"The very meaninglessness of life forces man to create his own meaning. If it can be written or thought, it can be filmed." - Stanley Kubrick
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28
Jan
12

 

"I'm not a puppet, I'm an artist"

 

Uma ave rara, extinta quase poderíamos dizer, chegou às salas de cinema no final de 2011. Mesmo sem chilrear, esta espécie, de plumagem preta e branca, esconde enormes asas de aspecto quase pré-histórico - um pouco assustadoras, devemos dizer. Mas quebrando com tudo aquilo que de mal podíamos agoirar a seu respeito, pairou glamorosa e graciosamente sobre as nossas cabeças, fazendo-nos sonhar com aquilo que um dia foi e hoje, infelizmente, cada vez menos é.

Essa ave exótica dá pelo nome de The Artist.

George Valentin é um galã do cinema mudo – uma estrela no auge de carreira que deixa suspiros quando passa pela rua como quem deixa pegadas quando se passeia pela praia. Um dia o futuro bate à porta, e como a sombra que se esfuma com o raiar do Sol, o Cinema passa a ser ouvido e Valentin vê-se subitamente numa estrada de sentido único; ou fala ou é esquecido.

 

 

O que se passa em The Artist é, na verdade e como puderam ver, muito simples. O que aqui temos é um melodrama de backstage, a história da estrela caída que dá lugar a uma proto-estrela, com perspectivas de se tornar a mais brilhante da galáxia.

Este pequeno grande filme francês é, em certa medida, um pastiche; a boa notícia é que não o é de forma cínica. Combina um charme único com o melhor que o Cinema sempre tentou oferecer-nos: o poder da emoção. Doce, divertido e tocante, acena respeitosamente a mais clássicos do que aqueles que podemos contar pelos dedos das mãos e dos pés [as mais flagrantes: Singin' in the Rain (1958) e A Star is Born (1937)] e o coração que bombeia cada mililitro de arte tem tanta paixão como tiveram Chaplin, ou Keaton, ou Lloyd. É prazer cinematográfico na forma mais pura, mas se as referências são claras, é igualmente verdade que se trata de um dos filmes mais frescos e corajosos do ano, talvez mesmo, do jovem século.

 

 

Reduzir The Artist a um exercício nostálgico é simplesmente pecaminoso, uma vez que estaríamos a obliterar uma das suas maiores vitórias: o triunfo num mundo altamente pixelizado e regido pelos decibéis de uma explosão ensaiada num set. Norma Desmond, a diva de Sunset Boulevard (1950), dizia que os filmes se tinham tornado pequenos demais para si; e parece uma ironia que tantos deles se tenham de facto tornado mais pequenos no processo de se tornarem maiores.

Mas verdade seja dita, The Artist nunca poderá ser confundido com qualquer um título dos anos 20, seja pela imagem demasiado límpida ou pelos ângulos de câmera manifestamente modernos que utiliza. No entanto, não me quer parecer que o que Hazanavicius desejava era proporcionar uma simples viagem ao baú das películas. O que almejou foi algo muito maior: que uma audiência desabituada ao que uma vez foi o seu pão de cada dia, volte a olhar (com olhos de ver) para os primórdios desta Arte, deixando-se abstrair das limitações que há 90 anos pareciam apenas um ponto no futuro distante.

 

O Cinema mudo conta histórias com o artifício único da visão, e Hazanavicius teve ainda a sorte de encontrar dois actores que compreendem isso de forma natural. Bérénice Bejo é pura alegria com momentos de sobriedade, arranjando ainda espaço para, numa ocasião inventiva, nos oferecer um exercício de pantomima esplendoroso e tocante. E Jean Dujardin… bom, é o charme empessoado numa figura de bigode desenhado a lápis de carvão. Um actor físico notável, mas também um excelente espécime dramático.

O seu George Valentin é, como a nossa querida Norma Desmond, uma vítima da mudança. "We didn't need dialogue. We had faces", dizia ela com mágoa. Mas George é ainda mais revolto a esta mudança de paradigma: “I won’t talk!” diz um dos seus personagens; e esta é uma ressonância que vamos reencontrando ao logo de todo o filme.

 

Se tiver mesmo de me queixar, a querela dirige-se inveriavelmente ao último terço da narrativa que se sente um pouco arrastado – a queda dramática de Valentin é demasiado friccionada. O filme não é propriamente longo - nem chega a ter 100 minutos - mas o ritmo, especialmente nos momentos menos... exuberantes, digamos, é perigosamente lento. Ainda assim, e no final, o saldo é milionário.

