"The very meaninglessness of life forces man to create his own meaning. If it can be written or thought, it can be filmed." - Stanley Kubrick
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16
Mai
12

 

"You think I'm crazy? Well, listen up, there's a storm coming like nothing you've ever seen, and not one of you is prepared for it. "

 

Vivemos num mundo que nos ensinou a tomar as coisas como garantidas.

 

Desde aquele brinquedo que já não nos esforçamos por obter mas recebemos de qualquer forma, ao amor incondicional de um enamorado cego; das nossas capacidades mais básicas àquelas que nos diferenciam dos demais seres vivos.

 

Mas qual seria a nossa reação, ou o que seria de nós se um dia fôssemos privados do tal brinquedo, ou se a pessoa com quem mantínhamos uma relação partisse para outra, ou se deixássemos de conseguir articular uma frase, ou, talvez um dos cenários possíveis mais aterradores ao ser humano, deixássemos de ser capazes de deslindar o que é real do que não é?

 

 

Atormentado por uma série de visões apocalípticas e um estado das coisas pouco animador, Curtis é um homem que tem de decidir se deve proteger a família dele mesmo ou – e incorporando uma espécie de Noé – de uma tempestade vindoura.

 

Take Shelter é terror para gente crescida e ataca-nos com intensidade máxima no ponto mais fraco: aquela certeza que tantas vezes receamos conscientemente relembrar. A certeza de que, na face do desastre maior, não estaremos à altura.

 

Jeff Nichols, que escreveu e realizou o título, alcança a excelência no storytelling ao misturar alquimicamente os elementos mais mundanos na narrativa com os eventos mais bizarros. O resultado é uma solução fluída com o dom de incrustar em nós uma espécie de esquizofrenia por afinidade: também nós deixamos de conseguir distinguir o real do imaginário.

 

 

Mas mais do que um character study, o que o realizador americano criou foi uma brilhante alegoria para os tempos negros do presente, que entre a paranoia e a ilusão, nos guarda muito do que devemos recear.

 

O mundo em que vivemos é um lugar permanentemente inquieto, uma realidade que qualquer um de nós não tem dificuldade em atestar, mas que os filmes têm, de alguma forma, tanta dificuldade em reproduzir. E Take Shelter é um daqueles títulos raros que tem o dom de carregar consigo o sentido do mundo presente em cada frame. Esta é uma obra habilmente controlada a todos os níveis, numa modulação perfeita do mood que se alia a uma precisão emocional exímia.

 

Os efeitos visuais são incrivelmente avançados - as imagens apocalípticas são fascinantes, mas não menos o são as da vida quotidiana - e a banda Sonora composta por David Wingo acompanha a angústia e desespero de Curtis como parte da mesma unidade.

 

 

Take Shelter é um cenário típico para um showcase do talento dos protagonistas – e logo se juntam dois dos atores mais dotados da uma geração: Michael Shannon e Jessica Chastain.

 

A escolha de Shannon é, contudo, um exemplar do célebre pau de dois bicos: se por um lado fica a sensação de que o sujeito passa a vida a interpretar personagens avariados da cabeça, por outro temos a certeza de que este era uma história que tinha nele o único veículo possível.

 

O dilema deste homem é construído por Shannon de uma forma direta e tocante, e desde a suavidade à ameaça, e da calma ao pânico, a modulação do ator é radiosa, num crescendo até à explosão fogosa entre uma reunião de locais que oferece a sua quota de olhares surpreendidos e esgazeados.

 

A performance de Chastain encaixa com uma naturalidade tremenda na de Shannon, sendo dotada de uma natureza implosiva capaz de nos deixar de coração nas mãos – afinal, é ela o vaso emotivo conector entre nós e a obra.

 

        

O ritmo será lento para muitos, e Take Shelter é definitivamente demasiado longo. Mas nem o ritmo nem a duração são o maior dos problemas. O pior sucede no momento em que o realizador decide escolher. O sumo está no processo, em todos os momentos silenciosos que intervalam os acontecimentos, em todas as subtilezas riquíssimas do enredo. E o momento em que Nichols “decide decidir” - se Curtis é um homem tomado pela loucura ou uma espécie de profeta maior - é aquele em que Take Shelter se torna, subitamente, num filme menor.

