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Point-of-View Shot - Black Swan (2010)

por Catarina d´Oliveira, em 23.12.10

 

 

"I had the craziest dream last night about a girl who has turned into a swan, but her prince falls for the wrong girl and she kills herself."

 

Há muito interessado pelos lugares frios e desesperados onde os sonhos nos podem levar, Darren Aronofsky desenvolveu gradualmente o seu vocabulário visual para condizer com as suas ambições visionárias, chegando ao filme mais completo e audacioso da sua carreira. Black Swan.

 

Nina (Natalie Portman) é uma bailarina que sabe que não triunfará no mundo competitivo do ballet se não se "matar a tentar". A sua dedicação espelha-se no seu próprio corpo: o que não está partido ou ferido, está coberto de nódoas negras. A sua mãe, Erica, que também foi um dia bailarina, acompanha o seu treino em casa protegendo-a em demasia, tentando mantê-la eternamente numa redoma que preserva a inocência da infância. O objectivo de Nina? O papel principal em "O Lago dos Cisnes" de Tchaikovsky, livre depois do abandono forçado da famosa bailarina Beth (Wynona Ryder). Thomas (Vincent Cassel) é o director da companhia e é enfeitiçado pela inocência de Nina como o Cisne Branco. Todavia, considera que lhe falta o fogo da sedução necessário para o seu alter-ego, o Cisne Negro. “Go home and touch yourself”, diz-lhe ele.

 

A certa altura, o tom muda ligeiramente e assistimos a um filme de terror onde a linha que separa a realidade da alucinação é cada vez menos visível. Nina veste-se de branco mas vê a sua cara em mulheres vestidas de negro. As obsessões levam-na a arrancar a própria carne, revoltar-se contra a mãe e partir freneticamente para a acção com Lily, uma bailarina rival. Uma espécie de erupção cutânea começa a crescer nas suas costas e, a certa altura, algo parece começar a nascer. Uma pena negra.

 

 

Black Swan é um daqueles filmes cujas críticas nunca poderão ser resumidas à palavra “meio-termo”. Porque é tão audacioso, é por vezes risível (ainda que faça parte do seu charme natural), mas sempre urgente e impossível de não ser visto com enorme fascínio. Black Swan quer uma resposta: ama-me ou odeia-me, mais nada. Eu, confesso, fiquei-me pela primeira, ainda que sentisse traços da segunda em alguns momentos demasiado literais que mais tarde entendi necessários. As reacções desencadeadas pelo visionamento são um reflexo perfeito do filme: a tensão entre opostos, as lutas interiores. Odiamos o filme, amamos o filme, odiamo-lo mais um pouco, e amamo-lo. Nós somos o filme.

 

Partindo do argumento de Mark Heyman, Andres Heinz e John McLaughlin, o realizador Darren Aronofsky é um visionário sem medos. Depois de ensaios da loucura como Pi ou Requiem for a Dream e dramas humanos como The Wrestler, Aronosfky funde as melhores características de todos num híbrido que se apresenta como o seu trabalho mais completo.

 

A "quase-obra-de-arte" serpenteia entre o controlo e o abandono, entre a criatividade e a loucura, e entre as experiências objectivas e subjectivas. Nas suas pequenas falhas, ou momentos risíveis como falei talvez cruelmente no início, tende a literalizar demais, ainda que seja por vezes um sacrifício necessário. Todavia, constitui-se como um thriller astuto e épico passado no mundo sadomasoquista e de clausura do ballet, que desafia a audiência com a sua graça, inteligência e profundidade. Um hábil retrato de uma metamorfose, mas não apenas isso.