Parece-me que o destino reserva muitos Oscars para The Artist, e ao mesmo tempo que este é talvez o título mais trivial do ano, é também um dos mais singulares e especiais, sendo simplesmente impossível negar aquilo que acaba por despertar em nós.

 

The Artist é uma lição de renovação não só literalmente, através do arco do protagonista, mas também num plano latente, onde restaura a crença de que uma história simples, bem contada e sem artifícios robóticos pode de facto existir no século XXI.

 

 
A certa altura, Peppy afirma gloriosamente numa entrevista “Make way for the young!”.

E porque às vezes, ao celebrar o velho, sentimo-nos revigoradamente novos, e Michel Hazanavicius escreve o mais belo poema de S. Valentim ao Cinema clássico, que não sendo perfeito, chega para fazer qualquer amante desta sétima Arte sair da sala com um enorme sorriso na cara, reescrevo-o eu: “Make way for the old !”.

 

9/10

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publicado por Close-Up às 12:14
27
Jan
12

Muito bom!

 

 

 

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publicado por Close-Up às 16:04

Foi revelada a lista completa de nomeados para os prémios César, atribuídos pela Academia de Cinema Francesa - são portanto, os "Oscars Franceses". Poliss lidera o grupo de nomeados com 13 indicações, sendo seguido por The Minister com 11, The Artist com 10, Untouchable com nove e House of Tolerance com oito.

 

 

 

Os vencedores da 37ª Edição serão conhecidos na cerimónia apresentada por Guillaume Canet e levada a cabo no Teatro de Châtelet  em Paris, no dia 24 de Fevereiro

 