 

Mas Nichols é um homem que, num pedaço de poesia negra, sabe construir um sentimento de temor em crescendo. O seu génio, e consequentemente, do próprio filme, está justamente nas subtilezas. A economia fragilizada, as contas por pagar, a burocracia interminável para marcar uma operação, o destino ambíguo da herança genética, e, derradeiramente, a constante sensação de que o Universo (ou um Deus), num movimento impiedoso, se pode ver livre de nós como meras formigas. E nada podemos fazer senão procurar abrigo.

 

8.5/10

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publicado por Close-Up às 15:09




E eu cá já mal posso esperar.




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publicado por Close-Up às 09:33

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publicado por Close-Up às 09:13
15
Mai
12

Perdoem-me hoje a ausência, mas foi um dia atolado e com muito que fazer. Entre essas tarefas, está um dos primeiros passos...

 

 

 

É só clicar na imagem para aceder. A boa notícia é que é mesmo verdade, a má notícia é que agora gramam comigo em mais um meio :D

publicado por Close-Up às 22:14
14
Mai
12

Foi hoje colocada online a primeira imagem que nos mostra Ashton Kutcher na pele do ícone da tecnologia, Steve Jobs.

 

 
Apesar das semelhanças fisionómicas serem inegáveis... a escolha do "ator" em questão não deixa de me perturbar um bocadinho o sono... a ver vamos!

publicado por Close-Up às 17:59

Só faltava lá o Manzarra a dizer "ai f****" e a dar o seu saltinho mágico...

 

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publicado por Close-Up às 15:00
13
Mai
12

Filme, AnoFight Club, 1999

Realização: David Fincher

Descrição da Cena: A cena final. Need I say more?

 

 

Acho que Fight Club é um daqueles casos cada vez mais raros onde a analogia do vinho do Porto encaixa que nem uma luva. Já perdi a conta das vezes que assisti ao filme - talvez cinco ou seis, ou mais... não sei já precisar. E de cada vez, David Fincher tem algo novo para me mostrar.

 

Há dias resolvi fazer o que já devia ter feito há muito: juntá-lo à minha imaculada (ainda que bastante humilde) coleção de dvds/blu-rays, e quer acreditem quer não, sinto-me hoje mais completa por ter tomado essa decisão.

 

Vou-me escusar a mais considerações sobre os temas e significados ocultos do filme, algo que já fiz, melhor ou pior, na crítica que escrevi já lá vão quase três anos.

 

 

Este é, na verdade, um post um pouco vazio de conteúdo - algo que nunca me enche as medidas fazer. Mas depois olho para cenas como esta e recordo-me de que as palavras são apenas isso mesmo... palavras. E nada há que vos possa dizer nestas páginas que se equipare à amalgama de sentimentos que uma obra como esta é capaz de nos despertar.

 

Este é então um post humilde, que não pretende vender-vos palavras caras e sedutoras em troca de 90 minutos oferecidos a uma visualização. Este é apenas um post para relembrar um dos meus filmes favoritos de todos os tempos, e, quem sabe, deixar a curiosidade em algum de vós que ainda não tenha tido a oportunidade de o ver.

 

Garanto-vos que não se vão arrepender.

publicado por Close-Up às 16:05

 

Esta semana nos Cinemas:

 

Take Shelter                   Nota IMDB 7.6/10

One for the Money                   Nota IMDB 5.0/10

Cartas de Angola                   Nota IMDB - /10

The Dictator                   Nota IMDB -/10

Safe                   Nota IMDB 6.8/10

Le Skylab                   Nota IMDB - /10

 

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publicado por Close-Up às 13:10
12
Mai
12

É verdade que os nossos Globos não são como os americanos, e a Bárbara Guimarães não é o Ricky Gervais... mas até ao momento são a celebração do entretenimento com maior projeção mediática em Portugal, e por isso mesmo, ficava mal na pintura que resolvessemos ignorá-los ou diminuir-lhes o valor. Ainda para mais porque fazem um belo esforço para distinguir profissionais num país que, infelizmente, nem sempre se recorda que existem.

