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Point-of-View Shot - Dr. Strangelove (1964)

por Catarina d´Oliveira, em 12.09.12
"Mein Führer! I can walk!"

 

Por ocasião do Dia Internacional contra os Testes Nucleares (29 de Agosto) na Vogue.pt, resolvi retroceder quase 50 anos para trazer uma breve análise daquela que será, por ventura, a mais eficaz história “anti-tretas-nucleares” que o Cinema já contou. Hoje partilho convosco uma versão estendida desse mesmo texto, aqui no Close-Up.

 

Vagamente baseado na obra de Peter George, “Red Alert”, Dr. Strangelove (título pálido quando comparado ao colorido original: “Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Loved the Bomb”) foi filmado em plena Guerra Fria, constituindo-se como uma das mais brilhantes sátiras à referida contenda em particular, e aos conflitos bélicos modernos em geral.

 

 

O enredo coloca um estouvado general norte-americano - Jack Ripper - convencido de que os comunistas vêm poluindo as reservas potáveis americanas, e ordena um ataque nuclear à União Soviética. Apesar dos louváveis esforços do Capitão Mandrake e das discussões (nem sempre) civilizadas no Pentágono entre o Presidente dos Estados Unidos, os chefes do Estado Maior e um ex-cientista nazi, o destino do mundo parece estar traçado, restando agora pouco mais do que aguardar pelo Fim.

 

Stanley Kubrick começou por imaginar Dr. Strangelove como um filme sério sobre o fim de todas as coisas, à imagem da obra literária em que se baseia. Esta intenção foi, contudo, defraudada pela realização do absurdo por detrás das futilidades da Guerra Fria e do cenário DMA (Destruição Mútua Assegurada), tendo decidido, em vez disso, fazer uma aguçada comédia negra que, mais letal que um despejamento nuclear, se transformou num cartaz anti-guerra hilariante.

 

 

A ideia básica por detrás da doutrina cujo acrónimo americano toma a leitura curiosa de MAD (louco), vê dois lados poderosos de uma guerra – neste caso, EUA e URSS – capazes de se destruírem a si mesmos e ao outro com armamento de guerra, se atacado por qualquer razão. Assume-se então que nenhum dos lados atacará primeiro por medo da retaliação, que poderia surgir em igual ou maior força, resultando na destruição total de ambas as partes.

 

Dr. Strangelove expõe os aspetos mais absurdos da guerra nuclear e liga os dois instintos mais básicos do Homem (o apetite sexual e o desejo de matar) como ponto de partida. Além dos referidos pilares, a miríade de temas retratados (ou será mais espicaçados?) é imensa: políticas de nacionalismo e preconceito direcionado ao estrangeiro; a metáfora sexo/guerra (o acto sexual, desde a penetração até à formação do ovo, é comparável à natureza da guerra); sexismo (mulheres são tratadas como meros objetos de prazer); dificuldades de comunicação, que são a causa de grande parte das peripécias que sucedem ao longo do enredo.

 

 

Muito à frente do seu tempo no que respeita a estilo, sensibilidade e conteúdo temático, o (agora) clássico de Kubrick começou por ser recebido de uma forma que tinha tanto de cautelosa como de desorientada: foram poucos os que, no seu tempo, foram capazes de saber como deslindar o filme e avaliá-lo. Curiosa e surpreendentemente, a audiência teve uma mente mais aberta, e Dr. Strangelove foi um êxito nas bilheteiras.

 

As mudanças na cena cultural americana e no cinema de Hollywood permitiram que um título de baixo orçamento se tornasse um sucesso comercial, provando que qualidades um dia associadas a movimentos cinematográficos visionários e à contracultura podiam ser consumidas e apreendidas pelas massas. Desafiando o senso comum de Hollywood, Dr. Strangelove foi uma sátira corrosiva ao governo e às forças militares que mostrou que a linha antiquada entre Cinema underground e mainstream estava a ficar turva, e que o público estava pronto a aceitar ideias que se pensavam exclusivas ao domínio avant-garde do Cinema Europeu.

 

 

 

O elenco merecia um artigo dedicado por si só, mas teremos de passar agora com breves menções honrosas.

 

O mago Peter Sellers, respeitável enquanto Mandrake e diplomático como o Presidente Muffley, é sobretudo recordado pelo completamente demente Dr. Estranhoamor. O plano original era que Sellers interpretasse quatro papéis, mas depois de filmar três, partiu uma perna e não conseguiu completar o quarteto. Slim Pickens tomou o seu lugar interpretado o Major “King” Kong e protagonizando, montado num missíl de guerra, uma daquelas cenas para que o Cinema olha com admiração, saudade e orgulho, mesmo mais de 40 anos passados.

 

 

 

Sterling Heyden é perfeito como Jack D. Ripper, o “vilão” que iniciou a cadeia de acontecimentos imparáveis que levaram ao fim-do-mundo como o conhecemos. O seu discurso anti-comunismo, referindo a sua conspiração para minar os fluídos corporais dos americanos é especial, ainda que maliciosamente delicioso.

 

George C. Scott é maior do que a vida com o fala-barato patriota hiperativo, o General Buck Turgindson.

 

Existe a tendência de colocar Strangelove fora do corpo principal de trabalho de Kubrick, apresentando-se este como uma comédia (o realizador nunca foi conhecido como sendo uma personalidade associada a gargalhadas) e alargando-se numa duração muito mais curta do que os seus outros filmes desta época, sendo sempre o tal “filme de Kubrick recomendável para quem não gosta de Kubrick”. Todavia, e observando a base temática da obra do realizador, não é assim tão diferente dos demais: o estilo continua a ser formal e baseado em maneirismos, o ritmo é compassado, e o sentido de humor, apesar de relativamente amplo, continua a ser baseado num sarcasmo azedo e misturado com um estilo surrealista, técnicas avant-garde e caracterizações dignas de uma banda desenhada.

 

 

Tão aterradora, divertida e perspicaz como em 1964 e mais letal que um despejamento nuclear, a única comédia (oficial) do currículo de Kubrick é, simultaneamente, uma cápsula do tempo que nos transporta para os medos mais palpáveis da Guerra Fria, e um exercício mordaz extremamente atual, que encontra o conflito nuclear como uma realidade perturbadoramente presente.

 

"Gentlemen, you can't fight in here. This is the War Room!" exclama o Presidente Muffley quando uma discussão acesa quase resulta em escoriações e olhos negros, epitomizando na perfeição a sátira patente em todo o imbróglio nuclear.

 

Um feito cinematográfico sem paralelo para ver (e rever) antes do fim do mundo.

 

10/10

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4 comentários

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De André Clemente a 12.09.2012 às 20:19

O grande Kubrick não facilita mais uma grande obra prima.
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De Jorge Teixeira a 12.09.2012 às 20:47

Totalmente de acordo, uma daquelas pérolas que só não é mais conhecida porque a carreira de Kubrick o ofusca (é compreensível, ainda que este seja mais um grande filme do realizador). De resto boa crítica, em que destaco, inevitavelmente, o plano das interpretações - divinais!

Cumprimentos,
Jorge Teixeira
Caminho Largo (http://caminholargo.blogspot.pt/)
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De Catarina d´Oliveira a 12.09.2012 às 20:52

Obrigada pelas palavras, Jorge e também concordo contigo: é uma carreira com tantos filmes exemplares que estes acabam por se ofuscar entre si, por vezes!

Noutros assuntos, já acrescentei o teu blog à minha lista de links aqui do Close-Up e vou passar a ser também presença assídua no teu espaço :)
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De Miguel Reis a 13.09.2012 às 13:08

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