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Point-of-View Shot - Blue Valentine (2010)

por Catarina d´Oliveira, em 30.01.11

 

"You always hurt the one you love
The one you shouldn't hurt at all
You always take the sweetest rose
And crush it till the petals fall"

 

De uma forma geral, todos temos a tendência a olhar o mundo por uma lente moral. Quando ouvimos uma história ou vemos um filme, por exemplo, o reflexo humano não nos leva a pensar “isto é interessante”, mas sim “isto é certo e isto é errado”. Este processo está tão intricado que nem damos por ele, e se estamos sentados no parque e vemos alguém passar a correr não pensamos “lá vai ele a fazer jogging”. O que nos vem à cabeça é “eu também devia fazer jogging", ou mesmo “olha para este parvalhão aqui a exibir-se”.

 

Há filmes que representam, por causa desta predilecção humana, grandes documentos sociais - Schindler’s List, por exemplo. Todavia, e como existe sempre uma excepção numa regra, existe uma pequena lista de filmes que foge a este padrão da lição moral… o que nos traz até ao extraordinário Blue Valentine.

 

É raro um casamento quebrar por uma única fenda. O mais comum é que a dissolução ocorra de um processo de erosão. Erosão da confiança, da paciência, do amor. Por fim, um ou mesmo os dois companheiros decidem que já não toleram o outro, muitas vezes sendo repelidos pelas coisas que mais o atraíram no início. Esta fita, relata um episódio desse cansaço, com uma fórmula corajosa que não traz o famoso happy ending.

 

Blue Valentine coloca-nos por vezes a dúvida: como é que duas pessoas tão diferentes se juntaram e resolveram tentar ficar juntas? Bom, o realizador Cianfrance mostra-nos coisas mais do que suficientes para encontrar o rastilho da paixão. Mas depois, algo aconteceu. Passaram alguns anos, e Cindy e Dean ganharam uma filha e perderam uns quantos sonhos.

 

 

O realizador Derek Cianfrance que trabalhou no argumento com Joey Curtis e Cami Delavigne, compreende os ritmos da vida, das discussões, do afecto e da reconciliação. Quando vemos Dean e Cindy antes do casamento, gostamos daquilo em que se poderão tornar, o que faz daquilo em que se tornaram algo completamente desolador. O realizador caracterizou o filme como uma história de amor no passado, e uma tragédia no presente. As duas metades são intercaladas e dão resposta a algumas perguntas, deixando outras em aberto.

 

No papel, o filme parece uma seca (perdoe-se o termo): um casamento que se desfaz, mesmo quando o casal revisita desesperadamente os momentos felizes dos primeiros tempos de namoro. Mas Cianfrance mostrou ser um realizador atento à beleza da mais aguda das dores e não teve receio em levar os seus actores – e consequentemente a audiência – ao extremo emocional e físico, permitindo-lhes criar um mundo que possui toda a volatilidade da vida real.

 

O resultado tem tanto de penoso como de profundamente catártico – a audiência não só se vê a si mesma em pedaços daquela história quebrada, mas também cria significados diferenciados para a espiral de cansaço e infelicidade de Dean e Cindy.

 

 

Blue Valentine é guiado pelo diálogo e alimentado pelas performances dos dois protagonistas. Há muita intensidade e alguns confrontos são mesmo difíceis de ver devido ao sentimento que Ryan Gosling e Michelle Williams trazem aos papéis. Mas Williams tem o trabalho mais complicado e mais subtil: a exaustão disfarçada é mesmo notada na cena em que, parecendo regressar ao passado feliz, o casal dança ao som da sua música.


O par é fantástico, dando a Dean e Cindy uma natureza genuína que torna a sua felicidade prazerosa e a sua infelicidade quase insuportável.
A experiência final deixa um gosto que, não sendo azedo, perdura e não é fácil de sair. É a marca deixada por um filme que vale mesmo a pena. Uma autópsia de um casamento falhado que contrasta o brilho do namoro com o triste desenlace depois das disfunções arrasarem as bases da esperança e da novidade.

 

Se existe uma falha é na frequência das viagens ao passado que por vezes quebram o ritmo lá mais para o final da fita. Contudo, quando se fala de um produto com tamanha intensidade e sensibilidade, isso acaba por ser um problema menor.

 

 

Há um momento em Blue Valentine quando o seu drama abrasador e a sua beleza errante se focalizam de forma devastadora. Cindy está sozinha num quarto de hotel enquanto o marido bate freneticamente para entrar. A câmera não mexe, e a atenção foca-se na agonia espalhada pela cara de Cindy: cansada de um casamento claustrofóbico, vê-se presa num lugar de onde não faz ideia como poderá sair.

 

Não é um filme fácil, mas é uma experiência poderosa e inesquecível. Blue Valentine é tão honesto e terrível como por vezes o Amor é.

 

É o antídoto perfeito para os romances ocos e sem alma de Hollywood. Todavia, esta última frase coloca este delicado mas intenso filme numa companhia que simplesmente não o merece.

 

8.5/10

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