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Point-of-View Shot - We Need to Talk About Kevin (2011)

por Catarina d´Oliveira, em 30.12.11
Parece que começo a ganhar o hábito de acabar o ano com análises extra-large dos filmes a que assisto. Não vos quero maçar, but i can't really help it. É a última do ano e por isso quis trazer-vos novamente, mais do que uma crítica, uma análise. Sem mais demoras, leiam e digam-me também de vossa justiça.
 
*** *** ***
 
 
"Why would I not understand the context? I am the context!"
 

Não foram poucas as obras, cinematográficas ou não, a inspirar os seus enredos em catástrofes como o massacre de Columbine, onde dois jovens de boas famílias mataram a caçadeira 15 pessoas e fizeram mais de 20 feridos. Beautiful Boy, lançado no ano passado versa sobre o mesmo tema deste filme que hoje vos trago, onde um casal de pais tenta lidar com o pesar e a vergonha dos actos criminosos do filho.

 

A fita, We Need to Talk About Kevin, baseia-se num romance homónimo e ficcional escrito por Lionel Shriver sobre uma mãe que, depois de ver o seu filho envolvido num massacre sangrento, reflecte sobre a sua vida e a da criança antes do fatídico acontecimento através de cartas que envia para o marido - o romance é 100% epistolário.

 

O filme com que Lynne Ramsey nos brinda é diferente: as cartas desaparecem e temos uma narrativa não-linear e com pouco diálogo, que alterna entre o passado, o presente e um peculiar estado de sonho.

 

Eva é uma mulher que um dia foi feliz na sua filosofia de vida de viajante do mundo. Um dia, a aventura tem de se reformar: a cegonha chegou, e não traz boas novas. Nasce o seu primeiro filho, e a partir do momento em que o segura no seu colo pela primeira vez, duas coisas são claras: 1º este não é um bebé desejado, 2º esta também não é uma mãe desejada. Os choros são tão histéricos que muitas vezes Eva encaminha o carrinho de bebé para perto das obras, onde o barulho das máquinas se sobrepõe e dá espaço a alguns segundos de alívio.

 

Mas se por um lado o choro pára com o crescimento do rapaz, cada vez mais coisas desagradáveis aguardam Eva. Selectivo no direccionamento dos seus ataques odiosos, Kevin não deixa mais ninguém perceber o seu ódio, especialmente ao pai presente mas ausente.

 

Quando os dias de adolescência chegam finalmente, o incómodo e desagrado de Eva metamorfizam-se em puro medo perante uma criação que desafia todos os princípios de humanidade.

 

 

Apesar do que possam imaginar, We Need to Talk About Kevin tem menos de análise de uma criança potencialmente perigosa e problemática do que de um estudo sobre os sentimentos da mãe do mesmo.

 

Todo filme é uma peça de equilibrismo complexa. É quase um filme de terror doméstico que nos é contado com bastante técnica por Ramsey e que não me parece pretender ser um comentário social ao tema directo, ainda para mais, porque se trata de uma visão subjectiva de uma personagem.

 

We Need to Talk About Kevin não nos oferece respostas, mas levanta o véu sobre muitas questões, sejam elas claras ou latentes.

 

Terá sido o nascimento da irmã que despoletou o mal maior? Ou a relação divergente dos pais? Ou o aparente desgosto da mãe perante a criança? Ou o ponto rebuçado onde um braço partido pode ter significado muito mais do que isso? Coloca-se ainda uma outra questão problemática: e se, mesmo que seja suposto, sejamos incapazes de amar um filho?

 

Todos os eventos são como que representações da memória de Eva. Neste sentido, é possível que a selvajaria de Kevin tenha sido de facto exagerada pela percepção de mãe e que esta tenha tido um papel determinante no desvio de personalidade do filho. Esta possibilidade surge mais claramente nos momentos em que constatamos que o corpo de Kevin está coberto de cicatrizes, cicatrizes que não são nunca explicadas, com a excepção de uma, que tem justamente em Eva a sua culpada. “Foi a coisa mais honesta que alguma vez fizeste” atira-lhe ele. Se esta honestidade está apenas no acto de bater ou também no reconhecimento de um contributo para a criação de algo monstruoso, fica ao nosso critério.

 

Eva é uma figura catatónica na sua vida desfeita, alguém que vê a sua casa e carro vandalizados com uma tinta vermelha eléctrica, que além de ter significados relacionados com as atrocidades levadas a cabo pelo filho, ainda parece fazer pouco da vida feliz que um dia teve. O vermelho está sempre presente, e na maioria das vezes, Eva está a tentar livrar-se dele, seja a lixar exasperadamente as paredes da sua casa, seja a esfregar as mãos sujas. O simbolismo de uma nódoa que teima em não desaparecer é por isso bastante, senão demasiado óbvio. Mas felizmente, esta “subtileza pouco subtil” não diminui o poder das questões mais importantes que dominam o filme: confrontos entre o inato e o adquirido, natureza e educação.

 
 

Por outro lado, Kevin pode ser um caso inexplicável, daqueles onde  a Biologia e a Psicologia parecem não ter um papel a desempenhar. Nesse lado humano mais negro, nada há a fazer, não há soluções. Este não é um puzzle a resolver, e Kevin é simplesmente mau.