MELHOR FILME
  • La guerre est déclarée produced by Edouard Weil, directed by Valérie Donzelli
  • Le Havre produced by Fabienne Vonier, directed by Aki Kaurismäki
  • The Artist produced by Thomas Langmann, directed by Michel Hazanavicius
  • Intouchables produced by Denis Freyd, directed by Pierre Schoeller
  • L'exercice de l'État produced by Nicolas Duval Adassovsky, Yann Zenou, Laurent Zeitoun, directed by Eric Toledano, Olivier Nakache
  • Pater produced by Michel Seydoux, directed by Alain Cavalier
  • Polisse produced by Alain Attal, directed by Maïwenn
MELHOR ESTREIA
  • My Little Princess directed by Eva Ionesco
  • Le cochon de Gaza directed by Sylvain Estibal
  • 17 filles directed by Delphine Coulin, Muriel Coulin
  • Angèle et Tony directed by Alix Delaporte
  • La Délicatesse directed by David Foenkinos, Stéphane Foenkinos
MELHOR REALIZADOR
  • Alain Cavalier for Pater
  • Valerie Donzelli for La guerre est déclarée
  • Michel Hazanavicius for The Artist
  • Aki Kaurismäki for Le Havre
  • Maïwenn for Polisse
  • Pierre Scholler for L'exercice de l'État
  • Eric Toledano and Olivier Nakache for Intouchables
MELHOR ACTOR
  • Sami Bouajila in Omar m'a tuer
  • François Cluzet in Intouchables
  • Jean Dujardin in The Artist
  • Olivier Gourmet in L'exercice de l'État
  • Denis Podalydes in La conquête
  • Omar Sy in Intouchables
  • Philippe Torreton in Présumé coupable
MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO
  • Michel Blanc in L'exercice de l'État
  • Nicolas Duvauchelle in Polisse
  • Joey Starr in Polisse
  • Bernard Lecoq in La conquête
  • Frédéric Pierrot in Polisse
MELHOR PROMESSA (ACTOR)
  • Nicolas Bridet in Tu seras mon fils
  • Grégory Gadebois in Angèle et Tony
  • Guillaume Bouix in Jimmy Rivière
  • Pierre Minet in J'aime regarder les filles
  • Dimitri Storoge in Les Lyonnais
MELHOR ACTRIZ
  • Ariane Asquaride in Les neiges du Kilimanjaro
  • Bérénice Béjo in The Artist
  • Leila Bekhti in La Source des femmes
  • Valérie Donzelli in La guerre est déclarée
  • Marina Foïs in Polisse
  • Marie Gilain in Toutes nos envies
  • Karin Viard in Polisse
MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA
  • Zabou Breitman in L'exercice de l'État
  • Anne Le Ny in Intouchables
  • Noémie Lvovsky in L'Apollonide, souvenirs de la maison close
  • Carmen Maura in Les femmes du 6e étage
  • Karole Rocher in Polisse
MELHOR PROMESSA (ACTRIZ)
  • Neyda Yadri in Polisse
  • Adele Haenel in L'Apollonide, souvenirs de la maison close
  • Celine Salette in L'Apollonide, souvenirs de la maison close
  • Clotilde Hesme in Angèle et Tony
  • Christa Theret in La brindille
MELHOR FILME ESTRANGEIRO
  • Drive directed by Nicolas Winding Refn
  • Black Swan directed by Darren Aronofsky
  • Incendies directed by Denis Villeneuve
  • Melancholia directed by Lars von Trier
  • A Separation directed by Asghar Farhadi
  • The King's Speech directed by Tom Hooper
  • Le gamin au vélo directed by Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne
MELHOR ARGUMENTO
  • Michel Hazanavicius for The Artist
  • Valérie Donzelli, Jérémie Elkaïm for La guerre est déclarée
  • Eric Toledano, Olivier Nakache for Intouchables
  • Maïwenn, Emmanuelle Bercot for Polisse
  • Pierre Schoeller for L'exercice de l'État
MELHOR ADAPTAÇÃO
  • David Foenkinos for La délicatesse
  • Vincent Garenq for Présumé coupable
  • Olivier Gorce, Roschdy Zem, Rachid BoucharebOlivier Lorelle for Omar m'a tuer
  • Mathieu Kassovitz, Pierre Geller, Benoît Jaubert for L'ordre et la morale
  • Yamina Reza, Roman Polanski for Carnage
MELHOR FOTOGRAFIA
  • Pierre Aïm for Polisse
  • Josée Deshaies for L'Apollonide, souvenirs de la maison close
  • Julien Hirsch for L'exercice de l'État
  • Guillaume Schiffman for The Artist
  • Mathieu Vadepied for Intouchables
MELHOR MONTAGEM
  • Anne-Sophie Bion, Michel Hazanavicius for The Artist
  • Laurence Briaud for L'exercice de l'État
  • Pauline Gaillard for La guerre est déclarée
  • Laure Gardette, Yann Dedet for Polisse
  • Dorian Rigal Ansous for Intouchables
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
  • Laurence Bennett for The Artist
  • Alain Guffroy for L'Appolonide, souvenirs de la maison close
  • Pierre-François Limbosch for Les femmes du 6ème
  • Jean Marc Tran Tan Ba for L'exercice de l'État
  • Wouter Zoon for Le Havre
MELHOR GUARDA-ROUPA
  • Catherine Baba for My Little Princess
  • Mark Bridges for The Artist
  • Christian Gasc for Les femmes du 6ème
  • Viorica Petrovici for La source des femmes
  • Anaïs Romand for L'Appolonide, souvenirs de la maison close
MELHOR BANDA SONORA
  • Alex Beaupain for Les bien-aimés
  • Bertand Bonello for L'Appolonide, souvenirs de la maison close
  • -M-, Patrice Renson for Monstre à Paris
  • Ludovic Bource for The Artist
  • Philippe Schoeller for L'exercice de l'État
MELHOR SOM
  • Pascal Armant, Jean Goudier, Jean-Paul Hurier for Intouchables
  • Jean-Pierre Duret, Nicolas Moreau, Jean-Pierre Laforce for L'Apollonide, souvenirs de la maison close
  • Olivier Hespel, Julie Brenta, Jean-Pierre Laforce for L'exercice de l'État
  • Nicolas Provost, Rym Debbarh-Mounir, Emmanuel Croset for Polisse
  • André Rigaut, Sébastien Savine, Laurent Gabiot for La guerre est déclarée
MELHOR DOCUMENTÁRIO
  • Le Bal des menteurs directed by Daniel Leconte
  • Crazy Horse directed by Frederick Wiseman
  • Ici on noie les algériens directed by Yasmina Adi
  • Tous au Larzac directed by Michael Radford
  • Michel Petrucciani directed by Christian Rouaud
MELHOR CURTA-METRAGEM
  • L'accordeur directed by Olivier Treiner
  • La France qui se lève tôt directed by Hugo Chesnard
  • J'aurais pu être une pute directed by Baya Kasmi
  • Je pourrais être votre grand-mère directed by Bernard Tanguy
  • Un monde sans femmes directed by Guillaume Brac
MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO
  • Le Tableau directed by Jean-François Laguionie
  • Le Cirque directed by Nicolas Brault
  • Le Chat du rabbin directed by Joann Sfar, Antoine Delesvaux
  • Un monstre à Paris directed by Bibo Bergeron
  • La Queue de la souris directed by Benjamin Renner
CÉSAR HONORÁRIO
  • Kate Winslet




