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Homemade: Pesadelo em Larotil, o trailer

por Catarina d´Oliveira, em 17.09.15

Desta vez é que foi: fizemos mesmo um novo filme!

 

Finalmente, a Olive Tree Pictures tem o prazer em apresentar o trailer oficial da sua (...nossa...) próxima curta-metragem que é mais ou menos adaptada de uma série de outros filmes.

 

pesadelo_poster.jpg

 

No enredo, a Família Oliveira vai de férias para os Algarves. Mas a casa que escolheram parece assombrada por algo muito sinistro...

 

 

O "filme" completo estará disponível no youtube neste Halloween - 31 de outubro.

 

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Eu sei, eu sei.

 

Era para ter sido em abril. E depois era para ter sido em julho. Mas a mais pura das verdades é um pau de dois bicos: não só estou com algumas dificuldades em dar um desenlace que goste ao anunciado James Bond, como também não queria assassinar a criança ao enfiá-la em fatos de três peças em pleno verão tropical da Trafaria.

 

Por essa razão, e porque não gostamos de ficar parados, resolvemos aproveitar as férias de família para trabalhar numa nova produção, esta, semi-original. Original porque não é baseada em nenhum filme especifico... semi porque é baseada em muitos.

 

Sendo assim e com muito gosto, eu e a Olive Tree Pictures temos o prazer de apresentar o primeiro poster oficial de O PESADELO EM LAROTIL, que tem lançamento estratégico marcado para... o Halloween. E este é mesmo verdade, porque até já está todo filmado.

 

(clicar na imagem para aumentar)

pesadelo_poster2.jpg

 

 

(Nota: para os mais curiosos, Larotil é o nome da casa onde chafurdámos que nem uns javardolas como se nunca tivessemos tido férias na vida).

 

 

 

 

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Homemade - Trailer oficial: Um Conto de Natal da Trafaria

por Catarina d´Oliveira, em 28.12.14

Como anunciado pelo queridíssimo amigo Carlos Reis, UM CONTO DE NATAL DA TRAFARIA - a nossa sofrível adaptação do conto clássico de Natal de Charles Dickens - vai estrear em exclusivo na próxima edição dos TCN Blog Awards no próximo dia 10 de janeiro, mas como não vos queria deixar tanto tempo sem um gostinho...

 

UMCONTODENATALPOSTER_ESTREIA.jpg

 

... aqui fica o trailer oficial da nossa adaptação, que chegará aos youtubes de todos os computadores, tablets, telemóveis e máquinas calculadoras a 11 de janeiro!

 

 

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Deep Focus - Da Página para o Ecrã (3/3)

por Catarina d´Oliveira, em 30.11.08

 

Da Página para o Ecrã - Listas e Listinhas (3/3)

 

A criação de algumas listas respeitantes ao tema que tenho vindo a tratar neste artigo parte do pressuposto que considero as mesmas como algo interessante, estimulante e até curioso em certos aspectos para o leitor, não representando, em nenhum caso, uma verdade irrefutável.

 

Como já vos disse, foram poucos os casos em que tive a oportunidade de ver e analisar uma “obra” nos dois media, por essa razão, é importante, e quero aqui sublinhar, que as seguintes listas foram elaboradas com base na combinação de dados provenientes de vários sites e bases de dados reconhecidos e de confiança, como RottenTomatoes, MetaCritic, IGN e IMDB, sendo que, em todos os casos terei pelo menos visto o filme. Esta última condição - a de ter pelo menos visto o filme - até justificará (se não for por me ter escapado à memória,) também alguma falta para vocês importante em alguma das categorias.

 
Sem mais balelas que já se faz tarde, seguem então algumas listas, sem ordem especial.
 
