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New Shots - 31 Agosto a 6 Setembro 2009

por Close-Up, em 30.08.09

 

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Widescreen - Liberdade em Shawshank

por Close-Up, em 29.08.09

Apesar de no seu tempo ter sido altamente substimado, The Shawshank Redemption é hoje considerado, 15 anos depois, um dos melhores filmes já feitos; e com muita razão. Sendo a cena da fuga de Andy uma escolha incontornável, resolvi no entanto optar por outra cena que capta com igual mestria o espírito da fita.

 

Filme, Ano: The Shawshank Redemption, 1994

Realização: FRank Darabont

Descrição da Cena: Andy (Tim Robbins) surpreende guardas e prisioneiros de Shawshank ao tocar uma ópera audível em toda a prisão.

 

 

 

Andy sempre foi um prisioneiro diferente. Como todos, sempre se disse inocente, mas como nenhum se comprometeu a mudar o sítio onde foi obrigado a cumprir sentença. Na sua longa estada, mudou mentalidades e mudou homens, e acima de tudo, ensinou-os; ensinou-os a ter esperança.

 

Num acto rebelde, tranca-se na sala de comandos e transmite para todo o recinto uma obra da autoria de Mozart, "Canzonetta sull'aria".

 

O momento torna-se transcendente à medida que cada prisioneiro pára para ouvir a música. Todos estão surpreendidos, e todos estacam como estátuas silenciosas a ouvir.

 

Não me lembro de melhores palavras para descrever esta cena brilhantemente orquestrada que não as de Red (Morgan Freeman), que narra a alegria e a estupefacção do momento, mesmo que aqueles homens não percebecem umaúnica palavra da música: "E por um breve momento, todos os homens em Shawshank se sentiram livres".

 

 

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Olá pessoal! Estou de volta à acção, e nada melhor para começar do que por em dia alguns dos trailers que têm saído nos últimos dias ;)

 

Realizado por Roland Emmerich e com John Cusack, Amanda Peet e Danny Glover, 2012 é o próximo é um filme apocalíptico a destruir a Terra no ano em que, supostamente, o mundo vai acabar. É pena ser em japonês porque realmente é o melhor trailer a sair até ao momento; ainda assim vale muito a pena!

 

The Men Who Stare at Goats é mais uma comédia negra a marcar no mapa. Realizado por Grant Heslov e protagonizado por George Clooney, Ewan McGregor, Kevin Spacey e Jeff Bridges, conta a história verídica do primeiro batalhão do exército norte-americano, uma unidade que foi criada para a pesquisa de poderes paranormais.  

 

Christopher Nolan já nos habituou a grandes filmes minuciosamente planeados para jogarem com o nosso intelecto. Memento é a sua obra máxima nesse aspecto, e Inception que conta com as presenças de Joseph Gordon-Levitt, Leonardo DiCaprio, Ellen Page, Marion Cotillard  e Michael Caine promete ser mais um poderoso quebra-cabeças. Do enredo, Nolan deixa pouco a saber (apesar dejá terem saído alguns spoilers levezinhos que não postarei aqui): um filme de ficção-científica de ação ambientado dentro da arquitetura da mente; o suficiente para aguçar ainda mais o apetite.

 

Por fim, Alejandro Amenábar traz-nos Agora, um drama histórico cheio de bom aspecto passado no Egito Romano, durante o século 4. Rachel Weisz é Hipatia de Alexandria, uma filósofa e astróloga  que tenta salvar a sabedoria adquirida pelo mundo antigo, porém, o seu escravo Davus está dividido entre a sua senhora e a possibilidade de ganhar a liberdade juntando-se ao Cristianismo, que tenta tornar-se soberano no Egito.

 

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Pausa - Até p'rá semana!

por Close-Up, em 17.08.09

O calor aperta e não perdoa! E eu vou aproveitá-lo ao máximo e vou uma semaninha de férias!

 

 

Mas volto !

Cá nos vemos pr'á semana pessoal!

 

Boa semana e continuação de umas excelentes férias.

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New Shots - 17 a 23 de Agosto 2009

por Close-Up, em 16.08.09

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Point-of-View Shot - Up (2009)

por Close-Up, em 15.08.09

 

"Ellie: Thanks for the adventure. Now go have one of your own."

 

Confesso que Up não tinha em mim uma das suas maiores admiradoras. Apesar da opinião da crítica ser excelente, a sinopse e o trailer enganadores deixaram-me com a estranha sensação de que esta seria uma história algo vazia e sem grande profundidade ou sentido. Também confesso que não sei como é que pude esperar isto de um estúdio como a Pixar que em dez cajadadas matou certamente muito mais que dez coelhos. Isto de forma cada vez mais eficiente e imaginativa.


