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Point-of-View Shot - Into the Wild (2007)

por Catarina d´Oliveira, em 17.09.11

 

"So many people live within unhappy circumstances and yet will not take the initiative to change their situation because they are conditioned to a life of security, conformity, and conservatism, all of which may appear to give one peace of mind, but in reality nothing is more dangerous to the adventurous spirit within a man than a secure future. The very basic core of a man's living spirit is his passion for adventure. The joy of life comes from our encounters with new experiences, and hence there is no greater joy than to have an endlessly changing horizon, for each day to have a new and different sun."

 

 

Tristeza. Coisas. Coisas definem-nos. Vida desonesta. Medo/vergonha/culpa são obstáculos a relações verdadeiras/honestas e com amor. Raiva Escondida. Isolamento. Louco/Génio. Encontrar-se. Primitivo. Risco. Felicidade. Simplicidade. Natureza. Vazio. A Natureza não quer saber do Homem. Não merecer ser amado. Solidão. Epifania. Perdoar. Vida. Morte.

 

Hoje começo esta reflexão – que nem é bem uma crítica em momentos, admito – de uma forma diferente do usual. Hoje partilho convosco um brainstorming que fiz ontem à noite logo depois de assistir a Into the Wild, uma fabulosa lição de descoberta. Resolvi ainda dormir sobre o assunto, porque achei que me permitiria assentar ideias, e hoje, mal acordei, ataquei as teclas do computador para vos vir explicar porque é que este é um dos filmes mais importantes do séc. XXI, e um dos meus favoritos.

 

 

Acompanhamos a trajectória parabólica de um rapaz que, saído da faculdade, decide abandonar uma vida de conforto para procurar liberdade no mundo. A viagem que o espera – ao Alasca selvagem – prepara-lhe um desafio supremo, e pelo caminho, encontra personagens que dão cada vez mais sentido à sua vida. Into the Wild é uma longa-metragem baseada no livro homónimo de Jon Krakauer sobre a história verídica de Christopher McCandless.

 

Não surpreende ninguém que McCandless estivesse a fugir desenfreadamente de algo, e as cicatrizes familiares são profundas. “Não precisamos de relações humanas para sermos felizes” argumenta ele com um amigo que conhece na estrada. E apesar de todas as personalidades marcantes que conheceu lhe pedirem para contactar a família, Chris recusa. 

 

Mas aquilo de que Chris foge nunca é tão importante como o lugar para onde se dirige. Ele deseja ardentemente o esplendor e o risco para abandonar a sua dormência social. Vicia-se nesse desejo. E seja deambulando pelo deserto, ou fazendo caiaque pelo rio fora sem autorização, ou escalando as sinuosas montanhas do Alaska, está apenas a viver, ou talvez a morrer, e a abraçar essa mesma aventura. Durante algum tempo, a felicidade está, de facto onde Chris a procurou – no lado selvagem, cuja beleza é atordoante e intoxicante. Contudo, mais cedo ou mais tarde do que todos já receávamos, a Natureza bate o Homem, e não quer saber dele. A sua última jornada é interna e dolorosa. E chega tarde.

 

 

Terá sido Christopher McCandless um herói ou um ingénuo que se baseava de forma demasiado literal nas palavras de autores como Thoreau? Ou um rebelde? Ou um jovem perdido? Ou uma figura trágica resultado do materialismo da sociedade? Um mártir, quem sabe?

 

Estas são questões que nos surgem, durante e depois do visionamento, mas às quais Sean Penn, que escreveu e realizou com uma precisão e graça magníficas, não nos dá resposta. O propósito nunca é julgar o protagonista, e talvez seja por isso que Into the Wild parece uma história tão honesta quanto crua.

 

Penn mostra-nos os acontecimentos de forma directa e simples, não encorajando a admiração ou condenação. O realizador introduz-nos às personagens de deixa-nos ser nós a decidir o que pensar sobre elas. Leva-nos aos subúrbios da civilização e deixa a realidade das coisas falarem por si.