 

Enquanto os Sophias não chegam, o Globo de Ouro é assim o prémio "mais sonante" que um artista de Cinema recebe em Portugal - e por sonante quero mesmo dizer, mediaticamente sonante, não desfazendo, por isso e claro está, as vitórias em competições nacionais de festivais, ou outras celebrações que tais.

 

 

Por tudo isto, e porque a data já se aproxima a passos largos, não queria deixar passar a oportunidade de destacar aqui o lote de nomeados de Cinema, que encerra alguns dos maiores talentos a trabalhar atualmente em Portugal. Sangue do meu Sangue lidera o grupo com umas estupendas cinco nomeações em apenas três categorias. Posto isto, os nomeados são...

 

MELHOR ATRIZ

Anabela Moreira, em Sangue do meu Sangue

Beatriz Batarda, em Cisne

Maria de Medeiros, Viagem a Portugal

Rita Blanco, em Sangue do meu Sangue

 

MELHOR ATOR

Fernando Luís, em América

Nuno Lopes, em Sangue do meu Sangue

Nuno Melo, em O Barão

Rafael Morais, em em Sangue do meu Sangue

 

MELHOR FILME

América

O Barão

Sangue do meu Sangue

Viagem a Portugal

 

 

Os vencedores serão conhecidos no próximo dia 20 de Janeiro, na XVII Gala dos Globos de Ouro, que terá lugar no Coliseu dos Recreios.

publicado por Close-Up às 15:40
11
Mai
12

 

Hoje enquanto lia um folheto meio amachucado do professor Mambo, dei-me conta que estamos nesse fatídico ano que é 2012, alvo de inúmeras previsões sobre o fim do mundo tal como o conhecemos.

 

Claro que o mundo já acabou noutras alturas... em 2000 quando os computadores iniciaram o seu domínio sobre o Homem, ou em 1997 quando os aliens chegaram à Terra, lembram-se? Pois, nem eu.

 

A questão é que desta vez, são os Maias a dizer que o Mundo vai acabar a 21 de Dezembro de 2012. E mesmo que não tenha sido bem isso que eles disseram, nós adoramos uma boa oportunidade para entrar em pânico e riscar entradas na nossa bucket list.

 

Mas se há entidade capaz de prever o futuro com maior quantidade de cenarios do que todos os professores Karambas que aí andam... é o Cinema. Especialmente depois de Demolition Man (1993) ter previsto que Arnold Schwarzenegger seria um dia Presidente (não é bem a mesma coisa que Senador, mas who cares?) – aí fiquei completamente rendida.

 

 

Hoje vamos conhecer algumas das suas mais ousadas previsões para os anos que virão, porque dá sempre jeito estar preparado com um taco de baseball se um alien nos aparecer à porta de casa daqui a três anos.

 

Hoje trago-vos um artigo com uma carga psíquica inimaginável, ou talvez seja só parvo – ainda não decidi. De qualquer das formas, apresento-vos... O Futuro, de acordo com o Cinema.

 

(ATENÇÃO: este artigo pode conter spoilers)

 

 

2012
Se achavam que 2012 estava a ser mau, com as medidas de austeridade do governo powered by Troika, preparem-se, já que comparado com o que aí vem, é coisa de meninos
- A economia vai ficar feita em papas (Death Race, 2008);
- O Titanic volta aos oceanos e matar quase todos os passageiros (Titanic 2, 2010)
- O tal apocalipse previsto pelos Maias vai chegar, e vamos ter todas as desgraças naturais a que temos direito: tsunamis, indundações, terramotos, é p’ró menino e p’rá menina (2012, 2009)
- Apenas uma pessoa neste mundo sobreviverá a todas as dificuldades : Will Smith - sim, até ao Titanic 2: não houve cá cavalheirismos de deixar interesses amorosos a boiar em pedaços de madeira – mas como ninguém gosta de gente relaxada, o rapaz vai andar entretido a matar criaturas com efeitos especiais medonhos (I am Legend, 2007).

