um gasolineiro de aspeto duvidoso te faz profecias macabras, acredita no tipo e volta para trás.

 

18 – Se estiveres em grupo, garante sempre que és a 2ª pessoa mais bonita do lote. A mais bonita tem bilhete de ida sem volta garantido.

 

19 – Nunca digas “já volto” ou “’i’ll be back”. Sabes porquê? Não vais voltar. A menos que sejas o Arnold Shwarzenegger.

 

20 – Não tomes banho, especialmente se a banheira tiver uma cortina.

 

21 – Não filmes as tuas aventuras com uma máquina amadora.

 

22 – Não vejas cassetes de vídeo empoeiradas e sem etiquetas que encontraste numa caixa velha numa casa assombrada.

 

23 – Quando tudo estiver silencioso, não te ponhas a encostar a cara e o ouvido na parede/porta para ouvir melhor... é provável que fiques sem ela (a cabeça).

 

24 – Atalhos não são para explorar, são para evitar.

 

25 – Se estiveres a deambular por uma casa toda podre ao menos TENTA acender as luzes...

 

26 – Se tiveres bonecos de porcelana ou de ventrílocos queima-os numa fogueira – se eles te disserem que só querem brincar... estão a mentir.

 

27 – Se o teu filho diz que vê gente morta... talvez seja uma boa altura para o mandares de férias com aqueles parentes afastados. Para sempre.

 

28 – Mantém sempre um calçado e os atacadores apertados – ao fugir de um assassino é bastante provável que caias, portanto mais vale eliminar hipóteses.

 

29 – Deixa as explorações e investigações para o Indiana Jones e a Dora a Exploradora.

 

30 – Se estás num filme de terror, não vejas um filme de terror.

 

31 – Lembra-te que os mitos urbanos são quase sempre baseados em factos reais.

 

32 – Não te escondas em lugares óbvios como um armário ou debaixo da cama. Pensa fora da caixa e esconde-te dentro do frigorífico, ou pendura-te num candeeiro.

 

33 – O agente da polícia não vai conseguir fazer nada para te ajudar. A não ser morrer e sujar a carpete.

 

34 – Não sejas mau para o miúdo pouco popular da escola. Um dia ele vai ser um psicopata, esfaquear-te e comer-te à seia.

 

35 – Se algum dos teus amigos começar a exibir comportamentos estranhos que envolvam revirar de olhos e cabeça, comportamentos agressivos, fascinação por sangue, etc... é melhor tratar-lhes logo da saúde.

 

36 – Transporta sempre uma arma contigo, apenas para segurança. Uma coisa simples, como um lança-chamas.

 

37 - Não vás para um acampamento de verão onde uma elevada percentagem de quem lá trabalhou ou visitou foi baleado, esfaqueado, cortado, espetado, esmagado, frito, cozido, queimado, espancado, ou embrulhado num saco-cama e atirado contra uma árvore.

 

38 - Não grites, soluces ou chores quando te estás a esconder. Os assassinos não são surdos.

 

39 - Se toda a esperança estiver perdida... finge-te de morto.

 

40 - Se fores um dos sortudos a sobreviver ao filme... parabéns. Agora não sejas idiota e não assines contrato para a sequela.

 

 

[Está aberta a possibilidade de todos os leitores submeterem as suas próprias regras, que serão aqui incluídas com a devida identificação da fonte.]

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Deep Focus - O melhor Cinema Português do séc. XXI

por Catarina d´Oliveira, em 21.09.12

 

NOTA: artigo publicado originalmente na Vogue.pt (pode ser acedido aqui)

 

 

Diz um tal anúncio de massas que “o que é nacional é bom”. Segundo mitos urbanos, se acrescentarmos ao nacional o antigo, ainda melhor. Mas, e o novo?

 

Diz-se que o velho derrota o novo desde a receita de bacalhau da avó reproduzida pelo bisneto, até ao filme a preto-e-branco inalcançável pelo irmão mais novo policromático. Diz-se que nunca voltaremos a ter ‘Casablanca’, ‘O Mundo a Seus Pés’ e ‘E Tudo o Vento Levou. Nem tampouco um ‘Pátio das Cantigas, ‘O Pai Tirano’ ou ‘Aldeia da Roupa Branca’.

 

O novo é tantas vezes obliterado. Subestimado. Desdenhado. Desprezado. Ignorado. Esquecido. Menosprezado.

 

Mas o novo é bom. O novo vale a pena, sem necessitar de viver na sombra do antigo, que é manifestamente charmoso e valioso, tendo luz própria.

 

Ainda tenho muitas horas de Cinema português pela frente, mas nesta minha ainda curta jornada pela sétima arte lusa, já descobri enormes tesouros. É num estado de espírito cheio de graça que, alavancada pelo percurso do nosso ‘Sangue do Meu Sangue’ no circuito nacional e internacional (afinal, é a nossa aposta na corrida à nomeação de Melhor Filme Estrangeiro nos Óscares da Academia do próximo ano), me proponho hoje a relembrar um pouco do melhor que o Cinema Português teve a oferecer nos 11 anos que leva o séc. XXI, além do drama de sacrifício de João Canijo. 

 

Por bem de ambos – o novo e o velho -, que cessem as comparações, que não beneficiam nem o que já foi, nem o que está para vir. E porque do passado já conhecemos de cor os encantos e graças, hoje celebramos o Hoje.

 

 

‘O DELFIM’, de Fernando Lopes (2002)

 

A adaptação do romance homónimo de José Cardoso Pires faz um retrato do Portugal mofado de Salazar e do auge da guerra colonial. Segundo o próprio Fernando Lopes é um “prodigioso pretexto cinematográfico para entender paixões e emoções, misérias e grandezas de um Portugal agonizante, e com o seu ditador a morrer lentamente, como o país”. A adaptação é distinta, notável mesmo, pela perceção da importância do retrato que faz, mostrando ou refletindo, em vez de ajuizar e sentenciar.

É o espelho do fim de uma era, como sentencia a última passagem: “Que caia a noite”. Ou como historicamente poderíamos reescrever, “Que amanheça o novo dia”.

 

 

'UM FILME FALADO', de Manoel de Oliveira (2003)

 

É o realizador mais velho do mundo ainda em atividade e uma figura incontornável do cinema nacional e internacional. Manoel de Oliveira era capaz de carregar aos ombros uma lista destas por si só, mesmo depois de ter vivido o suficiente para assistir a duas guerras mundiais. Por agora, resolvemos destacar o filme que lhe marca, para já, o século: o drama de uma jovem professora de história que embarca com a filha num cruzeiro com o objetivo derradeiro de encontrar o marido em Bombaim. Na viagem cruzam-se fronteiras virgens ao conhecimento palpável de Rosa (que as conhece de cor dos ensinamentos que transmite na escola aos alunos) com personalidades únicas que têm o seu papel a desempenhar no trajeto da professora.

Pejado de momentos em “estado de graça” e metáforas inquietantes, Um Filme Falado fala sobre a importância da experiência dos momentos e a prova irrevogável de que estamos perante um homem que viu muito da vida, e que compreende intrinsecamente a arte a que se dedica.

 


‘VAI E VEM’, de João César Monteiro (2003)

 

Considerado um louco por uns, e um génio por outros, João César Monteiro nunca deixou por mãos alheias o crédito que lhe era imperativo dedicar – o de um apaixonado pela arte de fazer filmes.

O indiossincrático realizador interpreta o protagonista de Vai e Vem, João Vuvu - um viúvo solitário com o filho na prisão e uma apreciável propriedade num bairro antigo de Lisboa, que perpetuamente repete o mesmo passeio no autocarro nº 100 todos os dias. É apenas o regresso do filho que abanará a vida de Vuvu, onde se manifestarão uma série de acontecimentos sombrios e criminosos.

Vai e Vem foi o último filme de um senhor Cinema tantas vezes incompreendido, que faleceu ainda antes da estreia. O que fica é um testamento épico, nem sempre de trilho fácil mas infindavelmente recompensador, à sua arte e à sua memória pelo próprio que conhecia como ninguém o Cinema e a vida.

 


‘NOITE ESCURA’, de João Canijo (2004)

 

Não se tivesse João Canijo inspirado na tragédia grega “Infigénia em Áulis” de Eurípedes, e talvez tudo estivesse bem com a família Pinto no fecho das cortinas. Mas Canijo não é homem de palavras (ou imagens) mansas. Na escuridão da noite, algures numa província portuguesa a dita família Pinto gere um bar de alterne e terá de aprender a lidar com a desgraça que qual tempestade ciclónica se aproxima para destruir os seus sonhos.

A agitação e o sufoco são palavras de ordem na direção de Canijo, que orienta a o remoinho trágico entre o espaço claustrofóbico com luzes fluorescentes e grandes planos reveladores. A quadra dramática composta por Rita Blanco, Fernando Luís, Cleia Almeida e, acima de todos, Beatriz Batarda é assombrosa, debitando diálogos e emoções com veracidade tal que a crença de que somos espias clandestinos num qualquer canto tenebroso deste bordel é uma constante.

A quinta longa-metragem de Canijo fala a um Portugal inerte, absorvido pelo materialismo e pelos males contemporâneos. Um violento murro no estômago que prova o vigor do cinema luso.

 


‘ALICE’, de Marco Martins (2005)

 

Entre muitas outras distinções, Alice levou para casa o Prémio Regard Jeunes de Melhor Filme da Quinzena dos Realizadores de Cannes em 2005, feito comparativamente pequeno quando anexado ao pungente drama de Marco Martins sobre um pai que se recusa a desistir da obstinação patoloógica de procurar a filha desaparecida há 193 dias.

