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Point-of-View Shot - Harry Potter 7: part I

por Catarina d´Oliveira, em 22.11.10

Nota: Atenção amigos, esta é daquelas críticas grandes. Mas com filmes bons, até dá gosto escrever!

 

 

"These are dark times, there is no denying."

 

Quando saía da sala de cinema, ouvia secretamente as opiniões dos outros espectadores que me rodeavam e não pude deixar de me sentir frustrada. “Que desilusão. Isto não vai ter sucesso nenhum”, dizia alguém. Enfim. Tenho pena que às vezes não se olhe além daquilo que se pode captar. Esta é uma saga em crescimento, sendo somente natural que os seus temas e instrumentos mudem. É que além da crescente maturidade dos protagonistas, ainda temos de considerar que esta é uma era negra no mundo da magia, e um filme carnavalesco e pejado de acção não era de todo o que se pedia.

 

Harry Potter and the Deathly Hallows: Part I parece-me trilhar um injusto caminho para ser, em muitas situações, um incompreendido. Afinal, é um rito de passagem, e muitos espectadores terão até dificuldade em identificá-lo como uma parte individual e única de um todo. Um pouco como “Lord of the Rings: the Two Towers”, é uma ponte, pairando algures entre um início e um fim. Mas se querem que vos confesse, nunca vi um Harry Potter tão humano e tão próximo de nós. Sei que terei muitos a discordar, mas mesmo sem grandes espalhafatos, acho que isto foi o que a saga cinematográfica nos ofereceu de melhor até hoje, e que melhor que isto era honestamente difícil de fazer.


Quando foi a anunciado que o último livro da série teria a sua adaptação cinematográfica dividida em duas partes, a irritação tomou o meu corpo. Achei que seria uma estratégia gerida pela ganância do dinheiro. Afinal de contas, e ainda bem, saiu-me o tiro pela culatra e fez-se algo em prol de uma história melhor.

 

Depois de seis filmes com pano de fundo comum – a glamourosa e fantasiosa escola de Hogwarts -, David Yates apresenta-nos uma primeira parte do último capítulo da saga para uma realidade muito mais próxima da nossa, uns simples muggles.

 

 

 

Nesta penúltima oportunidade de torcermos pelo rapaz que sobreviveu, o nosso trio favorito começa a frenética e extenuante busca pelos Horcruxes - objectos onde Voldemort guarda pedaços da sua alma, dificultando a sua destruição. E se de Philosoper’s Stone para The Chamber of Secrets notávamos uma abismal diferença em termos de negritude e complexidade, o que dizer do novo episódio?

 

Quanto ao facto de ser um filme como nenhum outro, é verdade. Desta vez não há o chapéu seleccionador, nem as peripécias de Longbottom, nem Hogwarts. Há uma jornada de três amigos que lutam pela possibilidade de um mundo melhor e com paz. Há uma jornada humana, há obstáculos e há uma amizade cada vez mais desenvolvida.


De certa forma, o tom de melancolia e desolamento que nos passa na maior parte do tempo, é também uma analogia àquilo que os espectadores começam a sentir. Uma nostalgia. Porque mesmo que ainda tenhamos oito meses para sonhar com “o rapaz que sobreviveu”, esta é talvez a primeira altura em que nos damos conta que, em Julho, tudo chegará ao fim.


Desta vez temos mensagens socio-políticas subliminares bastante evidentes, com os seguidores de Voldemort a empregar uma conduta semelhante à Nazi (uma nota interessante são as publicações e panfletos do Novo Ministério da Magia que se assemelham até em termos gráficos à propaganda Nazi), ressaltando a importância de uma raça pura que domina outras raças quase ditas “rafeiras” – os meio-sangue (considerados traidores) e, em última instância, os Muggles (raça inferior).


Outro ponto de sinalização e análise imperativa é o retrato raro do outro lado do heroísmo - um lado entediado, frustrante mas, acima de tudo, sozinho que implica muita pesquisa, dedicação e força interior.

 

 

 

Este é um vigoroso ensaio sobre personagens espalhadas por uma selecção de locais  entre a moderna e agitada Londres e as paisagens abandonadas da Inglaterra, concordando com as trevas deste conto apocalíptico.

 

Numa mistura mágica de acção, thriller, parábolas políticas, amor e amizade, a Part I é uma obra forte e verdadeira que mantém o nosso coração apertado entre as paredes da tristeza. Neste seguimento, vale a pena sublinhar que alguns dos melhores momentos provém de pequenas sequências entre o trio principal. É, claro, inevitável recordar a afectuosa cena escrita apenas para a adaptação cinematográfica onde Harry e Hermione partilham uma dança que espelha não só o valor da verdadeira amizade, como funciona também como um escape de um mundo que parece inescapavelmente condenado.  

 

David Yates (realizador) e Steve Kolves (argumentista) trabalham com uma sincronização magnífica neste ponto, capturando perfeitamente os sentimentos de paranóia (relativa à perseguição constante), o peso opressivo de uma tarefa maior que eles mesmos e a tristeza das separações e das perdas incontornáveis por parte do trio protagonista. É um filme incrivelmente violento a nível emocional e que nunca receia mostrar o que tem a mostrar, desde a frustração de um passo em falso, a uma morte dolorosa e inesperada.