 

 

2015
Claramente a raça humana recupera exemplarmente de apocalipses recentes, pelo que há que reservar um período que propicie a paz e lazer...
- Max Spielberg realiza Jaws 19 e as pessoas podem ir até ao cinema com os seus ténis Nike quitados e pranchas voadoras (Back to the future 2, 1989)
- Primeiras clonagens humanas, e a telenovela brasileira “O Clone” passa finalmente a fazer sentido (The 6th day, 2000)
- É um carro... É uma sucata... É o Robocop!! Defendendo a cidade, numa rua perto de si. (Robocop, 1987)

 

2019
- A telenovela brasileira “O Clone” passa finalmente a fazer sentido para todos aqueles que passaram os últimos 4 anos a dormir (The Island, 2005)
- Uma espécie de moto-ratos gone wild domina o mundo (Akira, 1988)
- São criados os andróides, e, suspeito eu, que esteja perto o referendo para autorizar casamentos entre estes e os humanos (Blade Runner, 1982)
- Uma praga misteriosa transforma a maioria da população em Vampiros – há a possibilidade de algum se chamar Edward (Daybreakers, 2009)
- Viggo Mortensen festeja o ano novo sozinho, dado que é o único sobrevivente de um daqueles eventos apocalípticos que não nos largam da mão (The Road, 2009).

 

 

2033
- Uma moça tenta destruir uma organização maléfica que domina o stock de água do planeta com a ajuda de cangurus falantes (Tank Girl, 1995).

 

2054
Adquirimos a capacidade de prever crimes; consequentemente é provável que o Pinto da Costa deixe de ser presidente do FCP (Minority Report, 2002).

 

2092
- Nemo é o último mortal entre um povo de imortais. E não estamos a falar do peixe (Mr. Nobody, 2009).

 

 

2122
- Os astronautas descobrem vida extraterrestre que, ainda por cima, é especializada em instalar-se e procriar dentro do corpo humano... melhor que o euromilhões (Alien, 1979)

 

2154 
- O homem controla um ser de um planeta distante que é, no fundo, um smurf com três metros de altura (Avatar, 2009)

 

2161
- Tempo é dinheiro. Literalmente. E a Swatch cria os relógios incrustados no corpo com luzes neón verdes (In Time, 2011).

 

2173
- Woody Allen ainda é vivo... o que não é muito surpreendente (Sleeper, 1973).

 

 

2179
- Os aliens malvados regressam e dão conta de uma colónia humana (Aliens, 1987). Como parecem bem resistentes à paulada, voltam para dizimar uma prisão num planeta remoto (Alien 3, 1992)

 

2199
- Todo e qualquer sentido de moda está encerrado na utilização de gabardines pretas e óculos escuros, e o tipo de luta dominante é uma mescla de ballet, yoga e karaté. Ah e as pessoas funcionam como pilhas (The Matrix, 1999, 2003, 2003).

 

2500
- Paraíso de estético: ficamos imunes a qualquer pilosidade corporal e aprendemos a flutuar em bolhas de sabão (The Fountain, 2008)

 

 

2379

- É reconfortante ver que daqui a mais de 350 anos ganhámos a habilidade especial de sermos estúpidos que nem uma porta: então vá de se clonar aliens... os mesmos que fizeram picadinho de nós há 200 anos (Alien: Resurrection, 1997).

 

2505
- A humanidade é composta por gente...como dizer... burra (Idiocrasy, 2006).

 

2805
- A Terra deixou de ser habitável devido à poluição; mande-se um robô limpar a javardeira enquanto enchemos o bandulho de hamburgers algures no espaço (Wall.E, 2008)

 

3000
- John Travolta adere à moda das rastas, o que já de si é assustador o suficiente (Battlefield Earth, 2000).

 

 

3955
- Os macacos abrem a pestana e tornam-se a raça dominante (Planet of the Apes, 2001).

 

4038
- Porque fazer os Hunger Games só entre uma nação “is sooooo last millenium”, faz-se entre vários planetas (Arena, 1989).

 

12090
- Introdução no léxico universal da palavra “Dampiro” – um híbrido entre um ser humano e um vampiro (Vampire Hunter D, 2000) – apesar de eu achar que um garoto de 3 anos já a inventou há tempos...

publicado por Close-Up às 20:00
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