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Point-of-View Shot - Sophie's Choice (1982)

por Catarina d´Oliveira, em 02.03.09

 

"Nein! Ich kann nicht wahlen! Ich kann nicht wahlen!"

(Não! Não consigo escolher! Por favor não me obriguem a escolher!)

 

Escolher.


Todos os dias nos deparamos com escolhas; umas fáceis, outras complicadas. O que é certo, e que muitas vezes esquecemos é que, ao mesmo tempo que escolhemos alguma coisa, abdicamos automaticamente de outra.


Uma escolha pode ser uma liberdade mascarada, cruel e devastadora que, em determinados momentos, desejaríamos não possuir. Não uma, mas uma série de dramáticas escolhas marca a vida de Sophie, a sofrida protagonista de uma das mais trágicas e comoventes histórias que o cinema viu surgir nos últimos 30 anos: Sophie’s Choice.
 

 

O ano é o de 1947 e Stingo é um jovem aspirante a escritor que resolve mudar-se para Brooklyn em busca de um importante impulso na sua tenra carreira. Já alojado, Stingo desenvolve uma profunda e intima amizade com os seus “vizinhos de cima”, Nathan Landau e a sua namorada polaca Sophie Zawistowska. Mas este triângulo relacional é constantemente ameaçado pelas estranhas e violentas variações de humor de Nathan e pelo misterioso fardo que Sophie parece carregar consigo em todos os momentos.


Dois narradores conduzem-nos pelas estradas dos acontecimentos: Stingo, que recorda o inesquecível Verão em Brooklyn, e Sophie, que dentro da história de Stingo, compartilha as suas memórias da Segunda Grande Guerra com este último.

 

A amizade de Stingo com o exuberante casal torna-se rapidamente numa odisseia de descoberta do amor, mas também um horrível choque com uma realidade de ódio, mentira e vergonha que, de uma forma ou outra, fragmenta estas três pessoas de quem aprendemos lentamente a gostar e acolher.
 

Realizando, produzindo e escrevendo o argumento a partir do material original de William Styron (o livro com o mesmo nomes publicado em 1979), Alan J. Pakula foi o grande maestro desta excepcional peça. Pakula trata a história com exímios respeito e lealdade, dando, simultaneamente, uma nova e verosímil vida a Sophie, e faz-se acompanhar de uma competentíssima equipa da qual se destacam Nestor Almendros, pela inteligente fotografia contrastando as cores vivas do presente com os tons deslavados e cinzentos da Alemanha Nazi, e Marvin Hamlish, que reconstruindo obras de Mozart, Beethoven e Strauss, cria um tocante e belíssimo fundo sonoro que se move ao sabor dos tempos e das emoções com uma fluidez impressionante.

 

 

O trio protagonista é composto por Meryl Streep, à qual me referirei mais à frente, e pelos dois homens da casa: Kevin Kline, que nos brinda com uma estupenda estreia no cinema com o perturbado Nathan (nota especial para as quebras de loucura e uma cena particular onde dirige, imaginariamente, uma orquestra e que por alguma razão representa toda a excentricidade e insanidade que o habitam) e Peter MacNicol com o jovem e sentimental Stingo.

 

Reservo um espaço especial e um pouco mais alargado do que o costume para falar um pouco sobre a grande razão de esta fita roçar a  classificação de obra prima: uma mulher que justifica aqui e como nunca todo o reconhecimento e mais algum que lhe seja possível. Tendo visto muitos dos seus filmes, Meryl Streep já era, a meu ver, uma das maiores actrizes da actualidade. Mas esta fita veio-me mostrar que isso era não era de todo verdade; é muito, muito mais que isso.

 

Sophie, a personagem criada por Styron, é uma criatura altamente extravagante e paradoxal parecendo, no seu tempo, de reprodução impossível. Se já pensamos na excelência ou “impossibilidade de fazer melhor” de papéis como Karen Blixen em Out of Africa, ou mesmo recentemente de Sister Aloysius em Doubt, as palavras deixam de ter qualquer sentido quando assistimos a Sophie’s Choice. Meryl Streep parece só conseguir ser ultrapassada... por ela mesma!