No seu tempo, Alice foi uma produção atípica no cinema português, uma crónica sobre a perda que resiste sempre às teias pegajosas do melodrama.

A fotografia azulada (tal como o casaco de Alice), a banda sonora minimalista de Bernardo Sasseti e a interpretação meteórica de Nuno Lopes (um dos Nossos atores mais talentosos e versáteis) valeriam por si. Mas reduzir Alice a uma série de qualidades pontuais é um crime quando constatamos o poderio do todo.

Talvez a sua experienciação seja uma das mais penosas que o Cinema Português algum da nos ofereceu. Aquilo a que assistimos parece demasiado catastrófico e doloroso para ser real. Mas a mais aflitiva constatação é a de que há pouca ficção na verdade de Alice.

 


‘JUVENTUDE EM MARCHA’, de Pedro Costa (2006)

 

Não é de hoje o fascínio de Pedro Costa por tudo aquilo que de inovador o Cinema tem a oferecer, sendo sistematicamente indicado como um dos mais influentes e brilhantes realizadores portugueses de sempre. Uma das suas construções mais admiradas e admiráveis é a “trilogia das Fontainhas”, que explora a injustiça social que afeta jovens cabo-verdianos estabelecidos no referido bairro Lisboeta. Juventude em Marcha é o último capítulo desta coleção (seguindo Ossos, 1997 e No Quarto de Vanda, 2000).

O minimalismo e a abordagem naturalista do cinema (sem iluminações artificiais ou movimentos de câmera desnecessários) propagam-se por todos os 155 minutos desta crónica de pobreza e solidão, que ainda que exiba um confronto colossal entre demónios interiores, é também, nuclearmente, uma história de esperança.

 

 

'GOODNIGHT IRENE', de Paolo Marinou-Blanco (2008)


Numa Lisboa cujo tempo não se necessita precisar, encontramos Alex e Bruno. O primeiro é um ator inglês de meia-idade falhado e solitário, o segundo um jovem serralheiro que luta contra a passagem do tempo. Os dois homens partilham a única coisa que uma relação monogâmica não permite: o amor pela mesma mulher, Irene, uma pintura com a vida e carisma que não colora as suas vidas. Um dia Irene desaparece, e Bruno e Alex fazem-se à estrada para lhe descobrir o paradeiro.

A reflexão sobre o sentido da vida e relacionamentos humanos é a primeira longa-metragem de Paolo Marinou-Blanco, que também a escreveu com as palavras que pautaram uma das melhores apresentações de diálogo dos últimos anos no cinema português. é a sua primeira longa-metragem

Como noutros casos célebres, pode não representar aquilo que de mais fino recorte se faz por cá, mas pelo menos, ousou fazer diferente, e intentando-se assim, não se saiu nada mal.

 

 

‘MORRER COMO UM HOMEM’, de João Pedro Rodrigues (2009)

 

A história da protagonista de Morrer como um Homem, é, por ventura, a mais curiosa deste lote que hoje selecionámos. Ora Tonia é uma veterana da cena travesti lisboeta que se abeira do fim da carreira. Pressionada pelo namorado a submeter-se a uma operação de sexo, Tonia convulsa-se com as suas convicções morais e religiosas mais profundas, sabendo que, perante Deus, nunca será uma mulher.

A crise de Tonia desenrola-se sob os detalhes da sua existência. É uma chuva de incongruências que combinam na perfeição – o pragmatismo e a natureza visionária, o realismo e o fantástico, a pobreza e a riqueza – e que torna a sua história inquietante e muito mais relevante do que eventualmente poderá parecer à superfície.

Ao empregar uma radical mudança do tom real para o fantasioso no último terço, o filme de João Pedro Rodrigues ganha um novo poderio com uma compaixão tão incisiva quanto graciosa.

 


‘UM AMOR DE PERDIÇÃO’, de Mário Barroso (2009)

 

O título não deixa margem para enganos: Mário Barroso deu o que tinha de si à quarta adaptação cinematográfica do clássico da literatura escrito por Camilo Castelo Branco no séc. XIX. A história, essa do amor suicidário entre Simão e Teresa, já é sobejamente conhecida.

Inserindo-se no contexto português do séc. XXI, Um Amor de Perdição não poupa o espectador da violência e polémica da irreverência do realizador, que apresenta a revolta de histórias de amores impossíveis e não correspondidos com a agilidade de quem cavalga as páginas de Castelo Branco.

Como chegou a admitir Barroso numa entrevista, “é um Romeu e Julieta sem a Julieta”.

 

 

‘A BELA E O PAPARAZZO’, de António-Pedro Vasconcelos (2010)


Para provar que o Cinema português não detém exclusivos no campo do dramático e meramente artístico cuja aparente sobranceria afasta o comum espetador, o fenómeno positivo d’A Bela e o Paparazzo era uma entrada incontornável na nossa lista, por se apresentar como um dos títulos mainstream mais bem-recebidos pela massa da assistência na presente década e picos.

A simplicidade e o regresso às raízes cómicas, que no passado regámos e floresciam tão bem, são os trunfos da comédia romântica que junta Mariana, uma celebridade e atriz de telenovelas, e João, um paparazzo.

Não sendo, em rigor, um dos grandes filmes dos nossos tempos, A Bela e o Paparazzo cumpriu, talvez como nenhum outro, um objetivo incansavelmente perseguido por tantos cineastas do panorama nacional: comunicar e relacionar-se com aqueles a quem se dirige – o povo português. Uma saudável bolha de oxigénio essencial para alimentar o tecido conectivo entre a nação e a sua arte.

 

 

 

‘MISTÉRIOS DE LISBOA’, de Raoul Ruiz (2010)


Com quatro horas e meia (a versão mini-série integral tem cerca de seis), Mistérios de Lisboa é uma autêntica maratona cinematográfica que se apresenta como o último filme completo do prolífico realizador chileno Raoul Ruiz.

Diz-nos a descrição oficial que Mistérios de Lisboa nos mergulha num “turbilhão imparável de aventuras e desventuras, coincidências e revelações, sentimentos e paixões violentos, vinganças, amores desgraçados e ilegítimos numa atribulada viagem por Portugal, França, Itália e Brasil”, e uma vez mais, a inspiração busca-se num romance de Camilo Castelo Branco.

Apaixonado pela arte do storytelling, Ruiz tece cada centímetro da teia labiríntica do enredo demonstrando uma compreensão pela história e pela condição humana.

Apesar da duração intimidante, Mistérios é absolutamente imperdível e recheado de prazeres intelectuais e íntimos, sentindo-se como um clássico instantâneo e um presente inestimável que Ruiz fez questão de nos deixar.

 

 

‘JOSÉ E PILAR’, de Miguel Gonçalves Mendes (2011)

 

O maior elogio que podemos prestar a Miguel Mendes pelo trabalho hercúleo de seguir o casal enigmático do título durante meses a fio, é que ‘José e Pilar’ parece uma história saída do imaginário do próprio Nobel. É claro, Saramago nunca foi homem de histórias de amor, de palavras aveludadas, doces. As suas histórias e contos foram sempre irrequietos. “Vivo desassossegado e escrevo para desassossegar”, dizia ele. E assim era e foi. Saramago tinha o dom de transformar a mais mundana das coisas em literatura pura, tenha sido na construção de um convento ou na viagem de um elefante.

Mas este não é um filme sobre José Saramago, o Nobel, nem tampouco sobre José, o homem. Esta é uma equação mais complexa, e a incógnita de José é acompanhada perpetuamente pela incógnita de Pilar, o seu pilar – esta é uma história de amor.

“A Viagem do Elefante”, livro que narra as aventuras e desventuras de um paquiderme, é o ponto de partida e de chegada para ‘José e Pilar’. Enfrentando dificuldades várias, Saramago recuperou sempre e terminou a obra dedicando-a, como sempre, “A Pilar que não deixou que eu morresse”. José era um homem com sede de vida e com uma força tremenda, mas também com uma racionalidade cortante e sempre presente. “O que mais me falta? Tempo. (…) Sentir como uma perda irreparável o acabar de cada dia. Provavelmente é isto a velhice." Quando Pilar lhe pergunta "o que queres que eu faça?", ele responde: "Continuar-me". E mesmo sem querer, é isso que faz também Miguel Mendes.

 

 

‘TABU’, de Miguel Gomes (2012)

 

Inspirando-se no título e estrutura de Tabu, a Story of the South Seas de F.W. Murnau, Tabu desenrola-se como um sonho monocromático, serpenteia entre pontos narrativos aparentemente incompreensíveis à razão, para culminar num final que ilumina todo o caminho percorrido.

Quebrando as convenções de género e de estruturação de narrativa e precedido por um fantástico prólogo, Tabu está dividido em duas partes (de géneros completamente diferentes) – ‘Paraíso Perdido’ e ‘Paraíso’ – combinando uma história de memória numa Lisboa contemporânea com a de um amor impossível em Moçambique nos anos 60.

Uma soma de duas partes fascinante que cria uma justaposição entre a memória e o colonialismo, o realismo e a fantasia, o comum e o exótico; uma daquelas raras oportunidades de ver um trabalho que não só honra todo o caminho que o precedeu na história do cinema, mas que se sente completamente contemporâneo.