É verdade; 14 anos depois da revolução de Toy Story e um ano depois do fenómeno Wall.E, eis que é lançado Up, o mais recente filme de animação da Pixar que depois de bonecos, peixes, monstros, carros e robôs, tem nos próprios humanos o seu principal objecto de afecto.

 

Se estamos perante a animação do ano? Parece que sim. Se estamos perante um dos filmes do ano? Sem dúvida, e posso contar-vos um segredo? Gostei ainda mais do que do Wall.E !

 

 

Para os que não ficaram assim tão convencidos (em termos de enredo) com o trailer e afins, esclareço desde já que esta não é a história de um velhote arrastado por um rapazinho obstinado para a grande aventura da sua vida passada grandemente a voar numa casa sustentada por milhares de balões de hélio coloridos.

 

Na verdade, os primeiros quinze minutos seriam o suficiente para que a mudança se desse em todos os estados de espírito. É que Pete Docter e Bob Peterson começam desde logo por nos agarrar pelo coração com uma das mais tocantes e emocionantes histórias de amor que tenho visto. Em apenas cinco minutos mudos e ao som da maravilhosa banda sonora de Michael Giacchino conhecemos a história de Ellie e Carl, que de meninos se fazem adultos e de adultos se fazem esposos. Ambos mantêm, ao longo da vida, o espírito da aventura e anseiam ser os protagonistas das suas próprias vidas… todavia, o quotidiano e os problemas metem-se no caminho e os sonhos que em crianças acariciavam de perto começam a voar para cada vez mais longe.


Numa das muitas demonstrações de maturidade e seriedade contínua e crescente presentes na fita, Carl é atingindo pelo inevitável: a morte da companheira, a solidão e a tremenda constatação de uma vida de projectos não concretizados.

 

Esta montagem, simultaneamente divertida, terna, triste, verdadeira, arrebata-nos pouco depois do começo, e desde logo sabemos que não só estamos perante o mais maduro trabalho da Pixar, como perante uma fantástica história com um coração que bate ao seu próprio ritmo. Ela permite-nos partilhar a tristeza de Carl e compreendê-lo, formando um elo invulgar com a história.
 

 
Ameaçado pelo despejo e por uma nova vida num lar, Carl toma uma decisão que se traduz num surpreendente e brilhante espectáculo visual à medida que milhares de balões surgem sobre a casa quebrando todas as suas fundações e elevando-a no ar. O sonho de uma história encantadoramente simples começa.
 

Noc! Noc! Não é possível…quem será?


Pois é. Carl não parte sozinho na sua aventura; na casa voadora também parte Russell, um bem intencionado escuteiro amante da natureza que já havia abordado Carl por forma a ganhar o crachá da ajuda a idosos e assim tornar-se um explorador sénior.


Até à Venezuela a viagem corre sem grandes percalços, mas com a chegada começam as peripécias que envolvem uma passarola colorida gigante, um cão falante (não é o típico cão falante, atenção) e um explorador-herói frustrado.


Carl e Russell mantém uma relação de importância crescente e a dinâmica entre ambos provoca inúmeras gargalhadas. Mas o que realmente nos fica na memória, é o quanto estes dois precisam um do outro. Esta é a história de um menino de pais ausentes e de um velhote viúvo que descobrem entre si os pedaços de vida que lhes faltavam.
 

 

Apesar de ter traços dramáticos, Up não deixa de ser um magnífico hino à alegria de viver e uma daquelas obras que nos deixa inevitavelmente com um sorriso no rosto quando abandonamos a sala de cinema. Contudo, segue o trilho que a Pixar tem vindo a construir; um trilho de temas maduros, actuais e sérios destinados não apenas a um bloco de espectadores, mas ao público em geral.


As crianças encantam-se com a poesia visual; com as cores, as piadas físicas e os personagens apaixonantes. Os adultos riem-se com as piadas inteligentes e de multi-camadas e sensibilizam-se com as mensagens latentes.

 

Quanto às questões técnicas acho que começa a ser desnecessário repetir os mesmo elogios à Pixar multiplicados pelos 10 filmes até agora lançados. Os ambientes são de cortar a respiração, as cores estão mais vibrantes que nunca e a versão 3D não vem cheia de truques e  objectos virtualmente atirados na direcção do espectador. Ao contrário, é uma presença subtil mas forte nas texturas e na profundidade da imagem que parece estender-se até ao horizonte mais longínquo.