publicado por Close-Up às 11:52

Terrence Malick é um realizador... peculiar. Apesar de idolatrar os seus filmes, especialmente o último - The Tree of Life - tenho de confessar que o homem não deve jogar com o baralho todo.

 

Os mitos associados à sua arte são lendários.

 

 

Mais uma prova disso mesmo é este pequeno excerto de uma Oscar Roundtable onde Christopher Plummer e George Clooney partilham algumas histórias perante olhares embasbacados - olhares estes que não são uns quaisquer, falamos por exemplo de Tilda Swinton e Charlize Theron. Mesmo reconhecendo a arte do realizador, Plummer não é propriamente manso, sendo de facto bastante crítico relativamente à forma de trabalho do realizador. E o que eu gostava de ter lido aquela carta...

 

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publicado por Close-Up às 09:58
26
Jan
12

Foi apenas há poucos minutos que terminei de ver o “filme revelação” do ano: The Artist.


O que vos escrevo a seguir parte de uma discussão iniciada no mural de Facebook de uma amiga e que o opunha a The Tree of Life, o mais recente filme de Terrence Malick. Quero enfatizar que tudo o que se seguirá a isto, partirá apenas da MINHA opinião pessoal não sendo, por isso mesmo e nem nada que se pareça, dogmático.

The Artist é, sem qualquer margem para dúvidas, um dos dois filmes do ano. É uma carta de amor a um Cinema que já há muito nos deixou, mas não apenas isso; é uma celebração de tudo o que o Cinema é, significa, e é também uma dupla história de Amor, amor humano e amor profissional.

Acredito piamente que será distinguido como o Melhor Filme do Ano no dia 26 de Fevereiro, como já o foi por várias associações, círculos e festivais. Merece-o e ficarei contente por ele, apesar de ser a minha segunda escolha. E não querendo comparar alhos com bugalhos - porque nem sequer é possível - vou apenas fazer um paralelo relativamente ao segundo filme do ano, e o meu favorito. Volto a sublinhar que não é uma comparação e apenas a minha explicação para preferir um ao outro.

 


Se The Artist é uma homenagem a um Cinema que já não existe, The Tree of Life é-o a um Cinema que ainda não existe. Um Cinema híbrido, que encaixa técnicas e camadas às quais não estamos habituados – incluindo uma opção de storytelling muito complexa, que acredito não ter sido grande ajuda na sua integração no gosto das massas, o que compreendo perfeitamente.

Mas essencialmente o que quero fazer convosco é uma viagem no tempo: vamos voltar a Abril de 1969. Nesse mês foram entregues os Oscars para os melhores filmes lançados em 1968. Conseguem lembrar-se do vencedor?

 

Foi Oliver! um musical britânico que, não pondo em causa a qualidade, suspeito que muitos de vocês não conheçam.

Estamos em 2012, e o filme que recordamos e que reconhecemos ter sido o grande impulsionador da mudança no Cinema moderno é, na verdade, da mesma colheita de Oliver!, de 1968. Falo-vos de 2001: A Space Odyssey, de Stanley Kubrick.


A verdade é que um prémio vale o que vale, e até um filme galardoado com Oscar - considerado o mais prestigiado prémio da indústria - não tem a garantia de sobreviver ao passar do Tempo. Desconfio que daqui a 20, 30, 40 anos ainda vamos ouvir falar dele (The Tree of Life), quem sabe, colocando-o na mesma frase que 2001: A Space Odyssey.

Às vezes parece que temos aquela epifania que nos faz acordar e ir ao fundo da razão pela qual amamos alguma coisa. The Tree of Life foi essa epifania, e é, PARA MIM, o filme mais importante do século XXI.

publicado por Close-Up às 17:38
25
Jan
12

Este post e esta imagem (que infelizmente não sei quem compilou) serve para honrar o trabalho não só daqueles que estão por detrás das máscaras e passam despercebidos ao the-all-seeing-eye de Hollywood, mas também àqueles que dedicam uma vida de trabalho à criação de guarda-roupas e exercícios exímios de maquilhagem e nós nem os apelidos lhes conhecemos.