Passível de nos crescer cá dentro, não tanto durante mas depois do visionamento, Tabu toca com uma arte e engenho raros o músculo mais irreverente, por vezes insólito e insolente, do corpo humano: o coração.

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Não quero começar este artigo sem dizer que não sou a maior fã do mundo das adaptações cinematográficas de B.D. em geral, e também que antes de assistir a The Amazing Spider-Man eu era como muitos de vós: 100% contra um filme que não precisava de existir apenas cinco anos depois de Spider-Man 3.

 

Mas mesmo contra todos os amplificados impropérios chegou até nós um título que recusou avidamente o título de remake para se autointitular de reboot e infundir nova vida e um diferente percurso na história cinematográfica de Peter Parker.

 

Renitente, muito renitente, lá me arrastei para a sala de cinema, apenas para no final sair de lá o mais perto de maravilhada que um filme sobre super-heróis me pode deixar. Hoje escrevo-vos este texto para explicar sucintamente porquê, e expor-vos apenas algumas das razões que sustentam a minha opinião de que esta tem o potencial de ser uma das mais capazes e competentes sagas blockbuster da década.

 

NOTA: Este artigo não pretende discutir se esta é uma versão mais bem conseguida do que a iniciada por Sam Raimi em 2002, ainda que, em momentos, faça uso de algumas comparações por facilidade de contextualização.

 

 

1.       Um protagonista dedicado

 

Este ponto tem obrigatoriamente de ser iniciado expondo a pouca simpatia que tive pela interpretação de Tobey Maguire. Não tenho nada contra o moço, mas a verdade é que às vezes os trajeitos do rapaz me irritavam ativamente, pelo que nunca foi um Homem-Aranha que me custasse perder o contacto. Posto isto que, até admito seja o ponto que mais discussão possa gerar por ser absolutamente subjetivo, penso que talvez seja difícil encontrar na história das adaptações cinematográficas de personagens adorados da banda-desenhada algum ator que se tenha entregue de forma mais apaixonada à personagem em que se dissolveu do que Andrew Garfield, o nosso novo Spidey. Garfield viveu o sonho de menino (não o do Tony Carreira, mas o de muitos outros meninos potencialmente mais fixes do que o Tony) de um dia poder entrar na pele do seu ídolo, e isso fez-se transparecer em cada segundo à frente da câmara. Se de mais provas precisávamos, basta relembrar o célebre momento no Comic Con de 2011, onde Garfield foi o protagonista de um autêntico manifesto ao ícone que é para si o Homem-Aranha.

 

 

A acrescentar a isto, também me parece que Garfield tem um alcance de performance que poucos protagonistas do género têm – devemos lembrar-nos que ele se apresenta como um dos atores mais promissores da sua geração, o que foi não só comprovado pela sua interpretação nomeada ao Oscar em The Social Network, mas também outras incursões mais independentes mas portentosas como Never Let Me Go (2010), Red Riding: In the Year of Our Lord 1974 (2009) ou Boy A (2007).

 

 

2.       Um par romântico com faísca

 

Perdoem-me a lamechice, mas Andrew Garfield  e Emma Stone devem ser um dos pares mais queridos do cinema moderno. E não só isso é uma verdade universal (creio que ninguém se queixará deste ponto pelo menos), como o par tem também uma química descomunal. Ok, podem querer desconsiderar este ponto pelo facto de os protagonistas serem, na vida real, um casal (apaixonaram-se nas gravações), mas a verdade é que para tudo isto funcionar no ecrã é precisa ainda a intervenção de outros talentos, como sejam os argumentistas ou o realizador, e atentemos no caso específico do realizador. Este é nada mais que Marc Webb, um realizador que tinha apenas um crédito no seu currículo de realizador de longas-metragens de cinema: (500) Days of Summer, que foi “só” uma das comédias mais inventivas e aclamadas da década. É preciso argumentar mais?

 

 

Além de tudo isto, acrescem ainda quatro questões cruciais: primeiro, Gwen não é uma mera princesa à espera de ser salva – ela é uma jovem mulher segura de si, capaz e uma companheira para Homem-Aranha em todos os sentidos, inclusive tendo-o ajudado em dois ou três momentos cruciais; segundo, este é um romance com razão de ser, e que não dá a sensação de lá estar só porque sim; terceiro, e nas palavras da própria Emma Stone “Gwen falls in love with Peter Parker, and Mary Jane falls in love with Spider-Man, which is a different thing”; quarto, *POTENCIAIS SPOILERS RELATIVOS AOS COMICS* a tragicidade iminente ligada ao par (como poderão saber, Gwen Stacy é eventualmente morta na banda-desenhada) dá-lhe um brilho de “fatídico primeiro amor” muito difícil de superar.

 

 

3.       Componente visual mais realista

 

O desejo de Marc Webb de se manter longe do CGI sempre que possível foi respeitado ao máximo das suas possibilidades criativas em The Amazing Spider-Man. Eu, que sou da velha guarda que prefere sempre um ator a um replicado computorizado (apesar de ser manifestamente uma indivídua pró-futuro), aprecio sempre este tipo de decisões. Vic Armstrong coordenou as “acrobacias” entre os atores e duplos, que foi desde a incorporação de Parkour (em muitas alturas levado a cabo pelo próprio Andrew Garfield) à utilização de atores nas famosas cenas de exteriores onde o Homem-Aranha se baloiça pela cidade de Nova Iorque nas suas teias. Muitos destes exemplos podem ser atestados pelo behind the scenes que convosco partilho já abaixo.

 

 


4.       O respeito pela origem (comic)

 

Por mais que possa parecer, não sou, nem de perto nem de longe, uma geek da banda desenhada. Confesso até que sei bastante pouco sobre a esmagadora maioria dos heróis que aqui têm origem. Mas por força das repetidas adaptações, ou da forte exposição devida ao mito que encerram em si, creio saber o suficiente sobre três das principais personagens deste universo: Batman, Super-Homem e Homem Aranha.

 

Sem querer entrar em detalhes que provavelmente não saberia discutir, agradou-me bastante a ideia de que este reboot de Spidey estaria mais intrinsecamente ligado às suas origens da B.D., e para este ponto focar-me-ei num exemplo que, não sendo o único, é um dos mais visíveis.. Se bem se lembram, na saga original de Sam Raimi, quando Peter Parker é mordido por uma aranha radioativa uma componente das habilidades que ganha é incrivelmente preciosa: a de lançar teias a partir dos pulsos. Ora se este caminho foi extremamente eficiente para criar, por exemplo, um mecanismo cómico inesquecível (quem não se lembra da cena memorável onde, no topo de um prédio, Peter Parker ensaia os lançamentos de teias com frases como “up, up and away” ou “shazam!”) ou uma habilidade falível (se recordarmos os momentos em que os poderes de Peter falharam aquando do seu fraquejo psicológico), também foi um facilitismo que acabou por obliterar uma das características mais distintivas de Parker ainda antes de se tornar um super-herói – a sua inteligência extrema.

 

 

Neste ponto específico, The Amazing Spider-Man expõe com a maior das clarezas todo o brilhantismo de Peter, que coexiste com a sua natureza reclusa. A sua inteligência (que está patente ao longo de todo o filme) é posta em full-display especialmente no momento em que Peter cria os dispositivos que lançam teias de aranha, inquestionavelmente um dos momentos altos do filme.

 

 

5.       O respeito pela origem (aranha)

 

Vou aqui expor uma vez mais o meu paupérrimo conhecimento pelo universo do Homem-Aranha na banda desenhada, mas reforçar este ponto com aquilo que é a minha ideia exclusivamente pessoal. Não sei exatamente como é que o personagem é retratado na B.D. depois de ganhar os seus poderes – se é encorpado ou magro, por exemplo – mas creio que, por questões lógicas nos devemos atentar na origem dos poderes de Peter: uma aranha. O visual que a equipa criativa criou para o Homem-Aranha neste reboot é manifestamente diferente da versão de Tobey Maguire, mais forte e fisicamente intimidante.

 

 

O novo Homem-Aranha é, antes de um capaz lutador, um ginasta, o que me parece uma abordagem bastante correta da questão. Os próprios membros parecem alongados – tais como os de uma aranha – e a sensação que dá é que Peter consegue realmente “escorrer” por entre os dedos dos vilões que o perseguem. Parece-me a mim, que em termos de “força bruta”, o Spidey de Tobey Maguire venceria a léguas; mas o que me parece mais lógico é que o Homem-Aranha exista primeiro como um descendente de uma aranha e só depois como um lutador competente. Se repararmos bem, e não fosse pela sua inteligência, engenho e agilidade, talvez o Peter Parker de The Amazing Spider-Man nunca fosse capaz de derrotar o Lizard… A acrescer a este ponto temos ainda a clara preocupação de Andrew Garfield de incorporar "movimentos aracnídeos" no personagem depois da mordida.

 

 

6.       Os traços cómicos

 

Quando há alguns meses chegou às mãos do grande público o primeiro trailer oficial de The Amazing Spider-Man, a receção não foi das melhores, especialmente pelo tom que este aparentava carregar. Uma espécie de cruzamento entre Twilight e a negritude da saga Batman de Christopher Nolan estava prestes a despedaçar as esperanças dos fãs que viam neste reboot a oportunidade do ataque sob um novo ângulo à saga do aranhiço. Felizmente, existem trailers enganadores, o que foi o caso, e enquanto se confirma que algo negro paira sobre The Amazing Spider-Man (essencialmente, na sua origem e no mistério que envolve o desaparecimento dos seus pais), a verdade é que o título está cheio de pequenas pérolas que são um atestado ao sentido de humor.