 
Séc. XX
Gone With the Wind
One Flew Over the Cukoo's Nest
A Clockwork Orange
Schindler's List
The Pianist
Silence of the Lambs
Jurassic Park
To Kill a Mockingbird
Sense and Sensibility    
 
Séc. XXI
Trilogia Lord of the Rings
No Country for Old Men
Atonement
Mystic River
Sideways
Adaptation
Pride and Prejudice
 
 
The Godfather
Jaws
Brokeback Mountain
Shawshank Redemption
Forrest Gump
The Hours
There Will Be Blood
Blade Runner
Psycho
Out of Africa
Fight Club
Ben-Hur
 
 
Planet of the Apes
Eyes Wide Shut
How the Grinch stole Christmas
The Cat in the Hat
The Human Stain
The Scarlet Letter
 
 
V for Vendetta
A History of Violence
Batman
The Dark Knight
Spiderman 2
Iron Man
X2: X-men United
Superman: The Movie
300
Sin City
Batman Begins
 
 
Fantastic 4
Batman and Robin
Elektra
Catwoman
Son of the Mask
Daredevil
League of Extraordinary Gentlemen 
 
 
Harriet the Spy
The Incredible Journey
Full Metal Jacket
Die Hard
Rambo
I Know What you Did Last Summer
Death Race 2000
 
--- --- --- --- ---
 
Com estas listinhas termina o artigo Da Página para o Ecrã, que também já ia longo!
Mais uma vez, elas não representam verdades absolutas, e por isso mesmo gostaria de vos convidar a partilharem também algumas das vossas amadas/odiadas adaptações nas diferentes categorias.
 
Bem, já valeu a pena ter escrito sobre este tema porque, de facto,  impulsionou-me a comprar já um belo molho de livros nos quais filmes foram baseados que vou começar a ler logo que possível (Pride and Prejudice será o primeiro ehe).
 
Um bem-haja a todos, e um excelente Domingo!
 
--- --- --- --- ---
 
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Deep Focus - Da Página para o Ecrã (2/3)

por Catarina d´Oliveira, em 27.11.08

 

Da Página para o Ecrã - Análise de quatro adaptações (2/3)

 

O debate continua fervoroso.  

Se for um lado é absolutamente ridículo e despropositado dizer “o livro é melhor que o filme”, por outro lado é absolutamente legítimo dizer “neste caso, gostei mais do livro”.

Atente-se em duas partes importantes da frase simples atrás escrita: a utilização do complemento “neste caso”, o que implica uma não-regra-geral, e a utilização do verbo “gostar” em oposição ao verbo “ser” (A é melhor que B), atribuindo-se assim uma conotação pessoal.

 

Assim sendo, e já que este blog é primeiramente algo que criei para expressar a minha opinião, farei uma análise sucinta de quatro adaptações relativamente recentes, tendo em conta pontos fortes e fracos de livro e filme, e o meu “veredicto” pessoal acerca do meu favorito. Debruçar-me-ei então sobre Ensaio Sobre a Cegueira/Blindness, The Hours e, “clichézismos" à parte, Lord of the Rings e Harry Potter.

 

Ensaio Sobre a Cegueira / Blindness
 
O mais recente exemplo que registo de “ler livro&ver filme” é o de Ensaio sobre a Cegueira / Blindness.
 
Esta primeira situação foi algo particular uma vez que, aquando do visionamento do filme, me faltavam ainda algumas páginas para terminar o livro (penso que à volta de umas 50).
No entanto, e ao contrário do que acontece muitas vezes, quando saímos da sala de cinema e nos damos conta de que o filme não é tão bom quanto esperávamos, desde que apareceram as primeiras imagens no ecrã senti-me desiludida.
 
Blindness não é um mau filme. O que acontece é que tem por trás de si uma quase epopeia moderna, uma obra de (quase) impossível tradução para o ecrã.
Ensaio Sobre a Cegueira, o livro, é tão cruamente real que chega a ser doloroso lê-lo. É visceral, directo, tão directo que chegamos a ter medo das coisas em que nos podemos tornar. É, ao mesmo tempo, desesperante e claustrofóbico. Não é como alguns, a meu ver ignorantes, referiram “uma história sobre cegos”. É uma parábola, uma metáfora sobre a cegueira do Homem com perfeita visão; a deterioração humana e tudo aquilo que nunca pensámos ser capazes de fazer, mas somos.
 
 
Blindness parece sofrer de uma severa falta de realismo enquanto filme, e enquanto expressão do real (para não falar de alguns “buracos” entre a narrativa).
Fernando Meirelles fez o mundo parar com Cidade de Deus, um filme violentíssimo e também totalmente cru e verdadeiro. O mesmo esperávamos de Blindness, e apesar de parecer que foi isso que nos ofereceu, com sequências violentas e chocantes, a verdade de Blindness é nem um quarto da de Ensaio.
 