 

A fita provoca as nossas expectativas antes de tirar o chão debaixo dos nossos pés. Nina mostra-se como uma profissional perseguida e aterrorizada por terceiros que a prejudicam (afinal, vemos toda a acção sob o seu ponto de vista). Mas, à medida que avançamos na narrativa, essa ideia vai-se dissipando, tal como outras. Thomas é a promessa de um bandido manipulador que usa as suas bailarinas para satisfação de prazeres pessoais. Todavia, quando o filme termina, temos uma ideia completamente diferente de um homem cujo motor é artístico e não carnal. O mesmo princípio aplica-se a Lily, e à medida que o filme progride, interrogamo-nos sobre o que aconteceu realmente de mau e o que foi apenas uma projecção da mente perturbada de Nina.
 


Aronofsky apontou Black Swan como uma espécie de ‘metade’ de The Wrestler, ainda que seja muito mais ambíguo – ambos são, de uma forma ou outra, um filme de personagem, cujo arco se desenvolve de forma semelhante, embora em cenários completamente opostos. Tal como na história de Randy The Ram, o final de Black Swan fica em aberto para interpretações. Todavia, a história do wrestler Randy é mais propícia a respostas emocionais fortes, sendo uma tragédia mais tradicional. Black Swan não é menos intenso, mas, sendo intelectualmente mais exigente, os métodos de storytelling empregues obrigam a uma certa distância entre o espectador e a protagonista Nina, ainda que vejamos tudo da sua perspectiva .

 

Ainda como fez em The Wrestler mas agora respeitando a questões meramente técnicas, Aronofsky filma muitas vezes Portman por trás; uma elaboração pertinente do ponto de vista imersivo do filme (um estilo que é particularmente bem usado, uma vez que a postura de Portman diz tanto da história da personagem). 

Técnica recorrente utilizada pelo realizador é ainda o grafismo extremo em momentos específicos, cujo objectivo é transportar o espectador o mais possível para a dor sentida pela personagem. Este grafismo foi visto em Requiem for a Dream, The Wrestler, e agora Black Swan que é, por vezes, extremamente difícil de ver.

 

O hand-held shooting (técnica de filmagem onde a câmera está nas mãos do operador em vez de estar fixa num tripé) de Matthew Libatique e a banda sonora de Clint Mansell que exala todo o temor da obra de Tchaikovsky são duas importantes adições ao tornado de emoções.

Aronofsky filma close-ups íntimos e intensos seguram as personagens bem perto. Nas filmagens firmemente enquadradas de Nina, não vemos tanto da dança como a sua absorção e interpretação da mesma – a concentração de uma profissional que abriu mão de todo o egoísmo e egocentrismo em prol da carreira.

 

A fotografia é altamente evocativa, usando ângulos pouco comuns e contrastes fortes entre o preto e o branco.

 

 

A performance da bailarina que se desintegra psicologicamente está num patamar muito superior ao alcançado pelo mero elogio. O desempenho arrebatador tem o selo de Natalie Portman, a mesma actriz que, com apenas 13 anos deu que falar com The Professional (1994). Portman, no papel da sua carreira (pelo menos até agora), esvai-se em ansiedade e solidão – uma jovem mulher (ou menina) cujos sonhos e ambições são maiores que a vida. Mesmo nos extremos, é impossível vê-la representar. E isto acontece, meus amigos, quando estamos perante aquelas raras performances, aqueles tour de force que nos mostram para que servem as nomeações dos Oscars. Ou melhor, para que servem os Oscars, ou quaisquer outros prémios e reconhecimentos.

 

O restante elenco sofre pelo brilhantismo da protagonista, mas não deve ser esquecido, especialmente, as duas actrizes secundárias Mila Kunis e Barbara Hershey. A primeira demonstra uma feliz capacidade de actuar em algo mais do que comédias e dramas leves. A partir de uma abordagem narrativa que lhe requer a interpretação de três papéis distintos (pelas diferentes formas como Lily é vista e entendida), Kunis arranja boas formas de diferenciar as três e, ainda assim, manter um elo de ligação entre todas. Ainda que viva na sombra de Portman, é um trabalho que merece reconhecimento. Quanto a Hershey, actua com um poder enorme, ajudando Portman a construir uma relação mãe-filha aterradora e encorporando uma personagem que é tão fácil de odiar como de entender.