 

 

O Homem-Aranha da banda desenhada sempre foi conhecido pelo seu sarcasmo e pilhéria entre teias, pelo que vê-lo em ação a todo o gás em live-action foi, sem dúvida, uma revelação. E enquanto a versão de Raimi também teve os seus bons momentos (essencialmente no primeiro capítulo), a verdade é que o reboot de Marc Webb parece menos forçado e mais subtil nas suas tiradas.

 

 

7.       Um vilão complexo

 

O vilão é, inequivocamente, uma das personagens mais interessantes que podemos encontrar na história do Cinema e, quiçá também, na história da Arte. Superando inúmeras vezes em fascínio o herói, o vilão é a roldana que faz o mundo girar, ainda que o direcione, na maior parte das vezes, para o caos. É, contudo, o facilitismo empregue na criação dos vilões e das suas motivações que me leva a desconsiderar tantas vezes o potencial de filmes deste género. Se relembrarmos The Avengers por exemplo, um dos gigantes do ano e que reconheci como boa representação do que o entretenimento puro é, Loki é o típico vilão sub-aproveitado. Com potencialidades imensas, muitos senão quase todos acabam por se mover sob o chavão do desejo do domínio do mundo.

 

 

O que me fascinou no “vilão” de The Amazing Spider-Man, além da fantástica interpretação do “inglesérrimo” Rhys Ifans, foi a predisposição dos criadores de criarem um personagem contracorrente, um arqui-inimigo nada cartoonizado cujas motivações se duelam entre o que ele pretende atingir, o que lhe está a acontecer e com a sua mente continuamente perturbada, que se convulsa simultaneamente com a batalha entre o bem e o mal.

 

 

8.       O cameo de Stan Lee

 

Em todas as adaptações cinematográficas da Marvel que consigo lembrar, sempre tivemos direito a um pequeno vislumbre de Stan Lee. Não apenas porque o mago da banda desenhada criou alguns dos mais icónicos personagens da história dos super-heróis, mas também porque decidia agraciar cada filme com a graciosidade de um cameo seu.

 

 

Sem spoilers, posso apenas dizer-vos que este foi um dos, senão o mais brilhante cameo do escritor norte-americano.

 

 

9.       A viagem de autodescoberta de Peter

 

Além da introdução do background sobre os pais de Peter, somos introduzidos à sua vida nos anos de liceu, ao contrário do que aconteceu na versão de Sam Raimi, onde tomámos contacto com o nosso herói já entranhado na vida adulta e no mundo do trabalho. Tendo em conta as questões de identidade que tantas vezes se colocam no personagem, parece-me infinitamente mais adequado que o personagem se situe neste grupo etário, onde questões como esta são tão importantes para o consequente desenvolvimento adulto do indivíduo.

 

 

Nesse sentido, parece-me também que é mais fácil para o espectador identificar-se com este Peter Parker, por se rever nas suas lutas interiores que o levam muito para lá do retrato bidimensional que tantas vezes os heróis merecem no cinema: Parker é romântico, inteligente e corajoso, mas também demonstra medo, confusão e malícia.

 


10.   The Untold Story

 

Vamos esclarecer aqui uma coisa: muita gente se sentiu enganada pelo que a campanha de marketing de The Amazing Spider-Man nos fez acreditar – que era desta que íamos conhecer os seus segredos, a história nunca antes contada… e a verdade, bom a verdade é que foi tudo uma meia-verdade. Enquanto nos foram dadas várias pistas para esta “história de origem” (gostei especialmente da forma como foi muito mais bem explicada a forma como Peter obteve os seus poderes, e as pistas para a ligação entre a aranha mutante e a investigação do pai de Peter), sobraram-nos muito mais perguntas do que respostas, o que não considero que seja algo mau tendo em conta que este está previsto apenas como o primeiro episódio de uma trilogia.

 

 

Nesse sentido, creio que The Amazing Spider-Man nos deu bastante para mastigar até ao seu segundo capítulo, com bastantes nuances novas que não tendo sido reveladas na totalidade (ou mesmo algumas intenções) e uma cena pós-créditos que deixam uma ansiedade muito saudável para a sequela.

 

*** *** ***

 

É óbvio que o blockbuster de Marc Webb não existe num mundo de rosas e não escrevi este artigo com palas nos olhos.

 

As falhas existem, estendendo-se desde um argumento por vezes desconexo ou repetitivo, a outras faltas menores. Mas parece-me que, dentro do universo peculiar dos blockbusters, The Amazing Spider-Man tem sido facilmente descartado sem o merecer.

 

Talvez apenas Christopher Nolan e o seu Batman tenham conseguido equilibrar a balança, mas creio que existam dois caminhos a trilhar muito distintos no género: o dos que apostam na espetacularidade, como The Avengers, e o dos que apostam na ligação com a audiência através da construção cuidada de personagens e das suas motivações, como The Amazing Spider-Man (apesar de ter alguns efeitos muito interessantes, não foram para mim o ponto forte de toda a experiência).

 

 

Parece-me, não só por isso mas também, que estamos perante um dos raros casos em que foi construído um filme a partir da dedicação, respeito e paixão por uma causa, ou neste caso, por um ícone de todos de nós e não pela sede de demonstrar as potencialidades tecnológicas do meio ou do último grito da moda de explosivos à lá Michael Bay. E quando assim é a experiência cinematográfica tem um outro significado, e lá voltamos aos sonhos de menino/a (novamente, não os do Tony) e fantasiamos sobre como seria um mundo onde existissem pessoas não só como Spidey, mas também como Peter Parker.

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Deep Focus - Como apreciar a vida de Solteiro?

por Catarina d´Oliveira, em 18.04.12

 

Esta semana chega às nossas salas Assim Assim, uma comédia portuguesa cuja sinopse vai mais ou menos assim:

“Cinco personagens cruzam-se numa esplanada dando início a uma viagem pelas suas vidas. Assim, assim é um filme sobre relações. Sobre aquilo que queremos para nós. E sobre o que não conseguimos alcançar. As relações são complicadas, porque as pessoas pensam demasiado, porque habituaram-se a analisar os sentimentos. Todos os dias a mesma busca pela felicidade, mesmo que tenhamos esvaziado de conteúdo essa palavra. No fundo já ninguém acredita no amor. Porque se estamos felizes pensamos logo que será por pouco tempo, tratamos logo de travar essa euforia, como se soubéssemos que depois de um momento desses resta-nos descer ao mundo das desilusões. E complicamos a nossa vida, e a dos outros, sabotamos constantemente a nossa felicidade porque a plenitude que sentimos é demasiado intensa e já não estamos habituados a lidar com sentimentos profundos. E nem no amor encontramos redenção, nem aí conseguimos sentir-nos completos porque há sempre alguma coisa que está a mais, ou que falta, há sempre um pequeno defeito que estraga o momento para que possamos dizer em voz alta “eu sou verdadeiramente feliz”.”

 

E eis que se dá o momento da divisão: aqueles de nós que se encontram alegremente numa relação erguer-se-ão prontamente para negar esta premissa, enquanto outros aplaudirão de pé. As relações são, de facto, muito complicadas.

 

Mas hoje resolvi aproveitar a deixa de Assim Assim justamente para não vos falar de relações. Hoje resolvi vir falar-vos de algo que, em prol dos grandes romances na tela, acaba por passar bastante ao lado da realidade cinematográfica, mas que na vida, na nossa vida, não é assim tão raro. Hoje, meus amigos, venho falar-vos da vida de solteiro.

 

Confesso que esta que vos escreve não está incluída nesse lote, mas não é por essa razão que desvalorizo todos os meus amigos que se encontram presentemente casados com a sua própria pessoa. Antes pelo contrário, também lhes reconheço coragem, porque como isto anda hoje em dia, somos criticados por tudo, e não ter um parceiro de vida pode significar, para algumas alminhas muito pouco iluminadas, que somos uma maçã podre na civilização.

 

Hoje, meus amigos solteiros, trago-vos a linha orientadora que vos ajudará a ultrapassar todas as dificuldades diárias de um indivíduo… individual. Hoje trago-vos a bíblia da vida a um, que não deve carregar vergonha diária. Hoje trago-vos o guia para apreciar a vida de solteiro… isto de acordo com os filmes, é claro.

 

 

Podes ser o Ryan Gosling

 

 

Ok não é bem isso. Não se proporciona transferência de corpos, apesar de neste momento saber que estão coladinhos ao ecrã para saber como se faz. Mas há algum solteiro que se leve com mais orgulho do que o Jacob de Crazy, Stupid Love? Not really. Portanto tratem de fazer um update de estilo no vosso armário, tornem-se clientes habituais do bar mais cool da vossa zona e comecem a ensaiar ao espelho umas frases de engate bem lamponas para deixar os vossos objetos todos eles cheios de fogosidade por vocês.  Em alternativa, e só para deixar um exemplo prático feminino, também podem ser a Zooey Deschanel (500 Days of Summer).

 

 

Podes não ser o Ryan Gosling

 

 

Mas às vezes ser o Ryan Gosling não chega… ou melhor, às vezes ser o Ryan Gosling é a exacta fonte do problema. Desde se ter apaixonado loucamente por um ser inanimado em Lars and the Real Girl e de ter protagonizado um dos filmes românticos mais deprimentes de todos os tempos (Blue Valentine), querem mesmo seguir os conselhos dele? Bom, vamos passar à frente então.