Compreendo porque Saramago estava tão pé-atrás numa adaptação. Penso sinceramente que nunca o deveria ter consentido, pois não obstante Blindness ser um filme aceitável, Ensaio Sobre a Cegueira é uma obra sem precedentes. Uma análise profunda e perturbante do ser humano nas mais precárias e horríveis situações. O Homem como bicho e o bicho como Homem.
 
O melhor concelho que posso dar? Leiam o livro. Vale mesmo a pena.
 --- --- --- --- ---
 
 The Hours 
 
Este foi outros dos tais que li e vi o filme. Aliás, vi o filme e li, falando cronologicamente. Neste caso, que é sem dúvida raro, apesar de ter gostado muito do livro, achei o filme superior.
 
Apesar de não apresentar todo o conteúdo do livro, o filme tem exactamente tudo o que é essencial. Nada falta, e nada está em demasia. A acrescentar, tudo o resto forma uma mistura homogénea tão poderosa que me foi difícil tirar o filme da cabeça dias e dias depois de o ter visto pela primeira vez. A música era soberba, as interpretações espectaculares, os diálogos poderosíssimos… tudo no sítio.
 
 
O livro é bom, muito bom. A prová-lo está o prémio Pullitzer na prateleira de Michael Cunningham, junto de muitos outros. A minha maior queixa prende-se com passagens demoradas que por vezes (a mim,)  fazem perder, não o fio à meada, mas o fio ao dramatismo e à própria dinâmica. Reconheço uma técnica de escrita bem elaborada quando a vejo, o que não quer dizer que a aprecie, que é o caso.
 
Um livro é sempre e naturalmente mais extenso e complexo, e Michael Cunningham tem todo o mérito de ter criado uma história tão particular, relacionando de forma tão singular três grandes mulheres em diferentes períodos do tempo. Mas o filme…aquele todo é para mim inultrapassável.
 
Influenciada por se tratar de um dos meus filmes favoritos de sempre? É possível.
 --- --- --- --- ---
 
Lord of the Rings
 
Lord of the Rings deve ser primeiramente analisado como um fenómeno literário, e só depois cinematográfico. Tolkien foi um dos mais brilhantes escritores do século e a imaginação sem fronteiras aliada a uma mestria da palavra criaram uma das mais fascinantes e poderosas séries literárias de que há memória. Tolkien fez uso de vários estilos, técnicas e ferramentas e criou um complexo mundo completamente à parte do que ousávamos imaginar.
 
Muita gente disse que Lord of the Rings de JRR Tolkien era “inadaptável”, o que não foi negado por algumas adaptações sem sucesso da magnífica obra.
 
Em 1997, contra tudo e todos, Peter Jackson, apoiado pela New Line, chegou-se à frente e conquistou os direitos de adaptação de um projecto “impossível”, tornando-o ainda mais arriscado ao filmar os três filmes ao mesmo tempo.
 
(cilcar para ampliar)
 
10 de Dezembro de 2001 marca a chegada de Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring aos cinemas, resultando num dos maiores marcos da história do cinema. Seguiram-se as sequelas, que talvez por o serem se esperam sempre mais fracas que o primeiro filme. Aqui, mais uma vez Lord of the Rings foi fenómeno com a qualidade a aumentar de filme para filme, culminando naquele que é considerado por muitos como um dos melhores filmes de todos os tempos: LOTR: The Return of the King. E por três Natais tivemos o prazer (e a honra) de assistir a poderosas misturas de batalhas formidáveis, efeitos especiais brilhantes e um elenco irrepreensível.
 
Mas lá porque LOTR é o fenómeno que é, não significa que não tenha tido também a sua parte de críticas e acusações, dizendo respeito a cortes (que surpresa!...bah!) e novas adições, como por exemplo o dilema de Aragorn em aceitar o seu destino como rei, que não está assim descrito no livro. A meu ver, o filme em si só teve a ganhar com estas adições, e foram elas que permitiram uma maior coesão e continuidade à própria história.
 
De uma forma geral, é sem grandes receios que digo que gostei tanto dos livros como dos filmes, pois as faltas de uns são compensados pelas qualidades dos outros.
 