 

O cinema pode ser bem macaco para os que não aparecem no cartaz de um filme, e ainda que pouco possa este post significar, fica aqui o imenso agradecimento a todos pelo que já fizeram por nós, amantes da sétima arte. Obrigada.
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publicado por Close-Up às 17:50
24
Jan
12

Todos os anos toda a gente se queixa que os Oscars são cada vez mais previsíveis, e parece que os senhores da Academia se juntaram para poderem dizer “ai é? Então tomem lá disto!”, porque a edição de 2012 dos Oscars parte do seu lote de nomeados com muitas presenças e ausências inesperadas.


Desde concorrentes aparentemente desaparecidos que renasceram até aos praticamente certos que afinal não eram assim tão certos, há de tudo um pouco na lista final de nomeados que foi anunciada hoje há poucas horas e que pode ser consultada na íntegra aqui.

 

Como dizia o outro, "Prognósticos, só depois do jogo", por isso neste post partilho convosco alguns pensamentos rápidos sobre aquelas que foram para mim as maiores surpresas (positivas e negativas) do dia.

 

 

 

Bridesmaids

O hype que se vinha formando à volta de Bridesmaids vinha a indicar a sua possível e irreverente presença na cerimónia dos Oscars. O dia de hoje trouxe a confirmação sob a forma de duas nomeações de grande importância - Actriz Secundária e Argumento Original.


Tinker Taylor Soldier Spy

Se calhar, esta é mais uma surpresa para mim do que para a maioria de vocês. Ainda não vi o filme, mas não me parecia do género "awards season". A nomeação de Gary Oldman é simultaneamente inesperada mas também bem-vinda - por incrível que pareça é a sua primeira, e será sempre vista como uma homenagem à sua longa carreira.

 

Extremely Loud and Incredibly Close

Mais uma vez - ainda não vi o filme, mas também nunca o imaginei bem como "oscar material", até porque as críticas nem têm sido assim tão boas. Achei mais que era um daqueles feel-good movies que tinham uma imensa produção por trás, mas pelos vistos, fiz um julgamento errado. Apesar de só partir para a luta com duas nomeações, são duas indicações importantíssimas - Melhor Filme e Actor Secundário.


The Girl with the Dragon Tattoo

Não estava com grandes esperanças no seu sucesso na Academia, apesar de ter gostado muito da visão alternativa de David Fincher do universo criado por Stieg Larsson. Mas afinal de contas, acabou mesmo por conquistar lugar em categorias importantes - fiquei contente com a indicação da Fotografia e especialmente de Rooney Mara para Melhor Actriz. Cinco nomeações já é coisa para deixar uma pessoa orgulhosa, mas não percebi bem a ausência na lista de Melhor Filme ( na verdade até percebo por causa do processo de votação da Academia, mas não concordo com a ausência, é mais isso). Tenho pena, acho que era uma indicação merecida tendo em conta o panorama geral. Ah, e já quase me esquecia... o "roubo" na categoria de Banda Sonora Original é criminoso.

 

The Tree of Life

Foi uma surpresa, porque pensava que a obra-prima de Malick estava a desaparecer da mente de toda a gente - sem eu perceber como, mas claro, temos de respeitar. Para minha grande felicidade, surgiu em força nos Oscars com três nomeações de importância vital - Melhor Filme, Realizador e Fotografia. Se fosse eu a escolher, levava todos os três Oscars para casa.

 

Chico&Rita e A Cat in Paris

Provavelmente não tinham ouvido falar destas duas animações - eu só tinha ouvido falar de uma, e foi bem ao longe, confesso. Ainda assim, conseguiram um lugar na categoria de Melhor Animação tomando o lugar de um pequeno filme chamado... Tintin. Não foi um ano particularmente feliz para a animação (pelo menos para a mais mainstream), mas é bom ver duas presenças refrescantes na lista.

 

 

 

Tintin

Falava-se da presença irrefutável na lista de Melhores Animações... e o tiro saiu pela culatra. Em vez de Tintin, temos um gato com botas acompanhado de dois ilustres desconhecidos e mais um panda lutador. O vencedor da noite deverá ser, porém, um lagarto.