 


Javardolice permitida

 

 

Se há quem defenda que a etiqueta é para manter até quando estamos a dormir sozinhos enfiados numa dispensa no fundo da cave, também há os que gostam de aproveitar os momentos mais javardolas que a vida tem para oferecer. Bridget Jones, Megan, de Bridesmaids e o imortal Dude de The Big Lebowski são abelhas mestras nesta arte, libertando arrotos mais felizes do que uma criança de 5 anos no parque, e passeando-se de pijama e robe pela rua. E porque “poder soltar gases à vontade” surgiu em vários inquéritos como um dos frutos mais apetecidos da vida de solteiro, quem somos nós para o negar.

 

 

Segunda infância

 

 

Estar solteiro é a altura ideal para exercermos o direito – porque é um direito e devia estar na Constituição – da nossa segunda infância/adolescência. Porque não faz mal ficar a jogar Wii no Domingo à tarde, ou chegar meio bezanas a casa (ou muito bezanas e com um tigre, se participarem numa Despedida de Solteiro à The Hangover), ou flirtar com a nossa paixoneta de infância... A menos que ele/a seja casado/a… e Mavis Gray de Young Adult deu-nos ensinamentos preciosos sobre isso mesmo.

 


O Comando é Teu

 

 

Acho que esta nem sequer precisa de exemplos, ou sequer de piadas. The TV is yours, baby. Para as moçoilas, preparem-se para uma maratona de Sex and the City e para aprender a sorrir com os olhos no America’s Next Top Model; para os ninos, preparem-se para pôr a bola em dia – quer seja no PES ou na Liga ZON Sagres.

 

 

Escreve o teu próprio destino

 

 

Woody Allen. Só preciso desta conjugação de nomes para vos fazer ver onde quero chegar. Os seus filmes, especialmente os que têm nele mesmo o seu protagonista são um autêntico testamento à vida de solteiro. É claro, há sempre mulheres… mas é o Woody Allen, e a coisa nunca acaba bem para ele. Por isso sobra a sempre apetitosa possibilidade de escrever uma nova história. Fantasiar com quem quisermos – não vale com o Ryan Gosling – e, no final do dia, ter um affair com uma pessoa que é embaraçosamente mais bonita do que nós.

 

 

Casa-te com a Carreira

 

 

Parece estúpido num artigo que pretende apontar os pontos positivos de uma vida de solteiro, sugerir um casamento… mas a Carreira é uma exceção. Bom, pelo menos até certo ponto. Se estão mesmo desgostosos com o Amor e querem mergulhar numa coisa que até vos pode trazer bons dividendos mais tarde, então mergulhem na carreira. Miranda Priestley de The Devil Wears Prada fê-lo e olhem para ela… Big Boss da maior revista de Moda do mundo, e ainda arranjou tempo para ir aniquilando uns maridos pelos caminho. Pela vossa sanidade mental, podem saltar esta parte e irem diretos ao topo do mundo.

 


O Incesto está fora das possibilidades

 

 

A paixão tem, por vezes, graves custos… como quando nos apaixonamos por alguém que se revela ser o nosso irmão, pai, mãe ou alguém com um grau parentesco manhoso. É verdade que, na vida real, não é lá muito comum, mas nos filmes… bom, nos filmes é outra história. E na realidade a única forma de escapar a isto, é ficando solteiro… porque nunca se sabe quando há por aí um irmão escondido. Back to the Future, Star Wars, o nosso Sangue do Meu Sangue, e The Lion King foram desavergonhados pecadores. Sim, Lion King… ou viram mais algum leão que me tenha escapado no bando do Mufasa?

 

 

Exercer Livremente o “Amor Próprio”

 

 

Eu sei que não fui muito explícita, mas pode haver garotos pequenos a ler. De qualquer modo, estão agora livres para navegar nas vossas mais selvagens depravidades, e American Pie, por exemplo, é sempre uma boa fonte de aprendizagem nesse campo.

 

Viaja até mais não poder

 

 

Sim, eu sei que não é preciso ser solteiro para fazer isto, mas a verdade é que é talvez menos dispendiosos e não dá azo a discussões chatas do tipo:

"x: eu quero ir para um hotel, passear pela cidade e ver monumentos

y: mas eu quero ir acampar todo sabujo e comer salsichas enlatadas"

Em Up In the Air, Ryan Bingham faz da viagem a sua casa, e não há razão para não poderem fazer o mesmo. Só não precisam de despedir meio país no processo, que isto já está mau que baste como está.

 

 

Hobbys Embaraçosos, welcome back

 

 

Porque soltar flatulências não pode ser formalmente classificado como um hobby, resolvi reservar esta secção para celebrar aqueles passatempos que julgamos mesmo embaraçosos, e que não nos atrevemos a divulgar quando na presença da cara-metade. Podem então voltar a xuxar no dedo, a tirar do baú a vossa mais acarinhada perturbação obsessiva compulsiva ou a renovar a vossa inscrição no congresso anual de piaçabas. Se por alguma razão inexplicável não têm um hábito ou talento embaraçoso, podem sempre beber inspiração em Dinner for Schmucks, e fazer uma encenação da última ceia com ratos embalsamados.

 

 

Podes manter uma relação platónica com o teu tapete

 

 

Oh Dude, és sempre uma inspiração.

 


Tens disponibilidade para salvar o Universo

 

 

Caso tenham andado distraídos, há toda uma panóplia de super-heróis a pavonear-se por aí porque conseguem escalar prédios com uma perna às costas ou levantar um camião com o dedo mindinho do pé mas que chegam a casa às onze da noite e se enterram no sofá com um balde de gelado e a chorar com a novela que deixaram a gravar na box. E porque é que isto acontece? Porque um super-herói que se preze dedica-se à sua causa de corpo, alma e matrimónio, pelo que não sobra tempo para namoricos. Por isso se estão solteiros, tornarem-se um super-herói é sempre uma boa escolha – e eu até já vos ajudei nesse ponto.

 

 

Não há “lados” na Cama

 

 

Não me consigo lembrar agora de um exemplo específico, porque não é meu hábito fazer um inventário de todas as camas que aparecem nos filmes que vejo, mas já devem ter reparado que, solteiro que se preze, tem uma cama queen-size à sua disposição para rebolar, dar cambalhotas e dormir todo do avesso se quiser. Já quando se trata de um casal, o rebolation pode resultar em nódoas negras e algo mais…

 


Não há dramas

 

 

Não há-de haver muito mais coisas inconvenientes na vida de uma pessoa comprometida do que: 1) lidar com ex-namorados/as; 2) lidar com parceiros ciumentos; 3) lidar com um parceiro psicótico. Scott Pilgrim vs the World é claramente um demonstrativo fortíssimo à 1ª categoria, onde um rapazito franzino e que tem claras necessidades de beber um redbull começa a relação com a moça errada e tem de enfrentar a fúria de uma panóplia de ex-namorados que, por alguma razão, parecem saídos do jogo da wii do meu sobrinho. O segundo caso pode parecer mais inofensivo, isto se não se forem os protagonistas de um affair à Fatal Attraction – e nessa altura nem existia o Facebook e as mudanças de estado para nos complicar a vida… Quanto ao último, bom, há sempre a hipótese de se apaixonarem por um serial killer, como Sidney de Scream. E só para que fique bem assente: evitem os talhantes. A sério. Que o diga o Charlie Mackenzie de So I Married na Axe Murderer que se casou com uma simpática talhante cujo hobby era matar maridos e cortá-los às fatias. Weird...

 

*** *** ***

 

Que me dizem os amigos leitores solteiros? Esqueci-me de alguma vantagem cinematográfica muito grave? 

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Deep Focus - Como ser um Super-Herói?

por Catarina d´Oliveira, em 12.03.12

 

O ano de 2012 vai ser especialmente atribulado no que respeita à representação cinematográfica de toda uma mitologia de super-heróis que vem habitando o nosso mais fantástico imaginário desde que, pela primeira vez que com um deles tomámos contacto, acreditámos do alto dos nossos cinco ou seis anos que éramos também diferentes e que por isso deveríamos ter um poder escondido que mais ninguém no mundo tinha - sim, eu sei que passaram dias à espera que a vossa coruja chegasse com a vossa inscrição em Hogwarts.

 

O que hoje vos trago é a realização de um sonho de criança... ou talvez apenas um artigo de elevado grau de estupidez que ainda por cima expõe, em várias ocasiões, a minha inaptidão para fazer desenhos no Paint. De qualquer das formas, apresento-vos o guia essencial de “Como ser um Super-Herói?”, que desvenda todos os segredos desta arte oculta e fantástica…

 

Antes disso, resta-me apenas deixar o sobreaviso de que não me responsabilizarei por atos de vandalismo ou de exposição de vergonha pública por falência de resultados. You have been warned.

 

 

 

 

Se pensarem na carreira cinematográfica dos super-heróis, verificarão que, a certa altura, quase todos eles tiveram direito a uma rendição no grande ecrã que dava luz sobre as suas origens misteriosas. Desta forma é crucial que também todos vocês, que almejam ser um super-herói, tenham o vosso backgroud de acordo. Alguns lugares comuns incluem infâncias infelizes, capacidades de interação social nulas ou o facto de ter presenciado a morte de alguém próximo pelas mãos do crime. Mas como aqui não queremos desgraças para ninguém, sugerimos histórias mais simples, como “era uma pessoa normal mas fui picado por uma alforreca mutante e agora cresceram-me barbas gelatinosas que eliminam qualquer adversário”. O que nos leva ao próximo e crucial ponto…

 

 

 

Este é um momento-chave no vosso treino. Se querem ser um verdadeiro super-herói têm de ter um poder especial… senão são só um herói, e isso não tem tanta piada (apesar de ser igualmente honroso).