 
Enquanto livro, mergulhamos profundamente naquilo que Tolkien imaginou como a Terra Média. Todas as lendas, as minuciosas e pormenorizadas descrições permitem uma análise e compreensão sem falhas tanto dos personagens principais, como das próprias raças, locais e tempos. Por ser por vezes extenso e intrincado, é considerado por alguns como "por vezes chato", algo que compreendo mas não concordo.
 
Enquanto filme, é um festival visual. O conhecimento e a explicação de contextos não são tão abrangentes como a base escrita, no entanto, a acção e o dinamismo falam mais alto do que no livro. O filme tem ainda a ganhar nas magníficas inovações visuais e multimédia, e ainda na humanidade dos personagens, que acaba por ser um dos elementos mais centrais e importantes da trilogia.
 
Na minha modesta opinião, os filmes Lord of the Rings estão não apenas entre as melhores adaptações literárias já feitas, mas também, pelas barreiras que quebraram, entre os melhores filmes de sempre da minha lista pessoal.
--- --- --- --- ---  
 
Harry Potter
 

Tal como as séries de The Chronicles of Narnia (C.S. Lewis) ou Lord of the Rings (J.R.R. Tolkien), Harry Potter , escrito por J.K. Rowling juntou fãs e mais fãs em todo o mundo em pouco mais de uma década de existência.

 

No geral, e até indo contra a opinião da maioria, considero as adaptações de Harry Potter realmente competentes e eficazes no seu maior propósito: entreter.

 

Se temos tanta pressa em comparar Harry Potter com Lord of the Rings, consequentemente dizendo que os filmes do feiticeiro não prestam quando equiparados aos da Irmandade do Anel, temos de ter em conta que se baseiam em materiais de natureza completamente diferente.

 

Tolkien tinha uma imaginação acima da média dos génios da criatividade. Era um visionário de mundos que não poderíamos sequer imaginar em sonhos se não no-los tivesse escrito em papel. Paralelamente, era um mestre da palavra, e cada linha sua era um autêntico ensaio épico: as descrições minuciosas, os embelezamentos estilísticos.

Rowling é uma escritora moderna, directa e dinâmica. A acção passa sem grandes demoras, sem grandes paragens para pormenorizadas descrições ou reflexões.

 

(clicar para ampliar)

 

São estilos diferentes, que, consequentemente, também criam filmes que, apesar de se enquadrarem no mesmo género cinematográfico, são de natureza completamente diferente.

 

Pessoalmente considero Harry Potter um grande objecto de entretenimento, e é sem qualquer constrangimento que digo que, antes de os filmes saírem, li todos os livros (alguns duas vezes, em inglês e português).

 

Em termos de conteúdo, os filmes são de facto mais pobres. É claro que nenhuma adaptação consegue manter todo o material do livro, o que significa que curiosidades ou factos que poderemos considerar interessantes ficarão de fora. O que se poderá dizer da criação de Rowling, é que vive muito destes pequenos apontamentos, destas deliciosas pérolas que dão ânimo e dinâmica ao enredo. E talvez seja daí que partem muitas das críticas.
 
Na minha visão pessoal, as escolhas de “o que incluir” e “o que deixar de fora” nem sempre foram sensatas, talvez, e especialmente com Chris Columbus, nos dois primeiros filmes. No entanto, compreendo a dificuldade de tornar “real” um mundo mágico, e, assim sendo, regalo-me e contento-me de muito boa medida com o que nos tem vindo a ser apresentado.
 
(*) Um facto curioso e que penso ser interessante trazer ao de cima é que, normalmente, os filmes ajudam a venda dos livros. Vejamos, só para citar um exemplo, Lord of the Rings, que, não obstante ser uma obra antiga e já bastante lida, viu o interesse nos livros completamente renovado e fortalecido com o lançamento dos filmes. No entanto, Harry Potter parece-me ser uma excepção à regra, sendo o sucesso dos livros a alimentar o sucesso dos filmes.
 
--- --- --- -- --- --- ---
 
E aí está...
Além dos filmes que discuti, muitos e muitos outros já foram e estão a ser adaptados (entre os mais célebres, The Godfather, Jaws, Shawshank Redemption, Fight Club...). Quero aqui deixar um pequeno apontamento para o crescimento exponencial de adaptações de Comics (o caso mais gritante, The Dark Knight), que só por acaso e sincero esquecimento não inclui aqui um exemplo/análise.
Neste artigo (tripartido) NÃO SÃO CONSIDERADOS TEXTOS TEATRAIS. Isto porque, mais tarde, pretendo dedicar um espaço exclusivo a esses textos.
 