 

Ainda digna de nota é a presença de membros do Pennsylvania Ballet que emprestam verosimilhança e veia artística a algumas sequências. A representação do clímax de O Lago dos Cisnes é uma fusão transcendente de música, dança, representação e cinema emocionante.

 

 

Não será o favorito de todos, mas estou aqui para vos assegurar que este conto de loucura, dança e repressão é completamente esmagador desde que os primeiras frames invadem o nosso frágil globo ocular. A loucura é, aliás, intencional e tem um objectivo derradeiro - uma mancha negra ao serviço da arte.


O acto criativo e o impulso destrutivo estão unidos no pavoroso sopro das últimas palavras da protagonista: “It was perfect”. E talvez tenha sido mesmo. Assim, Black Swan é um dos melhores e mais empolgantes filmes de 2010.

 

"This role is destroying you!" 

 

9/10

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6 comentários

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De Tiago Ramos a 23.12.2010 às 12:06

Fiquei tão deslumbrado com o filme que das poucas coisas que consigo dizer é WOW. É um filme devastador, deixou-me completamente estarrecido. E o curioso é que desde o início o final é previsível para quem conhece Lake Swan. Mas o que interessa aqui é a construção/metaforse da personagem e toda a ambiência. É deslumbrante e analisaste muito bem o ponto de vista técnico. GENIAL!
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De Catarina d´Oliveira a 23.12.2010 às 12:26

É bem verdade tiago. acho que é um daqueles filmes que não dá para fazer a crítica logo a seguir sequer... lol e sim o final é previsivel, mas o aronofky nao se contenta com isso e ainda nos oferece uns quantos twists e uma viagem tenebrosa pela mente de uma mulher completamente avariada da cabeça- soberbo!
fico à ansiosamente à espera de ver o teu "take" la no splitscreen :P

obrigada!
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De Ricardo Vieira a 23.12.2010 às 12:38

Já tá nos torrents? Então deixa-me lá ir ver, pois estou ansioso por ver este filme!
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De Catarina d´Oliveira a 23.12.2010 às 13:35

Ricardo, o filme vale muuuito a pena. Dá uma vista de olhos quando puderes!
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De Flávio a 25.12.2010 às 17:29

Mais uma vez, em total acordo com as tuas palavras. Gostei bastante do texto.
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De Alexandre a 10.03.2011 às 12:54

Acho que o filme merece um sólido 10, pois não vejo nada que pudesse ser melhorado, tendo em conta a história e perspectiva pretendida.

Apesar do final da peça representada no filme ser previsível, creio que o destino da personagem já não o é, e a prova disso é que, quase toda a gente que conheço, ficou com a ideia que a Nina de facto morre no fim do filme, quando na verdade se trata de mais uma personificação da personagem.

Achei particularmente inteligente a cena da luta no camarote, em que após a actuação como cisne branco, a Nina mata a Lili (eliminando a concorrência e ao mesmo tempo apelando ao conceito de "absorver as propriedades da vítima", da mesma forma como, em algumas tribos, os guerreiros comiam o coração dos adversários mortos), para de seguida ver-se a si mesma (vestida de branco) ou seja, a morte da sua "parte branca" e inocência, para assim poder incorporar o personagem negro.
Tudo isto, claro, na dimensão psicológica da personagem, o que na minha opinião, pela quantidade de significados opostos mas interligados e simultaneamente tão relevantes para a história e personagem, numa cena tão curta e simples, representa um grande feito cinematográfico.

Acho que o Darren Aronofsky tem superado cada um dos seus filmes anteriores, conseguindo sempre misturar inteligência e singularidade com originalidade, e mal posso esperar pelo seu próximo filme.

Obrigado pelas boas críticas.

P.S.- a ultima frase do filme é, na verdade, "I was perfect", o que tem um significado bastante particular.

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