 

Infelizmente, ter poderes não é fácil, e há apenas três maneiras básicas de o conseguir: 1º ou nascemos com eles (ex. Super-Homem, X-Men), 2º ou os obtemos devido a algum acontecimento cientificamente surreal e inimaginavelmente doloroso (ex. Homem-Aranha, Hulk, Capitão América), 3º ou somos ricos e construímos/mandamos construir o gadget mais cool de sempre cuja tecnologia de alguma forma está anos-luz à frente das descobertas dos maiores cientistas da actualidade. Porque a 1ª opção me parece pouco viável a menos que tenham uma nave espacial escondida na garagem e porque também não me responsabilizo por acidentes domésticos decorrentes da 2ª, parece que só nos resta a 3ª. E se estão com pressa, das duas uma: ou têm uma choruda herança à vossa espera, ou é melhor começarem a fazer mezinhas com promessas para ganharem o euro-milhões. Fico a torcer por vocês.

 

De qualquer forma, e se querem uma ajuda a decidir o poder (ou poderes) que querem adoptar, deixo-vos uma lista de alguns dos mais comuns, e dos mais estranhos.

 

Poderes Mainstream

 - Voar

 - Super-força

 - Prever o Futuro

 - Assumir diferentes formas/corpos

 - Elasticidade

 - Telecinese

 - Invisibilidade

 - Regeneração Celular

 - Rapidez

 - Controlo de um dos cinco elementos (fogo, por exemplo)

 

Poderes Estúpidos, mas que na verdade existem

 - O poder de comer tudo, incluindo ferro, plástico, etc – Matter-Eater Lad (DC Comics)

 - O poder de trasnformar-se num disco voador – Fatman, the humanflying saucer (Lightning Comics)

 - O poder de arrancar os membros e utilizá-los como marreta ou objecto de arremesso- Splitter/Arm Fall Off Boy (DC Comics)

 - O poder de mudar as cores das coisas – Color Kid (DC Comics)

 - O poder de transformar som em luzes fortes – Dazzler (Marvel)

 - O poder de se transformar em qualquer tipo de gelado – Eye Scream (Marvel)

 - O poder de transpirar ácido – The Anarchist (Marvel)

 - O poder francês, que muitas vezes se traduz em espancamentos por meio de baguetes – Jean de Baton Baton (DC Comics)

 - O poder de atirar pessoas pela janela (porque transporta sempre uma consigo) – The Defenestrator (DC Comics)

 

 

 

Se pensavam que este guia vos ensinava a ser um super-herói sem terem de passar umas boas horas a transpirar no ginásio, estão redondamente enganados. Porque mesmo que nascessem abençoados com um dom, não iam querer que aquela banhinha marota aparecesse entre a vossa indumentária, certo? As batatas fritas e bolachas de chocolate têm de ser varridas do sistema, pelo que a motivação e força de vontade são elementos chave no vosso treino. Aconselha-se ainda, especialmente se não dispuserem de um super-poder que envolva força e que por isso não necessite mais do que um selo na boca para deixar os inimigos K.O, que aprendam algum tipo de arte marcial mista. Não só vos ajudará a derrotar os vossos oponentes com mais eficácia como serão capazes de golpes muito mais elegantes para o noticiário das oito.

 

 

 

Temos de enfrentar a dura realidade: este é um mundo que dá extrema importância aos outfits de cada dia, especialmente de quem vai estar exposto, digamos, em capas de jornal a salvar velhinhas em apuros. Se tinham pensado numas confortáveis calças de fato de treino, uns ténis velhos e um casaco de capucho, tirem daí a ideia – até porque podiam acabar a ser confundidos com um ladrãozeco de rua e ainda levavam umas bolachadas por engano. O ideal é que a vossa fatiota seja algo desconfortável à vista, e também para vocês, mas que ninguém fale sobre isso. Nos homens é obrigatório que permita boa visualização dos abdominais e nas mulheres há uma de duas opções: ou fatinho justo alampadinho ao corpo, ou saias curtas acompanhadas de grandes decotes. Em ambos os casos, a lycra é sempre uma boa opção, mas se dispuserem do super-poder da riqueza ou da sabedoria tecnológica, podem sempre almejar algo que vos proteja ativamente as partes mais sensíveis e que seja pesadão – ou acham que o fato do iron-man é uma pluma?

 

A questão da capa é muito importante neste tema, pelo que há que pesar os prós e contras: se por um lado fica sempre bem numa foto no topo de um edifício ao por do sol e incrementa a taxa de bazófia, por outro também pode ter o triste inconveniente de ficar presa em escadas rolantes ou arames ou qualquer coisa do género.

 

Pensando bem, é melhor arranjarem também um super-poder para aprenderem a coser a vossa própria indumentária ou mantenham um designer famoso no topo da lista de contactos, senão são capazes de estar metidos num sarilho. É que o alfaiate comum é capaz de estranhar quando vir o fato que criou nas capas de jornais de todo o mundo.

 

NOTA IMPORTANTE: ganham pontos extra se o vosso disfarce conseguir ser usado debaixo das roupas comuns do dia-a-dia; afinal, o crime não espera que vão a casa trocar de roupa.

 

 

 

Um super-herói que se preze tem de ter um símbolo que o represente que tem de obedecer a três regras: 1º tem de ser esteticamente confluente com o resto da fatiota; 2º tem de ser suficientemente diferente dos símbolos que representam os heróis já existentes (nada de letras ou bicharocos tipo aranhas); 3º e mais importante, tem de dar uma boa t-shirt - um herói não é digno desse nome se não puder resultar num tsunami de merchandising que vá desde as comuns t-shirts às hediondas lancheiras escolares que transportam leitinhos com chocolate, sandes de mortadela e cromos p’ra troca.

 

 

 

Se no vosso inventário de super-poderes não estiverem a velocidade ou a capacidade de voar, uma das coisas mais importantes na vossa lista de necessidades é arranjar um veículo digno para o efeito. Para o bem do ambiente, até vos recomendava transportes públicos, mas o mais provável é que só chegassem ao local do crime no dia seguinte, o que se revelaria profundamente ineficiente. Sendo assim, e com o dinheiro que por esta altura já devem ter arrecadado do euromilhões, toca a desembolsar num bólide bonitinho e poderoso. Pode ser um carro, um avião, uma nave, um triciclo a motor… o que quiserem. Só tem de ser rápido... e estiloso – o Batman não era assim tão cool se chegasse num Fiat Uno cinzento com 30 anos, pois não?

 

 

 

Combater o mal nem sempre é uma tarefa fácil, pelo que saber que podemos ter alguém a lutar ao nosso lado pode, em algumas instâncias, não ser uma má ideia. Há, contudo, várias notas mentais que devemos tomar:

  • A sua fatiota deve ter cores completamente distintas da vossa – não vão querer ser confundidos com a personagem secundária decerto;
  • Nunca deve ter poderes ou habilidades superiores às vossas – era embaraçador se fosse ele a ter de vos salvar de cada vez que houvesse sarilho;
  • Nunca deve ser mais bonito e/ou interessante do que vocês – não querem que vos fique com o interesse amoroso, certo?
  • Deve estar sempre preparado para as tarefas menos queridas ao herói – afinal, nem todos são ricos como o Batman para contratar uma legião de empregados para limpezas e tarefas menos nobres do que salvar gatinhos presos em árvores, e o bólide tem de estar um brinco…

 

 

Este elemento serve apenas para enaltecer a vossa vida sofrida, uma vez que não podem, em nenhuma instânci,a juntar-se a ele ou contar-lhe o vosso segredinho, prevenindo assim um eventual ataque do vilão (outra peça essencial, já lá iremos!). Mas ei, há que manter a esperança, e talvez num futuro livre de vilões possam ter o vosso pôr-do-sol na praia – fingers crossed para nenhum transeunte ser picado por um peixe-aranha e terem de entrar ao serviço.

 

 

 

Como disse um dia Billy Crystall e bem, “o tamanho do vilão determina o tamanho do herói; sem o Golias, o David seria só um parvalhão que atirava pedras”. Para a coisa não parecer demasiado ridícula, daquele tipo que podia ser resolvido pelo puto do Sozinho em Casa, convém que o vilão seja inteligente e forte e que os vossos encontros se cinjam à regra dos três simples (não, não tem nada que ver com a fórmula matemática, é só mesmo porque são três): 1º encontro – apresentação do vilão ao herói em roupas civis e sem pancadaria mas com ameaças; 2º encontro – primeira cena de pancadaria onde o vilão sai vencedor; 3º encontro – segunda sessão de pancadaria onde o vilão está prestes a triunfar de novo mas dá-se o twist final e o herói leva a bicicleta.

 

 

 

Se desejam ardentemente ser um super-herói, têm de estar preparados para os momentos difíceis. Apesar de nos sonhos mais distantes pensarmos que toda a gente nos vai achar a “última bolacha do pacote”, a verdade é que os super-heróis são, por norma, marginalizados. Portanto, toca a trabalhar numa moral de ferro e que não seja afetada por insultos de terceiros.