E para terminar, gostava de deixar, mais uma vez, uma questão.
 
Qual a adaptação literária que mais vos surpreendeu [positiva ou negativamente] e porquê?
 
(*) Na terceira e última parte deste "artigo tripartido", publicarei algumas listas que me parecem conformes com o tema.
 

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Deep Focus - Da Página para o Ecrã (1/3)

por Catarina d´Oliveira, em 24.11.08

 

Da Página para o ecrã - O filme é sempre destinado a falhar? (1/3)

 
Não me lembro de alguma vez ter ouvido alguém dizer “Tens de ver o filme antes de ler o livro!”. É quase inevitável que, quando chega às salas um filme baseado num livro, independentemente das pessoas terem gostado ou não, a primeira frase que sai da boca é “Gostei mais do livro”.
 
Porque é que isto acontece? Um livro é, por natureza, melhor que um filme? Pessoalmente, acho que não. Aliás, é o mesmo que comparar batatas com cebolas.
Mas ainda assim, aposto que bem mais de 80% das pessoas dirão que “o livro é melhor que o filme”. A questão eleva-se de novo…PORQUÊ?
 
Bom, há várias teorias, ou respostas se preferirmos. Algumas melhores, outras nem tanto, mas aqui ficam aquelas que me parecem de facto as mais justificadas e plausíveis.
 
1.     Ler o livro antes de ver o filme.
 
Em praticamente tudo o que fazemos na vida, a primeira
experiência é aquela que não só funciona como padrão, mas também nos permite familiarizar com o que quer que seja que experienciámos. Quando vemos um filme e depois um remake desse mesmo filme, é impossível não compararmos os dois. Nunca conseguimos julgar o remake como um filme em si mesmo porque já temos intricado o padrão do 1º filme.
Mesmo que o remake seja de facto melhor, a grande tendência será para o não admitir, ou mesmo o não ver. Porque o primeiro é o primeiro e foi apenas julgado pelos seus méritos próprios.
 
A regra é a mesma com os livros/filmes. Geralmente lemos o livro primeiro e o nosso gosto é determinado pelo seu próprio mérito. Posteriormente, vemos o filme, que já não o julgaremos por si mesmo, mas em comparação com o livro.
Não vale a pena falar de Justiça ou Injustiça porque, no final de contas, é natural que assim seja. As coisas são como são, ponto.
 
2.     Centenas de páginas de livro vs 2 horas de filme
 
300, 500, 800 páginas cheiinhas de diferentes narrativas, acção, diálogos, monólogos, análises psíquicas (…) e disponibilizando um minucioso detalhe sobre cada pormenor que possamos imaginar. Um bom livro pode sugar-nos completamente durante dias, fazendo-nos sentir autenticamente toda a atmosfera, criando na nossa mente a nossa própria imagem daquilo que é a história que lemos, dando face ao que não tem cara. Nas páginas, o tempo voa parado. Não há pressas, o autor explica e descreve, calmamente. Seguimos a história ao nosso ritmo, numa diversão longa e envolvente.
 
 
Passamos para outra realidade, a do filme. Consideraremos aqui, genericamente, que um filme tem à volta 2 horas, e que, consequentemente, terá cerca de 115-130 páginas de guião. E agora, a “matemática de merceeiro” chega para compreender a situação. É impossível um guião de 120 páginas replicar os mesmos acontecimentos minuciosamente descritos nas 500-800 páginas de um livro.
Terão de haver muitos cortes e adaptações (aqui não tendo em conta se são bem ou mal feitos), pois nem tudo o que funciona no papel funciona na prática, ou em movimento se se preferir.
 
3.     A imaginação é o perfeito “centro de castings”
 
Enquanto lemos um livro, somos livres, temos orçamento ilimitado e carte “blanche” em todas as jogadas.. Livres para criar ambientes, lugares, personagens. As coisas são como nós as imaginamos, e a imagem que eu formo em relação a alguma coisa, é seguramente diferente da que qualquer um de vocês terá nas vossas cabeças.
 