 

Melancholia

Perdeu todo o gás que tinha aquando do seu lançamento, mas continuava a defender-se com as boas críticas que recebeu... de qualquer das formas, as boas críticas são a única coisa de que se vai poder gabar no futuro.

 

Drive

Apenas com uma nomeação técnica (Edição de Som), Drive é um ausente de peso, especialmente nas categorias de Melhor Filme, Actor Principal (Ryan Gosling) e Secundário (Albert Brooks). O falatório que se tinha gerado à sua volta, acompanhado de alguns prémios que vinha a arrecadar, tem vindo a esfumar-se, e os Oscars oferecem-lhe um prémio de consolação muito, muito desenxabido. Ryan Gosling é "roubado" pelo segundo ano consecutivo (no ano passado com Blue Valentine).

 

Leonardo DiCaprio (J. Edgar) e Michael Fassbender (Shame)

Confesso que não vi ainda nenhum dos dois filmes em questão, mas as interpretações de DiCaprio e Fassbender têm sido bastante prezadas pela crítica.

 

Tilda Swinton (We Need to Talk About Kevin) e Elizabeth Olsen (Martha Marcy May Marlene)

Acho que 2011 foi um ano para mais tarde recordar no que respeita a interpretações femininas. Nenhuma das nomeadas merecia que a retirassem - a única questão é que este era um ano em que precisávamos de ter umas 10 (ou mais) Senhoras nesta categoria. Uma delas seria Tilda Swinton pelo seu papel avassalador em We Need to Talk About Kevin; outra seria a jovem Elizabeth Olsen que nos ofereceu um retrato polidíssimo e profundo em Martha Marcy May Marlene.

 

Take Shelter e 50/50

O primeiro foi um dos filmes com melhores críticas este ano e com grande reconhecimento pelo papel interpretado por Michael Shannon, o segundo foi a comédia mais arriscada do ano que sonhava com uma indicação para Melhor Argumento Adaptado. Infelizmente, ambos seguem caminho sem qualquer nomeação.

 

publicado por Close-Up às 16:02

   

A Academia revelou há poucos minutos a lista final de nomeados para os prémios de Cinema mais aguardados do ano e que dispensam apresentações, os Oscars.

 

E para quem reclama que isto dos prémios é tudo muito previsível, este foi um ano recheado de surpresas, como poderão ver abaixo e como falarei ainda hoje num outro artigo. Quanto aos mais nomeados, Hugo lidera com 11 indicações, seguido de The Artist com 10 e Moneyball e War Horse com seis.

 

Sem mais demoras e conversas, segue a lista de nomeados em baixo (em actualização).

 

Melhor Filme

'The Artist' - produtor: Thomas Langmann

'The Descendants' - produtores:  Jim Burke, Alexander Payne e Jim Taylor

'Extremely Loud & Incredibly Close' - produtor: Scott Rudin

'The Help' - produtores: Brunson Green, Chris Columbus e Michael Barnathan

'Hugo' - produtores: Graham King e Martin Scorsese

'Midnight em Paris' - produtores: Letty Aronson e Stephen Tenenbaum

'Moneyball' - produtores: Michael De Luca, Rachael Horovitz e Brad Pitt

'The Tree of Life' - (nomeados por determinar)

'War Horse'  - produtores: Steven Spielberg e Kathleen Kennedy

 

Melhor Realizador

'The Artist' de Michel Hazanavicius

'The Descendants' de Alexander Payne

'Hugo' de Martin Scorsese

'Midnight em Paris' de Woody Allen

'The Tree of Life' de Terrence Malick

 

Melhor Actor Principal

Demián Bichir em 'A Better Life'

George Clooney em 'The Descendants'

Jean Dujardin em 'The Artist'

Gary Oldman em 'Tinker Tailor Soldier Spy'

Brad Pitt em 'Moneyball'

 

Melhor Actor Secundário

Kenneth Branagh em 'My Week with Marilyn'

Jonah Hill em 'Moneyball'

Nick Nolte em 'Warrior'

Christopher Plummer em 'Beginners'

Max von Sydow em 'Extremely Loud & Incredibly Close'

 

Melhor Actriz Principal

Glenn Close em 'Albert Nobbs'

Viola Davis em 'The Help'

Rooney Mara em 'The Girl with the Dragon Tattoo'

Meryl Streep em 'The Iron Lady'