 

Outra questão importante neste ponto é a da identidade secreta. Se não querem que o vilão vos apareça à porta às 4 da manhã depois de ter descoberto onde vivem através do Google Maps, é melhor arranjarem um “disfarce diurno”. Uma coisa importante… no mundo real, tirar os óculos e fazer um caracol na poupa não nos torna irreconhecíveis – aprende qualquer coisinha, Clark Kent.

 

Por fim, uma motivação é sempre importante, e se querem ser um super-herói digno, ela será sempre lutar pelo bem maior. Se quiserem ser um super-herói mascarrado, podem usar a da vingança, mas eventualmente cedam ao bem maior. É sempre mais seguro.

 

*** *** ***

 

E pronto. Por esta altura já devo ter diante de mim uns quantos marmanjos para me salvar o dia. Uff…

Obrigada vigilantes!

 

 

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Já vai para mais de algumas vezes que, na altura dos Oscars, amigos, conhecidos e desconhecidos vêm ter comigo e me perguntam confusos "epá, mas qual é a diferença entre mistura de som e edição de som?".

 

Gostava de poder chegar aqui hoje e de vos dizer que sempre tive a resposta na ponta da língua, mas não tendo participado na produção de nenhum filme e não tendo estudado Academicamente a questão, a verdade é que me senti tão confusa quanto eles... o que resultou numa resposta atrapalhada que provavelmente os deixou mais baralhados do que estavam inicialmente.

 

Esta insatisfação e necessidade de conhecer mais levou-me a estudar um bocadinho a questão e a escrever-vos este mini-guia, para que aprendamos juntos - ou assim o espero.

 

Juntem-se então a mim na exploração das quatro categorias mais obscuras que os Oscars da Academia premeiam: a Direcção Artística, a Fotografia, a Edição de Som e a Mistura de Som.

 

 

Direcção Artística

 

A direcção artística é uma das grandes partes responsáveis pelo aspecto visual de um filme, desde a criação do guarda-roupa à concepção dos sets, e é também um dos departamentos que mais dúvidas levanta quanto à dinâmica do seu funcionamento.

 

Uma das coisas que vem complicar ainda mais a questão são, na verdade, os Oscars, que apesar de terem uma categoria chamada Direcção Artística, na esmagadora maioria das vezes, não incluem nos nomeados os Directores Artísticos de um filme.

 

Vamos a um exemplo concreto: segundo os créditos oficiais de The Artist, Gregory S. Hooper é o responsável pela direcção artística do filme; contudo, se olharmos para a lista de nomeados ao Oscar e procurarmos a nomeação de The Artist na categoria Melhor Direcção Artística, o nome de Hooper não aparece. Ao invés disso temos o nome do responsável pelo design de produção (Laurence Bennett ) e o da responsável pela decoração do set (Robert Gould).

 

 

Ora bom, aqui vale a pena esclarecer que todas estas três designações fazem parte do Departamento Artístico de um filme, mas qual a função de cada uma delas?

 

O designer de produção é aquele que tem a visão geral do aspecto e estilo do “mundo” do filme. Hierarquicamente o director artístico trabalha abaixo do designer de produção e grande parte das suas funções está ligada à administração do departamento artístico, por exemplo, designar tarefas e fazer agendamento. Por fim, o decorador de set é quem vai trabalhar para criar o mundo visionado pelo designer de produção, construindo e decorando os sets.

 

 

Fotografia

 

A fotografia de um filme respeita à criação de imagem num filme e está ao cargo do director de fotografia. O director de fotografia ajuda a transformar em realidade o que está na cabeça do realizador, e a criar um look consistente para todo o filme.

 

Este é um papel que se confunde por vezes com o do realizador, e a verdade é que são trabalhos muito próximos, e que exigem diálogo constante. Ambos têm de estar presentes em cada segundo de filmagem.

 

 

O director de fotografia chefia equipas de iluminação e filmagem no set, sendo o principal responsável pelas decisões artísticas e técnicas relacionadas com a imagem. É ele que decide tudo, desde a cor à profundidade de campo, ao zoom, e ao posicionamento das pessoas e objectos.

 

Existe alguma controvérsia à volta das terminologias, mas de uma forma geral o director de fotografia pode supervisionar o trabalho de um operador de câmera (ex: The Tree of Life, onde o operador foi Jörg Widmer e o director de fotografia foi Emmanuel Lubezki) ou pode ele mesmo captar as imagens do filme.

 

 

Edição de Som

 

A edição de som envolve o processo de criar música e/ou sons para melhorar a qualidade do filme.

 

 

De uma forma geral, e especialmente nas grandes produções, muitos dos sons utilizados não são gravados no set mas criados posteriormente em estúdio. A palavra-chave nesta categoria é então “criação”. Uma associação comummente utilizada designa o editor de som como o equivalente ao realizador, uma vez que cria a partir do zero.

 

 

Mistura de Som

 

Colocando a questão em palavras simples, a mistura de som envolve justamente a mistura de sons disponíveis num filme – respeita à forma como os sons, diálogo e música se juntam.

 

 

A palavra-chave nesta categoria é então “mistura”. Uma associação comummente utilizada designa o misturador de som como o equivalente ao director de fotografia, que mistura os diversos elementos disponíveis.

 

*** *** ***

 

Sentem-se mais iluminados? Eu sinto um bocadinho.

 

E por favor, se houver entre nós algum conhecedor da matéria e que ache que dei alguma argolada, faça o favor de me corrigir que eu agradeço!

 

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Deep Focus - Uma questão de Sotaque, pt. 2

por Catarina d´Oliveira, em 08.02.12

 

Hoje continuamos a nossa viagem internacional pelo mundo dos maus sotaques. Mais cinco magníficos a completar o top 10 do Close-Up e umas quantas menções honrosas que era inadmissível deixar de parte.

 

 

 

 

Ofensor, Filme (Ano): Julia Roberts, Mary Reilly (1996)
Origem: Georgia, Estados Unidos da América
Sotaque desejado: Irlandês
Análise dos factos: É verdade que o sotaque irlandês deve ser um dos mais difíceis de emular, e por isso mesmo é um dos mais talhados a foice. Neste caso específico, é possível que Julia Roberts tenha feito uma das melhores imitações do sotaque de um verdadeiro nativo da República da Irlanda do Alabama… se esse país existisse.
Pérola das Pérolas: “I feel safe heire, that’s awll”
Prova do crime:

 

 

*** *** ***

 

 

Ofensor, Filme (Ano): Dick Van Dyke, Mary Poppins (1964)
Origem: Malibu, Estados Unidos da América
Sotaque desejado: Inglês
Análise dos factos: Dick Van Dyke e o seu Bert aquecem-nos o coração, e não há como negar o talento e alegria demonstrados pela arte. Mas este é considerada o pai e a mãe dos maus sotaques, pelo que não poderia falhar esta lista. É que é má, a sério. Foi votado e tudo! Mesmo considerando que é um papel cómico num filme para crianças, e mesmo considerando que quase só canta esta atrocidade não pode ser ignorada, e aparece dolorosamente a cada sílaba proferida. Se ainda não percebem o quão mau ele foi, fiquem a saber que o termo “sotaque à Van Dyke” é geralmente utilizado na Inglaterra para descrever as tentativas risíveis de actores de outros países para tentarem parecer britânicos.
Pérola das Pérolas: “All right, ladies an' gentssh! Comical poem! Shuitable for the occasion, exshtemporizhed and thought up before your very eyeshh!” – Amoroso mas doloroso.
Prova do crime:

 

*** *** ***

 

 

Ofensor, Filme (Ano): John Malkovich, Rounders (1998)
Origem: Illinois, Estados Unidos da América
Sotaque desejado: Ru…sso.
Análise dos factos: Eu gostava de conseguir fazer uma piada sobre o sotaque absurdo que Malkovick adoptou em Rounders, mas não tenho capacidade. Não sei se me parece mais um bêbado a pôr pontos finais depois de cada palavra ou um bêbado gago. Mas parece-me definitivamente um bêbado.
Pérola das Pérolas: “Maderfacker! (…) Dis son of beetch” - Oh Malkovich, és um fartote, mas não voltes a fazer-nos uma destas.
Prova do crime:

 

 

*** *** ***

 

 

Ofensor, Filme (Ano): Mickey Rooney, Breakfast at Tiffany’s (1961)
Origem: Nova Iorque, Estados Unidos da América
Sotaque desejado: Chinês. Ou Japonês. Ou algo parecido.
Análise dos factos: Na primeira metade da sua vida, Hollywood teve alguma dificuldade em reconhecer a existência de actores de outras raças, mesmo quando fazia filmes sobre eles. Mas desde o homem amarelo de Broken Blossoms (1919) até John Wayne de bigode ralinho em The Conqueror, nenhuma interpretação se pode aproximar de explicar as proporções racistas do Mr. Yunioshi vivido por Mickey Rooney. Dizer que este é comummente considerado como um dos sotaques/interpretações mais ofensivos da história do cinema não chega para explicar o incrível feito do vizinho asiático da adorável Holy Golightly.
Pérola das Pérolas: “Miss Gorightry!”
Prova do crime: (a partir dos 8:50)

 

 

*** *** ***

 

 

