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Point-of-View Shot - Take Shelter (2011)

por Catarina d´Oliveira, em 16.05.12

 

"You think I'm crazy? Well, listen up, there's a storm coming like nothing you've ever seen, and not one of you is prepared for it. "

 

Vivemos num mundo que nos ensinou a tomar as coisas como garantidas.

 

Desde aquele brinquedo que já não nos esforçamos por obter mas recebemos de qualquer forma, ao amor incondicional de um enamorado cego; das nossas capacidades mais básicas àquelas que nos diferenciam dos demais seres vivos.

 

Mas qual seria a nossa reação, ou o que seria de nós se um dia fôssemos privados do tal brinquedo, ou se a pessoa com quem mantínhamos uma relação partisse para outra, ou se deixássemos de conseguir articular uma frase, ou, talvez um dos cenários possíveis mais aterradores ao ser humano, deixássemos de ser capazes de deslindar o que é real do que não é?

 

 

Atormentado por uma série de visões apocalípticas e um estado das coisas pouco animador, Curtis é um homem que tem de decidir se deve proteger a família dele mesmo ou – e incorporando uma espécie de Noé – de uma tempestade vindoura.

 

Take Shelter é terror para gente crescida e ataca-nos com intensidade máxima no ponto mais fraco: aquela certeza que tantas vezes receamos conscientemente relembrar. A certeza de que, na face do desastre maior, não estaremos à altura.

 

Jeff Nichols, que escreveu e realizou o título, alcança a excelência no storytelling ao misturar alquimicamente os elementos mais mundanos na narrativa com os eventos mais bizarros. O resultado é uma solução fluída com o dom de incrustar em nós uma espécie de esquizofrenia por afinidade: também nós deixamos de conseguir distinguir o real do imaginário.

 

 

Mas mais do que um character study, o que o realizador americano criou foi uma brilhante alegoria para os tempos negros do presente, que entre a paranoia e a ilusão, nos guarda muito do que devemos recear.

 

O mundo em que vivemos é um lugar permanentemente inquieto, uma realidade que qualquer um de nós não tem dificuldade em atestar, mas que os filmes têm, de alguma forma, tanta dificuldade em reproduzir. E Take Shelter é um daqueles títulos raros que tem o dom de carregar consigo o sentido do mundo presente em cada frame. Esta é uma obra habilmente controlada a todos os níveis, numa modulação perfeita do mood que se alia a uma precisão emocional exímia.

 

Os efeitos visuais são incrivelmente avançados - as imagens apocalípticas são fascinantes, mas não menos o são as da vida quotidiana - e a banda Sonora composta por David Wingo acompanha a angústia e desespero de Curtis como parte da mesma unidade.

 

 

Take Shelter é um cenário típico para um showcase do talento dos protagonistas – e logo se juntam dois dos atores mais dotados da uma geração: Michael Shannon e Jessica Chastain.

 

A escolha de Shannon é, contudo, um exemplar do célebre pau de dois bicos: se por um lado fica a sensação de que o sujeito passa a vida a interpretar personagens avariados da cabeça, por outro temos a certeza de que este era uma história que tinha nele o único veículo possível.

 

O dilema deste homem é construído por Shannon de uma forma direta e tocante, e desde a suavidade à ameaça, e da calma ao pânico, a modulação do ator é radiosa, num crescendo até à explosão fogosa entre uma reunião de locais que oferece a sua quota de olhares surpreendidos e esgazeados.

 

A performance de Chastain encaixa com uma naturalidade tremenda na de Shannon, sendo dotada de uma natureza implosiva capaz de nos deixar de coração nas mãos – afinal, é ela o vaso emotivo conector entre nós e a obra.

 

        

O ritmo será lento para muitos, e Take Shelter é definitivamente demasiado longo. Mas nem o ritmo nem a duração são o maior dos problemas. O pior sucede no momento em que o realizador decide escolher. O sumo está no processo, em todos os momentos silenciosos que intervalam os acontecimentos, em todas as subtilezas riquíssimas do enredo. E o momento em que Nichols “decide decidir” - se Curtis é um homem tomado pela loucura ou uma espécie de profeta maior - é aquele em que Take Shelter se torna, subitamente, num filme menor.

 

Mas Nichols é um homem que, num pedaço de poesia negra, sabe construir um sentimento de temor em crescendo. O seu génio, e consequentemente, do próprio filme, está justamente nas subtilezas. A economia fragilizada, as contas por pagar, a burocracia interminável para marcar uma operação, o destino ambíguo da herança genética, e, derradeiramente, a constante sensação de que o Universo (ou um Deus), num movimento impiedoso, se pode ver livre de nós como meras formigas. E nada podemos fazer senão procurar abrigo.

 

8.5/10

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4 comentários

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De André Clemente a 16.05.2012 às 15:16

Tão bom este filme, aquela parte final parte tudo xD 9/10 para mim!! beijinho
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De Catarina d´Oliveira a 16.05.2012 às 15:18

eu também gostei muito andré, mas passava bem sem o final. acho que o fortalecia imenso que o final nem sequer fosse tocado...mas ainda assim é um filme poderosissimo
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De André Clemente a 16.05.2012 às 15:55

Sem duvida, mas eu gostei assim com o final ;)
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De suzi a 04.06.2012 às 09:59

Já vi. Gostei bastante e penso que sendo um filme lento dá enfase ao 'terror' psicológico que caiu naquela família. Relativamente ao final também achei que devia ter terminado de outro modo, mas pelo menos não nos podemos queixar que não foi um final inesperado! Interpretação excelente!

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