 

 

 

Sem darmos por isso, Up desliza entre vários sub-géneros (drama, comédia, acção, fantasia…); tudo isto a grande velocidade mas sem pressas, por mais paradoxal que possa parecer. Nunca nos sentimos perdidos.


Up tem argumentos mais que suficientes para se apresentar nas discussões sobre qual o melhor filme da Pixar; adianto desde já que, em minha opinião, nunca poderá estar fora do top3. É uma aventura quase épica, mas que nunca perde o seu toque íntimo e humano. É um “típico filme familiar atípico” que fala de todos e para todos, e que nos proporciona uma extensão e variedade de emoções que parece quase impossível recordarmo-nos que se trata de um filme de animação.

Li por aí algum crítico português dizer que Up escondia por de trás do exagero ou da excentricidade, o começo de uma falta de imaginação, sendo mesmo supérfluo. É engraçado…  não podia estar menos de acordo. Up é estimulante e divertido, porém inspirador na sua subtileza de mensagens: não há idade para aprender a viver; às vezes basta fechar os olhos, dar um passo cego e esperar pelo que a vida nos trouxer.
 

9/10

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Bem, este video não é novo, mas penso que nunca o cheguei a postar aqui no blog...

 

Trata-se de um fantástico trailer mix de The Dark Knight com Toy Story, criando uma história completamente nova...muito bem feito e giríssimo! Já não vamos voltar a ver o Woody com os mesmos olhos...

 

 

 

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Point-of-View Shot - Fight Club (1999)

por Close-Up, em 11.08.09

  

Fight Club é uma experiência cinematográfica única que me parece não admitir meio termo.  Ou se admira e se eleva a um estatuto de ícone e filme de culto, ou simplesmente de odeia pela (aparente) violência e mau-gosto gratuitos. Esta não será uma crítica comum, porque também o filme não o é.

 

Esta é uma crítica multiforme. É ao mesmo tempo um artigo, um ensaio e um estudo, e desde já advirto para a sua extensão. De facto vou ter de quebrar as duas primeiras regras do Clube de Combate e falar sobre ele. Não tentarei convencer quem não gostou a gostar; vou apenas partilhar a minha interpretação devidamente justificada, e sem mais demoras, vamos a isso...

 

*** *** ***

 

Num interessante fenómeno evolutivo, Fight Club é um ácido comentário cada vez mais actual sobre uma sociedade castrada pelo consumo e cada vez mais desprovida de espírito e humanidade. É a história da viagem espiritual de um homem vulgar em busca do seu lugar no mundo.


O narrador e protagonista não vê o seu nome revelado ao longo de toda a fita, reforçando ainda mais o facto de esta ser apenas uma entre muitas faces, um homem que como outros tantos milhões de nós, deambula sonambulamente pela vida sem estar acordado ou a dormir. Para facilitar, chamá-lo-ei de Jack.

 

 

“Like so many others, I had become a slave to the Ikea nesting instinct”  (Jack)


Jack tem um trabalho insignificante pelo qual não sente qualquer empatia. A sua vida é caracterizada pelas mobílias que tem e as roupas que veste e ele é apenas mais um grão de areia no enorme areal da máquina capitalista que controla o mundo por meio de empresas sem cara.
 

“When people think you’re dying, they really, really listen to you instead of just waiting for their turn to speak.” (Jack)
 

Na procura desesperada por algum conteúdo por que valha a pena viver, Jack, a conselho do médico, começa a visitar grupos de apoio para pessoas com doenças graves. Jack liberta-se finalmente e não ele mas o público começa a compreender a gravidade da negligência humana perante as relações sociais, o significado da vida e o tempo que dedicamos a nós mesmos. Ele, Jack, é apenas o protagonista de mais uma gota de ácido no goto da sociedade; um sanguessuga.


Numa viagem de trabalho Jack conhece o extravagante Tyler Durden, um vendedor de sabões com uma filosofia de vida muito particular. Nada disto passaria de um encontro totalmente casual não fosse o apartamento de Jack ter pegado fogo e destruindo todos os seus bens. Sem ninguém no mundo mas o futuro no bolso, Jack liga a Tyler e muda-se para a sua casa.