Michelle Williams em 'My Week with Marilyn'

 

Melhor Actriz Secundária

Bérénice Bejo em 'The Artist'

Jessica Chastain em 'The Help'

Melissa McCarthy em 'Bridesmaids'

Janet McTeer em 'Albert Nobbs'

Octavia Spencer em 'The Help'

 

Melhor Filme de Animação

'A Cat em Paris' de Alain Gagnol e Jean-Loup Felicioli

'Chico & Rita' de Fernando Trueba e Javier Mariscal

'Kung Fu Panda 2' de Jennifer Yuh Nelson

'Puss em Boots' de Chris Miller

'Rango' de Gore Verbinski

 

Melhor Direção Artística

'The Artist' - Laurence Bennett e Robert Gould

'Harry Potter and the Deathly Hallows Part 2' - Stuart Craig e Stephenie McMillan

'Hugo' - Dante Ferretti e Francesca Lo Schiavo

'Midnight em Paris' - Anne Seibel e Hélène Dubreuil

'War Horse' - Rick Carter e Lee Sandales

 

Melhor Fotografia

'The Artist' - Guillaume Schiffman

'The Girl with the Dragon Tattoo' - Jeff Cronenweth

'Hugo' - Robert Richardson

'The Tree of Life' - Emmanuel Lubezki

'War Horse' - Janusz Kaminski

 

Melhor Guarda-Roupa

'Anonymous' - Lisy Christl

'The Artist' - Mark Bridges

'Hugo' - Sandy Powell

'Jane Eyre' - Michael O'Connor

'W.E.' - Arianne Phillips

 

Melhor Documentário

'Hell and Back Again' de Danfung Dennis e Mike Lerner

'If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front' de Marshall Curry e Sam Cullman

'Paradise Lost 3: Purgatory' de Charles Ferguson and Audrey Marrs

'Pina' de Wim Wenders e Gian-Piero Ringel

'Undefeated' de TJ Martin, Dan Lindsay e Richard Middlemas

 

Melhor Documentário (curta-metragem)

'The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement' de Robin Fryday e Gail Dolgin

'God Is the Bigger Elvis' de Rebecca Cammisa e Julie Anderson

'Incident em New Baghdad' de James Spione

'Saving Face' de Daniel Junge e Sharmeen Obaid-Chinoy

'The Tsunami and the Cherry Blossom' de Lucy Walker e Kira Carstensen

 

Melhor Edição

'The Artist' - Anne-Sophie Bion e Michel Hazanavicius

'The Descendants' - Kevin Tent

'The Girl with the Dragon Tattoo' - Kirk Baxter and Angus Wall

'Hugo' - Thelma Schoonmaker

'Moneyball' - Christopher Tellefsen

 

Melhor Filme Estrangeiro

'Bullhead' (Bélgica)

'Footnote' (Israel)

'In Darkness' (Polónia)

'Monsieur Lazhar' (Canadá)

'A Separation' (Irão)

 

Melhor Caracterização

'Albert Nobbs' - Martial Corneville, Lynn Johnston e Matthew W. Mungle

'Harry Potter and the Deathly Hallows Part 2' - Edouard F. Henriques, Gregory Funk e Yolanda Toussieng

'The Iron Lady' - Mark Coulier e J. Roy Helland

 

Melhor Banda Sonora Original

'The Adventures of Tintin' - John Williams

'The Artist' - Ludovic Bource

'Hugo' - Howard Shore

'Tinker Tailor Soldier Spy' - Alberto Iglesias

'War Horse' - John Williams

 

Melhor Canção Original

"Man or Muppet" de 'The Muppets' - Bret McKenzie

"Real em Rio" de 'Rio' - Sergio Mendes, Carlinhos Brown e Siedah Garrett

 

Melhor Curta-Metragem de Animação

'Dimanche/Sunday' de Patrick Doyon

'The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore' de William Joyce e Brandon Oldenburg

'La Luna' de Enrico Casarosa

'A Morning Stroll' de Grant Orchard e Sue Goffe

'Wild Life' de Amanda Forbis e Wendy Tilby

 

Melhor Curta-Metragem (live action)

'Pentecost' Peter McDonald and Eimear O'Kane

'Raju' Max Zähle and Stefan Gieren

'The Shore' Terry George and Oorlagh George

'Time Freak' Andrew Bowler and Gigi Causey

'Tuba Atlantic' Hallvar Witzø

 