Ofensor, Filme (Ano): John Voight, Anaconda (1997)
Origem: Nova Iorque, Estados Unidos da América
Sotaque desejado: Espanhol
Análise dos factos: Parece que o talento para os sotaques não corre no sangue da família (Angelina Jolie foi a primeira na nossa lista). O caçador de serpentes paraguaio do muito sofrível Anaconda é uma das coisas mais ridículas do filme, e olhem que, entre serpentes gigantes que querem literalmente comer a Jennifer Lopez, isto não é dizer pouco, a sério. Parece um personagem saído de um episódio do Speedy Gonzalez com uma aura carrancuda em cima.
Pérola das pérolas: "You need protessshun? (…) Lon time...sinse ah hadda wum" – oi??
Prova do crime:

 

 

*** *** ***

 

Menções (Pouco) Honrosas:

 

Porque não podíamos passar sem lhes prestar a devida "homenagem"... :

 

Sotaque Britânico de Demi Moore em Flawless (2007) – o título do filme estava mesmo a pedi-las.
Sotaque “Irlandês” de Tommy Lee Jones em Blown Away (1994) – viram as aspas em irlandês? Pois.
Sotaque Irlandês de Tom Cruise em Far Away (1992) – hmm talvez o problema esteja em filmes acabados em “away”!...
Sotaque Irlandês de Brad Pitt em The Devil’s Own (1997) –  … ou então não. Felizmente temos sempre o Mickey de Snatch.
Sotaque texano de Nicolas Cage em Con Air (1997) - acompanhado de umas belas extensões capilares, perfeito!
Sotaque russo de Harrison Ford em K19: The Widowmaker (2002) – oh Harrison, deixa-te ficar com o han solo e o indy que ficas bem.
Sotaque britânico de Drew Barrymore em Ever After (1998)n– posh, é a palavra mágica.
Sotaque britânico de Forrest Whitaker em The Crying Game (1992) – wtf?

 

*** *** ***

 

E é isto pessoal. Espero que se tenham divertido tanto quanto eu a revisitar estas pérolas, e se ficaram interessados no tema, recomendo-vos a leitura de um artigo especialmente imaginativo( e divertido) que encontrei online: Top 7 Worst Regions for Movie and Television Accents e reflecte sobre alguns dos lugares mais fantásticos que tantas vezes têm relevo em Hollywood pela forma das suas personagens mais internacionais. Ainda que não estejam tecnicamente no Atlas...

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Deep Focus - Uma questão de Sotaque, pt. 1

por Catarina d´Oliveira, em 07.02.12

 

The Iron Lady estreia esta semana nos Cinemas portugueses, e com ele chega uma nova lição de como habitar um personagem por Meryl Streep. Adicionalmente, e porque desta vez falamos da interpretação de uma das mais icónicas damas inglesas, Streep oferece-nos o seu melhor sotaque inglês, completamente irrepreensível.


A construção de um personagem é um processo extremamente complexo, individual e, quando bem feito, demorado. Partimos do geral para o particular, e conforme o tempo e a convivência com o mundo da personagem aumenta, aumenta o conhecimento do detalhe e do pormenor até chegar às características primárias mais características. A fala e a forma como dizemos as coisas é um dos mais importantes instrumentos de um actor. De aulas intensivas de dicção à procura do tipo de voz certa, a oralidade pode tornar-se um trunfo ou uma maldição.

 

É verdade que o que não falta neste mundo são actores, mas como tive oportunidade de explicar num artigo passado (que podem ler aqui), em Hollywood vale tudo menos falar em língua estrangeira… porque isso ia implicar ler legendas, e é chato. Portanto, toca de mandar os actores fazer o sotaque desejado e está assunto arrumado.

 

O problema que surge é, no entanto elementar: por casa actor que passa bem entre as gotas da chuva, há 50 que assassinam um dialecto por completo. Ùmas vezes até dá para rir, mas outras parecem choques eléctricos directamente aplicados do cérebro.

 

Hoje partilho convosco algumas daquelas que são geralmente consideradas as mais tristes tentativas de sotaques em Cinema, e o mais engraçado é que a maior parte delas até vêm de bons actores... Sublinho ainda que todas terão vídeos, sendo que algumas pérolas foram deixadas de fora justamente por não terem vídeos que lhes fizessem justiça.

 

*** *** ***

 

 

Ofensor, Filme (Ano): Angelina Jolie, Alexander The Great (2004)
Origem: Los Angeles, Estados Unidos da América
Sotaque desejado: Ainda estamos para saber.
Análise dos factos: Alexander The Great é só por sim um fenómeno cinematográfico único, devido à quantidade de momentos “WTF?” que em si encerra, desde as pauladas que dá sem misericórdia nos livros de história até ao facto de Angelina Jolie interpretar a mãe de Colin Farrel. Mas tudo isto não consegue diminuir a grandeza do sotaque indistinto que Jolie aplica repetidamente às suas falas. Temos de dar o desconto, uma vez que é a única a tentar um sotaque que realmente se aplique à personagem, entre a amálgama de tentativas britânicas, arábicas, eslávicas ou inexistentes do restante elenco. Se calhar, se todos falassem assim, a coisa até ficava bem. Mas sendo só ela… é simplesmente... esquisito.
Pérola das Pérolas: “Névérr will dere be an Álegzander like you. Álegzander De Grret” – Ahoy!
Prova do crime:

 

 

*** *** ***

 

 

Ofensor, Filme (Ano): Keanu Reeves, Dracula (1992)
Origem: Nascido no Líbano; nacionalidade Canadiana.
Sotaque desejado: Inglês.
Análise dos factos: Quero por favor avisar qualquer possível fã de Keanu Reeves que é melhor passar esta parte à frente porque não vai ser simpática. Se há carreira que eu nunca vou compreender o sucesso é a de Keanu Reeves. Às vezes acho que uma porta conseguia ter conversas mais sentimentais comigo do que ele consegue ter com qualquer outra pessoa num filme. Eu nem sei bem se Reeves deveria aparecer nesta lista. Ele nunca vai conseguir fazer um sotaque britânico, irlandês, chinês, o que seja. Nunca. Isto porque o moço só sabe interpretar personagens que não demonstrem qualquer tipo de emoção ou presença física, o que limita em muito as suas opções. E aqui coloca-se a questão: quem é que, com dois palmos de testa, lhe vai dar um papel onde, ainda por cima, tem de alterar a forma como fala? E o mais grave é que o fizeram mais de uma vez.
Pérola das Pérolas: “25th May, Biiudapest” – sempre a conhecer sítios novos. Thanks Keanu.
Prova do crime:

 

 

*** *** ***

 

 

Ofensor, Filme (Ano): Kevin Costner, Robin Hood: Prince of Thieves (1991)
Origem: Califórnia, Estados Unidos da América
Sotaque desejado: Inglês.
Análise dos factos: Vamos esclarecer uma coisa: o Robin Hood era inglês. Uma vez que já dissipámos dúvidas, podemos investir-nos num dos casos mais dramáticos da história dos sotaques cinematográficos. O próprio Costner sabe que fez borrada, já que nos comentários do DVD se apressou a justificar que não teve tempo para dominar o sotaque. O maior problema é que esta deve ser uma das abordagens mais preguiçosas de sempre, onde um esforço muito ténue só se nota no primeiro acto do filme. Para piorar as coisas, o Sheriff de Nottingham é interpretado pelo fantástico e muito inglês Alan Rickman. Por uma vez na vida, era de desejar que o Sheriff lhe desse uma bolachada só para não termos de o ouvir.
Pérola das Pérolas: Nem dá para reproduzir.
Prova do crime:

 

 

 

*** *** ***

 

 

Ofensor, Filme (Ano): Sean Connery, em qualquer filme onde não possa ser Escocês
Origem: Edimburgo, Escócia
Sotaque desejado: Irlandês, Russo, Egípcio, Árabe…
Análise dos factos: Sean Connery é certamente um dos actores mais carismáticos vivos, é pena que tantas vezes faça escolhas profissionais infelizes, especialmente aquelas que trazem sotaques no pacote. Aí então é a desgraça total. Até o seu papel em Untouchables galardoado com um Oscar deixa muito a desejar no departamento dos sotaques – os senhores da Academia não deviam olhar para essas coisas na altura – o que vale é que ainda dá para umas gargalhadas. Além desse, tivemos ainda os casos célebres do aterrador sotaque espanhol (?) em Highlander e do horripilante sotaque russo em The Hunt for Red October.
Pérola das Pérolas: "He shendsh one of yoush to the hoshpital, you shend one of hish to the morgue!" – ao menos é escocês desde a espinha à ponta dos cabelitos.
(Uma das) Prova(s) do crime:

 

 

 *** *** ***

 

 

Ofensor, Filme (Ano): Nicholas Cage, Captain Corelli's Mandolin (2001)
Origem: California, Estados Unidos da América
Sotaque desejado: Italiano
Análise dos factos: Confesso que me lembrei deste belo exemplar enquanto pesquisava algumas listas relacionadas com o tema que hoje vos trago. Acredito que tenha recalcado tal memória, e por isso não me surgiu espontaneamente o sotaque atroz de Nic Cage em Captain Corelli. Não que os outros actores façam um trabalho exímio, mas Cage destaca-se pela negativa, não só com uma tentativa que se vê pensada a cada linha de diálogo, mas que coloca a importante questão: será que os italianos fazem gestos com as mãos em todas as frases? Segundo Cage, que até tem descendência italiana, parece que sim.
Pérola das Pérolas: “Quick get da gane, somebódy shut him, shut him!” - mas os gestos com as mãos falam por si.
Prova do crime:

 

 

 

(continua amanhã)

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