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Point-of-View Shot - Hamlet (1996)

por Catarina d´Oliveira, em 25.04.09

 

"Something is rotten in the state of Denmark"
 
William Shakespeare é comummente considerado o maior escritor de língua inglesa de todos os tempos. A sua obra é constituída por 38 peças, mais de 150 sonetos e muitos outros poemas. Grosso modo, a sua escrita atravessou fases sendo as suas primeiras obras de cariz cómico e histórico, seguindo-se as tragédias e, por fim, as tragicomédias.
 
Uma das suas mais famosas peças pertence à sua segunda fase criativa onde privilegia o drama e a tragédia; Hamlet conta a história de um jovem príncipe dinamarquês que recebe a visita do fantasma do pai e procura incessantemente a vingança da sua morte.
 
Kenneth Branagh é um notável entusiasta shakespeariano que nos tem vindo a brindar com algumas das melhores adaptações de peças do “mestre” ao grande ecrã. Depois da revolução qualitativa de Henry V em 1989, surge a sua visão de Hamlet, em 1996. Esta foi a primeira adaptação sem cortes da mais longa peça de Shakespeare e o resultado foi uma longa mas apaixonante fita de 238 minutos.
 

 

Uma das maiores curiosidades respeitantes à adaptação é que Branagh teve de palmilhar muito e bater em muitas portas para conseguir uma produtora interessada. Afinal, quem estaria preparado e com vontade de assistir a um épico de mais de quatro horas? Foi também neste sentido que duas versões chegaram às salas: a versão integral, e a versão mais curta, com duas horas e meia. Mas parece que os receios e precauções foram um tanto infundados já que as salas vazias eram as da versão mais curta. Os espectadores tinham sede de Shakespeare, de Shakespeare pleno e sem filtros.
 
Mas não se deixem desanimar pela duração porque Hamlet é uma experiência única e intransmissível.
 
A agonia espalha-se como uma doença infecciosa. Destroçado pela morte do pai, Hamlet batalha o desejo de vingança com a passividade que o separa dela. E desta intriga segue-se o desmoronamento de tudo à sua volta.

 

 

Mas Hamlet não é só drama e intriga. Também há espaço para a comédia e aqui vale a pena salientar os hilariantes momentos em que o protagonista finge a loucura em gestos e discursos exageradíssimos e olhos quase fora das órbitas.

 

A versão de Branagh é uma excelente e irrefutável prova de demonstração daquilo que se pode perder nas versões encurtadas de uma peça; ou melhor, o que se pode ganhar com uma versão integral! A intenção não é apenas ver Shakespeare em toda a sua pureza, é, antes, ver Shakespeare igual a si próprio com todas as camadas de significado que imprimiu nas suas peças. As quatro horas dão espaço à peça para respirar, e enquanto muitas vezes sentimos ter perdido significados por os actores correrem apressados para um filme/peça não longo, Hamlet dá-nos tempo; tempo para reflectir, compreender e navegar ao mesmo tempo dos acontecimentos.

 

Não me aventurarei além das curtas linhas em que expliquei grosseiramente a intriga, já que a sua riqueza poderá tornar a minha tarefa simplesmente ridícula.

 

A direcção por vezes extravagante de Branagh assenta que nem uma luva agindo como o óleo que só vai afinar ainda mais a máquina. Vejam-se as cenas em flashback de Ophelia e Hamlet que, ainda que ausentes do texto shakespeariano, permitem uma melhor compreensão da relação entre ambos e, consequentemente, das intrigas vindouras.

 

 

As técnicas sonoras, a fotografia e especialmente os contrastes de luz dão a Hamlet uma existência tão própria e inquietante que quase a imaginamos real. Os cenários são apaixonantes; a acção passa-se algures no séc. XIX e os interiores do castelo de Elsinore são de parar a respiração. O privilégio pelos espelhos e pelas “portas invisíveis” são uma bela metáfora para o tom misterioso e de ilusão que pairam por toda a peça.

 

O guarda-roupa é deslumbrante com as cores vivas e fortes a marcarem as vestes nobres em contraste com as cores escuras e negras da melancolia de Hamlet.

A composição musical é arrepiante, quer nos momentos dramáticos onde soa baixa, triste e incrivelmente bela, quer nos momentos de intriga ou traição com majestosos tambores, cornetas e coros.

 

O desfilar de caras conhecidas em papéis menores dá a Hamlet uns ares de Hollywood que talvez não precisasse…e mesmo Branagh é incrivelmente possessivo no ecrã. Cada cena sua é só sua. A proeminência de Hamlet está presente mesmo quando está fora do ecrã, e enquanto alguns poderão considerar a performance “over the top”, convém termos em memória que esta será, provavelmente, uma das mais complicadas personagens teatrais algum dia já criadas. E quer queiramos quer não, um filme baseado numa peça é sempre um filme baseado numa peça; por isso, é tão somente natural que, aproximando-se mais do género teatral, seja mais espampanante.

 

Mas é muitíssimo interessante observar a performance de Branagh à lente microscópica. Interessante porque poderá parecer por vezes atípica, mas no fim de contas, a melhor que possamos já ter visto. Branagh não se serve de clichés como apontar holofotes especiais para os mais famosos dizeres da peça (To be or not to be…) privilegiando outras cenas que talvez não esperássemos tão importantes. No final de contas, faz sentido. Porque é que nunca o tínhamos pensado assim?
 

 

O restante elenco é um regalo para os olhos. Julie Christie saiu de propósito da reforma para interpretar Gertrude construindo o retrato de uma mulher dividida entre a culpa, a saudade, e o desejo da felicidade e, ao mesmo tempo, superficial e incrivelmente impressionável pelo actual marido Claudius. Os irmãos Laertes (Michael Maloney) e Ophelia (Kate Winslet) são outras das estrelas. O primeiro começa suave, explodindo depois numa bola de fogo. Quanto a Winslet, uma das melhores performances da sua carreira ainda que o papel seja relativamente pequeno. De notar, em especial, a comovente quebra de Ophelia na cena que denota a sua completa insanidade pela morte do pai e abandono de Hamlet. A loucura não é credível, é real. 

 

Para terminar esta crítica que, fazendo juz ao filme, já vai longa, resta voltar a sublinhar que esta é, para os amantes do teatro, de shakespeare e do cinema, uma experiência única e incontornável.

 

 

“To be or not to be, that is the question. Whether 'tis nobler in the mind to suffer the slings and arrows of outrageous fortune, or take arms against a sea of troubles, and by opposing, end them"

 
9/10

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