 


“The things you own end up owning you.” (Tyler)

 

Tyler é o negativo de Jack: um niilista anarquista que é apaixonado pela liberdade da vida e abraça uma existência independente dos padrões e expectativas sociais. Tyler torna-se mestre e companheiro de Jack. Juntos criam o Clube de Combate, um local onde a camada primitiva do homem volta a reinar e onde os escravos da sociedade consumista passam a ser dominadores. O Clube não era um local de vitórias ou derrotas, ou de vinganças ou de palavras; era um local de meditação, de salvamento e de liberdade.


As regras foram e não foram feitas para serem quebradas. As regras foram feitas para a sociedade sobreviver, funcionar e evoluir. As regras foram feitas para inibir, aprisionar e limitar. É claro; há quem quebre algumas regras ou muitas regras. Mas nao há quem quebre todas as regras. O próprio caos é gerido por regras.

 


"Welcome to Fight Club. The first rule of Fight Club is: you do not talk about Fight Club. The second rule of Fight Club is: you DO NOT talk about Fight Club!" (Tyler)

 

A acção desenvolve-se, assim como o desejo de caos de Tyler que começa a tornar-se notado tanto pela audiência como pelo próprio Jack, antes embriagado com o sentido de liberdade e vida do Clube de Combate, agora seriamente assustado e desenquadrado das proporçõesda mega Operação Mayhem (criação de um exército livre para desconstruir e destruir as ideias difundidas pela América capitalista).

 

Para muitos será complicado extrair a verdadeira essência de Fight Club, e não os censuro. É preciso estar preparado, é preciso estar atento, é preciso estar aberto à interpretação e, de certa maneira, é preciso estar preparado para levar uns bons murros no estômago.

 


"Fight Club was the beginning, now it's moved out of the basement, it's called Project Mayhem." (Tyler)

 

Este é um filme que desafia e pretende incomodar, correndo por isso o risco de ser incompreendido. Não sou, nem de longe detentora, da razão, mas na minha interpretação e opinião, dois erros são comuns na abordagem a Fight Club.

 

O primeiro e mais comum é tomá-lo como um produto violento e abrutalhado sem cérebro.

Fight Club recusa-se a ser ignorado ou descartado. Não é entretenimento insensato, estúpido e semeador de violência.

 

Ninguém nega que é violento; algumas sequências farão certamente muitos espectadores virar a cara (eu incluída). Ela serve como elemento explicatório da natureza animal do Homem. Ela é, aliás, uma personagem. Encaixa-se tão bem no enredo que é difícil imaginá-lo sem ela, ainda que a condenemos no mundo real. Os homens que aderiram ao Clube de Combate são meras vítimas do processo desumanizante da sociedade de consumo, e a única forma de se sentirem vivos de novo é re-aderindo aos instintos mais primitivos da dor e da violência.

 

Mas uma vez cientes disto, corremos ainda o risco de cair no segundo erro.

 

"We're the middle children of history, man. No purpose or place. We have no Great War. No Great Depression. Our Great War's a spiritual war... our Great Depression is our lives." (Tyler)

 

O segundo, e talvez ainda mais perigoso erro, é tomar as mensagens do filme pelas mensagens dos personagens, mais concretamente, de Tyler, um confesso niilista e fascista com uma queda para a violência e destruição. O terrorismo e o vandalismo não são, obviamente, a solução para nenhum problema. Mas uma das questões que Fight Club faz questão de sublinhar é que um homem pode, de facto, fazer a diferença e que somos bem mais importantes do que aquilo que possamos acreditar.

 

Ainda neste sentido, até podemos sublinhar a ironia das resoluções de Tyler. O Clube de Combate é de facto um "escarafunchar" na ferida aberta da sociedade; uma sociedade consumista e robótica que parece ter-se esquecido de viver. Todavia, a evolução para a Operação Mayhem tornou este projecto uma representação da própria ideologia que criticava. Afinal este exército obedece cegamente a um líder e rende-se à passividade cerebral.

 

A história de Tyler é, inclusive, interessante a nível histórico, uma vez que podemos relacioná-la com a subida ao poder de homens como Hitler que em pessoas desajustadas e infelizes encontraram inúmeros apoiantes apenas convencendo-os de que o problema estava nos outros e no sistema.

 

 

"And then, something happened. I let go. Lost in oblivion. Dark and silent and complete. I found freedom. Losing all hope was freedom." (Jack)

 

O argumento (escrito por Jim Uhls e adaptado do romance de Chuck Plahniuk) é aguçado e rapidíssimo, sendo dominado por um diálogo muitas vezes habitado pela inteligência e o humor negro. David Fincher é sublime tanto na técnica e estilo por trás das câmeras (com close-ups gráficos, manipulação em computador e cortes rápidos), como em aproveitar o máximo do elenco brilhante de que dispõe.