 

O retrato da família é em muitos aspectos semelhante às famílias reais que encontraram no seu seio uma má semente. A investigação não estabelece um perfil para este tipo de crimes, sendo que muitos destes indivíduos desviantes vêm de famílias de classe-média com uma vida estável, tal como os Khatchadourian. Neste ponto, o filme quer dizer-nos que a violência pode nascer e crescer mesmo nos locais menos esperados, e o sonho dá lugar ao Pesadelo Americano.

 

As linhas de diálogo finais introduzem, contudo, alguma espécie de esperança. Como é normal, Eva só desejaria agora compreender o porquê dos actos do filho. “Pensava que sabia. Agora não tenho tanta certeza”, é a resposta que obtém. Fica a leve sugestão de que, ainda longe da realização total do seu acto monstruoso, Kevin poderá começar a conseguir a finalmente sentir alguma coisa. E isso já é um bom começo…

 

Apesar de o nome do filme ser literalmente “Precisamos de falar sobre o Kevin”, a verdade é que ninguém o faz, e talvez essa seja uma das grandes tragédias. Porque Kevin é uma criança claramente perturbada desde a infância, os seus problemas deveriam ter sido adereçados não como uma chatice, mas como desvios que sempre foram. Um dia foi tarde de mais. Se há aqui uma mensagem subliminar? Claro que sim, porque evitar incómodos pode trazer tragédia.

 
 

Um curioso apontamento social é ainda feito, respeitando à fama que seria, para o nosso Diabo Privado, a única coisa que valeria a pena atingir. “Ser visto em vez de ver” – ora aí está uma versão bem macabra do que tão habituados estamos a ver nesta era dos Big Brothers e Casas dos Segredos. E a acusação não pára por aqui: segundo Kevin, o que todos queremos assistimir são pessoas como ele. E nesse exacto momento, o alvo passamos a ser também nós, todos nós que, influenciados pelo estado corrente (e decadente) do mundo, vivemos à base de violência e do choque e nos alimentamos da desgraça. São 55 minutos de tragédia em 60 de telejornal, e isso é algo muio estranho.

 

No que respeita às interpretações, Tilda Swinton já está bem habituada ao papel de uma mãe com um filho problemático – depois de The Deep End e Julia, We Need to Talk About Kevin traz-nos um ensaio sobre a paranóia e sentimento de culpa como mãe de um monstro. A actriz britânica é absolutamente destemida e feroz, vivendo alguém que não só tenta aprender a viver com um pesadelo que a acompanhará para sempre, como se auto-mutila psicologicamente com a culpa que poderá ou não ter tido no processo.

 

Mas mesmo nos momentos mais fracos do filme – para mim, algumas incursões no presente – a presença de Swinton faz com que seja impossível tirarmos os olhos do ecrã. A actriz parece ter uma qualidade extraterrestre astronómica, uma intensidade que, como já li na web, se equipara muito a de Björk na música. Esta qualidade adequa-se especialmente a este papel, que requer uma mãe “pouco terrena” e que se ressente pela vida que deixou para trás para fazer o que outros esperavam de si – ser mãe.

 

A performance de Ezra Miller (bem como dos outros dois jovens actores que interpretam Kevin, devemos salientar!) é arrepiante. Os olhares gelados, quase reptíleos tornam-no o elemento dominante de cada cena. E mesmo quando os seus actos roçam o improvável, o seu olhar perturbador mostra alguém sem correcção possível. A continuidade dos três rapazes é fantástica, não só fisicamente como na própria conduta gelada e enfurecida.

 

Quanto à jovem Ashley Gerasimovich, apesar da participação breve, faz um contraste muito interessante com a sua inocência relativamente a Kevin.

 
 

Por mais que simpatize com John C. Reilly, parece-me ser a peça menos funcional deste puzzle diabólico. Apesar de representar o pai idílico, que não vê mal em lado nenhum (nem mesmo a infelicidade da mulher), há algo falso na sua presença e na própria relação com a mulher. É um casal sem grande sentido, apesar de termos poucas oportunidades de os vermos juntos.

 

Seamus McGarvey, que filmou The Hours e Atonement é aqui uma vez mais irrepreensível, alcançando imagens que pouco têm de comuns e muito de artísticas e expressionistas.

  

Concluindo o que já vai longo, "Kevin" não procura uma saída fácil e mantém-se ambíguo, apesar de estarmos limitados à visão tendenciosa de Eva – tudo parte da sua perspectiva, jogando assim com as percepções de cada um dos espectadores.

 

Talvez a melhor característica do filme seja mesmo não oferecer uma resposta simples ou clara. Talvez seja isso que o torna ainda mais inquietante.

 

9/10

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1 comentário

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De André Clemente a 23.02.2012 às 10:26

Este filme é muito bom a Tilda e os 3 Kevin estão soberbos a crítica está óptima e concordo inteiramente com ela....sim aquela parte em que para ao pé das obras para "apreciar" o som do martelo pneumático só para não ouvir o choro do filho é genial...beijinho

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