 

Mas Yates surpreende ainda com um conjunto de bons sustos, humor (as maiores gargalhadas decorrem invariavelmente de Ron Weasley) e uma surpreende sequência de animação “à la Tim Burton” enquanto os três fantásticos enveredam pelo campo da simbologia, qual DaVinci Code, tentando decifrar um estranho desenho que recorrentemente vêem nas pistas que seguem.

  

 

 

Os efeitos são tão especiais que raramente damos por eles, o que é o melhor elogio que se pode fazer neste campo e as imagens de paisagens intermináveis contrastadas com cenários mágicos únicos contribuem para uma fotografia única por parte de Eduardo Serra, que trabalha pela primeira vez na série, trazendo uma estética e fluidez completamente diferentes.

 

Devemos ainda prezar a direcção de arte levada a cabo por Stuart Craig seja no sentimento de depressão sentido na decoração dos abrigos ou no Ministério da Magia com laivos fascistas.

Domina uma palete de azuis e cinzentos havendo, muito ocasionalmente, espaços de cores mais vivas que quase nos cegam devido à habituação ao tom negro, mas que se adequam perfeitamente aos contrastes que pretendem exaltar.

 

Quanto ao ritmo, alterna entre as sequências frenéticas de fuga e batalha, e a quietude dos momentos de exposição e explicação que são essenciais na trama. Mas é crucial ainda dizer que este é talvez o primeiro episódio que permite tanto às personagens como à assistência ter tempo para inalar e interiorizar toda a gravidade das situações e acontecimentos do enredo. Afinal, o mundo é um lugar ansioso e agora afectado por uma profunda esquizofrenia.

 

Como é costume, os jovens-adultos estão rodeados pela mais fina artilharia britânica, com Bill Nighy e Rhys Ifans como últimas adições. Entre os recorrentes, vale a pena destacar o contínuo brilharete de Ralph Fiennes (numa performance arrepiante), Helena Bonham Carter (mais louca que nunca) e Alan Rickman.

 

 

 

Mas apesar da chuva de estrelas, esta fita é só sobre as crianças que se tornaram adultos. Os três protagonistas são espantosos. Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson vêem o fim da série em frente dos seus olhos e parecem sprintar cada vez mais convictamente para o final, apresentando performances cada vez mais sólidas e dramaticamente bem conseguidas. Watson e Grint merecem apreço especial pelo envolvimento emocional exponencial que demonstraram neste filme em particular, uma vez que também me pareceu ser o primeiro filme não somente sobre Harry, mas sobre o trio. Todavia, e a ponto adicional, penso que, tal como outros actores que deram vida a personagens icónicos (ex. alguns actores de Lord of the Rings), eles vão ter dificuldade em afastar-se daquilo que os tornou célebres.

 

Outro momento chave relativamente ao elenco, é aquele em que o trio se disfarça para entrar no Ministério e especialmente David O’Hara e Steffan Rhodri captam cada trajeito de Harry e Ron na perfeição, proporcionando um mix de tensão e humor irrepetíveis.

 

Quase me esquecia de assinalar o regresso dos elfos domésticos Kreacher e Dobby, sendo o último a tal fonte de "awwww" que agora todos os filmes parecem ter. Mas que se desenganem aqueles que pensam que a sua participação se cinge a isso apenas. Dobby regressa como um corajoso combatente nesta guerra com o seu quê de terrorista, proporcionando, mais para o final, uma das cenas mais dramáticas e fortes de todas as duas horas e meia de duração.

 

 

Não consigo destacar pontos negativos relevantes, mas também não posso negar que Harry Potter and the Deathly Hallows: Part I nos deixa insatisfeitos. Contudo, é uma insatisfatez positiva, na medida em que ficamos embriagados com a história que se nos conta, e, como um vício, não queremos que termine nunca. Queremo-la toda ao mesmo tempo. A resolução final chegará dentro de oito meses, em Julho de 2011. E pelo que esta primeira parte deixa adivinhar, será algo épico e nunca antes visto.


Chegámos ao princípio do fim. E à passagem dos créditos finais, além dos desiludidos e frustrados, há também aqueles que dizem: "Fogo, adorei! Mal posso esperar por Julho!”. E, na verdade, esta é a única crítica que este filme precisa.

 

"I must be the one to kill Harry Potter"

 

9/10

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1 comentário

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De Ana Luísa a 22.11.2010 às 23:09

Olá. =)

É bem verdade: os que se habituaram ao mundo de magia, fantasia, cores e monstros mirabolantes dos filmes anteriores vão ficar desiludidos. Mas isso é porque este filme conseguiu uma maior profundidade. Arrisco dizer que é o primeiro filme da saga do Harry Potter que pela a camada superficial e finalmente nos toca aos mais diversos níveis. O que eram antes filmes de entretenimento, este faz-nos sentir, pensar e humanizar estas personagens mágicas que, outrora, eram difíceis de nos identificarmos com elas.

Obrigada.

Beijinho,

Ana Luísa Reis

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