 

Edward Norton é conhecido (ainda que infelizmente pouco reconhecido) pelas suas performances inteligentes e versáteis. Cada um dos seus papéis parece ter sido escrito para si, e este não foi diferente. Norton faz de Jack o nosso elo de ligação com o universo Fight Club. É com ele que simpatizamos e é nele que vivemos aquelas duas horas e vinte. Numa cena famosa e absolutamente genial, Norton retrata um Jack enlouquecido que se esmurra a si próprio insanamente para obter um aumento perante um patrão estupefacto e assustado.
 

Brad Pitt tem em Tyler um dos seus melhores trabalhos de carreira e um dos personagens mais carismáticos do cinema moderno. Muito dinâmico em termos físicos (aliás, tal como Norton), Pitt é o espelho da loucura e da inteligência.


Nos secundários, vale a pena destacar mais três pessoas: Helena Bonham Carter (brilhante na louca e apaixonada Marla), Jared Leto e Meat Loaf (como Angel Face e Bob, respectivamente).

 

"On a long enough timeline, the survival rate for everyone drops to zero." (Jack)

 

Fight Club é uma obra desafiadora que requer dos seus espectadores apenas o respeito e dedicação para olharem para lá do seu visual exterior ciclónico e sangrento.

Num registo algo distinto, é muitas vezes comparado a The Clockwork Orange de Stanley Kubrick, e em cada segundo, a experiência é tão surreal como o clássico dos anos 70.


Os compromissos, os deveres, as expectativas. Os trabalhos, as casas, a sociedade.
Todos eles nos limitam e todos eles nos podem tornar escravos.

Muitas vezes não passamos de cobardes, medrosos de mais para seguir um caminho diferente ou sequer aceitar a mudança. A vida passa sem parar e nem chegamos a dar por isso porque estamos muito ocupados com coisas que não interessam.

 

Interiormente, todos desejamos encontrar o nosso próprio Clube de Combate (não necessariamente de uma forma literal andando à pancada claro). E eu, pela parte que me toca, espero também encontrar o meu.

 

 “This is your life and it’s ending one minute at a time”

 

9.5/10

 

(*) Porque não o 10? Porque depois de uma hora genial, os útimos vinte minutos revolvem à volta do twist final por mais tempo do que deviam. No entanto, a cena final é inesquecível.

 

(*)(*) Aconselho-vos a leitura da crítica do meu amigo blogger Filipe Coutinho no seu Cinema Is My Life cuja opinião é muito semelhante à minha embora apontemos o foco para questões diferentes e, em algumas questões, tenhamos opiniões diferentes. De todo o modo, dêem lá um saltinho, aqui.

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New Shots - 10 a 16 de Agosto de 2009

por Close-Up, em 09.08.09

 

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Boa tarde pessoal!

 

Quem é que não adora Meryl Streep? A mulher faz de tudo, e tudo sai à mais alta qualidade. Até nas comédias a mulher arrasa (recorde-se que, por exemplo, o seu papel em The Devil Wears Prada mereceu mesmo uma nomeação para Oscar, algo raro em filmes do género), e este ano Streep optou claramente por um género mais light, casual e alegre. Com Julie and Julia prestes a estrear nos Estados Unidos (por cá ainda vamos ter de esperar umas boas semanas), eis que sai o trailer do seu próximo projecto, também ele uma comédia. Ao lado de Steve Martin e Alec Baldwin, Streep protagoniza It's Complicated.

 

Jane é mãe de três filhos já adultos, dona de um restaurante e divorciada de Jake (Baldwin), um advogado mulherengo com o qual mantém uma relação amigável. Todavia, a paisagem começa a mudar quando Jake e Jane se encontram  festa de final de ano da escola do filho e as coisas começam a ficar confusas nos sentimentos dos dois...a acrescentar à misturada ainda está um arquitecto (Matin) que se apaixonou também por Jane.

 

Tem todo o ar de ser uma fita ao estilo de Something's Gotta Give (também de Nancy Meyers), o que não é mau de todo. Todavia, tenho um feeling muito melhor sobre este It's Complicated. Afinal, com o talento puro dos protagonistas, o enredo "complicado" e a diversão que transparece nos olhos dos actores, só pode sair coisa boa!

 

 

Numa onda não tão animada mas definitivamente emotiva e a ter em nota está The Boys Are Back de Scott Hicks com Clive Owen no papel de um jornalista desportivo famoso que derepente se vê com a responsabilidade de criar dois filhos de casamentos diferentes.

 

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