 

 

É um filme de contradições, e apesar de o realizador simpatizar claramente com o protagonista, não pretende divinizá-lo. E Into the Wild é muitas coisas ao mesmo tempo: um entusiástico diário de bordo que passou por locais majestosos,  uma história de bravura, uma autodescoberta inspiradora, uma história devastadora de solidão e morte e ainda uma meditação sobre o significado do amor e da vida.

 

Escapando ao materialismo, consumismo e a uma vida familiar profundamente infeliz, Chris renasce, passa pela adolescência e derradeiramente, enquanto busca a verdade que julga mais honesta, tem a sua lição de sabedoria.

 

  

Into the Wild trata exemplarmente uma panóplia de grandes temas que era impossível esmiuçar num texto desta natureza. Contudo, reservo algumas linhas para algumas considerações gerais.

 

Um dos alicerces centrais é o fascínio pela Natureza - o estado mais puro, um lugar livre dos males da sociedade moderna. Contudo a visão da vida selvagem demonstra-se bastante menos romântica do que a idealizada por Chris, que passa grande parte do tempo à procura de comida (as suas listas assim o provam) sem apreciar realmente o lugar onde está.

 

Depois temos a questão do perdão e o perigo de não perdoar. McCandless vive na contradição de ser simultaneamente uma pessoa compassiva e de se comportar de forma quase cruel por não perdoar os pais (neste sentido, a questão do perdão está intimamente relacionada com o tema da família e as suas disfuncionalidades várias); decerto existe algo mais por detrás da sua jornada, mas esta raiva foi a grande responsável pela sua revolução radical contra a sociedade.

 

 

Quanto aos princípios, McCandless vive segundo os princípios que defende e coloca-os acima das pessoas que não deixa aproximarem-se e que acaba por magoar.

 

O fascínio pelo perigo é também essencial a um jovem intenso, apaixonado, determinado, ambicioso e insatisfeito com os desafios da sociedade. Parte à descoberta dos limites da sobrevivência e de si mesmo.

 

Por fim, não podemos esquecer as questões relacionadas com a liberdade das regras da civilização e da autoridade. Chris só segue as regras da natureza e as suas; contudo esta liberdade significa também isolamento, porque os laços com os outros trazem consigo obrigações. Este tipo de liberdade é, em certa medida, egoísta, e foi esta liberdade que acabou por encurralá-lo no final.

 

 

Emile Hirsch é o nosso McCandless que posicionou corajosamente perante os desafios físicos e emocionais da sua personagem.  Num papel que requer um equilíbrio frágil entre a inocência e a astúcia, Hirsch constrói uma personagem complexa, brilhante e compassiva mas também manipuladora e brutalmente honesta.

 

Os secundários são todos infalíveis, desde Vince Vaughn, a Catherine Keener e Brian Dierker, passando especialmente pelo inesquecível Hal Holbrook.

 

O filme toma o seu tempo sem nunca se arrastar. Assombra-nos. E a banda sonora, que surge em grande parte da inesquecível voz de Eddie Vedder dos Pearl Jam, é o acompanhamento perfeito para as viagens deste jovem e aventureiro Thoreau dos anos 90.

 

 

Sean Penn traz-nos uma poderosa odisseia, uma ode a uma relação de amor tempestuosa com a natureza e à capacidade de salvação. A libertação de Alexander Supertramp no autocarro mágico tem uma pureza que assombrará todos aqueles que se arriscarem a percorrer esta viagem.

 

Conforme vemos o seu destino desenrolar-se, perguntamo-nos se estamos perante uma história de coragem ou de um egocentrismo egoísta. A resposta, contudo é apenas uma, e bem mais simples: sim, este é mesmo um filme inesquecível.

  

"Happiness (is) only real when shared

 

10/10

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