 
Em traços drásticos podemos dizer que os filmes “assassinam” esta liberdade e esta imaginação.
O mundo imaginário que era só nosso passa a ser real e a estar aos olhos de todos. Os personagens, a quem atribuímos mentalmente características muito pessoais e especiais, são representados por actores que muitas vezes se afastam anos-luz do que imaginávamos.
 
4.     É muito mais “intelectual” preferir o livro ao filme
 
Esta questão é obviamente de natureza diferente das outras, o que não quer dizer que não aconteça com muita frequência. Há pessoas cultas, pessoas menos cultas, e pessoas que, mesmo não sendo muito cultas, dão a entender que o são.
 
E em todas as três categorias existe uma boa percentagem que gosta sempre mais do livro. Invariavelmente. Porquê? Porque os livros são mais sérios, mais sofisticados. Parece melhor apreciar um bom livro que o divertimento das massas.
 
“O livro é melhor que o filme…como sempre!”. Pode até ser verdade em muitas situações, mas quem afirma que isto se passa sempre, das duas uma, ou viu poucos filmes, ou, e mais provavelmente, leu poucos livros. Pessoalmente, e não tenho vergonhas de o admitir. Gosto de ler e penso ter já lido uma aceitável quantidade de livros, mas são realmente escassos os casos em que li o livro e vi o filme.
 
 
O que é importante reter nesta discussão interminável é, no entanto, muito simples.
Cinema e Livros são tipos de media completamente diferentes. Quem espera chegar ao cinema e ver uma representação fiel de um livro (o que, admito, eu mesma espero por vezes), só demonstra ingenuidade e falta de senso. Cada um utiliza diferentes técnicas para entreter. Cada um tem uma interpretação diferente, apesar de tratar a mesma base de acontecimentos. O ponto forte de um livro poderá bem ser o ponto fraco de um filme, e vice versa.
 
Um filme tem necessariamente de ser simples, directo (o que obviamente não significa que não seja envolvente e dramaticamente competente), chama os sentidos a actuar – visão e audição.
 
Um livro invoca mais imaginação – a minha história, o meu mundo, as minhas personagens (…). É  um mundo completamente diferente; complexo, uma dimensão onde não há a noção de tempo. Se num livro é descrita exaustivamente, durante 3 ou 4 páginas, uma jarra, uma sala ou uma carpete, não podemos esperar que um filme dedique 4 ou 5 minutos ao mesmo exercício. Seria simplesmente insuportável de assistir não concordam?
 
Resumindo, o que é melhor? Um livro ou um filme?
Não sou dona da verdade. Aliás, tudo o que aqui escrevi hoje foi tão somente a minha visão sobre o tema, nada mais. No entanto, parece-me claro que há perguntas que não têm resposta. Ou melhor, nem merecem resposta pelo seu ridículo. Esta é sem dúvida uma delas.
--- --- --- --- --- ---
 
Durante esta semana serão publicados mais dois posts relativos a este tema…achei melhor desta forma senão ficava aqui um testamento que ninguém tinha pachorra para ler.
 
Na segunda parte deste “artigo de discussão”, farei alguns breves comentários a algumas obras tive a oportunidade de apreciar nos dois “media” – livro e filme – e os pontos mais fortes e mais fracos de cada uma. Na terceira parte, a mais levezinha e fácil de ler, publicarei algumas listas/tops que dizem respeito ao tema.
 
Agora, e para terminar este post que já vem longo, gostava de deixar uma questão aos meus estimadíssimos e queridos leitores…
 
 
Afinal, quando é que devemos ler um livro em que foi baseado um filme?
 
Antes, e pôr a maravilhosa máquina da imaginação a funcionar e criar uma história rica, só nossa, completamente perfeita?
Ou Depois, e ver primeiro a interpretação de outra pessoa e só posteriormente a abordagem do livro?
 
Por um lado, no primeiro caso é inevitável alguma desilusão ao assistir a algo completamente diferente do que tínhamos imaginado; por outro lado, no segundo caso, lutaremos contra as imagens e ideias mostradas no filme, das quais não nos conseguimos libertar, sem nunca conseguirmos ter uma visão verdadeiramente nossa.
 
Qual é a vossa opinião?

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