Melhor Edição de Som

'Drive' - Lon Bender e Victor Ray Ennis

'The Girl with the Dragon Tattoo' - Ren Klyce

'Hugo' - Philip Stockton e Eugene Gearty

'Transformers: Dark of the Moon' - Ethan Van der Ryn e Erik Aadahl

'War Horse' - Richard Hymns e Gary Rydstrom

 

Melhor Mistura de Som

'The Girl with the Dragon Tattoo' - David Parker, Michael Semanick, Ren Klyce e Bo Persson

'Hugo' - Tom Fleischman e John Midgley

'Moneyball' - Deb Adair, Ron Bochar, Dave Giammarco e Ed Novick

'Transformers: Dark of the Moon' - Greg P. Russell, Gary Summers, Jeffrey J. Haboush e Peter J. Devlin

'War Horse' - Gary Rydstrom, Andy Nelson, Tom Johnson e Stuart Wilson

 

Melhores Efeitos Visuais

'Harry Potter and the Deathly Hallows Part 2' - Tim Burke, David Vickery, Greg Butler e John Richardson

'Hugo' - Rob Legato, Joss Williams, Ben Grossman e Alex Henning

'Real Steel'  - Erik Nash, John Rosengrant, Dan Taylor e Swen Gillberg

'Rise of the Planet of the Apes'  - Joe Letteri, Dan Lemmon, R. Christopher White e Daniel Barrett

'Transformers: Dark of the Moon' - Scott Farrar, Scott Benza, Matthew Butler e John Frazier

 

Melhor argumento Adaptado

'The Descendants' - Alexander Payne, Nat Faxon e Jim Rash

'Hugo' - John Logan

'The Ides of March' - George Clooney, Grant Heslov e Beau Willimon

'Moneyball' - Steven Zaillian, Aaron Sorkin e Stan Chervin

'Tinker Tailor Soldier Spy' - Bridget O'Connor e Peter Straughan

 

Melhor Argumento Original

'The Artist' - Michel Hazanavicius

'Bridesmaids' - Annie Mumolo e Kristen Wiig

'Margin Call' - J.C. Chandor

'Midnight em Paris' - Woody Allen

'A Separation' - Asghar Farhadi

 

*** *** ***

 

NÚMERO DE NOMEAÇÕES POR FILME

 

Hugo- 11
The Artist- 10


Moneyball- 6
War Horse- 6
The Descendants- 5
The Girl with the Dragon Tattoo- 5
The Help- 4


Albert Nobbs- 3
Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2- 3
Midnight in Paris- 4
Tinker Tailor Soldier Spy- 3
Transformers: Dark of the Moon- 3
The Tree of Life- 3
Bridesmaids- 2
Extremely Loud & Incredibly Close- 2
The Iron Lady- 2
My Week with Marilyn- 2
A Separation- 2


The Adventures of Tintin- 1
Anonymous- 1
The Barber of Birmingham- 1
Beginners- 1
A Better Life- 1
Bullhead- 1
A Cat in Paris- 1
Chico & Rita- 1
Dimanche/Sunday- 1
Drive- 1
The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore- 1
Footnote- 1
God Is the Bigger Elvis- 1
Hell and Back Again- 1
The Ides of March- 1
If a Tree Falls- 1
In Darkness- 1
Incident in New Baghdad- 1
Jane Eyre- 1
Kung Fu Panda 2- 1
La Luna- 1
Margin Call- 1
Monsieur Lazhar- 1
A Morning Stroll- 1
The Muppets- 1
Paradise Lost 3: Purgatory- 1
Pentecost- 1
Pina- 1
Puss in Boots- 1
Raju- 1
Rango- 1
Real Steel- 1
Rise of the Planet of the Apes- 1
Saving Face- 1
The Shore- 1
Time Freak- 1
The Tsunami and the Cherry Blossom- 1
Tuba Atlantic- 1
Undefeated- 1
W.E.- 1
Warrior- 1
Wild Life- 1

publicado por Close-Up às 13:19

Pela primeira vez na história, o anúncio dos nomeados para a 84ª cerimónia dos Oscars será transmitida em livestream por, quem mais... o Youtube!

 

 

Pelas 13:30 de hoje passem por aqui para assistir e partilhar as vossas opiniões relativamente aos resultados. Estamos combinados.

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Close-Up às 00:38
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