 

A preparação do papel levanta apenas o véu do trabalho e esforço da actriz: aprendeu Polaco e Alemão e sofreu uma variação de peso na ordem dos 15 Kg. A pronúncia polaco-americana de Streep será uma autêntica utopia para a grande maioria dos grandes actores, saindo-lhe tão naturalmente que é difícil acreditar que a primeira língua daquela mulher é, evidentemente, o Inglês. A sublimidade atinge o detalhe delicioso de, nas cenas iniciais onde ainda não controla positivamente o inglês, vermos Sophie e esforçar-se por traduzir mentalmente o que pretende dizer.

 

 

Streep é tão espectacularmente perfeita que quase nos cega para o que de resto nos rodeia; atinge o intatingível e faz-nos realmente repensar o que é  uma verdadeira interpretação cinematográfica. Cada pedaço microscópico de talento é utilizado até à exaustão na construção de um complexo, detalhado e comovente retrato, e o que Streep espalha em todos os momentos pelo ecrã é pura arte. E as palavras nunca estarão sequer próximas de poder descrever a performance desta grande, grande mulher. O dicionário deveria explicitar os termos Actor/Actriz com duas palavras: Meryl Streep.

 

Sophie's Choice é poderoso ao ponto de silenciar almas e corações. Muitas vezes desconfortável de olhar de frente, é uma história que ultrapassa e reinventa concepções de horrores terríveis. Horrores que, já insuportáveis, ainda se vêm exponencialmente aumentados pela desgraça e agonia envolventes do pesadelo Nazi. A dor de Sophie trespassa o ecrã para fisicamente se instalar em cada um dos espectadores.

 

Contudo, é ainda uma lição de esperança e de vida que, acima de tudo, nos relembra o quanto devemos aproveitar e estimar o que amamos e ainda, compreender o que realmente importa numa vida que tantas vezes é cruel e injusta.

 

 

É inevitável referir a cena que justifica o título do filme, já que é e será sempre a sua grande marca, e, inequivocamente, um dos momentos mais perturbantes e desoladores que uma camera já teve e terá algum dia a oportunidade de filmar. Em apenas um take se fez história -  o coração de mãe de Streep recusou o choque e devastação emocional de repetir a cena.

 

Num dos flashbacks sobre a sua experiência num campo de concentração, Sophie recorda-se num amontoado de judeus e alvos nazis, onde é abordada por um militar. Com um filho em cada um de seus braços, é-lhe dado um “privilégio” por não ser realmente judia: poderá escolher. Todavia, de tão cruel, torturadora e desumana,  esta escolha veste as roupas que nem a morte ousa tocar. O “prémio” de escolher um (e apenas um!) dos filhos condenado o outro à morte impõe-se sob a condição de que, não escolhendo, morrerão ambos.


Desesperadamente gritando não conseguir, Sophie acaba por fazê-lo, numa acção que, sendo aparente e exteriormente condenável, nos aproxima ainda mais de uma heroína diferente de todas as outras. Uma mulher que, para sempre, viveu na sombra da culpa e da dor mortal que não mata, e que nos fará tantas vezes acordar e pensar que, afinal, devemos dar graças e sorrir pela vida que temos.
 

 

"I knew that Christ had turned away from me, and that only a Jesus who no longer care for me could kill those people that I love but leave me alive, with my shame, oh, God, so I kneel down and take that piece of glass and I cut, cut my wrist but I didn't die of course, of course not"

 

9.5/10

 

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2 comentários

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De Tiago Ramos a 02.03.2009 às 21:08

Nunca vi, mas depois da crítica fiquei ainda com mais curiosidade de ver. E com o Óscar da Meryl Streep ainda mais...
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De Hugo Gomes a 02.03.2009 às 23:56

Grande Filme, Grnade Meryl Streep, para mim tb uma das melhores actrizes da actualidade e aquela cena da escolha nos dias de hoje ainda me arrepia.Muito boa critica "It's Terrific"

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